Capítulo 12- P.O.V.-
Nathalie Simmons.
Annie desceu do carro e andou até a porta do restaurante,
pedi ao motorista para esperar mais um pouco, vi quando ela digitou algo no
celular e entrou no restaurante logo depois. Pedi ao motorista que me levasse
até em casa, paguei caro por toda a corrida, mas quem liga? Abri a porta de
casa com um puta de um sorriso no rosto, joguei as chaves na bancada da cozinha
e encontrei June mexendo no computador, pulei no sofá, ficando de joelhos ao
lado dela.
-Advinha!
Ela ergueu os olhos da tela para me olhar.
-Bom... Analisando o tamanho do seu sorriso, o jeito que
você está empolgada e o quanto você quer que eu cale a boca pra poder contar,
ou é menino, ou é dinheiro.
Ela começou a rir e eu a empurrei de leve.
-Acabei de receber meu pagamento.
-Legal!
Ela disse sorrindo.
-Quer saber quanto eu ganhei?
Ela me olhou incentivando a continuar.
-Cinquenta. Mil. Libras.
Ela perdeu o sorriso do rosto, deixou o computador de lado e
se pôs de joelhos para me abraçar.
-Nathalie! Querida! Sabe que o meu aniversário tá chegando
né?
Ela disse se afastando, eu ri.
-Seu aniversário foi em Agosto.
-Eu sei, mas o natal já já esta aí.
Ela disse cruzando os braços.
-Nada de presentes. Eu preciso de um carro, e preciso de um
carro agora.
June fez cara de pensativa e respondeu.
-Não vai gastar todo o seu pagamento agora né?
-Claro que não, vou sossegar por uns tempos, eu quero um
apartamento maior e um carro também, acabei de gastar duzentas libras num táxi.
-Maluca.
-Acontece né. Mas então, cadê a babaca da sua prima? Ela
deveria estar em casa.
-Bom, ela chegou, tomou banho e saiu toda arrumada e
perfumada dizendo que ia sair, que era pra eu ficar aqui, comprar a passagem e
esperar você chegar.
-Quando você vai?
-Sábado de manhã, preciso estar no aeroporto às nove e meia.
-Hum, então, o que quer fazer?
-Neste momento? Ganhar uma promoção, a balada La Belle vai
ser inaugurada, e eu não quero perder isso.
Eu sorri, estaria nesta festa.
-Eu vou, meu chefe quer que eu tire fotos dos famosos, essas
coisas.
Ela me olhou boquiaberta.
-Você não sabe o quanto tem sorte.
Sorrimos, June ligou o rádio para ver que horas teria que
ligar. Ficamos as duas com os celulares em discagem rápida, e eu ainda segurava
o telefone fixo.
-Bom, queridos
ouvintes, eis o momento mais esperado do dia. Aqui está o sorteio de um par de
ingressos para a área VIP da balada La Belle, que inaugura esta sexta feira,
contando com a presença de inúmeros artistas. Vamos ás ligações!
Apertamos os botões e esperamos. Não demorou para que meu
celular começasse com a mensagem de
que não consegui, desliguei e ouvi o telefone. Nada também. Encarei June que
fitava o vazio com o celular no ouvido.
-Seu nome por favor?
-June. June Stevens.
Eu fiquei boquiaberta, aumentei um pouco o volume do rádio.
-Meus parabéns June!
Você acabou de ganhar um par de ingressos pra mais nova balada de Londres, como
se sente?
Ela demorou um pouco para responder.
-Eu estou... Eu estou
super feliz!
Ela disse sorrindo, pude escutar o locutor rindo.
-Bom June, passe aqui
amanhã para pegar os ingressos está bem? E é isso aí ouvintes, June foi a
sortuda da vez, continue ligando, quem sabe não é você que vai marcar presença
lá na La Belle? Essa é a radio 102,6 de Londres, fiquem ligados!
O locutor disse e uma música animada começou a tocar, não
tive tempo de prestar atenção porque puxei June e comecei á abraça-la.
-Você vai pra La Belle!
-Eu não acredito!
Ela sorriu e me abraçou.
-Bom, isso quer dizer, roupas novas. Anda, vamos ao
shopping, vou comprar umas roupas pra gente ir na La belle.
-E a Carolyn?
-Eu compro algo pra ela também, é claro que você vai usar o
seu outro ingresso com ela não é?
