Capítulo 15- P.O.V. Carolyn
Stevens.
Quando estávamos no café, recebi uma ligação da minha chefe.
-Carolyn?
-Oi!
-Aqui é a Nina, o
noticiário avisou que a situação está melhor, a reunião está de pé.
-Tudo bem, tenho o
projeto para a próxima edição da revista, quer que eu traga?
-Sim, esteja aqui em
meia hora.
-Pode deixar.
Desliguei e voltei com a cara emburrada, não queria ir
trabalhar.
-Vou ter que ir pra redação.
Nath me encara e dá um gole no seu café.
-Boa sorte, eu queria tanto ficar em casa e ver filme com
você.
Mostrei a língua e guardei o celular no bolso.
-De qualquer jeito- Eu disse pegando o copo que havia
deixado na mesa- Vou precisar de uma carona, de jeito nenhum eu vou andar até o
centro nessas botas.
Apontei para meus pés e sorri, Jake se levantou recolhendo o
casaco.
-Eu te levo.
Dei de ombros e me despedi de Nath e June, saindo do café
logo em seguida.
-Não se acostume com isso.
Ele disse enquanto andávamos
-Não pedi nada á você, você que se ofereceu pra me dar
carona.
Mostrei-lhe a língua e caminhei mais depressa, precisava
pegar a pasta com o projeto da revista que estava em algum lugar do meu quarto.
-Espera aqui.
Eu disse quando chegamos no apartamento, Jake se sentou no
sofá enquanto eu fui procurar a pasta.
Voltei para a sala dez minutos depois, com a pasta em mãos.
-Vamos?
Ele se espreguiçou e pegou as chaves. Prosseguimos em
silêncio até a redação, com toda a certeza, o clima entre nós dois ficaria
muito estranho á partir de segunda-feira.
-Jake?
-Sim?
Ele disse olhando para mim enquanto estacionava o carro no
meio fio.
-Tem como você me buscar depois do seu trabalho?
Ele rolou os olhos e deu de ombros.
-Se você não estiver aqui quando eu chegar, eu passo reto.
Ouviu?
Eu sorri.
-Obrigada.
E entrei no prédio. Nina Howards era amiga da minha mãe, de
modo que ficou sabendo quando eu entrei na faculdade de fotografia e tratou de
guardar um estágio para mim.
Entrei na sala de reunião e Nina me cumprimentou com um
aceno de cabeça.
-Sua mãe mandou lembranças, do Caribe.
Ela sorriu e depois voltou a ficar séria. Era incrível como
Nina mudava de expressão facilmente.
-Trouxe o projeto?
Ela me perguntou, entrelaçando as mãos em cima da mesa.
-Trouxe sim, aqui está.
Entreguei á ela a placa de 22 centímetros que era o projeto
da revista. Ela analisou calmamente e repassou pela mesa. As pessoas analisavam
com um olhar cuidadoso, observava cada uma delas olhar atentamente a placa, que
chegou em minhas mãos minutos depois.
-O que acham?
Nina perguntou e vários comentários surgiram ao mesmo tempo,
ela ergueu a palma da mão para cessá-los e apontou para uma moça que trabalhava
aqui antes mesmo de Nina.
-Acho que ficou muito bom, de verdade.
Suspirei aliviada e continuei ouvindo os comentários.
-Sim, concordo com Melissa, a próxima edição vai ser um
sucesso. Inverno em Londres, o que poderia ser mais original?
Eles continuaram falando enquanto esboçavam suas opiniões em
seções que eu não trabalhava. Continuamos discutindo qual seria a matéria
principal, quando Nina declarou que seria tarefa de Yan cuidar disso. Assim,
fizemos uma pausa para o almoço.
-E aí Stevens? O que vai fazer no final de semana?
Yan perguntou apressado em sair da sala de reuniões, desde
que entrei aqui ele ficava em cima de mim, chegava a ser estranho.
-Nada Honoi, vou trabalhar. Porque?
-Ah, uns amigos meus marcaram de ir num pub, achei que ia
gostar de ir também.
Eu sorri sem jeito e recolhi a pasta.
-Não vai dar, agradeço o convite.
Continuei andando até a minha sala e ele foi me seguindo.
Talvez fosse uma boa hora de usar a desculpa “ Estou namorando Jake” E talvez
esse garoto largasse do meu pé.
