Capítulo-3
P.O.V.- Autor
Uma semana passou desde que Nathalie chegou á Londres, as
aulas eram descontraídas e os professores deixavam que as fotos falassem por si
só, eu preferia assim. Se explicar uma obra ela perde a graça, Mona Lisa é
famosa porque ninguém sabe o que realmente é. O trabalho também não era muito
difícil, a senhora DeLarue era muito tranquila, perdoou as duas vezes que a
menina se atrasou. Carolyn tinha duas aulas com Nathalie, elas viraram amigas
depois do esbarrão.
P.O.V.- Nathalie
A aula sobre luz e sombra estava realmente muito chata, e eu
achando que na faculdade as coisas seriam melhores. Eu tenho falado todas as
noites com Jake, ele viu Carolyn umas duas vezes e desde então sempre pergunta
por ela. Carolyn disse que existe um tipo de trote para calouros, que sexta
feira eu vou descobrir tudo. Bom, hoje é sexta e eu espero que essa palhaçada
acabe por que eu odeio segredos. Meu pai escondeu por cinco anos que odiava
viver ali, olha só onde ele está agora.
-Pronta pra saber sobre o trote?
-Me conta logo Carolyn.
Ela me acompanhou até o apartamento, sem dizer uma única
palavra.
-Antes- Ela encostou no batente da porta enquanto eu
procurava as chaves.- Preciso de um lugar pra ficar.
Eu a olhei.
-Sério?
-Sim, o dono do meu apartamento disse que quer o imóvel de
volta e aquele filho da puta me avisou hoje de manhã enquanto tirava as minhas
coisas de lá.
Ela sorriu.
-E onde suas coisas estão?
Eu abri a porta e encontrei dezenas de caixas espalhadas
pela minha sala.
-Como...?
Ela sorriu e balançou as chaves que eu deixo em baixo do extintor
de incêndio.
-Eu disse que precisava de um lugar pra ficar.
-Você não disse que já havia ficado em algum lugar, ou seja,
na minha casa!
Eu taquei uma almofada nela.
-De qualquer jeito- Ela abraçou a almofada e se largou no
sofá- Somos colegas de quarto agora.
-Nada disso, você vai dormir na sala.
-E o seu escritório?
-Eu teria que desmanchá-lo...
-Ótimo, fazemos isso no domingo.
-Porque não amanhã?
-Senta aí, vou te contar sobre o trote.
Sentei no braço do sofá , ela se sentou também. Sorriu pra
mim antes de começar.
-É o seguinte, vai ter uma festa, você vai tomar duas doses
duplas de tequila enquanto escolhemos um cara que você não conhece pra levar
você pra casa dele.
-Mas e se for um estuprador, um assassino, um louco?
Ela riu.
-Relaxa, só vão amigos, conhecemos todos.
-Eu não.
-Esse é o ponto.
Ela sorriu, começamos a arrumar as caixas, algumas roupas
dela eu coloquei no meu armário, deixei os porta-retratos, bichos de pelúcia e
outras tranqueiras num canto do escritório. Demoramos três horas para arrumar
tudo.
-Você.
Ela apontou para mim.
-Já para o banho.
Eu olhei o relógio do computador que acabara de ligar, mal
havia iniciado e Jake já estava me chamando no Skype.
-Fala aí pessoa irritante.
Eu me fingi ofendida.
-Se eu sou irritante, porque está falando comigo?
Ele riu.
-Porque você ser irritante é apaixonante.
-Haha, virou piadista agora né?
-Não...
-Nath, vai logo, se não vamos nos atrasar!
-Quem tá aí?
Jake esticava o pescoço como se fosse adiantar alguma coisa,
eu virei a tela do computador para que ele pudesse ver Carolyn.
-Ah, oi!
Ela sorriu.
-Tá, já falou com a sua amiga agora deixa ela se arrumar.
-Vão aonde?
-F-E-S-T-A!