-Sim.
-Então vamos!
A puxei pela mão, já que ela estava vestida par ficar em
casa, deixei que se trocasse. Ela saiu do quarto de Carolyn em seu maior visual
Rocker/Pretty Girl. (http://www.polyvore.com/remembering_sunday_june_stevens/set?id=58074111#stream_box)
-Uau! Mas Carolyn te mata se acontecer qualquer coisa com
esse sapato, não sabe?
-Sei sim, ela que se vire. Vamos?
-Vamos.
Saímos de casa e fomos em direção ao shopping, eu precisava
mesmo de um carro. Eu e June rodamos o shopping pelo menos umas oito vezes,
entrando e saindo de lojas, paramos na praça de alimentação para comer alguma
coisa.
-E então...
Disse á ela enquanto nos sentávamos.
-Como vai a faculdade?
Continuei, ela colocou as sacolas no banco do lado e me
olhou.
-Termino logo, espero me mudar pra cá, ficar com você e com
Carolyn, trabalhar em algum hospital por aqui. É o que eu mais quero.
-Eu gostava de medicina, até perceber que sangue pra mim, só
se for na televisão.
Nós rimos e comemos os lanches.
-Será que a sua prima já vai estar em casa?
-Pelo jeito que ela saiu, é capaz que nem volte.
Ela disse dando um gole no refrigerante. Peguei o celular na
bolsa e escrevi uma sms.
“Querida Carolyn, faça
o favor de trazer essa sua bunda para casa neste segundo, não quero saber com
quem está, ande logo. Atenciosamente, sua melhor amiga!”
Enviei e sorri.
-Vamos pra casa?
Perguntei á June quando ela terminou o lanche.
-Vamos!
Chegamos na porta do shopping e eu liguei para Jake, ele
deveria estar saindo do escritório.
-Alo?
-Oi amor da minha
vida!
Eu disse sorrindo.
-Onde eu devo te
pegar, madame?
Ele ironizou na última parte, me fazendo sorrir ainda mais.
-Sabia que ia
entender, estamos no shopping.
-Estamos?
Ouvi ele dizer.
-Eu e June, venha
logo, eu acho que vai chover.
-É pra já.
Ele disse, resolvemos entrar e sentar, Jake demoraria um
pouco se estivesse no escritório. Conversei com June mais alguns minutos, vejo
o carro de Jake parar no meio fio.
-Oi lindo!
Disse dando um beijo na sua bochecha.
-Nem vem, Hayley quase me fez arrancar os cabelos hoje.
-Ai meu deus, o que ela fez?
Jake olhou pelo retrovisor, depois olhou rapidamente para
mim.
-Em casa eu te conto.
-Tudo bem.
Jake dirigiu o caminho todo com a cara amarrada, June
contava as sacolas para ver se não havia esquecido nenhuma. Meu celular vibrou,
sinal de mensagem.
“Me esqueça por essa
noite, por favor! Estou com um gatinho, chego em casa quando der.”
Não pude evitar de sorrir.
“Tenho novidades, e é
melhor que esteja em casa para ouvi-la, se não nada de roupas novas.”
Recebi a mensagem quase que imediatamente.
“Roupas novas? Estou
indo pra aí.”
Ri mais uma vez, não me dei ao trabalho de responder, sabia
que Carolyn estaria em casa em pouco tempo.
Jake estacionou o carro e ficou o caminho todo, do elevador
até em casa, com um olhar vazio e depressivo. Era horrível tê-lo com o olhar
assim, se Hayley achava que podia deixar meu melhor amigo assim, ela estava
muito enganada.
-Ahn, June.
Ela deixou as sacolas na sala e se largou no sofá.
-Se importa de ficar aqui enquanto Carolyn não chega?
Preciso mesmo falar com Jake.
-Tudo bem.
-Obrigada.
Disse á ela enquanto seguia Jake que estava abrindo a porta
do meu quarto. Ele fechou a porta quando eu passei, e sentou na cadeira da
escrivaninha pouco depois.
-Comece.
Eu pronunciei, ele suspirou e começou a falar.
-Não vou conseguir ficar perto dela Nath, não consigo
encarar o rosto dela e mesmo depois de tudo eu...
Eu o cortei.
