sábado, 29 de setembro de 2012

Capítulo 13


 Capítulo 13-P.O.V.- Carolyn Stevens.
-Namorando. Namorando! Carolyn Stevens namorando um completo idiota!
Eu gritei me jogando na cama quando entrei no quarto.
-Quanto drama!
June disse olhando as unhas. Eu apenas a observei.
-Afinal, o que há demais em você fingir que namora o Jake, são apenas alguns sorrisos forçados, abraços, beijinhos e conversa de casal. Isso tudo na frente das pessoas, aqui dentro você pode se trancar no quarto e fazer o que quiser.
-Eu não posso mata-lo.
Eu disse emburrada.
-Carol, o garoto precisa da sua ajuda. O que há demais?
-Eu apenas não quero ficar de intimidade com ele, tem alguma coisa naquele garoto que me deixa muito irritada. E agora que eu conheci esse menino de quem eu te falei, o que vou dizer pra ele?
-Diga que seu amigo tá precisando da sua ajuda.
Eu olhei incrédula para ela.
-Ah claro! Ele vai aceitar numa boa né June?
Ela riu.
-Não disse que ele ia aceitar, disse o que você poderia falar pra ele.
Ela riu e eu taquei um travesseiro nela.
-Vamos dormir sua babaca, amanhã vai ser um dia bem longo na redação.
Ela concordou e apagamos as luzes, demorei um pouco para dormir, fiquei pensando no que o dia de amanhã me traria, já que agora e estava namorando Jake Collins.

Acordei com um vento gelado no rosto, June havia esquecido de fechar a janela á noite e vários pedacinhos de gelo se formaram no parapeito da janela. Era uma manhã com neve em Londres.
Resolvi deixar June dormindo, já que não tínhamos nada para fazer hoje. Andei silenciosamente até a cozinha, o relógio de parede marcava cinco e meia da manhã. Liguei a cafeteira e esperei até que o café ficasse pronto, quando estava colocando a xícara na pia, alguém cutuca o meu ombro. Pulo de susto e me viro, deparando-me com um Jake sonolento atrás de mim.
-Tá querendo me matar?
Eu digo, um pouco mais alto que o necessário.
-Não, to querendo café. Ainda tem?
Ele pergunta sorridente. Eu bufei e lhe entreguei a xícara da cafeteira que ainda tinha um pouco de café.
-Obrigado.
Ele murmurou enquanto eu saía da cozinha. Caminhei até o quarto de Nathalie e bati na porta antes de entrar. Pouco me importava que ela estivesse dormindo, eu a queria acordada.
-Nathalie!
Falei em tom alto, mas ela estava debaixo de todos os cobertores que estavam na cama, um bolinho com cabelo emaranhado numa cama.
-Acorda!
Eu grito e jogo uma almofada, que estava no chão, em suas costas. Ela resmunga alguma coisa e levanta a cabeça para me olhar.
-Ah, é você.
Então ela fecha os olhos e desaba na cama novamente.
-Anda Nath! Está nevando e eu quero fazer alguma coisa, já que não vou conseguir dormir e a reunião vai ser, provavelmente, cancelada.
-Por isso mesmo. Está nevando, eu é que não vou me mover daqui.
Eu dei dois passos em sua direção e pulei na cama.
-Você não vai me deixar dormir, não é?
Ela resmungou com a cara no travesseiro.
-Não.
Eu disse sorrindo.
-Tudo bem, o que você quer?
Ela disse, se sentando na cama.
-Quero fazer alguma coisa.
-Tipo?
Ela perguntou esfregando os olhos.
-Sei lá, ver algum filme. Comer pipocas, tomar café no Starbucks. Algo assim.
Eu disse. Ela suspirou e se levantou da cama.
-Tá bom, vê se o Jake vai sair pra trabalhar, se não, vamos eu você e a June até o Starbucks.
-Tudo bem.
Eu disse saindo do quarto dela. Abri a porta do meu quarto, para pegar meu celular. June ainda dormia na cama que montamos ao lado da minha, alcancei meu celular, havia uma mensagem da minha chefe.
“Há uma nevasca, a maioria das ruas estão fechadas. Se a situação não melhorar até às 10 da manhã, a reunião estará cancelada.”
