sábado, 29 de setembro de 2012

Capítulo 5


Capítulo 5- P.O.V- Autor.
Dois anos depois.
Nathalie havia conhecido Annabelle, a neta da senhora DeLarue. Era uma menina intrigante, lia romances como se não houvesse amanha mas usava moletons surrados, jeans e vans.
( http://www.polyvore.com/remembering_sunday_annabelle_delarue/set?id=56594063) Nos dias mais quentes em Londres ela usava uma regata do Ramones, um short jeans e o inseparável vans.
(http://www.polyvore.com/remembering_sunday_annie_delarue/set?id=56681122#stream_box)  A senhora DeLarue passou a ter confiança total em Nathalie, deixou a menina chama-la pelo primeiro nome, Josette. Jake havia visitado Nathalie duas vezes em cada ano, havia revelado que passara na faculdade de advocacia. (http://www.polyvore.com/remembering_sunday_jake_collins/set?id=56684240#stream_box)  No último ano, o garoto esportivo, musculoso, moreno de olhos claros havia finalmente encontrado uma garota, e ela não era Carolyn, ao contrário do que Nathalie pensava. Se apaixonou por uma estudante da sua faculdade, Hayley era o nome dela. Oito meses depois teve o infortúnio de saber que a garota não só o traía, mas o traía com o colega de quarto da república onde morava. De cabeça quente, arrumou as coisas e pegou o primeiro voo para Londres, precisava de Nathalie. Precisava ouvir dela que a garota era uma vagabunda e ele já deveria ter percebido, queria ouvir de Simmons as palavras que só ela poderia lhe oferecer. A menina levou um susto ao encontrar o amigo parado na sua porta. O abraçou por cinco minutos e só depois o deixou falar, ela xingou a menina de todos os nomes possíveis. Contou sobre a faculdade, ajudou Jake a achar uma faculdade perto, ajudou-o a pegar os papéis com a secretaria da antiga faculdade. Tudo estava certo, aquela noite da festa da primeira semana sumia nas memórias de Carolyn e de Nathalie. Carolyn foi contratada por uma importante revista britânica, mal parava em casa, estava cheia de viagens de trabalho e saia todos os dias para revelar as fotos. Ganhava muito bem, mas não estava pronta para abrir mão da companhia de todas as horas de Nathalie. Por outro lado, Nathalie estava contente com sua formatura, havia recebido uma proposta de emprego da revista People, mesmo não tendo estudado três anos para tirar fotos de pessoas, era um ótimo começo. A revista People é uma das mais importantes revistas de Londres, começar assim era algo extraordinário. No último aniversário, Jake havia lhe dado a melhor câmera que poderia ganhar, uma Olympus EVOLT E-300. Não sabia como ele havia comprado e queria bater nele por dar algo tão caro assim para ela. Havia também um programa a qual era obrigada a assistir com Carolyn, era estilo um ídolos só que britânico. Era até legal, ela curtia algumas das músicas que tocavam e as duas babavam por cada participante bonitinho. Pareciam duas adolescentes. Jake achava aquilo tudo besteira, quando as duas dominavam a tv ele era obrigado a se concentrar no trabalho. De certo modo era bom que as duas o obrigassem a estudar, não teria passado no exame caso contrário. Nathalie havia aceitado o convite para trabalhar na People, mas antes, precisaria falar com a senhora DeLarue.
P.O.V.-Nathalie.
Acordei cedo pela manhã, não queria ter que pedir demissão para Josette que me acolheu tão bem, mas precisava do emprego na People. Já havia decidido, chegaria á livraria, cumprimentaria Annie e tentaria entender o porquê do comportamento frio da menina, como todos os dias. Esperaria Josette chegar para conversar em particular, explicaria a situação e deixaria a livraria. Tomei um banho quente, prendi meu cabelo num rabo e me vesti. (http://www.polyvore.com/remembering_sunday_nath_simmons/set?id=56681560#stream_box)
Carolyn estava dormindo e Jake estava comendo alguma coisa na cozinha, lançou um olhar interrogativo na minha direção quando me viu acordada tão cedo.
-Vou á livraria.