-Hum, pensando bem- Disse virando-me para encará-lo. Pude
ver seus olhos azuis brilharam, estranho.- talvez eu vá sim, se importa se meu
namorado for junto?
Espera, pra onde foi aquele brilho no olhar mesmo?
-Na-namorado?
-Ah sim, eu não falei nele antes porque achei desnecessário.
Mas sim, namorado.
Eu sorri e ele olhou para baixo. Coitadinho.
-Não, tudo bem. É sábado á noite, te mando um e-mail com o
endereço. Vai ser legal conhecer o seu namorado.
E ele saiu da sala. Suspirei e me sentei, afim de revisar as
fotos para a próxima edição. Melissa entrou na sala pouco tempo depois, com o
meu almoço em mãos.
-O que foi que você fez para o coitado do Yan?
-Nada. Juro que não foi nada demais.
Ela suspirou e sentou do meu lado.
-Sabe que o garoto é afim de você desde que te viu. Porque
não dá uma chance á ele?
-Porque estou namorando.
Ela me olhou incrédula.
-Não creio.
-Eu sei. Também não.
-Ah, você vai me apresentar. Sábado, na festinha do Yan.
Pode ser?
-Claro.
-Tá. Vou espalhar a notícia.
-Faça isso.
E ela saiu da sala. Com os longos cabelos loiros esvoaçando
atrás dela. Melissa Giancco era uma menina legal, só tinha uma personalidade
meio forte.
Continuei revisando o texto até que Nina entra na sala.
-Soube das notícias.
-Mel?
-Mel. Essa garota saiu pelo escritório passando de mesa em
mesa falando sobre você.
Eu suspirei.
-É preciso.
Ela se sentou ao meu lado.
- O que houve Carol?
Meu relacionamento com Nina foi sempre muito bom, conhecia
ela desde pequena e sempre pedi ajuda com garotos, já que minha mãe não gostava
nem um pouco que eu saísse por aí e meu pai, militar, nunca permitiu que eu
saísse de casa. Por isso me mandou para internatos. Então, sempre contei com
Nina para esse quesito.
-Lembra da Nath? Ela acaba de me meter na maior furada da
minha vida.
Coloquei o rosto nas mãos e comecei a explicar a minha
situação.
-Então... Você não está namorando?
- Só em público, quer dizer, eu posso estrangulá-lo em casa,
mas passando da porta, sou a namorada de Jake Collins.
-Entendo, mas porque você odeia esse rapaz?
-Eu sei lá, desde que conheci Nathalie, ele ficava se
metendo, ficava com ciúmes dela, das festas que íamos, ele interrompia nossas
conversas, ligava pra ela no meio da noite... Deus, odeio ele.
Nina começou a rir.
-Carolyn, pelo que me parece, você tem ciúmes da amizade
dele com Nathalie, sabe que ela deixaria tudo de lado para ajuda-lo, mas não
tem certeza que ela faria isso por você.
Eu bufei.
-Que ridículo! Claro que eu não penso isso!
Ela sorriu.
-Bom, você sempre me pediu conselhos e opiniões, estou dando
a minha. Você tem ciúmes dele com Nathalie e isso só vai mudar se ela
demonstrar que estaria disposta á largar o que esta fazendo para vir te ajudar.
-Quanto baboseira.
Eu resmunguei.
Nina me lançou um sorriso antes de chegar mais perto para
ver no que eu estava trabalhando.
-O que acha?
Eu perguntei.
-Está muito bom, de verdade. Vamos mandar para a gráfica?
-Claro, quando quiser.
-Vou mandar hoje mesmo.
Entreguei á ela o texto e Nina deixou minha sala e eu
respondi alguns e-mails antes de verificar o relógio. Cinco e meia, Jake estava
vindo. Desliguei tudo e me despedi de Melissa, quando passei por ela na
recepção. Esperei no banco na frente do prédio, Jake demorou vinte e três
minutos pra chegar.
-Ainda bem que está aqui, já ia passar reto.
Ele disse destravando a porta.
-Muito engraçado.
Eu disse e sorri.
-Não estou brincando, se você não estiver aqui, eu não vou
te esperar.
