sábado, 29 de setembro de 2012

Capítulo 3


Capítulo-3
P.O.V.- Autor
Uma semana passou desde que Nathalie chegou á Londres, as aulas eram descontraídas e os professores deixavam que as fotos falassem por si só, eu preferia assim. Se explicar uma obra ela perde a graça, Mona Lisa é famosa porque ninguém sabe o que realmente é. O trabalho também não era muito difícil, a senhora DeLarue era muito tranquila, perdoou as duas vezes que a menina se atrasou. Carolyn tinha duas aulas com Nathalie, elas viraram amigas depois do esbarrão.
P.O.V.- Nathalie
A aula sobre luz e sombra estava realmente muito chata, e eu achando que na faculdade as coisas seriam melhores. Eu tenho falado todas as noites com Jake, ele viu Carolyn umas duas vezes e desde então sempre pergunta por ela. Carolyn disse que existe um tipo de trote para calouros, que sexta feira eu vou descobrir tudo. Bom, hoje é sexta e eu espero que essa palhaçada acabe por que eu odeio segredos. Meu pai escondeu por cinco anos que odiava viver ali, olha só onde ele está agora.
-Pronta pra saber sobre o trote?
-Me conta logo Carolyn.
Ela me acompanhou até o apartamento, sem dizer uma única palavra.
-Antes- Ela encostou no batente da porta enquanto eu procurava as chaves.- Preciso de um lugar pra ficar.
Eu a olhei.
-Sério?
-Sim, o dono do meu apartamento disse que quer o imóvel de volta e aquele filho da puta me avisou hoje de manhã enquanto tirava as minhas coisas de lá.
Ela sorriu.
-E onde suas coisas estão?
Eu abri a porta e encontrei dezenas de caixas espalhadas pela minha sala.
-Como...?
Ela sorriu e balançou as chaves que eu deixo em baixo do extintor de incêndio.
-Eu disse que precisava de um lugar pra ficar.
-Você não disse que já havia ficado em algum lugar, ou seja, na minha casa!
Eu taquei uma almofada nela.
-De qualquer jeito- Ela abraçou a almofada e se largou no sofá- Somos colegas de quarto agora.
-Nada disso, você vai dormir na sala.
-E o seu escritório?
-Eu teria que desmanchá-lo...
-Ótimo, fazemos isso no domingo.
-Porque não amanhã?
-Senta aí, vou te contar sobre o trote.
Sentei no braço do sofá , ela se sentou também. Sorriu pra mim antes de começar.
-É o seguinte, vai ter uma festa, você vai tomar duas doses duplas de tequila enquanto escolhemos um cara que você não conhece pra levar você pra casa dele.
-Mas e se for um estuprador, um assassino, um louco?
Ela riu.
-Relaxa, só vão amigos, conhecemos todos.
-Eu não.
-Esse é o ponto.
Ela sorriu, começamos a arrumar as caixas, algumas roupas dela eu coloquei no meu armário, deixei os porta-retratos, bichos de pelúcia e outras tranqueiras num canto do escritório. Demoramos três horas para arrumar tudo.
-Você.
Ela apontou para mim.
-Já para o banho.
Eu olhei o relógio do computador que acabara de ligar, mal havia iniciado e Jake já estava me chamando no Skype.
-Fala aí pessoa irritante.
Eu me fingi ofendida.
-Se eu sou irritante, porque está falando comigo?
Ele riu.
-Porque você ser irritante é apaixonante.
-Haha, virou piadista agora né?
-Não...
-Nath, vai logo, se não vamos nos atrasar!
-Quem tá aí?
Jake esticava o pescoço como se fosse adiantar alguma coisa, eu virei a tela do computador para que ele pudesse ver Carolyn.
-Ah, oi!
Ela sorriu.
-Tá, já falou com a sua amiga agora deixa ela se arrumar.
-Vão aonde?
-F-E-S-T-A!
Ela soletrou cada letra com entusiasmo. Ouvi Jake bufar.
-Vê se não deixa nenhum britânico chegar perto dela.
Podia imaginá-lo cruzando os braços, estava separando uma toalha. Passei pelo quarto á tempo de ver Jake rir junto com Carolyn.
-Ei, ei, ei! Chega de melação no meu computador. Carolyn, vai arranjar alguma coisa pra fazer. E Jake, vai dormir.
-Sim senhora!
Os dois disseram um uníssono. Eu segui para o banheiro, tinha a absoluta certeza de que Carolyn estava separando a minha roupa. Lavei e sequei os cabelos, me enrolei na toalha antes de sair do banheiro.
Na minha cama estavam umas quinhentas peças de roupas, fora cintos, chapéus, sapatos e bolsas. O furacão Carolyn havia encontrado meu armário.
-Aqui está.
Ela me entregou as roupas que eu deveria usar. Uma regata preta com brilho, uma saia tubinho, sapato preto de salto alto e um anel de cruz. Ela ainda fez questão de me maquiar e arrumar meu cabelo, me senti uma boneca.
