quarta-feira, 24 de abril de 2013
Capítulo 34
P.O.V.- June Stevens
Coloquem pra tocar- ( http://www.youtube.com/watch?v=Km75Pc0YzdQ )
-Eu já sei o que eu vou fazer.
Eu disse à Carolyn, dei um beijo estalado em sua bochecha e corri até meu quarto. Pouco me importava que eram duas e quarenta e cinco da manhã. Eu tinha que concertar tudo, e eu começaria por Zayn. Vesti uma blusa de moletom por cima do pijama e calcei minhas ugg boots antes de atravessar a porta correndo. Para a minha sorte, a neve havia diminuído bastante e havia um táxi na porta do apartamento. Entrei no táxi, ofegante por ter descido de escada e disse o endereço de Zayn. Verifiquei os bolsos do moletom, rezando para achar algum dinheiro. O mundo conspirava ao meu favor hoje. Havia uma nota de vinte libras toda amassada em um dos bolsos.
-Se existe um Deus, eu lhe devo um obrigada.
Eu disse para mim mesma e me mantive inquieta por todo o trajeto. O carro parou algumas quadras antes do destino, alguma rua havia sido fechada por causa da neve. Joguei a nota de vinte para o motorista e saí do carro, correndo os metros restantes eu consegui chegar no prédio, agradecendo ao universo por ser tão legal comigo, eu chamei o elevador, já que o porteiro havia me reconhecido e me deixou subir sem interfonar para Zayn. Enquanto os números aumentavam no visor, as borboletas no meu estômago começaram a ficar irriquietas e quanto mais eu me aproximava do último andar, comecei a pensar no que eu falaria. "Oi Zayn, desculpe te acordar as três e quinze da manhã, eu sei que você está bravo comigo mas... Me desculpa?" Tá, eu estava começando a ficar nervosa. As portas do elevador se abriram e eu estava cara a cara com a porta do apartamento de Zayn.
-Zayn, me desculpe.- Eu falei uma vez, tentando soar convincente. Não deu certo.- Zayn, eu queria pedir desculpas, eu...
-Eu não queria te magoar.- Isso estava ficando ridículo.
-Zayn, me desculpe eu...-Eu soltei o ar pesadamente em tom de frustração enquanto andava de um lado para o outro, praticando o que eu iria dizer.
- Me desculpa, eu fiquei confusa e agitada.-Droga, nada do que eu dissesse iria parecer menos bobo. Olhei para o relógio que havia no hall, três e dezessete.
- Zayn...
-Eu sei, você quer pedir desculpas.
A voz dele soou bem atrás de mim. Meu coração quase pulou pela boca ao ouvi-lo tão perto. Eu me virei devagar engolindo em seco. Há quanto tempo ele estava escutando?
-Eu não queria te magoar. Eu fiquei tão assustada e confusa que acabei confundindo tudo e eu tenho que te pedir desculpas. Por te magoar e por ter te enganado esse tempo todo. Essa não sou eu. Ou não inteiramente- Eu tentei sorrir mas estava quase chorando- Eu sou June Stevens, venho de uma cidadezinha caipira no interior, eu tenho um sotaque ridículo e, há alguns anos, eu decidi que nunca mais ia chorar por homem nenhum.
Eu disse, buscando meu sotaque no fundo de mim mesma. Soava tão estranho e tão desproporcional para mim. Mas eu tinha que ser verdadeira. Eu tinha que mostrar quem eu era. Zayn, que permaneceu encostado o batente da porta, sorriu ao me ouvir dizendo tudo aquilo. Quando eu voltei a abrir os olhos, notei que ele estava sem camisa, com calças de moletom e com o cabelo bagunçado.
-Bom, é um prazer te conhecer, senhorita Stevens.-Ele me lançou meu sorriso favorito- Meu nome é Zayn Malik, eu também venho de uma cidadezinha no interior e agora faço parte de uma boyband que acabou de voltar de turnê.
Ele estendeu a mão para mim.
-É um prazer te conhecer, senhor Malik.
Eu apertei sua mão e percebi que eu tremia um pouco. Zayn me puxou para um abraço que se tornou num beijo. Eu não podia descrever como era senti-lo depois de passar por tudo isso. Eu tinha certeza. Tinha certeza que Zayn era o tipo de menino que valia à pena se apaixonar. Ele enterrou uma de suas mãos nos meus cabelos e a outra apertava minha cintura. Ele sentiu minha falta tanto quanto eu senti á dele.
-Eu te amo.
Sussurrei quase inaudivelmente. Era a primeira vez em muitos anos que eu dizia essa palavra. Eu eu não tinha dúvidas sobre mais nada. Eu amava Zayn.
P.O.V.- Zayn Malik
Eu não conseguia dormir. Estava irritado demais, confuso demais. Porque eu tinha que ficar apaixonado justo pela garota que não me queria? Porque eu fui idiota de falar que a amava? Me levantei da cama, desistindo de dormir. Quando desci as escadas, ouvi um barulho do lado de fora do apartamento. Eu ouvi sua voz. Em um tom baixo como se estivesse com medo de dizer. Me aproximei da porta e comecei a ouvir em silêncio.
- Zayn, eu queria pedir desculpas, eu... Eu não queria te magoar.-Houve uma pausa- Me desculpa, eu fiquei confusa e agitada.- Outra pausa, eu ouvi seus passos do outro lado. Resolvi abrir a porta devagar, eu não deixaria que ela fosse embora.- Zayn...
-Eu sei, você quer pedir desculpas.
Eu disse, ela estava de costas para mim e paralisou quando ouviu minha voz. June estava com os cabelos levemente bagunçados, estava de pijama e usava um moletom meu, coincidentemente, o que fazia par com a calça que eu usava. Ela se virou devagar e eu notei o leve rubor em suas bochechas, ou ela estava com vergonha, ou estava com frio, ou havia corrido até aqui.
-Eu não queria te magoar. Eu fiquei tão assustada e confusa que acabei confundindo tudo e eu tenho que te pedir desculpas. Por te magoar e por ter te enganado esse tempo todo. Essa não sou eu. Ou não inteiramente. Eu sou June Stevens, venho de uma cidadezinha caipira no interior, eu tenho um sotaque ridículo e, há alguns anos, eu decidi que nunca mais ia chorar por homem nenhum.
Eu queria tanto beijá-la.
-Bom, é um prazer te conhecer, senhorita Stevens. Meu nome é Zayn Malik, eu também venho de uma cidadezinha no interior e agora faço parte de uma boyband que acabou de voltar de turnê.
Eu estendi a mão para ela.
-É um prazer te conhecer, senhor Malik.
Ela apertou minha mão e eu a puxei para mais perto, não resisti á proximidade de nossos corpos e a beijei. Era ela. Embora fosse a garota mais linda, complicada e durona que eu conhecia, era June que eu amava.
Puxei-a para dentro do apartamento e fechei a porta como pude.
-Seu sotaque não é ridículo.
Ela riu.
-Mas sua risada é.
Eu brinquei.
-Ei!
Ela me deu um tapa no braço e eu a beijei outra vez. E outra vez. A noite inteira.
P.O.V.- Nathalie Simmons
Eu acordei e o sol não havia nascido ainda. Do jeito que minha cabeça girava, eu não voltaria a dormir tão cedo. Eu precisava ir pra casa. Arrumei a cama onde havia dormido e dobrei o vestido que estava em cima de uma poltrona. Ele já estava todo amassado mesmo, não ia fazer diferença. Peguei minhas coisas e saí do quarto em silêncio, eu estava com a mão na maçaneta da porta da frente quando ouvi Niall.
-Você é muito boa em sair de fininho, não é?
Eu me assustei e acabei fechando a porta que estava entreaberta, eu só esqueci de tirar a minha mão do caminho.
-Ai. Caralho.
Eu derrubei tudo o que estava segurando e comecei a chacoalhar minha mão.
-Você já reparou que sempre fala palavrão de manhã? É muito indelicado da sua parte.
-Você já reparou que é irritante pra caralho de manhã?
Eu respondi e me abaixei para juntar o que havia derrubado. Niall me ajudou a juntar tudo.
-Onde você estava pensando em ir? Quase todas as ruas estão fechadas por causa da nevasca.
Ele disse me entregando o que pegou. Niall estava com o cabelo todo bagunçado e com olheiras embaixo dos olhos.
-Eu ia... Pra casa.
Niall suspirou.
-Seu dedo está sangrando.
Ele pegou minha mão delicadamente e analisou por um instante. Havia um pequeno corte em meu dedo anelar, não parecia tão feio, mas doía bastante.
-Vem cá.
Ele me guiou até o sofá e buscou uma caixinha branca de primeiros-socorros.
-Niall, não precisa de tudo isso.
-Shh. Eu tô tentando ser legal.
Ele sentou do meu lado e tirou uma gaze e álcool de dentro da caixinha.
-Ai.
Eu disse, Niall levantou o rosto para me olhar e fez uma careta.
-Eu nem comecei.
-Eu sei, mas vai doer de qualquer jeito.
-Nathalie, fica quieta.
-Tá bom.
Eu desisti e fechei os olhos. Niall tomou o maior cuidado e finalizou o que queria fazer colocando um band-aid verde.
-Band-Aids coloridos? Sério?
-O que tem de errado?
Ele perguntou enquanto guardava as coisas.
-Minha mãe sempre colocava esses em mim. Eles são divertidos.
-É. São meigos.
Eu observei enquanto ele guardava a caixa de primeiros socorros no lugar e voltava com uma caneta em mãos.
-Pra quê isso?
Eu perguntei quando ele pediu minha mão. Ele não respondeu, apenas insistiu para que eu desse minha mão à ele. Niall desenhou uma carinha feliz no band-aid em meu dedo, e depois me encarou sorrindo como se aquilo fosse a coisa mais legal do mundo.
-Pronto.
-Divertido.
Eu murmurei observando o meu dedo. Ele continuou me observando e ficamos num silêncio desconfortável, eu encarei a janela e percebi a grande nevasca que estava do lado de fora.
-Parece que eu não vou embora tão cedo.
Eu murmurei e fitei meus punhos, que estavam no meu colo.
-Você quer ver um filme? Não tem nada pra fazer mesmo.
Ele disse olhando pra televisão, eu o fitei por um instante. Niall é o tipo de garoto que qualquer uma se apaixonaria, ele é bonito, gentil e carinhoso. Tirando as vezes que ele age como uma criança, tudo bem e, eu não sei o que me faz pensar que um dia a gente possa ficar junto. Tá tudo uma bagunça. Tudo confuso. Eu não sei de mais nada porque, quando eu estou perto dele, quero que ele me abrace e me beije e diga que sou dele. Mas quando ele faz isso, algo dentro de mim diz que não é certo.
-Nathalie?
Ele me chama, me tirando de meus pensamentos.
-Você tá legal?
Ele pergunta, me olhando.
-Claro eu só me distraí por um minuto. Filme está legal pra mim.
Niall me encarou por mais um tempo e deu de ombros, colocando algum filme de terror para passar. Ele sumiu por um instante, voltou pouco tempo depois com cobertores e travesseiros. Eu estava congelando.
-Sua boca tá meio roxa. Vem aqui.
Ele colocou os braços envolta dos meus ombros e me puxou pra mais perto. Era verdade, a temperatura negativa e minhas roupas finas contribuíram para que eu estivesse congelando. Eu não me importei e ignorei quando meu estômago se agitou. Eu não posso me apaixonar. Não depois de tudo que ele me fez, eu não posso perdoá-lo.
-Tem alguma coisa te incomodando.
Ele não perguntou.
-Nathalie se for aquele cara da outra noite eu juro por Deus que...
-Não é ele.
Eu respirei fundo. Eu já deveria saber que Tyler é um babaca, foi burrice minha confiar nele outra vez.
-O que tem de errado então?
Ele se afastou para me observar.
-Eu não sei... Isso... Nós dois...
Apoiei minha cabeça em minhas mãos, me sentindo frustrada por estar tão confusa. Niall pegou minhas duas mãos e me fez olhar pra ele.
-Nathalie... Confie em mim, eu prometo que vou fazer dar certo.
Eu olhei pra ele, senti meus olhos arderem, eu estava prestes á chorar.
-Eu confiei uma vez, você sabia o que eu sentia por você, e dois dias depois você estava com Holly na cama. Você me disse que não estava com ela. Eu confiei em você e tentei fazer as coisas do jeito certo e, quando eu acordei no hospital, me disseram que você, o motivo de eu estar ali, estava em Londres com Holly.
Niall suspirou e me olhou, seus olhos transbordavam a dor que nós dois sentíamos.
-Eu sei. Eu sou um idiota. Eu não faço nada certo mas eu juro que eu queria estar lá quando você acordasse, mas você acha que se não fosse por mim você não teria que tomar esses calmantes? Se não fosse por mim você não teria desmaiado. Eu não estava com Holly aquele dia, ela estava em algum avião indo pra Irlanda. Mas eu não queria te machucar mais. Eu não podia te magoar mais Nathalie. Eu fiquei tão furioso quando eu vi você com aquele cara e eu fico com mais raiva ainda quando eu vi que ele fez isso com você.- Ele ergueu meu pulso arroxeado- Eu queria voltar lá e acabar com ele, mas eu sabia que você precisava de alguém. Me perdoa Nathalie, por querer ser o que você precisa, tentar e tentar mas não conseguir.
Ele abaixou a cabeça. Eu também chorava.
-Não é por sua causa que eu tomo os remédios. E não são calmantes.
Eu disse com a voz embargada. Havia deixado de tomar as pílulas á tempos, mas ainda as carregava na bolsa. Niall me olhou confuso e eu me levantei para pegar a cartela de comprimidos intacta.
-São antidepressivos. Por causa da minha mãe e do meu pai. Eu não os tomo mais, eles me deixavam acordada quando eu queria dormir e sonolenta quando eu queria ficar acordada.
Eu confessei, dando de ombros.
-Eu sinto muito. Por tudo isso.
-Tudo bem Niall. A culpa não é só sua. Eu também fiz besteira.
-Isso significa que a gente vai ficar numa boa?
Ele perguntou com uma inocência e com uma naturalidade tão infantil, que um meio sorriso se formou no meu rosto.
-Acho que sim.
Eu disse sorrindo. O filme já havia acabado há um tempo e não notamos. Eu olhei pela sala e notei um porta-retratos perto da tv.
-Esse era você?
Eu perguntei, olhando para o bebê da foto. Niall tentou tomar a foto de mim mas eu insisti.
-Qual o problema em me dizer?
-Nenhum é que você vai ficar fazendo graça de mim.
-Não vou! Você era tão bonitinho! Olha só!
Eu disse olhando para a foto, Niall a arrancou das minhas mãos.
-Ei.
Ele sorriu pra mim e eu sorri de volta. Ele tentou se aproximar, mas eu o afastei.
-Niall...
-Eu sei. Me desculpe.
Eu coloquei minha mão em seu peito e eu o empurrei para trás. Ficamos no mesmo silêncio desconfortável de sempre. Olhando pela janela distraidamente, notei que a nevasca tinha diminuído. Eu poderia ir pra casa.
-A nevasca já diminuiu, eu acho que vou pra casa.
Eu juntei as coisas que havia derrubado perto da porta.
-Eu te levo.
-Niall não precisa incomodar.
-Deixa disso, eu te levo.
-Tá legal.
Eu decidi que não brigaria mais com Niall. Não tínhamos motivos para agir assim, e eu não tinha motivos pra confiar nele outra vez.
O caminho foi silencioso e Niall parecia estar pensando em alguma coisa. Quando finalmente chegamos, havia um carro conhecido na minha calçada.
-Obrigada por ter me trazido até aqui. A gente se vê.
Eu disse rapidamente e saí do carro. Niall não iria brigar com Tyler na frente do meu prédio. Aqueles dois não se enfrentariam em lugar nenhum, se eu pudesse impedir. Quase corri na direção do carro de Tyler, ele estava encostado no capô, estava com cara de gente de ressaca que levou uma surra.
-Nathalie eu...