Ele disse e continuou dirigindo, ficamos em silêncio até
chegar em casa, destranquei a porta e não achei Nathalie. Coloquei a bolsa no
quarto e tirei as botas, Deus como eu odiava o frio. Coloquei uma roupa
quentinha e fui para a sala enrolada no cobertor.
-O que há, Collins?
Eu perguntei para Jake , já que ele olhava para a tv sem
piscar.
-Nada. E aí, como foi o trabalho?
Sentei ao lado dele e aproveitei para contar as novidades.
-O escritório todo já sabe que eu namoro um idiota. E temos
que ir num barzinho sábado á noite.
Eu disse dando de ombros e ele riu.
-O que foi?
Eu perguntei séria.
-Nada, faz um dia que começamos essa loucura e você já me
exibiu pro seu escritório inteiro!
-Não! O que? Seu doente! Claro que não, uma amiga minha que
contou... – Ele continuava rindo sem parar- Ah, idiota.
Eu me levantei e fui até a cozinha, percebi que ele veio
atrás de mim.
-O que você quer?
Eu disse.
-Nada, só te fazer uma perguntinha.
-Diga.
Eu me virei para a porta e ele me colocou contra a parede,
seus braços me prendendo no lugar.
-Diz pra mim que você não tá curtindo isso nem um pouquinho?
Eu me soltei dele e voltei pra sala, pegando meu celular e
enviando uma mensagem pra Nath.
“Seu amigo está me
dando nos nervos, cadê você?”
Ela respondeu imediatamente.
“Estou indo para
casa.”
No momento que ela respondeu, Jake tomou o celular da minha
mão e estendeu-o para longe de mim.
-Me devolve!
-Você ainda não me respondeu.
-Argh! Como você é idiota!
Eu estava muito irritada com ele, onde Nathalie guardava os
biscoitos? Eu precisava de doce ou ia arrebentar a cara dele. Saí da sala
batendo os pés e voltei para a cozinha, Jake começou a me encarar da porta da
cozinha.
-Me devolve o celular.
Eu disse pelas costas enquanto procurava o pote de
biscoitos.
-Não até você me responder.
Ele esticou o celular de novo mas eu tentei pegar, e quando
eu fiz isso, ele me beijou. Primeiro foi só o toque das nossas bocas, depois
ele foi transformando aquilo num beijo de verdade. Colocou a mão livre na minha
nuca e pediu passagem com a língua. Nesse momento eu acordei do meu transe.
-AAAAAAAH! QUE NOJO! JAKE! EU VOU TE MATAR!
Peguei a primeira coisa que vi na minha frente e comecei a
correr atrás dele. Ele estava rindo e correndo de mim.
-Olha só como você tá vermelha!
Ele riu outra vez e eu apontei o que tinha em mãos para ele.
Primeiro ele ergueu as mãos em rendição e depois viu o que eu estava segurando.
Uma frigideira. Eu ouço alguém bater a porta e me viro para olhar, Jake pega a
frigideira da minha mão e me mantém afastada enquanto eu tento pegá-la de
volta.
-Ei, ei, ei! O que tá acontecendo aqui?
Nathalie se colocou entre mim e Jake e nos separou por um
instante.
-Esse retardado me beijou!
Eu disse furiosa e Nath me olhou com cara de interrogação.
-Carolyn...
-O QUÊ?
-Vocês dois estão namorando isso é...
-Não! NÃO ESTAMOS! Eu
não vou mais participar dessa brincadeira idiota!
Eu estava explodindo. Queria muito socar a cara sorridente
daquele idiota.
-Eu vou te matar!
Eu disse avançando em Jake e em Nath ao mesmo tempo. Ela
conseguiu me afastar, mas eu peguei a frigideira da mão do Jake e bati com ela
na sua testa. Ele começou a gritar e se apoiou na parede enquanto eu cruzei os
braços. Nathalie foi ajudar o amigo e June me lançou um olhar de reprovação,
quando passou por mim. Jake ficou encostado na parede enquanto Nathalie e June
olhavam a cabeça dele. Eu comecei a ficar preocupada, vai que eu acertei ele
muito forte.
-Ótimo, tenho duas crianças em casa!
Nathalie disse enquanto ia até cozinha. June pediu para que
Jake se sentasse no sofá, assim ela podia ver melhor a testa dele.