( http://www.polyvore.com/remembering_sunday_nathalie/set?id=56492568#stream_box) Depois de me arrumar ela foi tomar banho, a festa começava as sete, eram quase oito horas. Ela se arrumou mais rápido, colocou um vestido preto e branco, pulseiras pretas, brincos de rosa, um sapato de salto alto preto e arrumou o cabelo num coque frouxo, mas bonito. (http://www.polyvore.com/cgi/set?.locale=pt-br&id=56493285). Pegamos um táxi e chegamos ao local, era um casarão que estava transbordando pessoas, não estava literalmente, mas estava bem cheio. Chegamos na festa e Carolyn foi direto para o bar, sentamos ali e ela me olhou.
-Você está linda, assim vai ser muito mais fácil.
Ela riu e pediu as bebidas. Um dry Martini pra cada uma. Eu tomei sem reclamar, não era de me embebedar, isso só aconteceu duas vezes na minha vida. Ficar bêbada a ponto de não se lembrar de nada não era tão legal. Da primeira vez eu estava em Nova Iorque, tinha acabado de entrar no colégio. Depois de sair do bar eu só me lembro de estar na Times Square com uma garrafa de vodka e dois malucos gritando no meio da rua. Eu, Jake e Tyler dormimos na casa de Tyler, mal sabemos como chegamos lá. A segunda vez eu tinha acabado de entrar na faculdade, Jake disse que me beijou no meio da boate e foi a coisa mais estranha que ele já fez. Felizmente eu mal me lembro daquela noite. Ela foi pedindo mais bebidas, eu não tinha comido nada, me levantei rapidamente e fui buscar alguma coisa antes que vomitasse tudo. Achei uma mesa na outra sala, tinha de tudo. Comida refinada, doritos, frutas e até camarão. Comi um pouco de cada coisa e voltei porque Carolyn gritava meu nome.
-Achei você!
Quatro copos e ela já estava assim?
-Estou aqui Carolyn, o que houve.
-Bebe isso aqui.
Ela me empurrou um copo com um líquido verde.
-O que é?
-Absinto.
Eu a encarei.
-Não é ilegal?
-Só se te pegarem, anda bebe!
Absinto era conhecido por ser a bebida alucinógena que fez sucesso na França, era uma das bebidas mais fortes conhecidas. Foi proibida em vários países, sendo apenas legalizada na Espanha, Dinamarca, Inglaterra e em Portugal. Eu bebi a “fada verde” como era conhecida, o gosto não era tão ruim, o torrão de açúcar não deixava o gosto tão amargo. Carolyn me cutucou com o braço e apontou para alguém do outro lado do salão.
-É aquele.
Ela pronunciou.
-Ele é bonito pelo menos?
-Você acha que eu escolheria alguém feio? Anda, vai lá e só volte de manhã.
Ela riu enquanto eu avançava pela pista, reconheci as roupas do garoto, uma camiseta branca gola V, calça preta e vans nos pés. O garoto tinha estilo, uma pena que seu rosto estava todo embaçado para mim, acho que o vi sorrir quando me aproximei. Fingi não nota-lo e comecei a dançar, ele logo se aproximou.
-Dança comigo?
Ele sussurrou no meu ouvido, eu me arrepiei toda. Me virei para observá-lo, distingui um sorriso do borrão que era seu rosto.
-Só uma música.
Ele sussurrou com a voz rouca e sexy de deixar qualquer menina louca. Eu sorri.
-Só uma música.
No mesmo instante, uma música animada começou a tocar. Um tempo depois percebi que era Poker Face da Lady Gaga. Remixada pelo Dj, a música ficou dez vezes melhor do que já era. Eu comecei a dançar, colocava as mãos na cintura, rebolava bastante e fazia questão de o dono do sorriso estivesse olhando. Talvez tanto álcool estivesse me deixando louca, talvez eu estivesse mesmo tentando seduzir aquele garoto. Ele chegou mais perto, me virei para ele e passei os braços por seu pescoço. Ele aproximou o rosto, mas eu coloquei o queixo em seu ombro, suas mãos alcançaram minha cintura e eu tratei de tirá-las de lá. Segurei suas mãos e entrelacei os dedos, ele sorriu. Eu me virei, esse era um jogo que eu conhecia bem. Jake me dizia o que deixava um homem louco em troca de telefones das meninas do colégio. Me virei outra vez tentando focalizar seu rosto, sem sucesso. Como eu gostaria de ver sua expressão quando o empurrei para a parede mais próxima e cheguei bem perto da sua boca para me virar e voltar a dançar. Ele me abraçou por trás e beijou a lateral do meu pescoço, eu estremeci. Pude imaginá-lo sorrindo, eu fiquei de frente para ele. Beijei seu pescoço e o perfume dele irrompeu minhas narinas, encheu meus pulmões, deixando-os querendo mais. Ele aproximou o rosto do meu ouvido e sussurrou com a voz sexy de antes.
-Qual seu nome?
Eu ri antes de responder.
-Nathalie.
Ele ia dizer alguma coisa, mas mordi o lóbulo de sua orelha, ele suspirou e jogou a cabeça para trás. Eu aproximei minha boca da sua, rocei meus lábios nos seus e me afastei repentinamente.