Não me dei ao trabalho de responder, fechei a porta cautelosamente e andei até a sala. Jake estava bebendo café, sentando no sofá, olhando para a tv.
-Vai trabalhar hoje?
Perguntei em tom casual.
-Porque, a minha namorada- ele fez uma careta ao dizer a palavra- está a fim de sair?
Ele sorriu e eu mostrei a língua pra ele.
-Não, idiota, a sua amiga está te chamando para sair. E eu não sou sua namorada.
-Ainda.
Ele disse rindo.
-Vai me responder?
Eu disse me apoiando na parede.
-Não, não vou trabalhar hoje. Você viu a neve? Quem é o louco que sai de casa num dia desses?
-Eu queria sair.
Disse fazendo bico, o que fez ele rir.
-Só que não dá. Tem pelo menos, meio metro de neve nas ruas.
-A gente podia ir lá fora, Nathalie só viu duas nevascas desde que chegou aqui. Vai que ela quer descer...
Ele me cortou.
-Você está afim de ir lá em baixo e ver a neve não é?
Eu balancei a cabeça, afirmando.
-Não sei quem é mais criança, você ou a Nathalie.
Ele disse se levantando.
-Vou me arrumar, quem sabe o Starbucks não está aberto.
Ele disse indo para a cozinha.
-Jake?
Eu disse dando um passo na sua direção.
-Diga.
Ele se virou para me olhar.
-Eu não acho que isso vai funcionar.
-Isso o que?
Ele disse vindo até mim.
-Nós dois. Eu digo... Não tem como nós dois estarmos num relacionamento juntos.
Eu disse o olhando.
-Eu também não queria isso, é que a Nath é tão... Teimosa! Eu só queria que ela me escutasse, eu odeio a Hayley, é verdade, mas isso não é motivo pra ela me arranjar uma nova namorada.
Ele disse e depois suspirou.
-Eu não queria te envolver nisso, mas já que estamos assim, vamos tentar. Pelo menos até que a Nath perceba que isso não vai dar certo.
Eu concordei.
-Vou acordar a June para irmos até o café.
-Promete que vai tentar?
Ele disse estendendo a mão.
-Prometo.
E selamos um acordo, no meio da sala de estar.
P.O.V.- Nathalie Simmons.
A vagabunda da Carolyn me acordou às cinco da manhã, num dia de neve! Eu iria mata-la. Mas estava tão quentinho na minha cama, que eu fiquei com preguiça. Levantei e fui tomar um banho, me troquei rapidamente.
Carolyn e Jake ainda não estavam prontos e June nem estava acordada.
-E aí galera, o que a gente vai fazer?
Eu disse me sentando entre a Carolyn e o Jake no sofá.
-June não acorda de jeito nenhum, o noticiário disse alguma coisa sobre já podermos sair na rua e eu estou com fome.
Carolyn disse, ainda olhando pra tv.
-E quanto a você?
Eu olhei para Jake.
-Está nevando, em setembro! Eu queria estar dormindo, mas a madame aí acordou a casa toda.
Eu me levantei e puxei os dois comigo.
-Vamos acordar a June e depois vamos sair.
-Boa sorte.
Eles disseram e se sentaram novamente.
-Sem ajuda? Tudo bem, eu vou sozinha!
Disse levantando os braços, com a voz mais dramática que pude achar. Abri a porta do quarto de Carolyn devagar, June estava enrolada nos cobertores, em uma cama ao lado da cama de Carolyn. Me ajoelhei do lado dela e a cutuquei de leve. Nada. Comecei a gritar o nome dela e a chacoalhar seu ombro. Nenhum resultado. Corri até a cozinha, peguei uma panela e uma colher. Carolyn e Jake me olharam com cara de interrogação e me seguiram até o quarto da Carolyn.
-Tem certeza?
Carolyn me perguntou quando entramos no quarto. Eu apenas sorri e comecei a bater a colher na panela. Não demorou muito até que ela resmungasse alguma coisa. Carolyn puxou o braço dela pra que June se sentasse. Ela nos fuzilou com o olhar antes de se virar para o despertador da Carolyn.
-Seis e meia! Vocês são malucos!
E deitou de novo na cama, eu, Carolyn e Jake começamos a gritar de novo e ela se rendeu.
-Tudo bem! Me dê um minuto para me arrumar.