-PARA TUDO!- disse gritando- Não me diga que ainda gosta
dessa vagabunda, mesmo depois dela ter te traído. Jake! Isso é imperdoável, se
você estiver gostando dela, é melhor arrumar suas coisas e dar o fora daqui,
por que você não é o Jake que eu conhecia.
Disse cruzando os braços, ele me olhou assustado e veio me
abraçar.
-Meu deus, não escuto um grito desses desde que contei que
havia te beijado.- Ele riu- Mas não. Não se preocupe, Hayley Jones é apenas uma
triste memória, que infelizmente, faz questão de ser lembrada todos os dias.
Eu sorri e o encarei.
-O que a Miss Prostituta aprontou dessa vez?
-Nada de muito trágico, ela apenas faz questão de que todos
no escritório vejam a sua bunda e eu fico com cara de idiota, porque todo mundo
sabe que ela está dando mole pra mim, e eu nem ligo.
-Bom, diga á todos eles que você tem namorada. Eu vou falar
com Carolyn hoje.
-Por favor, não.
Ele pediu.
-Está maluco? Eu que não vou deixar essa putaria rolando, ou
você aceita, ou arranja outro jeito de tirar essa vadia do teu pé.
Ele pensou por uns minutos, abaixou a cabeça e suspirou.
-Tá bem, mas deixe bem claro que a ideia dessa maluquice foi
sua.
-Tá, agora dá licença que eu preciso de um banho.
Eu disse empurrando-o porta afora. Separei um pijama
quentinho e entrei no banho, fiquei pensando no que Jake tinha dito, eu
realmente tinha gritado muito com ele quando descobri.
Flashback- P.O.V.- Autor.
Dois anos e meio
atrás.
Sexta-Feira, término da semana de provas. Tudo o que Nath,
Jake e Tyler querem é se divertir. Decidiram ir á uma boate perto do centro,
movimentada, com boa música e bebida barata. Os três, menores de idade contaram
com a ajuda de um velho amigo de Tyler para entrar. Entraram, dançaram, beberam
á ponto de rir só porque estavam respirando. Uma música agitada começou a
tocar.
-Vamos dançar?
Nathalie perguntou, já de pé, segurando a mão do amigo. Jake
a olhou com uma careta, mas a menina fez uma carinha de cachorro que dava
vontade de beijar. Nathalie puxou Jake até a pista de dança, os dois um pouco
bêbados, Nathalie um pouco mais do que ele, começaram a dançar mais colados. Na
luz piscante, com o efeito das bebidas e com os sorrisos divertidos de
Nathalie, Jake não se conteve, sempre achou a amiga bonita, tanto que tinha um
ciúmes de irmão com ela, não pretendia beijá-la, mesmo assim o fez. Ele começou
por seu pescoço, já que a menina estava de costas para ele, quando Nathalie se
virou, não protestou, então Jake colocou a mão direita em sua nuca e a beijou.
Mal sabia o que estava fazendo. Nathalie provavelmente não achava que era o
melhor amigo a quem estava beijando, não sabia, não iria lembrar. Jake se
afastou uns poucos minutos depois, com a maior culpa que poderia ter. Acabara
de beijar a melhor amiga, que estava bêbada e sem condições de responder por
si. Pegou a mão de Nathalie e a guiou para fora da boate, coincidentemente
encontrando Tyler sentado na calçada. Agarrado á Nathalie com a mão esquerda,
puxou Tyler com a mão direita e chamou um táxi, que os deixou na casa de Tyler.
Estava tarde demais para voltar para casa e explicar para sua mãe o que ele
fazia esta hora na rua. Decidiu dormir na casa do amigo, cuidaria de Nathalie
que tinha acabado de vomitar no meio fio e daria alguma desculpa para a mãe no
outro dia.
Tyler se atrapalhou um pouco com as chaves ao tentar abrir a
porta da casa, felizmente conseguiu. Com Nathalie nos braços, não poderia abrir
a porta. Tyler entrou e correu para o banheiro, Jake passou da soleira da porta
com uma Nathalie parcialmente acordada. A menina estava manhosa e havia pedido
á Jake que a carregasse até o quarto. Jake a levou para o quarto de hóspedes.
Sentou a menina no banheiro e conseguiu lavar o rosto dela com uma toalha, que
ficou toda suja de maquiagem. Ajudou Nathalie a deitar na cama, encostou a
porta e foi para a sala, se largou no sofá e dormiu ali mesmo.
