Capítulo-2
P.O.V- Autor, 12 anos
atrás.
Era maio, a primavera acabara de chegar em Oakland,
Califórnia. Oaktown tem uma média de 260 dias ensolarados, esse não foi
diferente. Marie Louisa Simmons acaba de chegar em casa depois de uma agitada
manhã no escritório de advocacia da cidade, ela tem apenas 27 anos e espera-se
uma carreira muito renomada para ela e sua filha, também futura advogada. Marie
é casada com Kyle Johan Simmons, um investidor de sucesso.
-Nathalie, querida, estou em casa!
Marie grita pela casa enquanto deixa as chaves em cima da
mesa da cozinha, a filha de cinco anos Nathalie deveria estar estudando, mas
ficou em casa hoje. Marie procura pela filha no quintal e em seu quarto, mas
ela não está. Ela abre a porta da suíte onde dorme com o marido e o encontra de
malas feitas, pronto para ir embora, se não fosse por uma menina de cabelos
negros e olhos azuis grudada em sua perna.
-O... O que está acontecendo Kyle?
-Estou tentando ir embora.
-É alguma viagem?
Marie não aceitaria ser deixada para trás com uma filha
pequena para cuidar.
-Não Marie. Estou indo, pra sempre.
Ela o observa enquanto ele pega a filha no colo.
-Não papai! Não vá, eu prometo que vou dormir na hora que me
colocarem na cama. Eu prometo que me comporto papai, não vá!
A filha começa a chorar e a segurar a mão do pai que a
deixou sentada na cama do casal.
-Como pôde Kyle? Vai deixar sua família assim?
Ele se solta da filha e passa por Marie.
-Família, Marie? Isso deixou de ser uma família há muito
tempo, ou você acha que com o seu trabalho até tarde e eu preso no escritório
até a noite, Nathalie numa escola particular e todos fingindo estar felizes com
a situação é uma família?
Marie se recusa a chorar, observa com a filha no colo
enquanto ele entra no taxi e desaparece pela avenida. Ela não chorou, a filha
logo dormiu, estava cansada demais de tanto chorar e implorar para que o pai
ficasse. Marie deixou sua filha em seu quarto e foi para a sala, colocou um
disco de vinil no toca-discos, encheu uma taça de vinho mas deixou a garrafa ao
alcance. Marie chorou ouvindo a melodia que ressoava por toda a sala, enchia o
peito dela de saudade e ódio. A saudade e o ódio transbordavam por seus olhos.
P.O.V- Nathalie, 12
anos mais tarde. Aeroporto Internacional de Londres.
Acordei quando estávamos á vinte e três mil pés de altura,
sobrevoando o Atlântico. Uma aeromoça simpática perguntou se eu gostaria de
algo, em francês fluente, infelizmente eu quase reprovei nesta matéria.
–Desculpe...
Eu comecei mas ela sorriu e repetiu, em inglês com um
sotaque estranho.
–Oh, americana não é?-Ela sorriu outra vez.- É a única
adolescente neste voo.
Eu sorrio.
–Gostaria de alguma coisa, querida?
–Uma água, por favor, e... Onde fica o banheiro?- Eu
perguntei olhando para o comprido corredor do avião.
–Aqui esta a água, é ali no final, primeira porta á
esquerda.
–Obrigada.
Ela assentiu uma vez com a cabeça e seguiu pelas poltronas.
Eu me levantei e fui até o banheiro. A cabine era extremamente pequena, eu me
olhei no espelho. Estava horrível, meus olhos estavam vermelhos e o rosto
inchado. Lavei o rosto, fiz o que tinha que fazer lá dentro e saí. O voo estava
vazio, o avião estava parcialmente escuro e os poucos passageiros estavam
dormindo. Eu me sentei quando peguei a bolsa do compartimento de bagagens de
mão. Abri o notebook, diminuindo o brilho que quase me cegou. Em horas
americanas, eu estava no meio da madrugada, três e quarenta e cinco. Hora
prevista para desembarque, sete e meia em horas londrinas. Eu ia me embaralhar
toda com esse lance do horário, resolvi deixar para lá e escutar um pouco de
música antes de pegar no sono outra vez.
Dessa vez eu acordei com a aeromoça francesa cutucando o meu
ombro.
–Chegamos querida, bem vinda á Londres!
Ela sorriu e me ajudou com as bagagens, a achei simpática.
Saí do avião e esperei minha mala passar na esteira, foi fácil achar, eram as
únicas cinzas com um adesivo enorme da bandeira da Inglaterra. Na bolsa que meu
notebook estava, eu peguei uns papéis com telefones de taxis e hotéis por toda
Londres. Me enrolei um pouco para sair do aeroporto, nem precisei do telefone.
Logo na entrada estavam uns vinte taxis esperando por passageiros, eu entrei no
primeiro que se ofereceu para me levar.
–Para onde, senhorita?
–Uhn, só um segundo.
Eu remexia os papéis procurando o hotel mais perto do
apartamento que havia alugado. Só poderia me mudar em dois dias quando a
pintura estivesse pronta.
– Pode seguir neste endereço, por favor.
Ele pegou o papel, o olhou por um instante e começou a
dirigir.
–Primeira vez em Londres?
–Sim.
Eu respondi enquanto olhava pela janela. Estava garoando,
mas e não me importava.
–Você vai gostar, geralmente reclamam do clima, mas não fica
seco e sufocante como em outras cidades.
Eu sorri.
–A chuva não me incomoda.
Chegamos ao hotel pouco depois, o taxista me ajudou com as
malas até a recepção do hotel. Expliquei para a moça que havia feito uma
reserva semana passada. Ela checou o computador e me entregou o cartão para
abrir a porta da suíte.