Ela soletrou cada letra com entusiasmo. Ouvi Jake bufar.
-Vê se não deixa nenhum britânico chegar perto dela.
Podia imaginá-lo cruzando os braços, estava separando uma
toalha. Passei pelo quarto á tempo de ver Jake rir junto com Carolyn.
-Ei, ei, ei! Chega de melação no meu computador. Carolyn,
vai arranjar alguma coisa pra fazer. E Jake, vai dormir.
-Sim senhora!
Os dois disseram um uníssono. Eu segui para o banheiro,
tinha a absoluta certeza de que Carolyn estava separando a minha roupa. Lavei e
sequei os cabelos, me enrolei na toalha antes de sair do banheiro.
Na minha cama estavam umas quinhentas peças de roupas, fora
cintos, chapéus, sapatos e bolsas. O furacão Carolyn havia encontrado meu
armário.
-Aqui está.
Ela me entregou as roupas que eu deveria usar. Uma regata
preta com brilho, uma saia tubinho, sapato preto de salto alto e um anel de
cruz. Ela ainda fez questão de me maquiar e arrumar meu cabelo, me senti uma
boneca.
( http://www.polyvore.com/remembering_sunday_nathalie/set?id=56492568#stream_box)
Depois de me arrumar ela foi tomar banho, a festa começava as sete, eram quase
oito horas. Ela se arrumou mais rápido, colocou um vestido preto e branco,
pulseiras pretas, brincos de rosa, um sapato de salto alto preto e arrumou o
cabelo num coque frouxo, mas bonito. (http://www.polyvore.com/cgi/set?.locale=pt-br&id=56493285).
Pegamos um táxi e chegamos ao local, era um casarão que estava transbordando
pessoas, não estava literalmente, mas estava bem cheio. Chegamos na festa e
Carolyn foi direto para o bar, sentamos ali e ela me olhou.
-Você está linda, assim vai ser muito mais fácil.
Ela riu e pediu as bebidas. Um dry Martini pra cada uma. Eu
tomei sem reclamar, não era de me embebedar, isso só aconteceu duas vezes na
minha vida. Ficar bêbada a ponto de não se lembrar de nada não era tão legal.
Da primeira vez eu estava em Nova Iorque, tinha acabado de entrar no colégio.
Depois de sair do bar eu só me lembro de estar na Times Square com uma garrafa
de vodka e dois malucos gritando no meio da rua. Eu, Jake e Tyler dormimos na
casa de Tyler, mal sabemos como chegamos lá. A segunda vez eu tinha acabado de
entrar na faculdade, Jake disse que me beijou no meio da boate e foi a coisa
mais estranha que ele já fez. Felizmente eu mal me lembro daquela noite. Ela
foi pedindo mais bebidas, eu não tinha comido nada, me levantei rapidamente e
fui buscar alguma coisa antes que vomitasse tudo. Achei uma mesa na outra sala,
tinha de tudo. Comida refinada, doritos, frutas e até camarão. Comi um pouco de
cada coisa e voltei porque Carolyn gritava meu nome.
-Achei você!
Quatro copos e ela já estava assim?
-Estou aqui Carolyn, o que houve.
-Bebe isso aqui.
Ela me empurrou um copo com um líquido verde.
-O que é?
-Absinto.
Eu a encarei.
-Não é ilegal?
-Só se te pegarem, anda bebe!
Absinto era conhecido por ser a bebida alucinógena que fez
sucesso na França, era uma das bebidas mais fortes conhecidas. Foi proibida em
vários países, sendo apenas legalizada na Espanha, Dinamarca, Inglaterra e em
Portugal. Eu bebi a “fada verde” como era conhecida, o gosto não era tão ruim,
o torrão de açúcar não deixava o gosto tão amargo. Carolyn me cutucou com o
braço e apontou para alguém do outro lado do salão.
-É aquele.
Ela pronunciou.
-Ele é bonito pelo menos?