No outro dia de manhã, Nathalie estava sentada na bancada da
cozinha, com uma xícara de café e uma cartelinha vazia de analgésicos. Jake se
sentou de frente para a amiga precisava contar para ela, só não sabia como.
-Está melhor?
-Com um pouco de dor de cabeça, mas sim. Jake... O que
aconteceu ontem?
A menina disse fazendo uma careta. Ela viu o amigo hesitar,
isso já a deixou alerta, algo além da bebedeira havia acontecido. Deixou a
xícara na bancada e repetiu a pergunta.
-O que aconteceu ontem?
Jake estava com um nó tão grande na garganta, que disse tudo
o que aconteceu, rápido demais para que Nathalie soubesse logo de cara.
-Você bebeu demais na boate e eu também, eu acabei beijando
você e então viemos pra casa de Tyler que também não estava legal eu te ajudei
porque você havia vomitado no meio fio, deixei você no quarto e vim dormir.
Respirou fundo, tomando ar. A menina o encarava seriamente.
-Você? Espera... VOCÊ O QUE?
Ela estava gritando, fazia isso quando estava realmente
brava, viu a amiga assim umas duas vezes apenas. A primeira quando Chelsea
derrubou todo o refrigerante em sua blusa, a líder de torcida, por pouco, não
teve os cabelos arrancados por Nathalie. A segunda vez foi numa aula de
Educação Física, quando um menino da outra quadra achou que seria engraçado
acertá-la com uma bola de vôlei. Ela caminhou calmamente até ele com a bola em
mãos, sorriu ao entrega-la e logo em seguida, socou o nariz do garoto. Gritando
uma infinidade de palavrões para ele.
-Eu não sabia o que estava fazendo, foi culpa do...
-NÃO OUSE DIZER QUE FOI CULPA DA BEBIDA COLLINS! EU... Eu
confiei em você como meu amigo.
Ela disse baixinho no final, Jake se arrependia mais no que
nunca por ter feito aquilo.
-Eu juro que não foi por querer, e se quer saber, foi a
coisa mais estranha que já fiz. Parecia que eu estava beijando a minha irmã.
Jake fez uma careta, tentando animar a amiga. Deu certo,
primeiro ela socou-lhe o braço e depois começou a rir.
-Não ouse fazer isso de novo Collins.
Flashback Off- P.O.V- Nathalie Simmons.
Saí do banheiro enrolada na toalha, abri a porta lentamente,
me certificando de que Jake não estaria lá. Tranquei a porta do quarto e me
vesti. Coloquei uma blusa cinza de moletom, uma calça de ficar em casa e uma
pantufa que não lembrava que tinha. Sequei o cabelo e destranquei o quarto.
Fui até a sala e encontrei June sentada no sofá, conversando
com Carolyn, no meio de um monte de sacolas.
-Oi!
Eu disse animada e sentei ao lado de Carolyn. Ela me olhou
com raiva e estendeu a mão.
-Cadê meu presente?
-Antes disso- June
interveio- A Carolyn vai te falar uma coisa.
Ela cutucou a prima com o cotovelo.
-Todos nós vamos a La Belle sexta feira, não é demais? Meu
chefe também quer algumas fotos dos famosos. Vamos aproveitar bastante!
Ela de uma piscadinha e começou a rir, entendi o entusiasmo
em sua voz. Assim que ela terminou, respirou fundo e continuou.
-Agora que já dei a maravilhosa notícia, o que trouxe para
mim?
Eu sorri e puxei as duas para o quarto de Carolyn. Fechei a
porta e sentei-me na cama ao lado delas.
-Pra quê todo esse mistério, garota?
Eu sorri e a encarei.
-Pra ganhar o seu presente, tem apenas uma condição.
Fiz uma pausa para avaliar sua expressão, ela estava agitada
e curiosa ao mesmo tempo.
-Conta logo.
-Eu vou precisar explicar tudo direitinho.
-Eu só quero a porcaria do presente.
Ela retrucou.
-Você vai me deixar contar, ou não?
Ela ergueu as mãos em rendição e eu comecei.
-Lembra do motivo pelo qual Jake veio morar com a gente?
Ela bufou e disse.
-Como poderia esquecer? Esse moleque aqui é um inferno. A namoradinha dele foi pega no flagra com
outro, né?
Eu assenti com a cabeça e continuei.
-Pois é, ela voltou.