Ele fez que sim com a cabeça, estava de pijama e comia cereal. Mandei-lhe um beijo e sorri ao fechar a porta do apartamento. Fui andando até a livraria, estava um pouco mais quente do que o normal hoje. Abri a porta ouvindo o familiar som da sineta, Annie levantou os olhos do livro e os voltou para o mesmo assim que viu que era eu.
-Engraçado, você nunca trocou mais do que quatro palavras comigo.
Observou a menina dar de ombros enquanto passava por ela para ficar atrás do balcão. Arrumou alguns livros que os fregueses deixavam fora de lugar, contou o dinheiro do caixa e ligou o rádio numa estação qualquer para passar o tempo. A senhora DeLarue chegou uma hora depois, as recebeu com um sorriso e perguntou como estava o dia. (http://www.polyvore.com/remembering_sunday_josette_delarue/set?id=56596387#stream_box)
-E então, como estão indo por aqui?
-Meio parado.
Annie guardou o livro para dar um beijo na bochecha da avó.
-Sabe como é Josette, sexta de manhã num sol desses, as pessoas saem para visitar Londres.
-Como se já não a conhecessem.
Annie estava apoiada no balcão enquanto me observava.
-Eu moro aqui á dois anos e nunca fui á London Eye.
Ela deu de ombros. Atravessei o balcão e fui ao lado de Josette que arrumava milimetricamente alguns livros nas prateleiras.
-Senhora Delarue?
Eu perguntei quando me aproximei. Ela se virou.
-Josette, querida.
-Josette, eu gostaria de falar com a senhora. Em particular.
Ela assentiu com a cabeça e me guiou até o estoque.
-Diga querida.
-Eu... Bom, primeiro quero agradecer tudo pelo que a senhora fez. Foi a primeira pessoa a me dar oportunidade aqui em Londres e eu agradeço muito por isso.
Ela me incentivou a continuar.
-Mas é que terminei a faculdade e recebi uma oferta da revista People que é... Irrecusável.
Ela se aproximou e me deu um abraço. Não sei porque estava tão nervosa, a senhora DeLarue é muito legal.
-Ora querida, falasse logo! Eu sabia que iria ser chamada para algum trabalho importante, uma fotógrafa como você, tão nova. Na revista People!
Eu sorri.
-Eles viram a exposição que fiz na faculdade.
Ela sorriu, provavelmente se lembrando. Tínhamos que tirar vinte fotos de qualquer coisa para apresentar, eu tirei fotos de quinze paisagens livres ( sem pessoas) e cinco com casais, novos, velhos, pessoas sozinhas e crianças com os pais. Annie veio com Josette, elas, Carolyn e Jake são as únicas pessoas que eu tenho intimidade para convidar para algum evento. Josette se encantou pelas fotos de paisagens, Annie ficou a noite inteira observando a foto que tirei da menina com os pais. Fingi não ver a lágrima nos olhos dela.
-Sei que vai fazer um ótimo trabalho querida.
Ela me abraçou de novo.
-Então, esse é meu último turno aqui na livraria.
Ela sorriu.
-Mas não vai ser algo ruim, acredite, você está indo por uma causa maior.
Saímos do estoque e Annie estava atendendo um menino alto, com cabelos cacheados e olhos verdes. Ele era lindo, e parecia confuso. Passamos por eles e eu pude escutar.
-Mas eu não sei se ela vai gostar, sabe, minha prima só gosta desses romances.
Annie sorriu e mostrou onde fiavam os livros de romance.
-Eu gosto desse aqui, mas estou lendo este e é incrível. Acho que ela vai gostar.
Ela pegou os livros e sorria enquanto falava. Quem era aquela e o que fez com Annie? Eu sorri com a cena e fui até o balcão. O menino decidiu levar o que Annie estava lendo, ela pareceu confiante.
-São vinte e cinco libras.
Eu pronunciei quando ele me entregou o livro. Ele pagou em dinheiro, lançou um sorriso para Annie antes de sair.
-O que foi isso?
Eu disse me virando para ela.
-Nada.