-Você acha que eu escolheria alguém feio? Anda, vai lá e só
volte de manhã.
Ela riu enquanto eu avançava pela pista, reconheci as roupas
do garoto, uma camiseta branca gola V, calça preta e vans nos pés. O garoto
tinha estilo, uma pena que seu rosto estava todo embaçado para mim, acho que o
vi sorrir quando me aproximei. Fingi não nota-lo e comecei a dançar, ele logo
se aproximou.
-Dança comigo?
Ele sussurrou no meu ouvido, eu me arrepiei toda. Me virei
para observá-lo, distingui um sorriso do borrão que era seu rosto.
-Só uma música.
Ele sussurrou com a voz rouca e sexy de deixar qualquer
menina louca. Eu sorri.
-Só uma música.
No mesmo instante, uma música animada começou a tocar. Um
tempo depois percebi que era Poker Face da Lady Gaga. Remixada pelo Dj, a
música ficou dez vezes melhor do que já era. Eu comecei a dançar, colocava as
mãos na cintura, rebolava bastante e fazia questão de o dono do sorriso
estivesse olhando. Talvez tanto álcool estivesse me deixando louca, talvez eu
estivesse mesmo tentando seduzir aquele garoto. Ele chegou mais perto, me virei
para ele e passei os braços por seu pescoço. Ele aproximou o rosto, mas eu
coloquei o queixo em seu ombro, suas mãos alcançaram minha cintura e eu tratei
de tirá-las de lá. Segurei suas mãos e entrelacei os dedos, ele sorriu. Eu me
virei, esse era um jogo que eu conhecia bem. Jake me dizia o que deixava um
homem louco em troca de telefones das meninas do colégio. Me virei outra vez
tentando focalizar seu rosto, sem sucesso. Como eu gostaria de ver sua
expressão quando o empurrei para a parede mais próxima e cheguei bem perto da
sua boca para me virar e voltar a dançar. Ele me abraçou por trás e beijou a
lateral do meu pescoço, eu estremeci. Pude imaginá-lo sorrindo, eu fiquei de
frente para ele. Beijei seu pescoço e o perfume dele irrompeu minhas narinas,
encheu meus pulmões, deixando-os querendo mais. Ele aproximou o rosto do meu
ouvido e sussurrou com a voz sexy de antes.
-Qual seu nome?
Eu ri antes de responder.
-Nathalie.
Ele ia dizer alguma coisa, mas mordi o lóbulo de sua orelha,
ele suspirou e jogou a cabeça para trás. Eu aproximei minha boca da sua, rocei
meus lábios nos seus e me afastei repentinamente.
-A música acabou.
Eu o observei enquanto ele me encarava seriamente enquanto
suas mãos achavam o caminho para a minha cintura.
-Isso não é justo.
Eu sorri.
-Então que tal terminarmos isso?
Ele sorriu e pegou minha mão.
-Um segundo está bem? Não saia daqui.
Eu ri e fui procurar Carolyn, ela estava no bar, se acabando
de rir com um garoto vestido de preto que eu também não distingui o rosto.
-Psiu! Consegui Carol, nos vemos de manhã!
Ela me olhou e pronunciou as palavras pausadamente.
-Sua safada!
Eu abri caminho por entre as pessoas para achar um confuso
menino de camiseta branca, procurando por rostos na multidão. Ele sorriu ao me
ver.
-Achei que tinha me abandonado.
Eu sorri e passei os
braços por seu pescoço.
-Nunca.
Sussurrei eu seu ouvido e o vi estremecer. Ele pegou minha
mão e me guiou para fora da festa, ele tinha um carro preto. Sentei no banco do
passageiro e sorria ao ver o quanto ele tentava chegar em casa rápido. Coloquei
a mão em seu joelho, ele me observou e eu sorri. Estava enlouquecendo? O que
diabos eu estava tentando fazer? Ele estacionou pouco depois, abriu a porta
para mim, guiou-me até o elevador e eu comecei a provoca-lo de novo. Beijava seu pescoço, mordia e roçava os
lábios nos dele. Quase cedi e deixei que ele me beijasse, mas as portas do
elevador se abriram. Ouvi-o praguejar baixinho. Eu o segui enquanto ele
colocava a chave na porta, arranhei suas costas e o fiz atrapalhar-se todo com
as chaves. Alcancei sua orelha e sussurrei.