Eu ergui a mão fazendo com o ele parasse de falar.
-Olha aqui, eu não quero nem ouvir o que você tem a me dizer. Você é um babaca e eu quero que você suma da minha frente.
Eu passei reto por ele, mas Tyler agarrou meu braço, justo o pulso já machucado.
-Me escuta Nathalie!
-Não! Eu não vou escutar você. Foda-se você e sua desculpa esfarrapada. Eu não quero saber, some daqui.
Eu parecia estar controlada, mas queria socá-lo do mesmo jeito que fiz, três anos atrás.
-Deixe-me explicar Nathalie.
Ele pega a minha mão, eu não entendo porque é tão difícil afastá-lo. Ele me puxa pra mais perto, eu tento me soltar, mas o aperto é forte demais no pulso já machucado. Eu não consigo ser forte.
-Ela mandou você dar o fora daqui.
Niall se fez presente do meu lado, mantinha um braço protetor em meus ombros. Tyler deixou de me olhar por um instante, ele e Niall ajeitaram a postura, ficaram eretos e fecharam a cara. Eu percebi que segurava a respiração.
-E quem é você?
Tyler disse com desprezo, eu estava estática. Confusa demais para digerir qualquer outra informação.
-Se fosse da sua conta, eu te diria.
Niall respondeu e se afastou de mim para se aproximar de Tyler. Eu acordei de meu transe e me coloquei no meio dos dois. De frente para Tyler.
-Dá o fora daqui antes que eu mesma termine de quebrar sua cara.
Cruzei os braços e o observei entrar em seu carro e sair cantando pneu. Só quando o carro desapareceu na esquina de sua casa, é que eu pude encarar Niall. Ele estava tenso e mantinha as mãos em punho ao lado do corpo.
-Obrigada pela ajuda.
Eu disse baixinho, atraindo sua atenção.
-Você sabe que pode contar comigo.
A atmosfera tinha mudado bruscamente. Em um minuto ele estava prestes a socar a cara de Tyler. Em outro ele estava flertando comigo.
-Niall.
Eu o censurei, empurrando-o para trás com as duas mãos, na direção do seu carro.
-Nathalie, eu sei que você não quer acreditar. Eu te dei motivos para que você não acreditasse- Ele segurou minhas mãos- Mas se você me permitir, eu posso provar que fomos feitos para ficarmos juntos.
-Niall a gente não foi feito pra ficar á um metro de distância. A gente sempre briga, sempre discute. Eu me machuco e você também.
-Não tem que ser assim Nathalie.
-Niall eu não acredito que possa ser diferente.
-Eu vou fazer você mudar de ideia.
Ele caminhou com um meio sorriso até seu carro, e acenou de modo simpático quando deu a partida. Eu balancei a cabeça de um lado para o outro. Ele era maluco. Só podia estar fora da razão. Carregando o vestido amassado e a carteira, entrei no meu prédio e subi até o meu apartamento. Eu precisava de um bom banho quente e da minha cama. Tyler não era problema meu. Niall não era problema meu. Eu só precisava me preocupar em tomar um bom banho e dormir o resto do dia.
P.O.V.- June Stevens
Eu estava na casa de Zayn, empenhada em continuar com aquela loucura de "ser a June de antes"
-Eu amo filmes de terror, dias chuvosos e chocolate.
-Não se esqueça de amassos no escuro.
Zayn adicionou a minha lista, com um sorriso maldoso nos lábios.
-Sim, e amassos no escuro.
-Eu gosto de carros potentes, tatuagens e...você.
Ele disse beijando a ponta do meu nariz, pude sentir todo o meu sangue fluir para as bochechas.
-Engraçadinho.
Eu disse me levantando.
-Eu estou falando sério!
-Eu também.
Disse enquanto vestia o moletom. O frio aumentou bastante, e já não podia ser ignorado.
-Sabe, eu acho que deveríamos passar o Natal com os meus pais.
Eu travei. O moletom ficou embolado na metade do meu tronco e eu observava Zayn atônita.
-C-como as-ssim? Conhecer seus pais? E-eu...
-Ei, calma. Tá tudo bem.
Ele se levantou da cama e me abraçou protetoramente. Eu estava hiperventilando.
-Eu só acho que deveríamos ir com calma, eu acabei de admitir que te amo, acabamos de dormir junto. Não acha que isso é precipitado demais?
Eu disse ainda preocupada.
-Relaxa, é só uma ideia. Não vou te forçar á nada. E nem vai ser tão ruim, você é directioner, deve conhecer minha família bem melhor do que pensa.
Eu sorri irônica para ele, não era um fato de que ele deveria se vangloriar.
-Cuidado Malik, eu sei todos os seus segredos.
Eu disse cruzando os braços e tentando soar assustadora, mas ele beijou a lateral do meu pescoço e pareceu se divertir com tudo isso.
-Eu já disse que adoro quando você fala meu sobrenome desse jeito?
Ele me beijou profundamente e fomos interrompidos pelo meu celular.
-Você sabe que ir pra casa dos meus pais ainda é uma opção? Não sabe?
Ele disse enquanto eu caminhava até a mesinha de cabeceira para pegar o aparelho.
-Discutimos isso depois, Malik.
Ele mordeu o lábio inferior e eu sabia exatamente as segundas intenções por trás daquele gesto.
-Alô?
-Niall?
-Oi June.
-Porquê está me ligando?
-Estou atrapalhando alguma coisa?
-Não, não. Pode falar.
Porque diabos Niall Horan está me ligando?
-Eu meio que... Preciso da sua ajuda.
terça-feira, 9 de abril de 2013
Capítulo 33
Capítulo 33- P.O.V- Nathalie Simmons
Eu deixei a casa de Harry pouco depois das onze, eles pediram quatro caixas de pizza e todas elas foram devoradas. Os garotos estavam vendo algum filme de luta e eu me despedi antes que eles trocassem de filme. Liam ficou bravo porque eu era o seu par ali, já que ele não tinha namorada e Niall não veio.
Meu despertador me fez levantar com um pulo, eu tinha que me arrumar para a premiação. Eu tinha o dia inteiro no salão para enfrentar, unha, cabelo e maquiagem. Seria um pesadelo aguentar tudo isso sozinha, toda aquela paparicação barata de mulheres que nunca te viram na vida me irrita profundamente. É muita falsidade num lugar tão restrito. Eu tomei um banho e decidi tomar café antes de sair para o salão. Dirigi com muita paciência, já que o trânsito estava um pouco mais carregado hoje. Quando eu finalmente cheguei ao centro da cidade, fui recebida por duas mulheres absurdamente arrumadas e sorridentes. Elas me fizeram sentar numa cadeira por quatro horas e meia enquanto puxavam e alisavam, torciam e faziam sei lá o que com meu cabelo, pintavam as minhas unhas e davam um jeito na minha pele. Por mais que eu descreva como sendo uma tortura, era bom ser tratada desse jeitinho de vez em nunca. Quatro horas e meia depois eu estava devidamente arrumada e ligeiramente atrasada para a premiação, enquanto dirigia de volta para casa, eu rezava para que o vestido já estivesse lá. Olhei de relance para o celular que estava no banco do passageiro, doze mensagens e cinco ligações perdidas. Eu já entendi que estou atrasada, não precisa ficar me lembrando disso, droga. Subi as escadas do meu apartamento em tempo recorde quando peguei a larga caixa branca da loja Catherine Deane, com o logotipo em letras elegantes, gravadas bem no centro. Contive o impulso de desistir de toda aquela baboseira e voltar a dormir quando consegui me atrapalhar com as chaves de casa e me atrasar um pouquinho mais. Corri até o meu quarto e abri a caixa com uma delicadeza inexplicável para o estado deplorável em que eu me encontrava. Nem sabia porque estava tão nervosa assim, era só uma premiação.... com algumas centenas de famosos..... E seria transmitida mundialmente.... Tyler me levaria consigo pelo tapete vermelho.... Haveriam câmeras por todo lugar. Lembrei porque estava nervosa. Desfiz o nó que envolvia o papel seda e desembrulhei o vestido com todo o cuidado do mundo, não sei porque, algo no meu inconsciente estava controlando as minhas ações. Deslizei o vestido pelo meu corpo e fechei o zíper com certa dificuldade, agradeci por poder ter entrado nele com os poucos botões já abotoados, ou eu teria um grande problema. Ajeitei o tecido e coloquei as joias que havia separado, calcei os sapatos e tirei um minuto para me olhar no espelho. O vestido Catherine Deane era branco, tinha um decote em formato de coração, tomara que caia com a barra a poucos centímetros do chão, as costureiras acertaram em cheio. Havia uma fina faixa preta pouco abaixo do busto com algumas pedras incrustadas, o vestido era lindo.
(http://www.polyvore.com/remembering_sunday_nathalie_simmons/set?id=77575060)
Mas meu minuto de apreciação á minha pessoa no espelho havia acabado, quando meu celular tocou pela nonagésima vez naquele dia.
-Até que enfim me atendeu! Os meninos estão malucos atrás de você, onde você está?
Era June.
-Estou em casa, não grite comigo, já viu o trânsito hoje? Devo chegar em alguns minutos, não me espere.
-Sorte a sua eu estar num lugar cheio de gente. Te vejo daqui á pouco.
-Até logo.
Mal eu desliguei o telefone e ele tocou outra vez.
-Tentei te ligar o dia todo, espero que esteja pronta.
-Olá Tyler.
-Oi Nath, eu estou aqui em baixo. Estamos atrasados.
-Dez minutos não matam ninguém Daniels, estou descendo.
Desliguei o telefone e o guardei na bolsa-carteira que estava levando comigo, andei depressa até o elevador e desci rapidamente, Tyler me esperava do lado de fora de um Rolls-Royce preto. Ele abriu um sorriso gigante ao me ver, eu agradeci corando ao seu elogio.
-Você está... Magnífica.
Ele mesmo riu da falta de palavras para de descrever.
-Obrigada Daniels, você também não está mal.
O motorista pegou alguns atalhos e conseguiu levar a gente bem rápido para o local da premiação, engoli em seco e respirei fundo três vezes quando o carro finalmente parou. O motorista abriu a porta para mim e eu fui recebida com inúmeros flashes e um tapete vermelho.
-Não fique nervosa.
Tyler sussurrou no meu ouvido e entrelaçou nossas mãos. Eu ouvia meu coração martelar em meus ouvidos enquanto andávamos pela extensão do tapete, ocasionalmente parando para que Tyler pudesse dar suas entrevistas e autógrafos. Quase na entrada do salão, eu ouvi chamarem meu nome.
-Nathalie! Venha aqui, por favor!
Uma mulher loira e bem alta estava do outro lado da faixa de veludo, ela sorria e apontava para mim. Eu andei até ele, ligeiramente mais nervosa ao notar o câmera-man ao seu lado.
-Nathalie Simmons, que surpresa adorável! Eu sou Joann Abbey,do UK Live, ao vivo do Fame Awards aqui em Londres.
-Olá!
Tá, eu não sou a pessoa mais carismática do mundo num tapete vermelho com zilhões de câmeras a minha volta.
-Nathalie, eu adorei seu vestido, quem foi que desenhou?
Eu olhei mais uma vez para o modelito que usava, incapaz de olhar para a câmera.
-Hum.. É um Catherine Deane, o modelo é dessa estação, eu acho.
Tentei meu melhor, mereço um pouco de consideração. Eu sorri para a câmera e Joann Abbey me fez outra pergunta.
-Nathalie, pode nos contar um pouco mais sobre o cavalheiro que te acompanha hoje?
Ela sorriu para Tyler que estava bem ao meu lado.
-Eu tenho certeza que vocês o conhecem. Tyler Daniels, zagueiro do Arsenal... Eu sei que ele fica irreconhecível todo arrumadinho.
Eu tentei fazer uma piada, me processem. Tyler me empurrou de leve com seu próprio corpo, nós dois estávamos rindo.
-E vocês estão juntos?
Ela continuou.
-Bem que eu gostaria.
Tyler admitiu e meu queixo foi parar no chão.
-Tyler!
Eu faltei, algumas oitavas mais alto.
-Não, não estamos juntos. Somos amigos, estudamos juntos no colegial.
Eu me virei para a apresentadora que parecia estar se divertindo com tudo isso. Ela ri porque não é com ela, maldita.
-E você continua envolvida com os garotos do One Direction? Fazem semanas desde a última foto de vocês juntos.
Ela parecia estar lamentando algo.
-Sim, ainda continuamos amigos. Eu estive ocupada essa semana, com o fechamento da revista e tudo o mais.
-Certo, muito obrigada por ter falado conosco Nathalie. Eu sou Joann Abbey, ao vivo do Fame Awards.
Eu e Tyler ficamos acenando para a câmera de um modo ridículo. Eu queria bater nele, mas teria que esperar até estarmos num lugar com menos câmeras. Seguimos até o grande salão onde os artistas estavam sendo recepcionados, Tyler me arrastou junto enquanto ele cumprimentava alguns conhecidos, pouco tempo depois senti alguém me abraçar pela cintura.
-Nathalie!
Louis disse me levantando alguns centímetros do chão.
-Louis!
Eu protestei, fazendo com que ele me colocasse de volta no chão. Mas ele manteve o braço, me envolvendo pela cintura.
-E quem é esse?
Louis perguntou, sorrindo.
-Louis esse é o meu amigo Tyler. Tyler, esse é Louis Tomlinson.
Eles apertaram as mãos.
-Posso levar ela um minutinho, mate?
Louis perguntou e Tyler concordou com a cabeça. Alguém perguntou alguma coisa pra mim? Louis me guiou para o outro lado do salão, de encontro ao resto da banda.
-Ai meu Deus, você está linda!
Eleanor e June disseram juntas, se entreolharam e depois sorriram para mim. Se eu estava linda, aquelas duas estavam maravilhosas. June estava com um vestido coral que ia até os pés, estava toda de dourado e o cabelo curto estava levemente arrepiado em várias direções.
(http://www.polyvore.com/remembering_sunday_june_stevens/set?id=77676301)
Eleanor estava igualmente linda, com um vestido branco com detalhes em dourado e ela estava com o cabelo preso.
(http://www.polyvore.com/remembering_sunday_eleanor_calder/set?id=77676908)
-Você tem que me ajudar.
June sussurrou enquanto me abraçava. Eu olhei para ela sem entender nada e June olhou de relance para Zayn, que estava relativamente afastado. Certo, problemas de relacionamento.
-Nath, o que Tyler fazia com você?
Eu me virei para onde Eleanor olhava. Tyler estava conversando com alguns rapazes do time de futebol.
-Ele me chamou para vir com ele.
Eu dei de ombros.
-E de onde vocês se conhecem?
Ela grudou o braço dela com o meu e June fez o mesmo com meu outro braço.
-Estudamos juntos no ensino médio. Mas é só isso, não vá achando que eu estou com ele ou algo do tipo.
Nós três rimos e nos aproximamos dos garotos.
-Nathalie!
Harry foi o primeiro a me soltar das garotas e me abraçar.
-Vocês está linda!
Ele disse se afastando um pouco para poder me olhar.
-Você não está nada mal, Styles.
Eu disse observando o terno preto que ele vestia. Muito elegante, aliás, nenhum deles estava atrás. Liam estava com o cabelo arrumadinho e com um perfeito nó de gravata. Zayn estava de calça social e jaqueta de couro, o topete impecável em sua cabeça e um sorriso de tirar o fôlego. Louis eu já havia visto, Eleanor deve ter o ajudado, ele usava apenas a camisa social e um casaco escuro por cima. Me afastando de seu abraço de urso, notei uma cabeleira loira. Niall estava muito mais do que lindo. Todo social, com o cabelo em um topete bagunçado e, ao mesmo tempo, milimetricamente perfeito. Eu não sei como ele conseguia. Meu coração pulou algumas batidas enquanto eu tentava respirar normalmente, o que foi em vão já que ele se aproximou para me cumprimentar e eu pude sentir seu perfume. Logo quando eu achava que nada nele me abalava, descubro que todas as coisas nele me deixam com os joelhos fracos. Eu não o via há tanto tempo, que ouvir sua voz assim, fez meu coração ficar ainda mais descompassado.