–Tenha uma boa estadia.
Eu sorri e segui o mensageiro que estava com as minhas
malas. Ele me deixou no oitavo andar, o quarto era enorme. Me joguei na cama e
liguei o computador, Jake iria surtar ao ver que do meu quarto eu podia ver o
Big Ben. Encontrei-o online no Skype, não demorou até ele começar a chamada.
–E aí, com saudades, insuportável?
Eu ri.
–Nem um pouco Collins, Londres é perfeita. Acho que nunca
mais vou sair daqui.
Ele fechou a cara.
–E como eu faço pra te ver?
–Não está me vendo agora?
Ele riu.
–Mas estou te vendo, não estou aí pra te irritar.
–Ah, isso você faz sem ao menos estar aqui.
Ele riu.
–Resolveu tudo aí? O lance do apartamento e a faculdade?
–Sim, tá tudo certo. Que horas são aí?
–Umas seis da manhã porque?
–Sério? E como você está acordado?
–Não consegui dormir direito, achei que alguma coisa poderia
acontecer, vai ver você conheceu algum britânico no avião.
Eu ri.
–Não idiota, o avião estava vazio, mas conheci uma aeromoça
francesa, muita simpática.
–Ah, nesse caso você pode me apresentar não é?
–Claro que não Jake, ela vai passar muita vergonha com você.
Ele riu e depois bocejou.
–É melhor ir dormir Collins, nos falamos mais tarde.
Ele concordou. Verifiquei meus e-mails. Havia recebido uma
proposta de emprego meio-período para trabalhar na livraria do outro lado da
rua, pagava bem, eu podia fazer meus horários e teria o dinheiro para pagar a
faculdade. Hensworth é a melhor faculdade quanto o assunto é artes, fotografia
ou literatura. Também não é cara, vinte e sete mil dólares por ano não é tão
caro, eu já havia pagado o primeiro ano. Discuti com a minha mãe pelo segundo.
Minha mãe. Não havia ligação perdida, e-mail ou qualquer sinal de que ela
queria falar comigo. Ótimo, ela que quis assim. Respirei fundo e ergui a
cabeça, vou aceitar esse emprego. Saí do hotel depois de tomar um banho e
trocar de roupa, coloquei uma calça preta, uma sapatilha e uma blusa de mangas
compridas listrada, peguei a bolsa e me certifiquei de estar com o celular e o
endereço certo(http://www.polyvore.com/cgi/set?.locale=pt-br&id=56456614).
Fui andando até a faculdade e dei uma olhada nos três prédios marrons que
cercavam a praça, eram enormes. Atravessei rua para entrar na livraria. Uma
mulher de idade, com óculos de leitura e cabelos grisalhos me atendeu.
–Bom dia, posso ajuda-la?
Eu sorri e me aproximei do balcão.
–Bom dia, é a senhora DeLarue, certo?
Ela sorriu.
–Sou eu mesma.
–Bom, eu sou Nathalie, Nathalie Simmons. A senhora me mandou
um e-mail com uma oferta de emprego.
Ela buscou uma caneta e uma prancheta antes de responder.
–Ah, minha nossa! Sim, eu me lembro. E então, vai aceitar?
–Bom, eu queria saber sobre os horários direitinho.
–Você vai estudar na Hensworth, certo? – Eu assenti com a
cabeça.- Então faremos o seguinte, as aulas terminam as três, você almoça e
chega aqui as quatro, que tal?
–E para fechar a loja?
–Ah, minha neta vai ficar com você, a livraria fecha os
oito. Se você aceitar, sua folga é de sexta e sábado, mas no domingo tem que
estar aqui, ás oito. O que acha?
–Parece perfeito.
Ela sorriu.
–Ótimo, só preencha este formulário aqui, você pode começar
na segunda.
–Tudo bem.
Eu preenchi o formulário, agradeci a senhora DeLarue e
entrei no campus da faculdade. Era um sábado de manhã, haviam poucos alunos
ali. Estava procurando a nomenclatura “Fotografia” quando alguém esbarra em
mim.
–Me desculpe eu...
A menina, loira, olhos claros, mais ou menos a minha altura.
Estava com uma blusa cinza, jeans lavados e um all-star com vários bigodes. Ela
tinha um laço preto na lateral na cabeça, os cabelos loiros eram ondulados e
estavam nos ombros. (http://www.polyvore.com/cgi/set?.locale=pt-br&id=56458242)
–A culpa foi minha.
Ela completou.
–Não, tudo bem.
Ela me olhou de cima a baixo.
–Você é caloura não é?
–Sim.
–Ah, deixa que eu te apresento á Hensworth College, á
propósito, meu nome é Carolyn Stevens.
–Nathalie Simmons.
–Vai estudar o que Nathalie?
–Fotografia, ah, pode me chamar de Nath.
Ela andou comigo até o prédio de fotografia, era o do meio.
–Eu estou no segundo ano de fotografia também, bom, esse
aqui é o prédio. As salas são lá pra cima, ali é a secretaria e o resto das
salas são exposições dos alunos. Você pode deixar seus trabalhos lá se quiser
expô-los.
Eu observei tudo. As escadas rúticas, o modo como o prédio
inteiro parecia antigo e gracioso.
–Impressionante né? Foi construído á uma década e ainda tá de
pé.
Carolyn foi me explicando sobre o prédio e os alunos,
professores e sobre a cafeteria que tinha ali dentro.
Oi só estou escrevendo para vc saber q estou lendo e adorando!
ResponderExcluirBjuuu bells
Ai meu deus! Alguém lê isso cara, você não sabe o quanto eu tô feliz por saber isso! E desculpa pela demora... Meu deus, obrigada por ler, sério hahahahha
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