Ela respondeu rapidamente e voltou a ler o livro, com um sorriso nos lábios dessa vez. O dia passou rápido, avisei a senhora DeLarue sobre a festa que Carolyn estava organizando hoje á noite. Saí mais cedo para passar na People. Peguei um táxi e cheguei em pouco tempo ao grande prédio da revista. A recepcionista me mandou subir. Vigésimo quinto andar, como era alto! Fui recebida por uma secretária que me guiou pelas grandes salas.
-É aqui que tudo acontece.
Ela disse enquanto andávamos por uma sala grande com várias mesas cheias de pessoas digitando freneticamente em seus computadores. Ela me levou até uma sala com portas de vidro. Dentro havia uma grande mesa, onde estavam um computador, vários papéis e uma xícara de café. A secretária sinalizou para que eu entrasse. Abri a porta de vidro e encontrei o meu futuro chefe fumando um charuto. Ele sorriu ao me ver.
-Nathalie! Sabia que não ia recusar a proposta.
Eu sorri.
-Não sou muito de recusar as coisas, eu só queria ter certeza sobre alguns detalhes.
Ele fez sinal para que eu sentasse.
-No momento que vi suas fotos naquela exposição, sabia que seria uma ótima fotógrafa para a People. Bom, prossiga.
-Quanto aos horários, eu tenho que estar aqui que horas.
Ele riu.
-Garota, você tem potencial. Não vai ser uma fotografazinha qualquer, você vai ser “A fotógrafa”. As matérias mais importantes ficarão nas suas mãos, suas fotos serão capa da revista, virarão pôsteres, serão livros!
Ele falava e fazia gestos com as mãos o que deixava tudo um pouco engraçado. Eu sorri e me senti corar quando ele elogiou meu trabalho.
-Isso implica em...
-Implica- Ele se ajeitou na cadeira- em que eu vou ligar pra você, você vai tirar as fotos e me entregar no máximo três dias depois. Nada de horários, nada de uniforme. Você tem que comparecer á umas reuniõezinhas aqui e ali, nada demais.
Meu sorriso ficou maior.
-Então eu só tenho que tirar as fotos e revela-las para o senhor com o prazo de três dias?
-Mas não qualquer foto, quero as fotos com a mesma emoção que vi naquela galeria. Além do mais, é o mínimo que pode fazer por um pagamento de cinco mil libras.
Eu fiquei séria.
-Por mês?
Ele riu.
-Por foto garota. E isso é só o começo, quero ver se sua dedicação vai valer o meu dinheiro. Há fotógrafos por aí ganhando trinta mil libras por foto, espero que seu trabalho valha mais.
Eu engasguei e ele riu ainda mais.
-Bem vinda á People, sou John Castle, seu novo chefe!
Ele se levantou para apertar a minha mão, eu ainda estava meio pálida. Cinco mil libras por foto, sessões de foto geralmente possuem quinze fotos utilizáveis. Eu estava quase rica! Voltei para casa ainda atônita. Jake me olhou assustado quando entrei.
-Aconteceu algo, Nath?
Eu olhei para o rosto dele.
-Vou ser rica. De acordo com meu novo chefe, eu ganho cinco mil libras por foto.
Ele ficou sério e colocou as mãos nos meus braços.
-Está falando sério?
Eu apenas concordei com a cabeça. Ele me abraçou tão forte que me levantou do chão. Carolyn surgiu com um olhar de interrogação no fim do corredor. Assim que Jake me colocou no chão eu pude explicar para ela o que havia acontecido.
-Não. Acredito!
Ela fez uma pausa olhando diretamente nos meus olhos.
-Cara, você tá rica!
Ela me abraçou e começou a fazer uma lista do que ela queria de aniversário. Assim que ela terminou, eu fui para o meu quarto, tomar um banho e me arrumar para a pequena festa de Carolyn. Lavei os cabelos e sequei-os antes de sair do banheiro enrolada na toalha. Demorei um pouco para escolher um vestido de uma manga só, vermelho e um sapato de salto da mesma cor. Decidi deixar os cabelos soltos, usar um anel de cor pastel com uma pulseira dourada. (http://www.polyvore.com/remembering_sunday_nath_simmons/set?id=56686587#stream_box)  Quando terminei de me arrumar, Carolyn já estava pronta na sala com um vestido preto com detalhes em salmão, um sapato também preto. Um colar com pingente e pulseira prateada. Deixou os cabelos loiros soltos e deixou escapar um sorriso quando me viu.