-Oi.
Ele disse encolhendo os ombros e dando algo parecido com um sorriso. Ele estava maravilhosamente lindo. Ele era maravilhosamente lindo. Ficamos nos encarando por um tempo, sem dizer nada. Ouvi meu nome ser chamado algumas vezes, mas estava um tanto ocupada, olhando nos olhos de Niall.
-Nath, temos que ir. Vão começar a premiação.
Tyler escorregou suas mãos do meu cotovelo até minha mão direita e entrelaçou nossos dedos. Niall olhou para as nossas mãos unidas e ergueu levemente suas sobrancelhas. Louis sorriu para nós dois.
-Até mais tarde, mate.
Tyler se dirigiu á Louis, mas seu tom de voz não foi amigável ao pronunciar o jeito com que Louis havia o tratado alguns minutos antes.
-O que foi?
Perguntei quando nos afastamos um pouco, Tyler deu um sorriso torto enquanto nos aproximávamos da mesa.
-Eu te trago aqui para ficar um pouco mais com você, e você sai assim?
-Babaca.
Eu disse sorrindo enquanto dava um peteleco em sua testa. Tyler me abraçou e beijou o topo da minha cabeça.
-Eca.
Eu disse fazendo uma careta, ele retribuiu me dando um soquinho no braço. A premiação começou e alguns artistas se apresentaram, inclusive os meninos. Todos eles encararam a mesa onde eu estava quando cantaram a música da Comic Relief- One Way Or Another ( Teenage Kicks) Eu me senti constrangida e intrigada, porque eles olharam pra mim? A premiação continuou, Tyler ganhou um prêmio e piscou para mim lá do palco, senti os sangue fugir do meu rosto quando algumas pessoas se viraram para me olhar. Depois, disso, eu parei de prestar atenção. Tyler mal conversava comigo e só ficava falando da estatueta que havia ganhado, com os colegas do time.
"Está perdendo toda a diversão, porque não está com a gente?"
Liam me enviou uma mensagem enquanto eu brincava com o porta-guardanapos da mesa.
"Estou presa :( O que estou perdendo?"
"Louis está interpretando o apresentador e June e Zayn estão num tipo de discussão silenciosa. Você está perdendo!"
Eu sorri e me virei para observar. Louis fazia caretas e usava a estatueta que a banda ganhou como microfone. June estava sentada a duas cadeiras de Zayn e os dois não paravam de se olhar com expressões nada amigáveis. Eu estava realmente perdendo toda a diversão, mas não pude fazer nada. Observei os outros artistas ganharem um prêmio e escutei Tyler comentar futilidades com seus amigos. Ele não havia mudado nem um pouco. Para o meu azar, a premiação durou muito mais do que eu esperava. Tyler, seus amigos e alguns artistas decidiram ficar para a festa depois. Tyler e os colegas do time decidiram encher a cara, eu fiquei totalmente entediada pelas próximas duas horas.
-Tyler, já chega. Vamos pra casa.
Eu me levantei impaciente, estava entediada e faminta. Eu só queria ir pra casa.
-Ah não princesa, vamos ficar mais um pouco.
Eu revirei os olhos e reprimi a vontade de dar um tapa na cara dele.
-Eu não vou nem te falar onde colocar esse seu princesa. Você vai embora ou não?
Eu perguntei, a impaciência aparecendo na voz.
-Vai lá, Ty. Sua garota parece um tanto brava.
Um dos amigos bêbados disse, eu estava irritada demais para lembrar do nome dele. Tyler não fez menção em se levantar, eu desisti de tentar ir para casa com ele e saí do local onde a festa estava acontecendo. Eu não fazia ideia de que horas eram, mas estava escuro e um pouco mais frio do que eu podia suportar. Chequei meu celular para chamar um táxi e tive a grande surpresa ao notar que a bateria acabou assim que eu desbloqueei o celular. Merda. Não é legal estar num cenário típico de filme de terror, se você sabe o que acontece na maioria dos roteiros. Tentei manter a calma enquanto reparava em cada detalhe do ambiente ao meu redor. Eu estava entrando em pânico. Isso porque estava sozinha num estacionamento deserto, sem celular e com um pouco de medo. Estava considerando a ideia de andar até achar um táxi, alguém colocou as duas mãos em meus ombros e meu grito ficou entalado na minha garganta.
-Te assustei, babe?
Tyler riu estrondosamente enquanto me envolvia mais em seu abraço.
-Resolveu vir comigo?
Tá, eu continuava irritada.
-Eu nunca te abandonaria.
Ele afundou a cabeça na curva do meu pescoço por um momento. Pegou minha mão e me guiou até seu carro, e não era o Rolls-Royce que estava estacionado, não tão longe de nós.
-O que você está fazendo?
Eu perguntei quando ele se recostou na lateral do carro, e me puxou mais perto pela mão.
Ele sorriu e me puxou um pouco mais perto, algo no meu subconsciente gritava por atenção, mas eu estava completamente paralisada.
-Confie em mim.
Ele disse e me puxou pela nuca, colando nossos lábios com uma força desnecessária. O modo como ele disse, no exato tom de voz com que ele me disse da última vez. Eu o empurrei, mas Tyler era mais forte. Quando ele tentou me beijar oura vez, mordi seu lábio com força, o empurrei outra vez e me virei para correr, ele me alcançou em dois passos, ele segurou minha cabeça para trás, pelos cabelos, com a mesma intensidade, com a outra mão, ele agarrou o meu pulso. Ele me segurava tão forte, que eu tenho certeza que ficaria marca.
-Tyler, me larga!
Meu coração palpitava, eu não estava só com medo. Eu estava aterrorizada.
-Você não sabe, o quanto eu esperei pra te ter de volta.
Ele passou o polegar pelo meu queixo e eu respirei fundo, tentando me controlar para achar uma saída.
-Me solta Tyler.
Era mais uma súplica do que qualquer outra coisa. Eu não tinha outra saída. O aperto de sua mão estava tão forte em meus cabelos, que eu me machucaria muito mais, só de tenar fugir. Eu fechei os olhos, esperando por alguma coisa. Eu estava desesperada, e sem saída.
-Ela mandou soltar.
Alguém mais estava ali, mas a voz estava muito distante para que eu pudesse saber quem era.
-O que você pensa que...
Tyler foi interrompido por um baque surdo, e depois, um lamento. Eu sabia que ele tinha levado um soco, mas eu ainda mantinha os olhos fechados.
-Vamos, Nath.
A voz agora, tão perto, eu podia saberia quem era com apenas alguns sons. Niall me envolveu com seu braço e andou comigo para longe dali.
-Está tudo bem, eu estou aqui.
Ele disse e eu percebi que chorava. Como pude ser tão tola. Era Tyler Daniels, claro que ele me usaria outra vez. Ele só estava esperando outra chance.
-Ele te machucou?
Niall perguntou, apreensivo. Eu neguei com a cabeça.
-Está tudo bem.
Niall me abraçou por um momento e me ajudou a entrar em seu carro. Eu permaneci em silêncio, me xingando mentalmente por ter confiado nele de novo. Sequei as lágrimas com as costas da mão. Meu pulso estava dolorido onde Tyler havia segurado.
-Tem certeza de que ele não te machucou?
Niall me olhou quando paramos num sinal vermelho.
-Não. Mas ele teria se você não estivesse lá. Obrigada.
Eu disse olhando em seus olhos. Ele ficou em silêncio enquanto colocava o carro em movimento outra vez.
-Porque você estava com ele? Quer dizer, todo mundo podia notar que ele era um babaca. Porque você não ficou com a gente? Você podia ter sentado na nossa mesa na premiação, ao invés de ficar com ele.
Ele disse rápido, soltando uma grande quantidade de ar em seguida.
- O que foi isso?
Eu disse rindo, devido a sua expressão facial. Ele estava mais do que irritado com as sobrancelhas unidas e as mãos agarrando o volante.
-Eu não sei.
Ele disse, relaxando um pouco. Eu sorri e entendi do que tudo aquilo se tratava.
-Eu sei, você está com ciúmes!
Ele me encarou com a maior cara de WTF?! do mundo. Foi assim que eu soube que era verdade.
-O que?!- Ele exclamou um pouco alto de mais. Busted.- Claro que não, você está maluca.
Ele rolou os olhos e ficou olhando para frente por um tempo.
-Você sabe que eu estou certa, acabe logo com isso e admita.
Não podia evitar o sorriso em meus lábios. Niall se manteve calado. Estacionou o carro e deu a volta para abrir a porta para mim.
-Obrigada.
Eu agradeci quando ele me ajudou a sair. Ele pegou minha mão e arregalou os olhos quando notou as marcas no meu pulso. Na luz da garagem, até eu fiquei assustada. Havia um vergão vermelho por todo o meu pulso, e ele estava escurecendo nas extremidades, onde Tyler conseguiu firmar a pegada.
-Você disse que ele não tinha te machucado.
Niall estava tenso outra vez, como se fosse socar uma parede ou algo assim.
-Não foi nada. Sério.
Eu o guiei para o elevador, já que Niall não se moveria um centímetro.
-Eu deveria voltar lá e socar a cara daquele idiota.
Ele disse, estávamos dentro do elevador.
-Porque você não admite de uma vez que está com ciúmes. Está tão na cara!
Eu disse de repente, ele ergueu os olhos para mim e sorriu.
-Se eu admitir, você para de jogar isso na minha cara?
Eu fingi pensar por um instante.
-Só se você disser com todas as letras.
Eu sorri e ele sorriu de volta, Niall não disse nada e, por um momento eu achei que não diria. Ele abriu a porta do seu apartamento e deu espaço para que eu entrasse. Só quando trancou a porta, ele voltou a falar.
-Certo. Eu estava com ciúmes. E fiquei lá depois que todos tinham ido embora, porque eu sabia que você precisaria de mim. E eu estava certo. Odeio ter que imaginar o que teria acontecido se eu não estivesse lá. Só de pensar que ele te machucou, deixou isso no seu pulso... Minha vontade é de voltar lá e terminar o que comecei.
Ele desabafou, disse tudo de uma vez com os olhos fechados. Eu respirei fundo. O que ele disse, não perdoava nada do que ele havia feito. Mas seria infantil da minha parte continuar brigando com ele por coisas que aconteceram há tanto tempo atrás. E seria arriscado acreditar assim, logo de cara.
-Como eu posso saber se isso é verdade?
Eu disse baixinho. Ele pegou a minha mão e colocou sobre seu peito, eu podia sentir seu coração batendo descompassadamente.
-Você faz isso comigo. Acha que eu não sinto? Que eu não me odeio por ter te deixado ir tão fácil assim?
-Niall...
-Você não precisa responder nada agora. Está tarde e você passou... Por muita coisa.- Seu rosto se contorceu numa careta por um instante- Vá descansar.
Ele segurou minha mão e andou comigo até o quarto de hóspedes.
-Eu vou pegar umas roupas pra você. Só um minuto.
Ele suspirou. Parte de mim queria agarrá-lo naquele corredor e não soltar nunca mais. A outra parte- a parte orgulhosa- dizia para que eu agradecesse, dormisse e voltasse para casa. Ou voltasse para casa e dormisse. Niall voltou pouco tempo depois, eu ainda estava parada do lado da porta, mordendo o lábio inferior por estar em contradição comigo mesma.
-Aqui.
Ele me entregou um moletom gigante e uma calça de moletom também. Eu conhecia aquela calça. Era minha!
-Estava em cima da cama lá em Brighton, eu trouxe por engano. Tem uma regata sua aí também.
Ele disse encolhendo os ombros. Eu concordei com a cabeça e ele fez menção de se afastar.
-Niall?
Eu o chamei, tão baixo que parecia um sussurro. Ele olhou na minha direção.
-Obrigada. Por tudo.
Ele sorriu e levantou os ombros, como se dissesse "Não foi nada." Ele entrou em seu próprio quarto e eu entrei no quarto de hóspedes. Minha cabeça estava rodando com tanta coisa que eu tinha que entender. Eu tirei o salto, o vestido e todas as joias. O colar que Niall me dera caiu de volta para o seu lugar e gelou minha pele onde o pingente encostava. Eu nem lembrava que estava usando aquilo. Respirei fundo e me troquei, deitei na cama e adormeci o mais rápido que pude.
P.O.V.- June Stevens- Na manhã anterior.
-Zayn?
Eu o chamei enquanto entrava no apartamento. Eu acabara de sair do hospital, estava exausta. Mas Zayn insistiu para que eu viesse até aqui. Eu o procurei com os olhos pela extensão do andar de baixo, ouvi alguns passos no corredor e me virei a tempo de vê-lo descendo as escadas.
- Desculpe, eu acabei de acordar.
Ele disse e bocejou. Eu sorri ao ver que ele ainda não tinha arrumado o cabelo em um topete, como de costume.
-Se estava dormindo, porque me pediu para passar aqui?
-Eu queria passar um tempo com você. Fazem quatro dias já.
Ele me abraçou e eu comecei a rir.
-Você está contando os dias Malik? Está tão desesperado assim?
-Você não imagina o quanto.
Ele murmurou enquanto beijava a lateral do meu pescoço.
-Não sei não, você está animadinho demais.
Eu mordi o lábio inferior, como se estivesse pensando sobre o assunto. Ele aproximou seu rosto do meu e beijou o canto da minha boca.
-Não finja que você também não está.
- Eu não estou. Você é ridículo.
Eu disse enquanto segurava o riso.
-Você é uma mentirosa!
Ele sorriu para mim e passou um braço pela parte de trás dos meus joelhos, me carregando até o andar de cima.
-June.
A voz suave de Zayn me puxava do mundo dos sonhos. Eu não queria acordar, não agora.
-Hum...
Eu murmurei com a cara no travesseiro. Zayn riu e acariciou meus cabelos que deviam estar uma zona. Ele era cuidadoso com o cabelo dele, não com o meu. Maldito.
-Embora eu adore ver você dormir, Harry e Liam vão na casa da Nathalie em meia hora.
Nathalie tem estado ausente durante todo o mês, cada vez que eu tentava falar com ela, ela digitava alguma coisa rápida e dizia que estava com Tyler. Quando eu conversei com Carolyn sobre isso, ela fez uma careta e disse que boa coisa não estava acontecendo, que Tyler não era flor que se cheire e que alguma coisa podia dar muito errado. Não pude deixar de concordar. Eu não conhecia o garoto, mas estava do lado de 78% do fandom da banda. A parte que concordava que Niall e Nathalie formavam um puta de um casal.
-Pre. Gui. Ça.
Eu me virei, fitando o teto e disse pausadamente enquanto me espreguiçava. Zayn se inclinou na minha direção e beijou meus lábios por um instante.
-Vamos preguiçosa, precisamos ir.
Eu balancei a cabeça como uma criança teimosa. Zayn beijou a ponta do meu nariz e nós dois começamos a rir.
-Vamos á premiação juntos, vamos falar pra todo mundo que estamos juntos. Quer ser minha pra sempre?
Ele perguntou, me pegando totalmente de surpresa. Eu esperava por algo assim, quando estivéssemos com cinco meses desse quase-relacionamento entre nós dois. Só fazia um mês desde que eu admiti para mim mesma que tinha alguma coisa que não me comprometia totalmente com o garoto de topete. Zayn me encarou sorrindo e, pouco á pouco, seu sorriso foi se desfazendo.
-O que foi June?
-Eu não... Eu... Porque você disse isso?
Eu parecia uma retardada. Que diabos June! Você não vai passar por isso de novo.
-Porque é a verdade.
Zayn disse com um sorriso sapeca, como se fosse óbvio. Eu suspirei.
-Zayn...
-O que foi?
Ele perguntou apreensivo. Eu fiquei em silêncio, procurando as palavras certas. Nós não eramos namorados. Nosso relacionamento se baseava em sexo. Era desejo e necessidade. Ele sabia disso. Ele tinha que saber.