Carolyn e June me encararam boquiabertas.
-Que vadia!
As duas disseram em coro, se entreolharam e depois voltaram
a e encarar.
-Eu não quero que ele se magoe, Jake é meu irmão mais velho, mas eu tenho que
cuidar dele.
-Diga o que tem em mente.
Carolyn pareceu interessada. Eu suspirei antes de contar.
-Se ele tivesse uma namorada, Hayley pararia de
atormentá-lo, o problema...
Carolyn abriu a boca indignada e começou a gritar.
-VOCÊ NÃO ESPERA QUE EU NAMORE AQUELE INDIVÍDUO NÃO É
NATHALIE?
Eu olhei para baixo, seria difícil convencê-la.
-Se acalma tá legal! Primeiro, você não vai namorar ele, vai
fingir que namora e isso apenas na frente da Hayley. Segundo, não é pra vida
toda, são apenas três meses.
Ela ainda me encarava incrédula. June alternava os olhares
entre eu e Carolyn.
-Não! Não, não, não. Não vou fazer isso, nem morta, nem que
você tivesse um milhão de dólares agorinha pra me dar.
-O que há demais, Carol?
June perguntou. Carolyn bufou e se virou para a prima.
-Ele é irritante ao extremo, tá sempre tentando me irritar,
não se comporta direito, age como se tivesse cinco anos, reclama toda vez que
me encontra e deu em cima da June.
June olhou assustada para a prima.
-Não vou fazer isso por ele, nem por você. Desculpa Nath,
três meses é um prazo longo demais.
Eu suspirei.
-Carolyn, se houvesse um jeito de não te envolver nessa
história, pode apostar que eu faria de tudo, mas acontece que Hayley me
conhece, então não posso namorar Jake, June vai embora sábado e você é nossa
última chance Carolyn. Eu preciso mesmo de você, e você me deve muito por morar
aqui comigo, por eu ter te ajudado pra caramba nesses últimos dois anos.
-Nem me ajudou tanto assim.
-Carolyn, eu fiquei todas as noites durante um mês, acordada
com você ouvindo aquela baboseira sobre o seu ex-namorado. Fiquei quase outro
mês vendo filmes horríveis e escutando músicas horrorosas com você quando ele
te largou, e dispensei mais de trinta e um caras por você, juntando tudo isso,
dão três meses. Você me deve, eu preciso de você, Jake precisa de você e pode
acreditar que se houvesse outro jeito, eu faria.
Ela olhou para a prima em busca de ajuda, mas June cruzou os
braços e com a cabeça, apontou na minha direção.
-Tudo bem, eu faço! Mas por você, não por aquele idiota.
Eu pulei em cima dela e a abracei bem forte.
-Obrigada, obrigada, obrigada!
-Tá, agora, me dê meu
presente.
E saí correndo do quarto para alcançar a sacola de Carolyn,
voltei rapidamente, pulando na cama de Carolyn que esperava pacientemente pela
sacola. Ela abriu rasgando o embrulho, sorrindo surpresa ao ver o vestido da Abercrombie
e os sapatos Peep Toe. Ela sorriu mais ainda ao ver os sapatos, largou as
coisas na cama e me abraçou.
-Adorei!
-Sabia que ia adorar.
Disse enquanto estávamos abraçadas.
-O melhor de tudo é que você pode usar sexta.
-Boa ideia!
Ela disse, afastando-se e olhando para a roupa.
-Mas... Nath, quando você arranjou dinheiro pra comprar isso
tudo?
Abri um sorriso e dei de ombros.
-Ah, eu recebi meu humilde pagamento de cinquenta mil
libras, e usei uma parte para gastar.
Ela arregalou os olhos.
-Cin...Cinquenta mil?
Balancei a cabeça positivamente. Carolyn ainda me olhava
boquiaberta.
-Cara, eu te amo!
Ela disse me abraçando.
-Interesseira.
Eu resmunguei e me soltei do abraço, me despedi delas
deixando as duas conversando sobre o meu salário e fui para a cozinha, Jake
estava sentado no sofá, olhando apreensivo para o corredor onde eu estava.
-Por favor, não me diga que ela vai sair correndo atrás de
você pra me matar. Eu sorri e sentei do seu lado, esticando as pernas em cima
dele.
-Não. E é melhor você se comportar, é um homem comprometido
agora.