Ela disse indo na direção do banheiro de Carolyn. Enquanto ela se arrumava, Jake foi tomar banho no banheiro do corredor.
-E aí, o que aconteceu pra você acordar cedo?
Eu perguntei para Carolyn.
-June deixou a janela aberta, quase morri congelada de manhã.
Eu ri e depois ficamos em silêncio por alguns minutos.
-Ei, Nath.
Eu olhei para ela.
-Decidi ajudar o seu amigo, vou tentar de verdade tirar essa vadia do pé dele.
Eu fiquei feliz, abracei-a por um instante e o Jake abre a porta do quarto.
-Tem um monte de gente na rua, vem ver!
Corremos até a sacada, um monte de crianças com seus pais corriam e brincavam na neve.
-Olha que legal!
Eles apontaram para um bando de adolescentes fazendo guerra de bolas de neve. Eu corri até o quarto e peguei a câmera, tirei umas fotos muito legais.
-A gente podia descer né?
Carolyn perguntou com um brilho no olhar.
-Claro, assim que sua prima sair do banho.
Eu disse olhando para dentro do apartamento, por reflexo. Carolyn entrou no apartamento enquanto eu e Jake observávamos a rua.
-Carolyn prometeu que iria tentar fazer dar certo.
Eu disse encarando Jake.
-Eu sei. Só não acho que vai dar certo mesmo assim, eu e ela...
Ele perdeu as palavras e suspirou. Eu dei dois tapinhas nas suas costas e entrei no apartamento, June estava indo até a cozinha e eu fui atrás dela.
-Bom dia!
Eu disse alegre.
-Oi.
Ela disse seca.
-Nossa, desculpa.
Eu ri e abri a geladeira.
-Um dia Nath. Um dia eu vou te acordar assim e você vai ter o que merece.
Eu olhei para ela, June estava com os cabelos soltos e uma cara de sono. Fiquei encarando o coturno que ela usava.
-Você e sua prima são tão diferentes! Aposto que ela vai sair de lá usando o maior salto que tiver.
Ela riu.
-Pouca convivência, Carolyn estudou nos internatos de Londres enquanto eu ficava nas escolas de Gillingham. Ela aprendeu a ser uma Barbie enquanto eu sou totalmente o oposto.
Eu sorri.
-Gosto disso, já me vesti assim uma época, eu acho que foi quando eu morava em Los Angeles. Estava tão brava com a minha mãe que pintei as pontas do cabelo de roxo e saía toda vestida de preto. Depois de dois meses eu dei uma trégua, voltei á cor natural e passei a usar ais cores.
Eu ri.
-Queria ter visto isso, você de cabelo roxo. Que hilário!
Ela começou a rir pra valer, enquanto ela recuperava o fôlego e fui tomar um copo de leite. Não demorou até que Carolyn surgisse na porta da cozinha.
-Vamos?
Ela perguntou impaciente, batendo o pé no chão.
-Calma, ainda tem o Jake.
-Estou pronto!
Ouvi ele gritar da sala.
-Então vamos.
Peguei as chaves e fomos até o Lobby, iríamos andar até o Starbucks. A neve fofa enterrava os nossos pés, mas era divertido andar nela. Passamos a maior parte do tempo tentando não cair no gelo escorregadio. Carolyn tropeçou umas duas vezes por causa das botas.
O café estava cheio, geralmente num dia de frio você quer tomar um café quentinho. Pedimos e esperamos dentro do recinto lotado e quentinho, a neve havia parado de cair, dava pra ouvir o barulho dos caminhões limpando a rua. Carolyn foi atender um telefonema, ficamos conversando até que ela volta com uma cara emburrada.
-Vou ter que ir pra redação.
Eu a encaro e dou um gole no meu café.
-Boa sorte, eu queria tanto ficar em casa e ver filme com você.
Ela mostrou a língua e guardou o celular no bolso.
-De qualquer jeito- Ela disse pegando o copo que havia deixado na mesa- Vou precisar de uma carona, de jeito nenhum eu vou andar até o centro nessas botas.
Ela apontou para os próprios pés e sorriu, Jake se levantou recolhendo o casaco.
-Eu te levo.
Carolyn deu de ombros e se despediu de mim e de June, saindo do café logo em seguida.
-É, ficamos eu e você. O que quer fazer?
Disse terminando o café e recolhendo a bolsa.