-Eu te amo June.
Ele disse, sorriu depois, como se estivesse feliz em dizer isso em voz alta. Eu estava paralisada, ele se afastou um pouco e tirou meu cabelo do meu rosto.
-Você não sente isso.
Eu sussurrei. Era como um flashback acontecendo ao vivo. Como se eu estivesse atuando uma certa cena, pela segunda vez. Com os papéis invertidos.
-É claro que eu sinto!
Ele disse, eu me sentei na cama. Não podia estar acontecendo assim. Eu esclareci as coisas. Não iríamos nos apaixonar.
-Não é real.
Eu disse calmamente. Zayn se sentou também, ele parecia confuso. Eu sabia como ele se sentia.
-É claro que é real! Como você pode dizer uma coisa dessas!
Eu o fitei calmamente, pronta para explicar o que ele sentia.
-Não Zayn, não é real. Você acha que sente algo por mim, quando na verdade, não sente. É...- Eu gesticulei, na falta de palavras- é só atração.
Zayn continuou me olhando, com aquela cara descrente de criança pequena quando contam que papai noel não existe.
-Você está dizendo que...
-Eu estou dizendo que isso é só sexo Zayn. Eu deixei bem claro antes de nos envolver. Eu tenho um carinho muito grande por você, de verdade. Mas você não me ama! Não pode me amar.
Eu finalizei a conversa e Zayn permaneceu estático. Como se processasse tudo aquilo que eu acabei de dizer. Lancei-lhe um sorriso triste e juntei minhas roupas espalhadas pelo quarto. Caminhei até o banheiro do quarto de hóspedes e me troquei lá. Quando voltei, Zayn estava se trocando. Eu bati duas vezes no batente da porta, ele se virou para me olhar. Ele me olhou de uma maneira tão fria, que eu mal o reconheci.
-Eu vou indo.
-Tudo bem.
Ele respondeu seco.
-Até daqui á pouco.
Eu disse olhando para as tábuas de madeira do chão. Eu deixei o apartamento em seguida, resolvi ligar para Carolyn. Ela me ajudou uma vez, podia me ajudar uma segunda vez.
-Carol?
Fiquei aliviada quando ela atendeu ao telefone. Carolyn resmungou do outro lada da linha, ela estava dormindo.
-Eu preciso falar com você.
-O que foi? Luke está na cidade e eu não estou sabendo?
Ela brincou, ás vezes, eu ficava assustado com sue poder de dedução.
-É quase isso.
Eu resmunguei. Carolyn pareceu muito mais desperta do outro lado da linha.
-Ai meu Deus! O que aconteceu?
-Eu posso falar isso pessoalmente? Estou no meio da rua, está nevando e eu estou faminta. Chego aí em dez minutos.
-Tudo bem, venha rápido.
Ela desligou o telefone e eu me apertei em meu casaco para conter o frio. Cheguei em casa em menos de dez minutos, a porta estava aberta e o apartamento todo cheirava á molho de tomate e hortelã.
-O que andou aprontando, Stevens?
Eu coloquei a cabeça para dentro da cozinha e vi minha prima cozinhando. Ela desligou o fogão e veio me abraçar.
-Que cheiro bom!
Eu comentei enquanto ela me guiava até a sala.
-Fatos primeiro, comer depois.
Ela disse simplesmente, enquanto sentava no sofá.
-Certo.
Eu disse e me sentei também, levei meia hora para explicar tudo para Carolyn. Desde o início, sem tirar nem por.
-Puta merda.
Ela disse com os olhos levemente arregalados.
-Eu sei.
-Não June, puta merda! O garoto diz que te ama e você faz isso, você tem algum problema?
Ela disse chacoalhando meus ombros.
-Ele é Zayn fucking Malik. Qual é a porra do teu problema?
Ela continuou gritando. Eu livrei meus ombros de suas mãos, antes que ela me machucasse de verdade.
-Sendo Zayn Malik ou não, está acontecendo de novo. E você deveria me ajudar, caralho!
Eu gritei também. Era inevitável.
P.O.V.- June Stevens- Três anos atrás- Gillingham.
-Eu sei!
Eu disse animada enquanto voltava pra casa. Abby me acompanhava até em casa, já que ela era minha vizinha\melhor amiga.
-Ele me faz tão bem! É como se não houvesse mais nada, só nós dois.
Eu disse, sabia que tinha um sorriso enorme no meu rosto. Abby também sorria para mim.
-Eu quero saber de todos os detalhes, ouviu bem?
Havíamos chegado no portão da minha casa.
-Pode deixar!
Eu disse animada. Entrei em casa e fui direto tomar um banho. Luke passaria aqui em uma hora para comemorarmos o nosso aniversário de namoro. Eu passei meia hora só pensando no que deveria vestir, claro, ele ia me levar pra jantar e eu dormiria na casa dele. Mas eu não conseguia definir uma peça sequer.
-June, querida, Luke está aqui em baixo.
Ouvi minha mãe gritar. Eu escolhi um vestido que havia ganhado de aniversário, sapatilhas e o colar que ele me dera quando ainda éramos só amigos. Arrumei meu cabelo como pude e desci.
-Pronto.
Luke sorriu para mim e se despediu da minha mãe.
-Para onde vamos?
Eu perguntei depois que ele me beijou, do lado de fora de casa.
-É segredo.
Ele disse e sorriu. Luke abriu a porta do carro para mim e manteve silêncio quanto o local para onde estávamos indo. Me surpreendi ao ver que estávamos no seu apartamento e fiquei ainda mais surpresa quando ele me levou para o terraço.
-Pode abrir os olhos.
Ele disse perto do meu ouvido e retirou as mãos dos meus olhos. Havia uma mesa delicadamente decorada com velas e flores.
-Luke... Isso é incrível!
Eu disse analisando cada detalhe. Ele era um anjo. Depois do jantar, descemos para o seu apartamento e vimos algum filme, pouco antes de ele me levar para a cama. Eu me sentia maravilhada. Ele era perfeito para mim e eu nunca tive tanta certeza de mais nada na minha vida.
-Eu te amo.
Admiti timidamente, era a primeira vez que eu falava isso para alguém que não fossem meus pais. Luke riu e olhou para mim.
-Não ama nada.
Eu achei que era uma daquelas brincadeiras que casais sempre fazem.
-Amo sim. Nunca tive tanta certeza na minha vida.
Eu tinha um sorriso orgulhoso nos lábios. Luke se virou para me olhar.
-Você não pode me amar June.
Foi aí que eu comecei a ficar confusa.
-Como assim?
-June, eu não sou o cara certo pra você.
-Claro que é!
-Não, você não...
Ele foi interrompido pelo toque do telefone, como ele não atendeu, caiu na secretária eletrônica.
-Hey babe, é a Abby.
-Porque Abby está te ligando? E porque ela te chamou de babe?
Eu perguntei. Ele hesitou em me responder. A mensagem continuou rodando.
-Eu só queria saber até quando June vai ficar na sua casa, eu estou morrendo de saudades de você. É isso. Até mais, gatinho.
Luke me olhou, totalmente encurralado e arrependido. Eu sentia a umidade em meu olhos, mas não me permitiria chorar.
-O que vocês... O q-que...
A pergunta que eu não consegui terminar, ficou pendente entre nós.
-June eu sinto muito eu...
-Há quanto tempo?
Eu gritei, meu autocontrole indo pelo ralo. Luke respirou fundo.
-Há algumas semanas. Eu não pretendia... Foi só uma vez e eu sabia que era errado mas eu...
-Eu não quero ouvir. Como você pôde? Minha melhor amiga Luke? E você ainda tem coragem de dormir comigo? Depois disso?
Os olhos dele estavam marejados, mas eu não me deixaria abalar.
-Essa nunca foi minha intenção com você, eu não deveria ter deixado as coisas chegarem nesse ponto. Me desculpe, eu sinto muito.
Eu não ousei olhar para ele. Desatei o colar do meu pescoço e saí correndo dali. Eu corri para casa, eu não entendia o porquê daquilo tudo. Ele era tão bom comigo, éramos perfeitos juntos. Como eu pude nunca conhecer a pessoa que estava do meu lado. Tranquei a porta do quarto e me permiti chorar, como se lesse meus pensamentos, Carolyn ligou no meu celular.
-Oi June!
Eu funguei antes de responder.
-Oi Carol.
-O que houve? Porque você está chorando?
Ouvir isso só me fez chorar ainda mais. Levei algum tempo para me recompor e contar tudo para Carolyn.
-Pare de chorar. Ele não te merece, tá me ouvindo? Nem ele, nem aquela vadiazinha que você chamava de amiga. Eles não merecem uma lágrima sua.
-O que você quer que eu faça? Eu o amava! E confiava nela!
Eu gritei ao telefone e chorei mais um pouco.
-Me escuta, eu nunca achei que confiaria meus segredos á outra pessoa, então você tem que jurar pra mim que não vai contar pra ninguém e vai seguir tudo direitinho.
-Porque?
-Você quer esfregar na cara daquele idiota que você não precisa dele, ou quer passar todos os domingos chorando, pro resto da sua vida.
-Eu quero esfregar na cara dele.
Disse com um soluço. Carolyn suspirou.
-Prometa pra mim que vai seguir todas as regras.
-Eu prometo.
-Ótimo. Me escute bem, a gente sempre é atraído por aquele que não liga pra gente, se você usar esse conselho pra conseguir o Luke de volta, eu mesma vou aí te socar. Então você não tem que ligar pra ninguém, entendido?
-Sim.
-A regra número um, é que você tem que sempre se divertir. Pra quê entrar numa coisa que você não gosta. Você só vive uma vez, porque desperdiçar esse tempo? A segunda regra é que você não pode se apegar, até ter a plena certeza que aquele é o homem da sua vida e você pularia de um penhasco por ele.
-Entendi.
-Você não pode mais confiar no seu coração. Ele foi quebrado e você foi magoada, qualquer um que chegar com palavras bonitas vai chegar até você. Eu sei que é duro, e é uma puta de uma mudança June. Você nunca mais vai ser a mesma.
-Eu não quero mais ser aquela que foi enganada.
-Ótimo. A última regra, você tem que ser um amor de pessoa, não vai conseguir nada sendo grossa. É um mundo cruel esse em que vivemos, e seguindo as regras você estará congelando seu coração.
-Mas eu...
-Você não quer sentir isso de novo, não é June?
-Não.
-Então siga as regras. Você nunca mais sairá magoada.
P.O.V.- June Stevens
As regras de Carolyn foram tiradas de vários textos escritos por garotas que acabaram de superar o pé na bunda e uma música muito estranha de uma garota. Era loucura, mas tinha dado certo por todos esses anos. Eu nunca mais havia chorado por homem nenhum, no entanto, não era a mesma garota de antes. Eu fui um pouco além e tentei me ocultar totalmente. Pra quê eu seria a idiota que foi enganada durante todo esse tempo? Porque eu tinha que ser essa garota? Eu não precisava! Usei todas as chances que tinha pra sair daquele inferno de cidade e esquecer todo o trágico incidente com Luke e Abby. Eu estava indo muito bem, obrigada, ainda que, de vez em quando, eu me lembrava da pessoa que eu costumava ser. Foi aí que Zayn apareceu. E eu sabia que ele era diferente, por isso tentei afastá-lo. Mas Carolyn, as garotas que superaram um pé na bunda e a música estranha de uma garota estavam certas. Tendemos á ser atraídos por aqueles que nos ignoram. E foi exatamente o que aconteceu. Á cada dia era mais difícil afastá-lo, á cada dia eu começava a me apaixonar pelo garoto que eu só conhecia pela televisão. Mas eu havia mudado e nunca mais seria a mesma. Foi por isso que eu sugeri aquilo, eu não queria perdê-lo e tampouco queria tê-lo. Era confuso. Tudo agora estava confuso.
-O que você sente quando está com ele?
Carolyn me perguntou, eu estava deitada no sofá, com a cabeça em seu colo. Totalmente frustrada.
-Eu não sei. Não dá tempo de pensar. É só a gente, só o momento. Mas quando acaba eu me sinto bem, e quando demora eu sinto falta. Ele faz meu mundo girar. Caramba, que tipo de pessoa faz um mundo girar sem precisar sair do lugar? Talvez ele seja um mágico, ou talvez eu esteja apaixonada. É melhor acreditar na hipótese que ele seja um mágico.
-June, você foi longe demais com isso.
-Eu sei! Quer dizer, eu sabia que melhoras suas regras teria alguma reação.
-Você fez o quê? Não! Não estou falando disso, mas, o que você mudou nas minhas regras?
-Eu resolvi ignorar totalmente o meu passado. Não valia á pena ser aquela garota.
-June! Aquela garota era a minha prima! A garota com quem eu cresci e dividi segredos. A gente precisa aceitar o passado pra viver o presente e pensar num futuro. Não se pode apagar quem se é, ou quem se foi. O que diabos você tinha na cabeça?
-Zayn se apaixonou pela garota que sou agora.
-E a garota que você é acabou de esmagar o que ele costumava chamar de coração.
Eu fiquei em silêncio, digerindo o que ela acabara de me dizer. Num movimento distraído, olhei no relógio da parede da sala e constatei que os garotos já deviam estar na casa da Nathalie.
-Certo, eu vou pensar sobre isso. Obrigada Carolyn.
-Não há de quê.
-Ah, eu estou inda na casa da Nathalie você não...
O celular dela começou a tocar e ela estendeu o dedo para que eu me calasse. Odeio quando ela faz isso.
-Oi Jake!- O rosto todo de Carolyn se iluminou ao ouvir a voz de Jake. E pensar que esses dois se odiavam- Não, não estou fazendo nada. Skype? Tá, eu vou pegar o computador.
E ela saiu saltitando até o quarto para pegar o computador.
-Certo, vou entender isso como um não.
Eu falei comigo mesma e fui até meu quarto, me trocando rapidamente e pegando um táxi até a casa de Nathalie. Quando eu cheguei, os garotos tentavam discutir com o porteiro, que os impedia de subir no apartamento da Nathalie.
-Oi Andy!
Eu disse com um sorriso simpático, que ele me devolveu, interrompendo a discussão com os garotos.
-Olá senhorita Stevens.
-O que está acontecendo?
-A senhorita Simmons não está em casa, mas estes cavalheiros insistem em subir no apartamento dela.
-Ah, Andy, eles estão comigo. Nathalie pediu que a esperássemos lá dentro.
-A senhorita tem a chave?
-Claro.
-Nesse caso, podem subir.
Ele sorriu e eu agradeci. Os garotos permaneceram estáticos.
-Vocês não vem?
Eu perguntei, caminhando até o elevador.
-Porque você tem a chave do apartamento da Nathalie?
Liam perguntou enquanto subíamos até o apartamento.
-Eu não tenho, mas sei onde ela esconde a dela.
Eu dei de ombros. Estendi a mão para alcançar a parte de cima da porta e encontrei sem mais dificuldades, a pequena chave prateada que abriria a porta da frente.
-Voilá.
Eu disse assim que abri a porta.
-Ela disse que chegava que horas?
Louis perguntou se sentando no sofá.
-Três, eu acho.
Harry respondeu, sentando do lado do amigo. Já que estava todo mundo sentado, eu sentei também. Enquanto assistíamos tv e acabávamos com o estoque de porcarias de Nathalie,o interfone tocou.
-Eu atendo.
Me levantei rapidamente e corri para atender.
-Olá Andy.
-Olá senhorita Stevens. Duas garotas estão aqui em baixo, Eleanor e Annabelle, elas podem subir?
-É claro Andy, peça que elas subam, por favor.
-Pode deixar.
-Até mais Andy.
Eu desliguei o telefone e esperei que as duas chegassem.
-Oi June!
Elas disseram juntas e me abraçaram.
-Podem entrar, a Nathalie ainda não chegou mas tá todo mundo aqui.
Eu tranquei a porta e olhei para a sala enquanto elas cumprimentavam os meninos e se sentavam. Meus olhos se demoraram no garoto de topete que estava sentado na poltrona com um olhar distraído, totalmente distante. Eu suspirei. E caminhei de volta para o meu lugar.