Ele me olhou espantado.
-Não acredito que conseguiu.
Eu sorri.
-Sou demais não é?
-Vai ser demais se eu não estiver morto nesses três meses.
Ele riu sem humor, eu me levantei do sofá.
-Bom, vou tomar um chá, depois vou chamar Carolyn para
esclarecer algumas regras.
Eu disse me dirigindo á cozinha.
-Regras?
-Sim, regras. Sem regras vocês dois vão acabar se matando.
Eu disse entrando na cozinha, preparei o chá rapidamente e
bati na porta de Carolyn, que abriu com um sorriso no rosto e um celular na
mão.
-Que cara é essa?
Eu perguntei e ela me puxou para dentro do quarto.
-Olha isso!
Ela estendeu o celular na minha direção, onde pude ler uma
mensagem.
“Uma pena que sua
amiga precisava da sua ajuda, queria muito passar mais tempo com você.”
Eu a encarei.
-Quem mandou?
-O garoto que eu conheci, eu estava com ele no mesmo
barzinho quando você me mandou vir para casa.
Ela respondeu alguma coisa e deixou o celular na cama.
-De qualquer jeito, o que você queria?
-Preciso de você lá na sala, eu você e Jake vamos conversar.
-Como se não bastasse eu ter que namorar aquele panaca,
ainda tenho que conversar com ele.
Ouvi ela resmungar enquanto me seguia. Sentamos na mesa, eu
na ponta, Jake á minha esquerda e Carolyn á minha direita.
-Bom, vamos esclarecer algumas coisas.
Eles me olharam com atenção.
-Á partir de agora, vocês dois estão namorando. Vão marcar
encontros casuais para mostrar para Hayley que isso não é brincadeira, vocês
vão ás festas da empresa juntos, inclusive na empresa de Carolyn. Vocês tem que
parecer dois namorados de verdade.
Carolyn me olhou com certa raiva.
-Isso inclui andar de mãos dadas em público, e beijar e...
Carolyn se levantou subitamente colocando as duas mãos na
mesa.
-Não espere que eu vá beijar ele.
Ela disse com um dedo na direção de Jake.
-Carolyn, vocês dois tem que agir como namorados.
-Tudo porque aquela vadiazinha está de volta. O que isso tem
demais?
Carolyn sentou novamente e rolou os olhos.
-Eu não confio nela, com toda a certeza aquela garota vai tentar
magoar ele de novo, e como ele é garoto, também não confio nele perto daquela
garota.
Jake se levantou.
-Ei!
-Desculpa Jake, mas é a verdade.
Eles ficaram em silêncio. Se encarando por alguns minutos.
-Estão de acordo?
-Quanto tempo essa baboseira vai durar?
Carolyn perguntou.
- Três meses em público, aqui em casa vocês podem se matar,
mas passando daquela porta, os dois tem que agir como o casal do ano.
-Quando começamos com isso?
Jake perguntou cruzando os braços.
-Segunda-Feira. Vocês ainda tem esses dias para dar alguma
desculpa do tipo “Meu namorado estava viajando á trabalho” Você vão ter que ser
bem convincentes.
Eles se levantaram quando eu terminei de falar.
-Vou ter que inventar como nos conhecemos?
Carolyn perguntou.
-Diga que fui eu quem apresentou os dois.
Ela bufou e foi e direção ao seu quarto. Jake suspirou e me
olhou.
-Não foi tão ruim. Três meses namorando uma maluca, poderia
ser pior.
Eu sorri.
-O que vai dizer pra convencer todo mundo de que estava
namorando?
Ele deu de ombros e se sentou no sofá.
-Vou dizer que a maluca da minha namorada estava num retiro
emocional nas Bahamas, pode ser?
Ele riu e olhou para mim.
-Vocês tem que evitar uma briga em púbico, diga que , como
fotógrafa, ela estava na Índia tirando algumas fotos. Apenas, não a irrite
mais, isso é muito mais difícil pra ela do que pra você.
-O que quer dizer com isso?
Ele disse indignado.
-Você está realmente solteiro. Carolyn acaba de conhecer
alguém legal, depois de muito tempo, eu realmente queria que ela se ajeitasse
emocionalmente.
Ele revirou os olhos e se virou para a televisão que passava
alguma coisa. Andei até o meu quarto, me jogando na cama e dormindo logo em
seguida.
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