-Isso não está tão feio. Nath! Traz o gelo!
Ela gritou na direção da cozinha enquanto Nathalie aparecia
com um pano nas mãos.
-Aqui.
Depois de entregar o gelo Nathalie me puxou pelo braço até o
quarto dela.
-Está maluca? Você podia ter machucado ele de verdade!
-Eu sinto muito.
Disse baixinho.
-Não sinta por mim. Vá até lá e resolva isso com ele. Mas
que droga Carol! Não tem nem um dia e você já tentou matar ele?
Ela saiu do quarto á passos largos. Eu era muito idiota.
Poderia ter machucado ele muito. Fiquei no quarto da Nath até ouvir do Jake
para deixar quieto. Nathalie não voltou e quando eu saí, só Jake estava na
sala.
-Desculpe.
Eu disse e o encarei, Jake apenas sorriu.
-Sorte a sua que eu tenho a cabeça dura.
Ele riu e colocou a mão com o pano de gelo na testa.
-Nada disso teria acontecido se você não fosse idiota.
-Nada disso teria acontecido se você não fosse teimosa.
-Não sou!
-É.
-Não sou!
-Olha só o que você tá fazendo agora.
Eu me calei e ficamos em silêncio por alguns minutos.
-Onde a Nath foi?
-Comprar comida chinesa eu acho, sei lá, ela estava furiosa
com você e disse que só ia voltar quando você me pedisse desculpas.
-Ela é mais teimosa do que eu.
Eu resmunguei.
-Ahá! Então admite que é teimosa?
Ele riu e eu mostrei a língua.
-Não, mas sério agora, você vai quebrar a promessa que
fizemos?
Ele pergunta sério.
-Que promessa?
Ele suspira e continua.
-Prometemos tentar fazer isso, pela Nath.
-Ah- eu encaro o chão.- Não sei, não acho que consiga fazer
isso.
-Qual é Carolyn, não faz nem um dia.
Eu reviro os olhos, vendo no que aquilo vai acabar.
-Se eu tentar, de verdade, você me deixa em paz?
Eu pergunto olhando para ele. Jake levanta a mão direita e
pronuncia.
-Se você tentar de verdade, eu te deixo em paz.
Eu rio da cara dele.
-O que é isso?
-Palavra de escoteiro.
-Não sabia que foi escoteiro.
Ele ri.
-Não fui, mas você pode confiar na palavra de um escoteiro.
-Mas você não é escoteiro.
Ele tapa a minha boca.
-Shh! Ninguém precisa saber.
Nós dois começamos a rir. Alguns assuntos aleatórios surgem
enquanto estamos na sala, pouco tempo depois Nathalie chega com várias sacolas
de comida chinesa. Ela come a sua parte bebendo cerveja, o que é um fato muito
raro. Depois do jantar, ela lava a louça e eu espero que ela vá até seu quarto
para conversarmos.
-Nath?
-Entra.
Ela diz e eu abro a porta, Nathalie está deitada na cama,
lendo seu livro favorito.
-Diga.
Ela deixa o livro de lado e eu sento na cama.
-Eu me desculpei com ele, e prometo tentar de verdade á
partir de agora.
Eu digo.
-Ótimo, você vai ver que não é tão ruim assim.
-Está brava comigo?
Eu pergunto e ela começa a balançar a cabeça negativamente.
-Não! De jeito nenhum, eu só estava... Pensando.
-Em quê?
Eu digo e deito em sua cama, apoiando a cabeça nas mãos.
-Quando eu cheguei em casa, pela sua cara, parecia que Jake
tinha tentado fazer coisas com você.
-Coisas?
-Ah, você sabe Carolyn! De qualquer jeito, isso me levou a
pensar em quando eu o conheci, e conheci um amigo dele também. Tyler. Eu e
Tyler nós dois... fizemos sexo juntos e isso foi, com certeza, a pior burrada
que eu já fiz. Daí eu comecei a pensar se, forçando vocês dois a ficarem
juntos, eu não estou fazendo outra grande merda.
Eu a observo cuidadosamente.
-Ta aí um assunto que nunca discutimos. Você... teve sua
primeira vez com esse tal de Tyler? Eu pergunto e vejo a expressão dela mudar
rapidamente. Percebo que não deveria ter perguntado isso.
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