-June, posso falar com você rapidinho?
Liam estava de pé ao meu lado.
-Claro.
Ele andou até o segundo andar do apartamento e se sentou no final do corredor.
-O que você queria falar comigo?
Eu perguntei, me sentando ao seu lado.
-O que aconteceu entre você e o Zayn.
Dava pra ser menos direto, por favor? Eu engoli em seco antes de responder.
-Eu... Ele... A gente brigou.
Eu consegui dizer por fim. Liam permaneceu em silêncio, analisando a situação.
-Eu tenho certeza que vocês vão superar o que quer que seja.
-Obrigada Liam.
Eu disse com a garganta sufocada. Porra, eu não quero chorar de novo.
Ele me abraçou de lado e me ajudou a levantar. Nós dois descemos bem á tempo de ver Nathalie entrando no apartamento.
-O que diabos vocês fazem aqui?
-Queríamos ter certeza que você não estava mentindo pra gente.
Louis deu de ombros.
-Eu não acredito que pensam isso de mim.
-Onde foi, toda arrumada assim?
Eu perguntei abraçando-a.
-Almoçar com Kyle e a família dele.
-E como foi?
-Quase normal, eles ficaram assustados comigo. Eu acho.
-Claro, do jeito que você é, qualquer um fica assustado.
-Muito obrigada, Styles.
Annie bateu nele por Nathalie.
-Ah, Louis, tenho uma coisa pra você.
Ela pegou um evelope decorado com um zilhão de adesivos e entregou á ele.
-Quem é Chloe?
Ele perguntou abrindo o envelope.
-Minha meia-irmã.
Eu me apoiei no ombro de Louis para ver a carta.
"Oi, eu sou Chloe, tenho onze anos e sou (provavelmente) sua fã número um. É estranho escrever essa carta sem saber se vocês um dia chegarão a ver o que eu escrevi. Pois bem, eu queria agradecer á vocês, só por entrarem no The X-factor, porque, se não fosse por isso, nós nunca conheceríamos os garotos maravilhosos que vocês são. Eu nunca gritei tanto assistindo televisão, quanto na final do programa. Eu queria tanto que vocês ganhassem! Ainda bem que Simon tinha um plano, e ainda bem que ele estava certo ao juntar vocês cinco. Obrigada Liam, por me ensinar que também é preciso ser responsável. PS- Eu nunca gostei muito de colheres também. Obrigada Harry, por me dizer que idade é apenas um número, e por ter terminado com a Caroline Flack, eu não gostava muito dela. Obrigada Zayn, por ser esse garoto que você é, tenho certeza que por trás de todo esse mistério e pose de BadBoy de Bradford, há um coração imenso, capaz de amar incondicionalmente. Obrigada Niall, por me fazer rir com a sua risada, por não me fazer achar estranha, já que eu como um pouco mais que minhas amigas. Por último, e não menos importante, Obrigada BooBear, por ser o mais engraçado, escandaloso, bonito e amável garoto que eu já vi. Você é incrível, talvez por isso seja o meu favorito. Eu amo vocês demais. Eu não sei se um dia vocês chegarão a ler isso, mas eu gostaria que soubessem que eu me orgulho muito de ser fã de vocês. Vocês me ensinaram a sonhar, obrigada." -Cara, sua irmã é muito fofa!
Harry disse enquanto ia lendo.
-Meia-irmã.
Nathalie resmungou.
-Olha só isso! " Eu não sei se um dia vocês chegarão a ler isso, mas eu gostaria que soubessem que eu me orgulho muito de ser fã de vocês. Vocês me ensinaram a sonhar, obrigada." Eu acho que ela deve ser a irmã mais meiga do mundo! Posso apertar?
Louis disse ao terminar de ler a carta, acompanhado de um coro de "Anw!"
-Meia-irmã. E acho que pode, você é o favorito dela.
Nathalie se sentou na poltrona e nos encarou.
-E aí, que notícias maravilhosas vocês vieram me trazer?
-Vamos numa premiação amanhã, conseguimos um lugar pra você na nossa mesa.
-Isso é muito gentil da parte de vocês.
-E você pode ir no tapete vermelho com a gente. Annie disse que não vai, é muita pressão.
Ela encolheu os ombros quando Harry disse isso.
-Muito obrigada garotos, mas eu já recebi um convite para o tapete vermelho.
Liam e Zayn ergueram as sobrancelhas.
-Você está vendo isso Harold? Ela está trocando a gente.
Louis. Sempre dramático.
-Quem te chamou?
Eu perguntei, calando Louis.
-Tyler Daniels.
Eu e Annie ficamos boquiabertas.
-Espera aí, Tyler Daniels? Do Arsenal?
-Ele mesmo.
-Desde quando você o conhece?
Annie perguntou.
-Estudamos juntos. Ele me convidou tem uma semana.
-Eu não acredito nisso.
-É verdade!
-Tá. Troque a boyband pelo jogador famoso. Nós não ligamos.
Liam cruzou os braços, ela fui abraçá-lo.
-Eu ainda posso sentar com vocês. Vocês sabem.
-Eu deveria ficar bravo, mas não estou.
Liam a abraçou de volta. Eu sorri.
-Tá, qual o plano para hoje?
-Pizza na minha casa? A gente pode alugar uns filmes.
Harry sugeriu e fomos direto para a sua casa, eu não esquecia o que Chloe havia dito para Zayn " tenho certeza que por trás de todo esse mistério e pose de BadBoy de Bradford, há um coração imenso, capaz de amar incondicionalmente" Talvez eu tenha ido longe demais com esse lance de não me apegar. Eu precisava voltar atrás.
-Ei June, já que seu namorado está estressadinho e eu estou sem par, não quer vir comigo na premiação?
Harry disse quando Nathalie foi embora. Eu olhei para Harry e depois para Zayn que me fitava com curiosidade.
-Eu... Hum... Sei lá.
-Por favor!
Ele fez carinha de "cupcake". Zayn desviou os olhos. Certo, se ele iria ser teimoso, eu também iria.
-Tá, pode ser.
Harry me abraçou e agradeceu. Eu voltei para minha casa quando a maioria dos garotos dormia na sala.
Pela manhã, Carolyn me ajudou com o cabelo e a maquiagem, já que eu havia comprado um vestido pouco tempo atrás.
-Eu queria ver a reação das pessoas quando te vissem assim.
Carolyn me rodeou quando acabou de me arrumar.
-Vai ser transmitido pela televisão, você vai poder ver.
-Eu vou gravar e mostrar pra tia May.
-Ela vai te agradecer por isso, e eu vou ter morrido socialmente.
Eu disse me olhando no espelho. Carolyn saiu correndo para atender o interfone.
-Harry está aqui.
Ela voltou com um sorriso gigante no rosto. Eu suspirei e peguei minha bolsa, mandei um beijinho para Carolyn antes de sair. Harry estava encostado no balcão da portaria, tamborilando os dedos na superfície de madeira enquanto me esperava.
-Wow. Zayn ficaria com muita inveja.
Ele deu um sorriso esquisito e grudou seu braço com o meu.
- Quem deu o nó na sua gravata?
Eu perguntei enquanto andávamos até o carro.
-Annie, ela me ajudou a me arrumar.
-Eu sabia, você não tem capacidade de dar um nó de gravata tão bonitinho assim.
Eu o provoquei.
-Certo, senhorita Stevens. Continue fazendo isso.
Ele dirigiu e conversamos durando o caminho inteiro, era bom saber que eu podia contar com os garotos.
-Chegamos.
Ele anunciou ao estacionar o carro, estava me fitando atenciosamente. Eu sorri.
-O que foi?
-Não vai respirar fundo, contar até dez ou coisa assim?
-Não. Porque eu faria isso?
-Sei lá, é uma premiação, vai ser transmitida mundialmente, você está do meu lado...
-Você acha mesmo que tem essa bola toda, garoto?
Ele sorriu e saiu do carro para abrir a porta para mim.
-Obrigada.
Eu agradeci e entramos na área externa da premiação, aquela parte chata onde milhares de câmeras e repórteres entrevistavam os convidados. Assim que pisamos no tapete vermelho, fomos bombardeados com milhares de perguntas e flashes que vinham de todas as direções. Harry atendeu ao pedido de uma repórter insistente e caminhou até ela.
-Olá.
Ele disse e sorriu para a câmera.
-Harry Styles, não é surpresa te ver acompanhado de uma linda garota, qual seu nome docinho?
Eu quase vomitei quando ela se virou para mim. Credo. Não tinha outro jeito para me chamar? Eu olhei para Harry e balancei a cabeça negativamente, se Nathalie que é a pessoa mais adorável que eu conheço, tinha haters no fandom, imagina eu, que não sou nada delicada. Por sorte, Harry entendeu meu recado e sorriu educadamente para a repórter.
-Bem, a minha amiga de não dar entrevistas, se possível.
Harry continuou dando a entrevista e a repórter insistiu mais duas vezes em saber o meu nome. Eu sorri e neguei com a cabeça. Quando finalmente entramos, Harry me apresentou para um grupo reservados de amigos, que incluíam Nick Grimshaw, Rita Ora, Cara Delavigne e Pixie Geldof. Sério, eu precisava sair com o Harry mais vezes.
-Me diga June, o que faz uma garota como você, sair com um idiota como ele?
Grimmy estendeu a taça de champanhe em minha direção quando se virou para mim.
-Eu estou fazendo um favor para ele. Somos amigos.
Nick sorriu e encarou Harry que estava distraído com as duas garotas.
-De onde vocês se conhecem?
-Você já ouviu falar na Nathalie Simmons, certo?
Ele confirmou com a cabeça.
-Ela é minha amiga, eu estava com ela quando esbarramos no garotos numa rua por aí. A gente estava indo pra mesma rádio.
Ele pensou por um minuto.
-June Setevens!- Eu me assustei quando ele gritou meu nome de repente- Claro, você foi a garota que ganhou a promoção da La Belle.
-Você estava lá?
-Estava sim,-Ele deu de ombros- mas Harry estava distraído demais pegando todas as garotas da festa!
Ele gritou para Harry que fez uma cara confusa e revirou os olhos para o amigo. Nick Grimshaw era uma figura. Os garotos foram chegando e Zayn continuava me evitando.
Coloquem pra tocar- (http://www.youtube.com/watch?v=ezz-nazThiM)
Chegava a doer. Um pouco antes de entrarmos para o salão, depois que Nathalie apareceu com Tyler, eu fiquei para trás e chamei Zayn antes que ele atravessasse o salão.
-Zayn...
Ele se virou para me encarar, não se moveu um centímetro.
-Eu queria falar com você.
Eu continuei, engolindo todo o orgulho e voltando a ser, mesmo que por um momento, a June que eu era em Gillingham. Zayn sustentou meu olhar pela primeira vez no dia, esperando que eu continuasse, mas antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, Harry apareceu de lugar nenhum, me puxando pelo braço.
-Vem June, todo mundo já está sentado.
Ele me puxou pelo braço e eu não pude dizer nada.
Pelo resto da noite, Zayn continuou me fitando discretamente, como se perguntasse o que eu iria dizer. Seus olhos demonstravam a mesma intensidade de curiosidade e desapontamento. Eu havia quebrado seu coração, como fizeram comigo. Eu havia o magoado como fizeram comigo. E agora estávamos assim porque eu não pude superar isso. O tempo passou rápido, Harry já estava conversando comigo no carro, eu concordava com a cabeça, mas não fazia ideia do que ele estava falando. E eu estava vivendo uma mistura de passado e presente, enquanto as cenas se repetiam na minha cabeça.
These feelings won't go away. No que eu havia me tornado? Eu mal podia me reconhecer. Harry me deixou em casa quando os primeiros flocos de neve começaram a cair. Eu me permiti ficar do lado de fora, o frio conseguia ser menos angustiante que essas coisas na minha cabeça. As regras me impediam de sair machucada, mas não havia garantia nenhuma que todos os outros também saíam ilesos. Eu comecei a pensar em todas as pessoas que eu machuquei, inclusive eu mesma. Eu não me reconhecia mais. O cabelo curto, o sotaque que quase não aparecia. Time will take them away. De todas as noites que eu passei sozinha em Londres, aquela era a que eu me sentia mais solitária. Eu entrei quando o frio se tornou insuportável, e por mais que eu tentasse, não conseguia dormir. Eu tomei uma xícara de chá e passei por todos os canais da televisão. Nada adiantava. Os olhos dele estavam fixos na minha mente, o modo como ele me olhara. Doía demais. Eu sentia o que ele sentia. Ele nunca me perdoaria, porque, eu nunca perdoei Luke. Todas as vezes que eu saía de um relacionamento... Porque só dessa vez eu estou me sentindo assim? Eu não estou preparada pra isso. Ninguém nunca me avisou sobre isso. Porque dói assim? Porque é diferente agora?
These feelings won't go away. Por mais que eu esteja negando, há algo em mim que está dizendo e eu não posso me permitir aceitar. Eu não posso amar. Eu ainda não estou pronta. Porque seria diferente com ele? Quem me garante que Zayn é diferente de Luke, ou de qualquer outro garoto. Bati na porta do quarto de Carolyn, eram três e meia da manhã. Ela se levantou e me perguntou o que houve, eu já estava chorando antes mesmo que ela terminasse. Carolyn conseguiu me acalmar e começou a conversar qualquer coisa comigo. Eu perguntei á ela porque dessa vez era diferente. Carolyn me disse que as regras não me impediriam de me apaixonar. E havia acontecido. Ela riu e buscou o notebook. Eu fiquei curiosa e ela me mandou calar a boca e escutar. She's not afraid do One Direction estava em todo o quarto. Eu chorei outra vez quando percebi porque Carolyn havia me mostrado a música.
How come she's so afraid of falling in love? Como ela pode ter tanto medo de se apaixonar? Como ela pôde? A voz dele invadia a minha cabeça. Eu tinha que fazer alguma coisa, eu era fraca demais e a dor era forte demais. Eu havia aprendido a ignorar tudo isso, mas Zayn deixou meu mundo de cabeça pra baixo. Ele havia me dado rasões para mudar. Zayn era o tipo de garoto, pelo qual valia á pena se apaixonar. E eu sabia disso agora. E podia ser tarde demais, mas ninguém me impediu de colocar um tênis e correr na neve até o apartamento dele.
Eu deixei a casa de Harry pouco depois das onze, eles pediram quatro caixas de pizza e todas elas foram devoradas. Os garotos estavam vendo algum filme de luta e eu me despedi antes que eles trocassem de filme. Liam ficou bravo porque eu era o seu par ali, já que ele não tinha namorada e Niall não veio.