-Atrapalho?
Ele fitou meus olhos e eu me coloquei entre ele e a porta.
Ele alcançou meus lábios e eu não ofereci resistência. Ele estava selvagem,
descobria minha boca com a sua, nos separamos para buscar oxigênio. Ele abriu a
porta, me segurou antes que eu caísse e me beijou outra vez. Ainda feroz, com
sede de descobrir cada traço meu com a boca. Ele me levantou e eu entrelacei as
pernas em sua cintura. Neste momento os sapatos estavam jogados em algum canto,
assim como a sua camiseta. Ele foi comigo até o quarto, deitou-me na cama e
demorou um segundo para buscar algo no banheiro. Ele deitou sobre mim,
deixando-me presa entre seus braços que suportavam seu peso, um de cada lado do
meu corpo. Beijou-me mais uma vez e alcançou meus ouvidos.
-Você vai me deixar louco.
Eu sorri e ele voltou a me beijar, estava menos selvagem,
menos consumido pelo desejo. Eu alcancei os botões da sua calça, desabotoei
vagarosamente, fazendo-o ficar com raiva e desejo. Ele queria as coisas rápido
demais, eu pensei. Assim que desabotoei todos os botões ele tirou a calça,
ficando somente de boxer preta. Uma perdição, beijou meu pescoço, suas mãos
subiam por debaixo da minha blusa, que se perdeu em algum canto do quarto, ele
tratou de tirar a saia, suas mãos descobriam meu corpo, eu estava toda arrepiada.
Meu corpo ardia em chamas que não eram insuportáveis, mas pediam para que eu
explodisse de uma vez por todas. Ele tirou meu sutiã e acariciou meus seios,
foi depositando uma trilha de beijos, desde o meu pescoço, mordendo de leve
fazendo-me dar gemidos baixos, foi descendo com os lábios, beijou meus seios e começou
a chupa-los fazendo movimentos circulares com a língua, demorou-se ali, depois
foi descendo depositando beijos demorados na minha barriga parando somente na
minha coxa, olhou-me brevemente com desejo e tirou minha calcinha num piscar de
olhos, beijou-me outra vez e eu o girei na cama, ficando por cima. Ele sorriu
quando eu passei as mãos pelo seu abdômen, arranhei de leve e tirei a única
coisa que nos impedia de continuar, ele beijou meu pescoço e ficou por cima,
sussurrou alguma coisa e depois ele estava dentro de mim. Eu gemia e puxava de
leve os cabelos macios do garoto que mal conhecia, eu só podia estar ficando
doida. Nem sabia o nome desse menino e estava transando com ele. Por Deus, que
tipo de vagabunda você é Nathalie? Bem, pelo menos eu podia culpar Carolyn e o
absinto juntamente com todas as bebidas que Carolyn me fez tomar. As estocadas
ficavam cada vez mais rápidas e nós dois gemíamos alto, eu o arranhava, não me
importava em deixar marcas, apenas fazia. Continuamos assim por um tempo, ele
foi aumentando e diminuindo a velocidade fazendo-me gemer cada vez mais alto,
por fim acabou com aquilo caindo do meu lado ofegante. Eu o observei enquanto
ele me observava, tinha olhos claros, mesmo a luz da madrugada. Eram bem
claros, eu só queria poder discernir seu rosto, apreciar cada detalhe. Eu sorri
pensando mais uma vez que acabara de transar com um garoto que nem conheço. Ele
me puxou para o seu peito e acariciou meus cabelos até eu cair no sono.
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