-A música acabou.
Eu o observei enquanto ele me encarava seriamente enquanto suas mãos achavam o caminho para a minha cintura.
-Isso não é justo.
Eu sorri.
-Então que tal terminarmos isso?
Ele sorriu e pegou minha mão.
-Um segundo está bem? Não saia daqui.
Eu ri e fui procurar Carolyn, ela estava no bar, se acabando de rir com um garoto vestido de preto que eu também não distingui o rosto.
-Psiu! Consegui Carol, nos vemos de manhã!
Ela me olhou e pronunciou as palavras pausadamente.
-Sua safada!
Eu abri caminho por entre as pessoas para achar um confuso menino de camiseta branca, procurando por rostos na multidão. Ele sorriu ao me ver.
-Achei que tinha me abandonado.
 Eu sorri e passei os braços por seu pescoço.
-Nunca.
Sussurrei eu seu ouvido e o vi estremecer. Ele pegou minha mão e me guiou para fora da festa, ele tinha um carro preto. Sentei no banco do passageiro e sorria ao ver o quanto ele tentava chegar em casa rápido. Coloquei a mão em seu joelho, ele me observou e eu sorri. Estava enlouquecendo? O que diabos eu estava tentando fazer? Ele estacionou pouco depois, abriu a porta para mim, guiou-me até o elevador e eu comecei a provoca-lo de novo.  Beijava seu pescoço, mordia e roçava os lábios nos dele. Quase cedi e deixei que ele me beijasse, mas as portas do elevador se abriram. Ouvi-o praguejar baixinho. Eu o segui enquanto ele colocava a chave na porta, arranhei suas costas e o fiz atrapalhar-se todo com as chaves. Alcancei sua orelha e sussurrei.
-Atrapalho?
Ele fitou meus olhos e eu me coloquei entre ele e a porta. Ele alcançou meus lábios e eu não ofereci resistência. Ele estava selvagem, descobria minha boca com a sua, nos separamos para buscar oxigênio. Ele abriu a porta, me segurou antes que eu caísse e me beijou outra vez. Ainda feroz, com sede de descobrir cada traço meu com a boca. Ele me levantou e eu entrelacei as pernas em sua cintura. Neste momento os sapatos estavam jogados em algum canto, assim como a sua camiseta. Ele foi comigo até o quarto, deitou-me na cama e demorou um segundo para buscar algo no banheiro. Ele deitou sobre mim, deixando-me presa entre seus braços que suportavam seu peso, um de cada lado do meu corpo. Beijou-me mais uma vez e alcançou meus ouvidos.
-Você vai me deixar louco.
Eu sorri e ele voltou a me beijar, estava menos selvagem, menos consumido pelo desejo. Eu alcancei os botões da sua calça, desabotoei vagarosamente, fazendo-o ficar com raiva e desejo. Ele queria as coisas rápido demais, eu pensei. Assim que desabotoei todos os botões ele tirou a calça, ficando somente de boxer preta. Uma perdição, beijou meu pescoço, suas mãos subiam por debaixo da minha blusa, que se perdeu em algum canto do quarto, ele tratou de tirar a saia, suas mãos descobriam meu corpo, eu estava toda arrepiada. Meu corpo ardia em chamas que não eram insuportáveis, mas pediam para que eu explodisse de uma vez por todas. Ele tirou meu sutiã e acariciou meus seios, foi depositando uma trilha de beijos, desde o meu pescoço, mordendo de leve fazendo-me dar gemidos baixos, foi descendo com os lábios, beijou meus seios e começou a chupa-los fazendo movimentos circulares com a língua, demorou-se ali, depois foi descendo depositando beijos demorados na minha barriga parando somente na minha coxa, olhou-me brevemente com desejo e tirou minha calcinha num piscar de olhos, beijou-me outra vez e eu o girei na cama, ficando por cima. Ele sorriu quando eu passei as mãos pelo seu abdômen, arranhei de leve e tirei a única coisa que nos impedia de continuar, ele beijou meu pescoço e ficou por cima, sussurrou alguma coisa e depois ele estava dentro de mim. Eu gemia e puxava de leve os cabelos macios do garoto que mal conhecia, eu só podia estar ficando doida. Nem sabia o nome desse menino e estava transando com ele. Por Deus, que tipo de vagabunda você é Nathalie? Bem, pelo menos eu podia culpar Carolyn e o absinto juntamente com todas as bebidas que Carolyn me fez tomar. As estocadas ficavam cada vez mais rápidas e nós dois gemíamos alto, eu o arranhava, não me importava em deixar marcas, apenas fazia. Continuamos assim por um tempo, ele foi aumentando e diminuindo a velocidade fazendo-me gemer cada vez mais alto, por fim acabou com aquilo caindo do meu lado ofegante. Eu o observei enquanto ele me observava, tinha olhos claros, mesmo a luz da madrugada. Eram bem claros, eu só queria poder discernir seu rosto, apreciar cada detalhe. Eu sorri pensando mais uma vez que acabara de transar com um garoto que nem conheço. Ele me puxou para o seu peito e acariciou meus cabelos até eu cair no sono.


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