Meu despertador me fez levantar com um pulo, eu tinha que me arrumar para a premiação. Eu tinha o dia inteiro no salão para enfrentar, unha, cabelo e maquiagem. Seria um pesadelo aguentar tudo isso sozinha, toda aquela paparicação barata de mulheres que nunca te viram na vida me irrita profundamente. É muita falsidade num lugar tão restrito. Eu tomei um banho e decidi tomar café antes de sair para o salão. Dirigi com muita paciência, já que o trânsito estava um pouco mais carregado hoje. Quando eu finalmente cheguei ao centro da cidade, fui recebida por duas mulheres absurdamente arrumadas e sorridentes. Elas me fizeram sentar numa cadeira por quatro horas e meia enquanto puxavam e alisavam, torciam e faziam sei lá o que com meu cabelo, pintavam as minhas unhas e davam um jeito na minha pele. Por mais que eu descreva como sendo uma tortura, era bom ser tratada desse jeitinho de vez em nunca. Quatro horas e meia depois eu estava devidamente arrumada e ligeiramente atrasada para a premiação, enquanto dirigia de volta para casa, eu rezava para que o vestido já estivesse lá. Olhei de relance para o celular que estava no banco do passageiro, doze mensagens e cinco ligações perdidas. Eu já entendi que estou atrasada, não precisa ficar me lembrando disso, droga. Subi as escadas do meu apartamento em tempo recorde quando peguei a larga caixa branca da loja Catherine Deane, com o logotipo em letras elegantes, gravadas bem no centro. Contive o impulso de desistir de toda aquela baboseira e voltar a dormir quando consegui me atrapalhar com as chaves de casa e me atrasar um pouquinho mais. Corri até o meu quarto e abri a caixa com uma delicadeza inexplicável para o estado deplorável em que eu me encontrava. Nem sabia porque estava tão nervosa assim, era só uma premiação.... com algumas centenas de famosos..... E seria transmitida mundialmente.... Tyler me levaria consigo pelo tapete vermelho.... Haveriam câmeras por todo lugar. Lembrei porque estava nervosa. Desfiz o nó que envolvia o papel seda e desembrulhei o vestido com todo o cuidado do mundo, não sei porque, algo no meu inconsciente estava controlando as minhas ações. Deslizei o vestido pelo meu corpo e fechei o zíper com certa dificuldade, agradeci por poder ter entrado nele com os poucos botões já abotoados, ou eu teria um grande problema. Ajeitei o tecido e coloquei as joias que havia separado, calcei os sapatos e tirei um minuto para me olhar no espelho. O vestido Catherine Deane era branco, tinha um decote em formato de coração, tomara que caia com a barra a poucos centímetros do chão, as costureiras acertaram em cheio. Havia uma fina faixa preta pouco abaixo do busto com algumas pedras incrustadas, o vestido era lindo.
(http://www.polyvore.com/remembering_sunday_nathalie_simmons/set?id=77575060)
Mas meu minuto de apreciação á minha pessoa no espelho havia acabado, quando meu celular tocou pela nonagésima vez naquele dia.
-Até que enfim me atendeu! Os meninos estão malucos atrás de você, onde você está?
Era June.
-Estou em casa, não grite comigo, já viu o trânsito hoje? Devo chegar em alguns minutos, não me espere.
-Sorte a sua eu estar num lugar cheio de gente. Te vejo daqui á pouco.
-Até logo.
Mal eu desliguei o telefone e ele tocou outra vez.
-Tentei te ligar o dia todo, espero que esteja pronta.
-Olá Tyler.
-Oi Nath, eu estou aqui em baixo. Estamos atrasados.
-Dez minutos não matam ninguém Daniels, estou descendo.
Desliguei o telefone e o guardei na bolsa-carteira que estava levando comigo, andei depressa até o elevador e desci rapidamente, Tyler me esperava do lado de fora de um Rolls-Royce preto. Ele abriu um sorriso gigante ao me ver, eu agradeci corando ao seu elogio.
-Você está... Magnífica.
Ele mesmo riu da falta de palavras para de descrever.
-Obrigada Daniels, você também não está mal.
O motorista pegou alguns atalhos e conseguiu levar a gente bem rápido para o local da premiação, engoli em seco e respirei fundo três vezes quando o carro finalmente parou. O motorista abriu a porta para mim e eu fui recebida com inúmeros flashes e um tapete vermelho.
-Não fique nervosa.
Tyler sussurrou no meu ouvido e entrelaçou nossas mãos. Eu ouvia meu coração martelar em meus ouvidos enquanto andávamos pela extensão do tapete, ocasionalmente parando para que Tyler pudesse dar suas entrevistas e autógrafos. Quase na entrada do salão, eu ouvi chamarem meu nome.
-Nathalie! Venha aqui, por favor!
Uma mulher loira e bem alta estava do outro lado da faixa de veludo, ela sorria e apontava para mim. Eu andei até ele, ligeiramente mais nervosa ao notar o câmera-man ao seu lado.
-Nathalie Simmons, que surpresa adorável! Eu sou Joann Abbey,do UK Live, ao vivo do Fame Awards aqui em Londres.
-Olá!
Tá, eu não sou a pessoa mais carismática do mundo num tapete vermelho com zilhões de câmeras a minha volta.
-Nathalie, eu adorei seu vestido, quem foi que desenhou?
Eu olhei mais uma vez para o modelito que usava, incapaz de olhar para a câmera.
-Hum.. É um Catherine Deane, o modelo é dessa estação, eu acho.
Tentei meu melhor, mereço um pouco de consideração. Eu sorri para a câmera e Joann Abbey me fez outra pergunta.
-Nathalie, pode nos contar um pouco mais sobre o cavalheiro que te acompanha hoje?
Ela sorriu para Tyler que estava bem ao meu lado.
-Eu tenho certeza que vocês o conhecem. Tyler Daniels, zagueiro do Arsenal... Eu sei que ele fica irreconhecível todo arrumadinho.
Eu tentei fazer uma piada, me processem. Tyler me empurrou de leve com seu próprio corpo, nós dois estávamos rindo.
-E vocês estão juntos?
Ela continuou.
-Bem que eu gostaria.
Tyler admitiu e meu queixo foi parar no chão.
-Tyler!
Eu faltei, algumas oitavas mais alto.
-Não, não estamos juntos. Somos amigos, estudamos juntos no colegial.
Eu me virei para a apresentadora que parecia estar se divertindo com tudo isso. Ela ri porque não é com ela, maldita.
-E você continua envolvida com os garotos do One Direction? Fazem semanas desde a última foto de vocês juntos.
Ela parecia estar lamentando algo.
-Sim, ainda continuamos amigos. Eu estive ocupada essa semana, com o fechamento da revista e tudo o mais.
-Certo, muito obrigada por ter falado conosco Nathalie. Eu sou Joann Abbey, ao vivo do Fame Awards.
Eu e Tyler ficamos acenando para a câmera de um modo ridículo. Eu queria bater nele, mas teria que esperar até estarmos num lugar com menos câmeras. Seguimos até o grande salão onde os artistas estavam sendo recepcionados, Tyler me arrastou junto enquanto ele cumprimentava alguns conhecidos, pouco tempo depois senti alguém me abraçar pela cintura.
-Nathalie!
Louis disse me levantando alguns centímetros do chão.
-Louis!
Eu protestei, fazendo com que ele me colocasse de volta no chão. Mas ele manteve o braço, me envolvendo pela cintura.
-E quem é esse?
Louis perguntou, sorrindo.
-Louis esse é o meu amigo Tyler. Tyler, esse é Louis Tomlinson.
Eles apertaram as mãos.
-Posso levar ela um minutinho, mate?
Louis perguntou e Tyler concordou com a cabeça. Alguém perguntou alguma coisa pra mim? Louis me guiou para o outro lado do salão, de encontro ao resto da banda.
-Ai meu Deus, você está linda!
Eleanor e June disseram juntas, se entreolharam e depois sorriram para mim. Se eu estava linda, aquelas duas estavam maravilhosas. June estava com um vestido coral que ia até os pés, estava toda de dourado e o cabelo curto estava levemente arrepiado em várias direções.
(http://www.polyvore.com/remembering_sunday_june_stevens/set?id=77676301)
Eleanor estava igualmente linda, com um vestido branco com detalhes em dourado e ela estava com o cabelo preso.
(http://www.polyvore.com/remembering_sunday_eleanor_calder/set?id=77676908)
-Você tem que me ajudar.
June sussurrou enquanto me abraçava. Eu olhei para ela sem entender nada e June olhou de relance para Zayn, que estava relativamente afastado. Certo, problemas de relacionamento.
-Nath, o que Tyler fazia com você?
Eu me virei para onde Eleanor olhava. Tyler estava conversando com alguns rapazes do time de futebol.
-Ele me chamou para vir com ele.
Eu dei de ombros.
-E de onde vocês se conhecem?
Ela grudou o braço dela com o meu e June fez o mesmo com meu outro braço.
-Estudamos juntos no ensino médio. Mas é só isso, não vá achando que eu estou com ele ou algo do tipo.
Nós três rimos e nos aproximamos dos garotos.
-Nathalie!
Harry foi o primeiro a me soltar das garotas e me abraçar.
-Vocês está linda!
Ele disse se afastando um pouco para poder me olhar.
-Você não está nada mal, Styles.
Eu disse observando o terno preto que ele vestia. Muito elegante, aliás, nenhum deles estava atrás. Liam estava com o cabelo arrumadinho e com um perfeito nó de gravata. Zayn estava de calça social e jaqueta de couro, o topete impecável em sua cabeça e um sorriso de tirar o fôlego. Louis eu já havia visto, Eleanor deve ter o ajudado, ele usava apenas a camisa social e um casaco escuro por cima. Me afastando de seu abraço de urso, notei uma cabeleira loira. Niall estava muito mais do que lindo. Todo social, com o cabelo em um topete bagunçado e, ao mesmo tempo, milimetricamente perfeito. Eu não sei como ele conseguia. Meu coração pulou algumas batidas enquanto eu tentava respirar normalmente, o que foi em vão já que ele se aproximou para me cumprimentar e eu pude sentir seu perfume. Logo quando eu achava que nada nele me abalava, descubro que todas as coisas nele me deixam com os joelhos fracos. Eu não o via há tanto tempo, que ouvir sua voz assim, fez meu coração ficar ainda mais descompassado.
-Oi.
Ele disse encolhendo os ombros e dando algo parecido com um sorriso. Ele estava maravilhosamente lindo. Ele era maravilhosamente lindo. Ficamos nos encarando por um tempo, sem dizer nada. Ouvi meu nome ser chamado algumas vezes, mas estava um tanto ocupada, olhando nos olhos de Niall.
-Nath, temos que ir. Vão começar a premiação.
Tyler escorregou suas mãos do meu cotovelo até minha mão direita e entrelaçou nossos dedos. Niall olhou para as nossas mãos unidas e ergueu levemente suas sobrancelhas. Louis sorriu para nós dois.
-Até mais tarde, mate.
Tyler se dirigiu á Louis, mas seu tom de voz não foi amigável ao pronunciar o jeito com que Louis havia o tratado alguns minutos antes.
-O que foi?
Perguntei quando nos afastamos um pouco, Tyler deu um sorriso torto enquanto nos aproximávamos da mesa.
-Eu te trago aqui para ficar um pouco mais com você, e você sai assim?
-Babaca.
Eu disse sorrindo enquanto dava um peteleco em sua testa. Tyler me abraçou e beijou o topo da minha cabeça.
-Eca.
Eu disse fazendo uma careta, ele retribuiu me dando um soquinho no braço. A premiação começou e alguns artistas se apresentaram, inclusive os meninos. Todos eles encararam a mesa onde eu estava quando cantaram a música da Comic Relief- One Way Or Another ( Teenage Kicks) Eu me senti constrangida e intrigada, porque eles olharam pra mim? A premiação continuou, Tyler ganhou um prêmio e piscou para mim lá do palco, senti os sangue fugir do meu rosto quando algumas pessoas se viraram para me olhar. Depois, disso, eu parei de prestar atenção. Tyler mal conversava comigo e só ficava falando da estatueta que havia ganhado, com os colegas do time.
"Está perdendo toda a diversão, porque não está com a gente?"
Liam me enviou uma mensagem enquanto eu brincava com o porta-guardanapos da mesa.
"Estou presa :( O que estou perdendo?"
"Louis está interpretando o apresentador e June e Zayn estão num tipo de discussão silenciosa. Você está perdendo!"
Eu sorri e me virei para observar. Louis fazia caretas e usava a estatueta que a banda ganhou como microfone. June estava sentada a duas cadeiras de Zayn e os dois não paravam de se olhar com expressões nada amigáveis. Eu estava realmente perdendo toda a diversão, mas não pude fazer nada. Observei os outros artistas ganharem um prêmio e escutei Tyler comentar futilidades com seus amigos. Ele não havia mudado nem um pouco. Para o meu azar, a premiação durou muito mais do que eu esperava. Tyler, seus amigos e alguns artistas decidiram ficar para a festa depois. Tyler e os colegas do time decidiram encher a cara, eu fiquei totalmente entediada pelas próximas duas horas.
-Tyler, já chega. Vamos pra casa.
Eu me levantei impaciente, estava entediada e faminta. Eu só queria ir pra casa.
-Ah não princesa, vamos ficar mais um pouco.
Eu revirei os olhos e reprimi a vontade de dar um tapa na cara dele.
-Eu não vou nem te falar onde colocar esse seu princesa. Você vai embora ou não?
Eu perguntei, a impaciência aparecendo na voz.
-Vai lá, Ty. Sua garota parece um tanto brava.
Um dos amigos bêbados disse, eu estava irritada demais para lembrar do nome dele. Tyler não fez menção em se levantar, eu desisti de tentar ir para casa com ele e saí do local onde a festa estava acontecendo. Eu não fazia ideia de que horas eram, mas estava escuro e um pouco mais frio do que eu podia suportar. Chequei meu celular para chamar um táxi e tive a grande surpresa ao notar que a bateria acabou assim que eu desbloqueei o celular. Merda. Não é legal estar num cenário típico de filme de terror, se você sabe o que acontece na maioria dos roteiros. Tentei manter a calma enquanto reparava em cada detalhe do ambiente ao meu redor. Eu estava entrando em pânico. Isso porque estava sozinha num estacionamento deserto, sem celular e com um pouco de medo. Estava considerando a ideia de andar até achar um táxi, alguém colocou as duas mãos em meus ombros e meu grito ficou entalado na minha garganta.
-Te assustei, babe?
Tyler riu estrondosamente enquanto me envolvia mais em seu abraço.
-Resolveu vir comigo?
Tá, eu continuava irritada.
-Eu nunca te abandonaria.
Ele afundou a cabeça na curva do meu pescoço por um momento. Pegou minha mão e me guiou até seu carro, e não era o Rolls-Royce que estava estacionado, não tão longe de nós.
-O que você está fazendo?
Eu perguntei quando ele se recostou na lateral do carro, e me puxou mais perto pela mão.
Ele sorriu e me puxou um pouco mais perto, algo no meu subconsciente gritava por atenção, mas eu estava completamente paralisada.
-Confie em mim.
Ele disse e me puxou pela nuca, colando nossos lábios com uma força desnecessária. O modo como ele disse, no exato tom de voz com que ele me disse da última vez. Eu o empurrei, mas Tyler era mais forte. Quando ele tentou me beijar oura vez, mordi seu lábio com força, o empurrei outra vez e me virei para correr, ele me alcançou em dois passos, ele segurou minha cabeça para trás, pelos cabelos, com a mesma intensidade, com a outra mão, ele agarrou o meu pulso. Ele me segurava tão forte, que eu tenho certeza que ficaria marca.
-Tyler, me larga!
Meu coração palpitava, eu não estava só com medo. Eu estava aterrorizada.
-Você não sabe, o quanto eu esperei pra te ter de volta.
Ele passou o polegar pelo meu queixo e eu respirei fundo, tentando me controlar para achar uma saída.
-Me solta Tyler.
Era mais uma súplica do que qualquer outra coisa. Eu não tinha outra saída. O aperto de sua mão estava tão forte em meus cabelos, que eu me machucaria muito mais, só de tenar fugir. Eu fechei os olhos, esperando por alguma coisa. Eu estava desesperada, e sem saída.
-Ela mandou soltar.
Alguém mais estava ali, mas a voz estava muito distante para que eu pudesse saber quem era.
-O que você pensa que...
Tyler foi interrompido por um baque surdo, e depois, um lamento. Eu sabia que ele tinha levado um soco, mas eu ainda mantinha os olhos fechados.
-Vamos, Nath.
A voz agora, tão perto, eu podia saberia quem era com apenas alguns sons. Niall me envolveu com seu braço e andou comigo para longe dali.
-Está tudo bem, eu estou aqui.
Ele disse e eu percebi que chorava. Como pude ser tão tola. Era Tyler Daniels, claro que ele me usaria outra vez. Ele só estava esperando outra chance.
-Ele te machucou?
Niall perguntou, apreensivo. Eu neguei com a cabeça.
-Está tudo bem.
Niall me abraçou por um momento e me ajudou a entrar em seu carro. Eu permaneci em silêncio, me xingando mentalmente por ter confiado nele de novo. Sequei as lágrimas com as costas da mão. Meu pulso estava dolorido onde Tyler havia segurado.