-Nossa, tá linda!
Ela me fez dar uma voltinha para que pudesse ver de todos os ângulos.
-Uau!
Jake veio do corredor, ele e Carolyn dividiam o banheiro. Ele estava com uma camisa social e uma calça jeans, usava um sapato social e deixou os cabelos bagunçados. Me deu um beijo na bochecha e foi buscar alguma coisa na cozinha, Carolyn brigou com ele ao ver que Jake estava comendo a comida da festa.
-Sai! Isso daqui é para os convidados.
Ela agarrou o pote com salgadinhos. Ele pegou mais alguns e saiu rindo.
-Sua amiga é muito engraçada.
Ele sussurrou para mim e se largou no sofá. Carolyn ajeitou tudo na mesa da sala e começou a brigar com Jake por causa do programa que ele estava vendo.
-Vocês não vão ficar aí vendo tv, né?
Eles me olharam.
-Desliga isso e vai colocar uma música!
Eu apontei para Carolyn mas Jake se levantou primeiro.
-Você vai deixar ela escolher as músicas?- Ele apontou para Carolyn que se sentiu ofendida- Ela provavelmente vai colocar alguma coisa que ouviu no X-factor. Não, se vamos fazer isso vamos fazer direito, eu cuido do som.
Carolyn se levantou do sofá.
-Então não coloque aquelas músicas estranhas que você escuta!
Eles começaram a discutir e eu tive que dar um fim.
-Chega! Vocês parecem duas crianças, Jake você escolhe o som já que Carolyn fez tudo.
-Vê se controla esse seu amigo porque minha prima está vindo para a festa, e eu não quero que ela seja influenciada por ele.
Ela saiu a passos pesados de perto do Jake e foi ver alguma coisa na cozinha.
-Você devia parar de irritá-la tanto.
Eu o cutuquei com o braço.
-Mas é legal, ela fica toda vermelha quando está com raiva.
Nós rimos e ele escolheu um cd qualquer para começar. Aos poucos foram chegando as pessoas, tinha gente do trabalho de Carolyn, do trabalho de Jake e amigos da faculdade. Meu pequeno apartamento estava quase cheio demais. Pouco tempo depois  Josette e Annie chegam, Josette me recebe com um abraço, ela está elegante e bonita. Usa um vestido azul, um sapato preto e um colar prata.
Annie apenas me olha e entra. Ela está bonita, nunca pensei que ela largaria o moletom e a camiseta dos Ramones mas ela está usando um lindo vestido preto longo e sapatos de salto alto. Converso com alguns amigos e a campainha toca novamente, encontro Jake com os olhos e ele vai atender. A prima de Carolyn, June, entra no apartamento, eu quase peguei um babador para Jake. Ela estava com um vestido branco que parecia feito para ela, sapatos bege, uma pulseira um pouco mais escura e brincos combinando. Ela era loira como Carolyn, mas os cabelos davam a impressão de serem lisos, e não ondulados. Carolyn foi correndo abraçar a prima, que me achou com os olhos claros e me cumprimentou com um abraço apertado.
-Quanto tempo!
Eu havia visto duas vezes, uma no aniversário de Carolyn e outra, na festa de Natal que dei ano passado.
-Eu sei, sua prima estava quase morrendo de tantas saudades.
Ela riu.
-Parabéns pelo emprego, eu sei que deveria ser surpresa, mas você conhece a Carolyn.
Eu sorri.
-Eu sei que o lugar tá meio cheio, mas dá uma volta por aí, vê se encontra algum gatinho.
Nós rimos e ela foi procurar Carolyn. Eu andei um pouco, atravessando as pessoas para chegar na sacada. Annie estava lá, ela não percebeu a minha chegada e eu ouvi um soluço. Andei até ela e coloquei a mão no seu ombro, ela se assustou, mas não protestou.
-O que houve Annie?
Ela ficou em silêncio por alguns minutos, soltou um longo suspiro e falou.
-Hoje faz exatamente dez anos que meus pais morreram num acidente de carro.


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