-Preciso ir até a rádio pegar os ingressos da La Belle.
-Então vamos.
Peguei sua mão e fomos andando pelas ruas, o prédio da rádio ficava bem longe, mas o vento gelado era bom e eu gostava muito de andar.
-Olha, o que é aquilo ali?
Ela perguntou apontando para um carro preto, provavelmente atolado na neve.
-Algum pobre infeliz colocou o carro na neve fofa.
Eu disse, indo na direção do carro.
-O que você vai fazer?
June perguntou, poucos passos atrás de mim.
-Vou ajudar, aquele cara não vai conseguir tirar o carro sozinho.
Eu disse e continuei andando, June me alcançou pouco depois. O carro estava com as rodas afundadas na neve, acelerando sem pensar, se afundando mais ainda. Eu parei alguns passos longe e cruzei os braços, vendo até onde o cara iria atolar o carro. O motorista desistiu, e saiu do carro pouco depois de desligar o motor.
-É, vai ficar preso por um bom tempo.
Eu disse dando dois passos na direção do motorista.
-Eu realmente não... Nathalie?
Ele perguntou olhando bem para o meu rosto, de imediato eu não reconheci, depois lembrei de onde conhecia aqueles cachos.
-Harry! Oi!
Eu disse abrindo um sorriso, ele sorriu também e me deu um breve abraço.
-Não acredito que atolou o seu Audi.
Eu disse cruzando os braços.
-Eu achei que dava pra passar, o pior é que vou me atrasar, tenho que estar na rádio daqui á meia hora.
-Rádio?
-A banda vai dar uma entrevista, eu como sempre, acordei atrasado. Por sorte Louis me apressou.
-Ele está ali?
Apontei para o carro e vi duas portas sendo abertas.
-Sim.
Louis e uma garota saiam do carro, deram os braços e colocaram as mãos nos bolsos por causa do frio.
-Eu disse pra não virar nessa rua, mas o Harry é teimoso e não me escuta.
Ela disse mostrando a língua para o Harry, que sorriu e depois me encarou.
-Oi Louis.
Disse sorrindo esperando que ele me conhecesse.
-Oi...Nathalie!
Ele deu uma pausa para lembrar meu nome e sorriu. Andou na nossa direção e me cumprimentou com um abraço, colocou o braço nas costas da garota e a apresentou.
-Els essa é a Nathalie, a fotógrafa da People. Nathalie essa é a minha namorada, Eleanor Calder.
Ela sorriu e me abraçou.
- Muito prazer.
Ela disse depois que nos separamos.
-O prazer é meu.
Eu disse e procurei June que estava á poucos metros de nós, sinalizei para que ela se aproximasse, eles ficaram observando enquanto ela andava até nós.
-Pessoal essa é a prima de uma amiga minha, a June.
-June esse é o Harry, o Louis e a namorada dele a Eleanor.
Eles sorriram e se cumprimentaram, June perguntou o que eles estavam fazendo ali parados e a Eleanor respondeu.
-Eles tinham que estar na rádio pra fazer uma entrevista, mas o garotão aqui se atrasou e dirigiu com toda a pressa do mundo, acabou atolado na neve.
Elas riram.
-Querem ajuda pra tirar o carro daí? Eu não tenho muita experiência, mas acelerar o carro não vai adiantar.
Harry deu de ombros e andou comigo até a frente do carro.
-Bem, vai demorar pra tirarmos o carro daqui.
Eu disse analisando as rodas que estavam totalmente imersas na neve.
-Vamos empurrar?
-Eu não tenho força, mas ajudo. Chama o Louis pra ajudar também.
Ele chamou o amigo e nós três começamos a empurrar o carro, mas ele não se mexia. Depois de algum tempo eu perguntei ofegante.
-Harry... Por acaso você puxou o freio de mão?
-Puxei ué.
Ele disse e se sentou no capô do carro, não pude evitar dar um tapa no seu ombro.
-E você quer que o carro se mexa como, com o freio de mão puxado?
Eu sorri e ele deu um tapinha na própria testa, enquanto ele entrava no carro, vi June e Eleanor rirem da situação.
-Venham aqui ajudar!
Eu disse enquanto Harry saia do carro. Nós cinco conseguimos empurrar o carro com um pequeno esforço, batemos nas mãos um do outro quando terminou.

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