-Tem certeza de que ele não te machucou?
Niall me olhou quando paramos num sinal vermelho.
-Não. Mas ele teria se você não estivesse lá. Obrigada.
Eu disse olhando em seus olhos. Ele ficou em silêncio enquanto colocava o carro em movimento outra vez.
-Porque você estava com ele? Quer dizer, todo mundo podia notar que ele era um babaca. Porque você não ficou com a gente? Você podia ter sentado na nossa mesa na premiação, ao invés de ficar com ele.
Ele disse rápido, soltando uma grande quantidade de ar em seguida.
- O que foi isso?
Eu disse rindo, devido a sua expressão facial. Ele estava mais do que irritado com as sobrancelhas unidas e as mãos agarrando o volante.
-Eu não sei.
Ele disse, relaxando um pouco. Eu sorri e entendi do que tudo aquilo se tratava.
-Eu sei, você está com ciúmes!
Ele me encarou com a maior cara de WTF?! do mundo. Foi assim que eu soube que era verdade.
-O que?!- Ele exclamou um pouco alto de mais. Busted.- Claro que não, você está maluca.
Ele rolou os olhos e ficou olhando para frente por um tempo.
-Você sabe que eu estou certa, acabe logo com isso e admita.
Não podia evitar o sorriso em meus lábios. Niall se manteve calado. Estacionou o carro e deu a volta para abrir a porta para mim.
-Obrigada.
Eu agradeci quando ele me ajudou a sair. Ele pegou minha mão e arregalou os olhos quando notou as marcas no meu pulso. Na luz da garagem, até eu fiquei assustada. Havia um vergão vermelho por todo o meu pulso, e ele estava escurecendo nas extremidades, onde Tyler conseguiu firmar a pegada.
-Você disse que ele não tinha te machucado.
Niall estava tenso outra vez, como se fosse socar uma parede ou algo assim.
-Não foi nada. Sério.
Eu o guiei para o elevador, já que Niall não se moveria um centímetro.
-Eu deveria voltar lá e socar a cara daquele idiota.
Ele disse, estávamos dentro do elevador.
-Porque você não admite de uma vez que está com ciúmes. Está tão na cara!
Eu disse de repente, ele ergueu os olhos para mim e sorriu.
-Se eu admitir, você para de jogar isso na minha cara?
Eu fingi pensar por um instante.
-Só se você disser com todas as letras.
Eu sorri e ele sorriu de volta, Niall não disse nada e, por um momento eu achei que não diria. Ele abriu a porta do seu apartamento e deu espaço para que eu entrasse. Só quando trancou a porta, ele voltou a falar.
-Certo. Eu estava com ciúmes. E fiquei lá depois que todos tinham ido embora, porque eu sabia que você precisaria de mim. E eu estava certo. Odeio ter que imaginar o que teria acontecido se eu não estivesse lá. Só de pensar que ele te machucou, deixou isso no seu pulso... Minha vontade é de voltar lá e terminar o que comecei.
Ele desabafou, disse tudo de uma vez com os olhos fechados. Eu respirei fundo. O que ele disse, não perdoava nada do que ele havia feito. Mas seria infantil da minha parte continuar brigando com ele por coisas que aconteceram há tanto tempo atrás. E seria arriscado acreditar assim, logo de cara.
-Como eu posso saber se isso é verdade?
Eu disse baixinho. Ele pegou a minha mão e colocou sobre seu peito, eu podia sentir seu coração batendo descompassadamente.
-Você faz isso comigo. Acha que eu não sinto? Que eu não me odeio por ter te deixado ir tão fácil assim?
-Niall...
-Você não precisa responder nada agora. Está tarde e você passou... Por muita coisa.- Seu rosto se contorceu numa careta por um instante- Vá descansar.
Ele segurou minha mão e andou comigo até o quarto de hóspedes.
-Eu vou pegar umas roupas pra você. Só um minuto.
Ele suspirou. Parte de mim queria agarrá-lo naquele corredor e não soltar nunca mais. A outra parte- a parte orgulhosa- dizia para que eu agradecesse, dormisse e voltasse para casa. Ou voltasse para casa e dormisse. Niall voltou pouco tempo depois, eu ainda estava parada do lado da porta, mordendo o lábio inferior por estar em contradição comigo mesma.
-Aqui.
Ele me entregou um moletom gigante e uma calça de moletom também. Eu conhecia aquela calça. Era minha!
-Estava em cima da cama lá em Brighton, eu trouxe por engano. Tem uma regata sua aí também.
Ele disse encolhendo os ombros. Eu concordei com a cabeça e ele fez menção de se afastar.
-Niall?
Eu o chamei, tão baixo que parecia um sussurro. Ele olhou na minha direção.
-Obrigada. Por tudo.
Ele sorriu e levantou os ombros, como se dissesse "Não foi nada." Ele entrou em seu próprio quarto e eu entrei no quarto de hóspedes. Minha cabeça estava rodando com tanta coisa que eu tinha que entender. Eu tirei o salto, o vestido e todas as joias. O colar que Niall me dera caiu de volta para o seu lugar e gelou minha pele onde o pingente encostava. Eu nem lembrava que estava usando aquilo. Respirei fundo e me troquei, deitei na cama e adormeci o mais rápido que pude.
P.O.V.- June Stevens- Na manhã anterior.
-Zayn?
Eu o chamei enquanto entrava no apartamento. Eu acabara de sair do hospital, estava exausta. Mas Zayn insistiu para que eu viesse até aqui. Eu o procurei com os olhos pela extensão do andar de baixo, ouvi alguns passos no corredor e me virei a tempo de vê-lo descendo as escadas.
- Desculpe, eu acabei de acordar.
Ele disse e bocejou. Eu sorri ao ver que ele ainda não tinha arrumado o cabelo em um topete, como de costume.
-Se estava dormindo, porque me pediu para passar aqui?
-Eu queria passar um tempo com você. Fazem quatro dias já.
Ele me abraçou e eu comecei a rir.
-Você está contando os dias Malik? Está tão desesperado assim?
-Você não imagina o quanto.
Ele murmurou enquanto beijava a lateral do meu pescoço.
-Não sei não, você está animadinho demais.
Eu mordi o lábio inferior, como se estivesse pensando sobre o assunto. Ele aproximou seu rosto do meu e beijou o canto da minha boca.
-Não finja que você também não está.
- Eu não estou. Você é ridículo.
Eu disse enquanto segurava o riso.
-Você é uma mentirosa!
Ele sorriu para mim e passou um braço pela parte de trás dos meus joelhos, me carregando até o andar de cima.
-June.
A voz suave de Zayn me puxava do mundo dos sonhos. Eu não queria acordar, não agora.
-Hum...
Eu murmurei com a cara no travesseiro. Zayn riu e acariciou meus cabelos que deviam estar uma zona. Ele era cuidadoso com o cabelo dele, não com o meu. Maldito.
-Embora eu adore ver você dormir, Harry e Liam vão na casa da Nathalie em meia hora.
Nathalie tem estado ausente durante todo o mês, cada vez que eu tentava falar com ela, ela digitava alguma coisa rápida e dizia que estava com Tyler. Quando eu conversei com Carolyn sobre isso, ela fez uma careta e disse que boa coisa não estava acontecendo, que Tyler não era flor que se cheire e que alguma coisa podia dar muito errado. Não pude deixar de concordar. Eu não conhecia o garoto, mas estava do lado de 78% do fandom da banda. A parte que concordava que Niall e Nathalie formavam um puta de um casal.
-Pre. Gui. Ça.
Eu me virei, fitando o teto e disse pausadamente enquanto me espreguiçava. Zayn se inclinou na minha direção e beijou meus lábios por um instante.
-Vamos preguiçosa, precisamos ir.
Eu balancei a cabeça como uma criança teimosa. Zayn beijou a ponta do meu nariz e nós dois começamos a rir.
-Vamos á premiação juntos, vamos falar pra todo mundo que estamos juntos. Quer ser minha pra sempre?
Ele perguntou, me pegando totalmente de surpresa. Eu esperava por algo assim, quando estivéssemos com cinco meses desse quase-relacionamento entre nós dois. Só fazia um mês desde que eu admiti para mim mesma que tinha alguma coisa que não me comprometia totalmente com o garoto de topete. Zayn me encarou sorrindo e, pouco á pouco, seu sorriso foi se desfazendo.
-O que foi June?
-Eu não... Eu... Porque você disse isso?
Eu parecia uma retardada. Que diabos June! Você não vai passar por isso de novo.
-Porque é a verdade.
Zayn disse com um sorriso sapeca, como se fosse óbvio. Eu suspirei.
-Zayn...
-O que foi?
Ele perguntou apreensivo. Eu fiquei em silêncio, procurando as palavras certas. Nós não eramos namorados. Nosso relacionamento se baseava em sexo. Era desejo e necessidade. Ele sabia disso. Ele tinha que saber.
-Eu te amo June.
Ele disse, sorriu depois, como se estivesse feliz em dizer isso em voz alta. Eu estava paralisada, ele se afastou um pouco e tirou meu cabelo do meu rosto.
-Você não sente isso.
Eu sussurrei. Era como um flashback acontecendo ao vivo. Como se eu estivesse atuando uma certa cena, pela segunda vez. Com os papéis invertidos.
-É claro que eu sinto!
Ele disse, eu me sentei na cama. Não podia estar acontecendo assim. Eu esclareci as coisas. Não iríamos nos apaixonar.
-Não é real.
Eu disse calmamente. Zayn se sentou também, ele parecia confuso. Eu sabia como ele se sentia.
-É claro que é real! Como você pode dizer uma coisa dessas!
Eu o fitei calmamente, pronta para explicar o que ele sentia.
-Não Zayn, não é real. Você acha que sente algo por mim, quando na verdade, não sente. É...- Eu gesticulei, na falta de palavras- é só atração.
Zayn continuou me olhando, com aquela cara descrente de criança pequena quando contam que papai noel não existe.
-Você está dizendo que...
-Eu estou dizendo que isso é só sexo Zayn. Eu deixei bem claro antes de nos envolver. Eu tenho um carinho muito grande por você, de verdade. Mas você não me ama! Não pode me amar.
Eu finalizei a conversa e Zayn permaneceu estático. Como se processasse tudo aquilo que eu acabei de dizer. Lancei-lhe um sorriso triste e juntei minhas roupas espalhadas pelo quarto. Caminhei até o banheiro do quarto de hóspedes e me troquei lá. Quando voltei, Zayn estava se trocando. Eu bati duas vezes no batente da porta, ele se virou para me olhar. Ele me olhou de uma maneira tão fria, que eu mal o reconheci.
-Eu vou indo.
-Tudo bem.
Ele respondeu seco.
-Até daqui á pouco.
Eu disse olhando para as tábuas de madeira do chão. Eu deixei o apartamento em seguida, resolvi ligar para Carolyn. Ela me ajudou uma vez, podia me ajudar uma segunda vez.
-Carol?
Fiquei aliviada quando ela atendeu ao telefone. Carolyn resmungou do outro lada da linha, ela estava dormindo.
-Eu preciso falar com você.
-O que foi? Luke está na cidade e eu não estou sabendo?
Ela brincou, ás vezes, eu ficava assustado com sue poder de dedução.
-É quase isso.
Eu resmunguei. Carolyn pareceu muito mais desperta do outro lado da linha.
-Ai meu Deus! O que aconteceu?
-Eu posso falar isso pessoalmente? Estou no meio da rua, está nevando e eu estou faminta. Chego aí em dez minutos.
-Tudo bem, venha rápido.
Ela desligou o telefone e eu me apertei em meu casaco para conter o frio. Cheguei em casa em menos de dez minutos, a porta estava aberta e o apartamento todo cheirava á molho de tomate e hortelã.
-O que andou aprontando, Stevens?
Eu coloquei a cabeça para dentro da cozinha e vi minha prima cozinhando. Ela desligou o fogão e veio me abraçar.
-Que cheiro bom!
Eu comentei enquanto ela me guiava até a sala.
-Fatos primeiro, comer depois.
Ela disse simplesmente, enquanto sentava no sofá.
-Certo.
Eu disse e me sentei também, levei meia hora para explicar tudo para Carolyn. Desde o início, sem tirar nem por.
-Puta merda.
Ela disse com os olhos levemente arregalados.
-Eu sei.
-Não June, puta merda! O garoto diz que te ama e você faz isso, você tem algum problema?
Ela disse chacoalhando meus ombros.
-Ele é Zayn fucking Malik. Qual é a porra do teu problema?
Ela continuou gritando. Eu livrei meus ombros de suas mãos, antes que ela me machucasse de verdade.
-Sendo Zayn Malik ou não, está acontecendo de novo. E você deveria me ajudar, caralho!
Eu gritei também. Era inevitável.
P.O.V.- June Stevens- Três anos atrás- Gillingham.
-Eu sei!
Eu disse animada enquanto voltava pra casa. Abby me acompanhava até em casa, já que ela era minha vizinha\melhor amiga.
-Ele me faz tão bem! É como se não houvesse mais nada, só nós dois.
Eu disse, sabia que tinha um sorriso enorme no meu rosto. Abby também sorria para mim.
-Eu quero saber de todos os detalhes, ouviu bem?
Havíamos chegado no portão da minha casa.
-Pode deixar!
Eu disse animada. Entrei em casa e fui direto tomar um banho. Luke passaria aqui em uma hora para comemorarmos o nosso aniversário de namoro. Eu passei meia hora só pensando no que deveria vestir, claro, ele ia me levar pra jantar e eu dormiria na casa dele. Mas eu não conseguia definir uma peça sequer.
-June, querida, Luke está aqui em baixo.
Ouvi minha mãe gritar. Eu escolhi um vestido que havia ganhado de aniversário, sapatilhas e o colar que ele me dera quando ainda éramos só amigos. Arrumei meu cabelo como pude e desci.
-Pronto.
Luke sorriu para mim e se despediu da minha mãe.
-Para onde vamos?
Eu perguntei depois que ele me beijou, do lado de fora de casa.
-É segredo.
Ele disse e sorriu. Luke abriu a porta do carro para mim e manteve silêncio quanto o local para onde estávamos indo. Me surpreendi ao ver que estávamos no seu apartamento e fiquei ainda mais surpresa quando ele me levou para o terraço.
-Pode abrir os olhos.
Ele disse perto do meu ouvido e retirou as mãos dos meus olhos. Havia uma mesa delicadamente decorada com velas e flores.
-Luke... Isso é incrível!
Eu disse analisando cada detalhe. Ele era um anjo. Depois do jantar, descemos para o seu apartamento e vimos algum filme, pouco antes de ele me levar para a cama. Eu me sentia maravilhada. Ele era perfeito para mim e eu nunca tive tanta certeza de mais nada na minha vida.
-Eu te amo.
Admiti timidamente, era a primeira vez que eu falava isso para alguém que não fossem meus pais. Luke riu e olhou para mim.
-Não ama nada.
Eu achei que era uma daquelas brincadeiras que casais sempre fazem.
-Amo sim. Nunca tive tanta certeza na minha vida.
Eu tinha um sorriso orgulhoso nos lábios. Luke se virou para me olhar.
-Você não pode me amar June.
Foi aí que eu comecei a ficar confusa.
-Como assim?
-June, eu não sou o cara certo pra você.
-Claro que é!
-Não, você não...
Ele foi interrompido pelo toque do telefone, como ele não atendeu, caiu na secretária eletrônica.
-Hey babe, é a Abby.
-Porque Abby está te ligando? E porque ela te chamou de babe?
Eu perguntei. Ele hesitou em me responder. A mensagem continuou rodando.
-Eu só queria saber até quando June vai ficar na sua casa, eu estou morrendo de saudades de você. É isso. Até mais, gatinho.
Luke me olhou, totalmente encurralado e arrependido. Eu sentia a umidade em meu olhos, mas não me permitiria chorar.
-O que vocês... O q-que...
A pergunta que eu não consegui terminar, ficou pendente entre nós.
-June eu sinto muito eu...
-Há quanto tempo?
Eu gritei, meu autocontrole indo pelo ralo. Luke respirou fundo.
-Há algumas semanas. Eu não pretendia... Foi só uma vez e eu sabia que era errado mas eu...
-Eu não quero ouvir. Como você pôde? Minha melhor amiga Luke? E você ainda tem coragem de dormir comigo? Depois disso?
Os olhos dele estavam marejados, mas eu não me deixaria abalar.
-Essa nunca foi minha intenção com você, eu não deveria ter deixado as coisas chegarem nesse ponto. Me desculpe, eu sinto muito.
Eu não ousei olhar para ele. Desatei o colar do meu pescoço e saí correndo dali. Eu corri para casa, eu não entendia o porquê daquilo tudo. Ele era tão bom comigo, éramos perfeitos juntos. Como eu pude nunca conhecer a pessoa que estava do meu lado. Tranquei a porta do quarto e me permiti chorar, como se lesse meus pensamentos, Carolyn ligou no meu celular.
-Oi June!
Eu funguei antes de responder.
-Oi Carol.
-O que houve? Porque você está chorando?
Ouvir isso só me fez chorar ainda mais. Levei algum tempo para me recompor e contar tudo para Carolyn.
-Pare de chorar. Ele não te merece, tá me ouvindo? Nem ele, nem aquela vadiazinha que você chamava de amiga. Eles não merecem uma lágrima sua.
-O que você quer que eu faça? Eu o amava! E confiava nela!
Eu gritei ao telefone e chorei mais um pouco.
-Me escuta, eu nunca achei que confiaria meus segredos á outra pessoa, então você tem que jurar pra mim que não vai contar pra ninguém e vai seguir tudo direitinho.
-Porque?
-Você quer esfregar na cara daquele idiota que você não precisa dele, ou quer passar todos os domingos chorando, pro resto da sua vida.
-Eu quero esfregar na cara dele.
Disse com um soluço. Carolyn suspirou.
-Prometa pra mim que vai seguir todas as regras.
-Eu prometo.
-Ótimo. Me escute bem, a gente sempre é atraído por aquele que não liga pra gente, se você usar esse conselho pra conseguir o Luke de volta, eu mesma vou aí te socar. Então você não tem que ligar pra ninguém, entendido?
-Sim.
-A regra número um, é que você tem que sempre se divertir. Pra quê entrar numa coisa que você não gosta. Você só vive uma vez, porque desperdiçar esse tempo? A segunda regra é que você não pode se apegar, até ter a plena certeza que aquele é o homem da sua vida e você pularia de um penhasco por ele.
-Entendi.
-Você não pode mais confiar no seu coração. Ele foi quebrado e você foi magoada, qualquer um que chegar com palavras bonitas vai chegar até você. Eu sei que é duro, e é uma puta de uma mudança June. Você nunca mais vai ser a mesma.
-Eu não quero mais ser aquela que foi enganada.
-Ótimo. A última regra, você tem que ser um amor de pessoa, não vai conseguir nada sendo grossa. É um mundo cruel esse em que vivemos, e seguindo as regras você estará congelando seu coração.
-Mas eu...
-Você não quer sentir isso de novo, não é June?
-Não.
-Então siga as regras. Você nunca mais sairá magoada.
P.O.V.- June Stevens
As regras de Carolyn foram tiradas de vários textos escritos por garotas que acabaram de superar o pé na bunda e uma música muito estranha de uma garota. Era loucura, mas tinha dado certo por todos esses anos. Eu nunca mais havia chorado por homem nenhum, no entanto, não era a mesma garota de antes. Eu fui um pouco além e tentei me ocultar totalmente. Pra quê eu seria a idiota que foi enganada durante todo esse tempo? Porque eu tinha que ser essa garota? Eu não precisava! Usei todas as chances que tinha pra sair daquele inferno de cidade e esquecer todo o trágico incidente com Luke e Abby. Eu estava indo muito bem, obrigada, ainda que, de vez em quando, eu me lembrava da pessoa que eu costumava ser. Foi aí que Zayn apareceu. E eu sabia que ele era diferente, por isso tentei afastá-lo. Mas Carolyn, as garotas que superaram um pé na bunda e a música estranha de uma garota estavam certas. Tendemos á ser atraídos por aqueles que nos ignoram. E foi exatamente o que aconteceu. Á cada dia era mais difícil afastá-lo, á cada dia eu começava a me apaixonar pelo garoto que eu só conhecia pela televisão. Mas eu havia mudado e nunca mais seria a mesma. Foi por isso que eu sugeri aquilo, eu não queria perdê-lo e tampouco queria tê-lo. Era confuso. Tudo agora estava confuso.
-O que você sente quando está com ele?
Carolyn me perguntou, eu estava deitada no sofá, com a cabeça em seu colo. Totalmente frustrada.
-Eu não sei. Não dá tempo de pensar. É só a gente, só o momento. Mas quando acaba eu me sinto bem, e quando demora eu sinto falta. Ele faz meu mundo girar. Caramba, que tipo de pessoa faz um mundo girar sem precisar sair do lugar? Talvez ele seja um mágico, ou talvez eu esteja apaixonada. É melhor acreditar na hipótese que ele seja um mágico.
-June, você foi longe demais com isso.
-Eu sei! Quer dizer, eu sabia que melhoras suas regras teria alguma reação.
-Você fez o quê? Não! Não estou falando disso, mas, o que você mudou nas minhas regras?
-Eu resolvi ignorar totalmente o meu passado. Não valia á pena ser aquela garota.
-June! Aquela garota era a minha prima! A garota com quem eu cresci e dividi segredos. A gente precisa aceitar o passado pra viver o presente e pensar num futuro. Não se pode apagar quem se é, ou quem se foi. O que diabos você tinha na cabeça?
-Zayn se apaixonou pela garota que sou agora.
-E a garota que você é acabou de esmagar o que ele costumava chamar de coração.
Eu fiquei em silêncio, digerindo o que ela acabara de me dizer. Num movimento distraído, olhei no relógio da parede da sala e constatei que os garotos já deviam estar na casa da Nathalie.
-Certo, eu vou pensar sobre isso. Obrigada Carolyn.
-Não há de quê.
-Ah, eu estou inda na casa da Nathalie você não...
O celular dela começou a tocar e ela estendeu o dedo para que eu me calasse. Odeio quando ela faz isso.
-Oi Jake!- O rosto todo de Carolyn se iluminou ao ouvir a voz de Jake. E pensar que esses dois se odiavam- Não, não estou fazendo nada. Skype? Tá, eu vou pegar o computador.
E ela saiu saltitando até o quarto para pegar o computador.
-Certo, vou entender isso como um não.
Eu falei comigo mesma e fui até meu quarto, me trocando rapidamente e pegando um táxi até a casa de Nathalie. Quando eu cheguei, os garotos tentavam discutir com o porteiro, que os impedia de subir no apartamento da Nathalie.
-Oi Andy!
Eu disse com um sorriso simpático, que ele me devolveu, interrompendo a discussão com os garotos.
-Olá senhorita Stevens.
-O que está acontecendo?
-A senhorita Simmons não está em casa, mas estes cavalheiros insistem em subir no apartamento dela.
-Ah, Andy, eles estão comigo. Nathalie pediu que a esperássemos lá dentro.
-A senhorita tem a chave?
-Claro.
-Nesse caso, podem subir.
Ele sorriu e eu agradeci. Os garotos permaneceram estáticos.
-Vocês não vem?
Eu perguntei, caminhando até o elevador.
-Porque você tem a chave do apartamento da Nathalie?
Liam perguntou enquanto subíamos até o apartamento.
-Eu não tenho, mas sei onde ela esconde a dela.
Eu dei de ombros. Estendi a mão para alcançar a parte de cima da porta e encontrei sem mais dificuldades, a pequena chave prateada que abriria a porta da frente.
-Voilá.
Eu disse assim que abri a porta.
-Ela disse que chegava que horas?
Louis perguntou se sentando no sofá.
-Três, eu acho.
Harry respondeu, sentando do lado do amigo. Já que estava todo mundo sentado, eu sentei também. Enquanto assistíamos tv e acabávamos com o estoque de porcarias de Nathalie,o interfone tocou.
-Eu atendo.
Me levantei rapidamente e corri para atender.
-Olá Andy.
-Olá senhorita Stevens. Duas garotas estão aqui em baixo, Eleanor e Annabelle, elas podem subir?
-É claro Andy, peça que elas subam, por favor.
-Pode deixar.
-Até mais Andy.
Eu desliguei o telefone e esperei que as duas chegassem.
-Oi June!
Elas disseram juntas e me abraçaram.
-Podem entrar, a Nathalie ainda não chegou mas tá todo mundo aqui.
Eu tranquei a porta e olhei para a sala enquanto elas cumprimentavam os meninos e se sentavam. Meus olhos se demoraram no garoto de topete que estava sentado na poltrona com um olhar distraído, totalmente distante. Eu suspirei. E caminhei de volta para o meu lugar.
-June, posso falar com você rapidinho?
Liam estava de pé ao meu lado.
-Claro.
Ele andou até o segundo andar do apartamento e se sentou no final do corredor.
-O que você queria falar comigo?
Eu perguntei, me sentando ao seu lado.
-O que aconteceu entre você e o Zayn.
Dava pra ser menos direto, por favor? Eu engoli em seco antes de responder.
-Eu... Ele... A gente brigou.
Eu consegui dizer por fim. Liam permaneceu em silêncio, analisando a situação.
-Eu tenho certeza que vocês vão superar o que quer que seja.
-Obrigada Liam.
Eu disse com a garganta sufocada. Porra, eu não quero chorar de novo.
Ele me abraçou de lado e me ajudou a levantar. Nós dois descemos bem á tempo de ver Nathalie entrando no apartamento.
-O que diabos vocês fazem aqui?
-Queríamos ter certeza que você não estava mentindo pra gente.
Louis deu de ombros.
-Eu não acredito que pensam isso de mim.
-Onde foi, toda arrumada assim?
Eu perguntei abraçando-a.
-Almoçar com Kyle e a família dele.
-E como foi?
-Quase normal, eles ficaram assustados comigo. Eu acho.
-Claro, do jeito que você é, qualquer um fica assustado.
-Muito obrigada, Styles.
Annie bateu nele por Nathalie.
-Ah, Louis, tenho uma coisa pra você.
Ela pegou um evelope decorado com um zilhão de adesivos e entregou á ele.
-Quem é Chloe?
Ele perguntou abrindo o envelope.
-Minha meia-irmã.
Eu me apoiei no ombro de Louis para ver a carta.
"Oi, eu sou Chloe, tenho onze anos e sou (provavelmente) sua fã número um. É estranho escrever essa carta sem saber se vocês um dia chegarão a ver o que eu escrevi. Pois bem, eu queria agradecer á vocês, só por entrarem no The X-factor, porque, se não fosse por isso, nós nunca conheceríamos os garotos maravilhosos que vocês são. Eu nunca gritei tanto assistindo televisão, quanto na final do programa. Eu queria tanto que vocês ganhassem! Ainda bem que Simon tinha um plano, e ainda bem que ele estava certo ao juntar vocês cinco. Obrigada Liam, por me ensinar que também é preciso ser responsável. PS- Eu nunca gostei muito de colheres também. Obrigada Harry, por me dizer que idade é apenas um número, e por ter terminado com a Caroline Flack, eu não gostava muito dela. Obrigada Zayn, por ser esse garoto que você é, tenho certeza que por trás de todo esse mistério e pose de BadBoy de Bradford, há um coração imenso, capaz de amar incondicionalmente. Obrigada Niall, por me fazer rir com a sua risada, por não me fazer achar estranha, já que eu como um pouco mais que minhas amigas. Por último, e não menos importante, Obrigada BooBear, por ser o mais engraçado, escandaloso, bonito e amável garoto que eu já vi. Você é incrível, talvez por isso seja o meu favorito. Eu amo vocês demais. Eu não sei se um dia vocês chegarão a ler isso, mas eu gostaria que soubessem que eu me orgulho muito de ser fã de vocês. Vocês me ensinaram a sonhar, obrigada." -Cara, sua irmã é muito fofa!
Harry disse enquanto ia lendo.
-Meia-irmã.
Nathalie resmungou.
-Olha só isso! " Eu não sei se um dia vocês chegarão a ler isso, mas eu gostaria que soubessem que eu me orgulho muito de ser fã de vocês. Vocês me ensinaram a sonhar, obrigada." Eu acho que ela deve ser a irmã mais meiga do mundo! Posso apertar?
Louis disse ao terminar de ler a carta, acompanhado de um coro de "Anw!"
-Meia-irmã. E acho que pode, você é o favorito dela.
Nathalie se sentou na poltrona e nos encarou.
-E aí, que notícias maravilhosas vocês vieram me trazer?
-Vamos numa premiação amanhã, conseguimos um lugar pra você na nossa mesa.
-Isso é muito gentil da parte de vocês.
-E você pode ir no tapete vermelho com a gente. Annie disse que não vai, é muita pressão.
Ela encolheu os ombros quando Harry disse isso.
-Muito obrigada garotos, mas eu já recebi um convite para o tapete vermelho.
Liam e Zayn ergueram as sobrancelhas.
-Você está vendo isso Harold? Ela está trocando a gente.
Louis. Sempre dramático.
-Quem te chamou?
Eu perguntei, calando Louis.
-Tyler Daniels.
Eu e Annie ficamos boquiabertas.
-Espera aí, Tyler Daniels? Do Arsenal?
-Ele mesmo.
-Desde quando você o conhece?
Annie perguntou.
-Estudamos juntos. Ele me convidou tem uma semana.
-Eu não acredito nisso.
-É verdade!
-Tá. Troque a boyband pelo jogador famoso. Nós não ligamos.
Liam cruzou os braços, ela fui abraçá-lo.
-Eu ainda posso sentar com vocês. Vocês sabem.
-Eu deveria ficar bravo, mas não estou.
Liam a abraçou de volta. Eu sorri.
-Tá, qual o plano para hoje?
-Pizza na minha casa? A gente pode alugar uns filmes.
Harry sugeriu e fomos direto para a sua casa, eu não esquecia o que Chloe havia dito para Zayn " tenho certeza que por trás de todo esse mistério e pose de BadBoy de Bradford, há um coração imenso, capaz de amar incondicionalmente" Talvez eu tenha ido longe demais com esse lance de não me apegar. Eu precisava voltar atrás.
-Ei June, já que seu namorado está estressadinho e eu estou sem par, não quer vir comigo na premiação?
Harry disse quando Nathalie foi embora. Eu olhei para Harry e depois para Zayn que me fitava com curiosidade.
-Eu... Hum... Sei lá.
-Por favor!
Ele fez carinha de "cupcake". Zayn desviou os olhos. Certo, se ele iria ser teimoso, eu também iria.
-Tá, pode ser.
Harry me abraçou e agradeceu. Eu voltei para minha casa quando a maioria dos garotos dormia na sala.
Pela manhã, Carolyn me ajudou com o cabelo e a maquiagem, já que eu havia comprado um vestido pouco tempo atrás.
-Eu queria ver a reação das pessoas quando te vissem assim.
Carolyn me rodeou quando acabou de me arrumar.
-Vai ser transmitido pela televisão, você vai poder ver.
-Eu vou gravar e mostrar pra tia May.
-Ela vai te agradecer por isso, e eu vou ter morrido socialmente.
Eu disse me olhando no espelho. Carolyn saiu correndo para atender o interfone.
-Harry está aqui.
Ela voltou com um sorriso gigante no rosto. Eu suspirei e peguei minha bolsa, mandei um beijinho para Carolyn antes de sair. Harry estava encostado no balcão da portaria, tamborilando os dedos na superfície de madeira enquanto me esperava.
-Wow. Zayn ficaria com muita inveja.
Ele deu um sorriso esquisito e grudou seu braço com o meu.
- Quem deu o nó na sua gravata?
Eu perguntei enquanto andávamos até o carro.
-Annie, ela me ajudou a me arrumar.
-Eu sabia, você não tem capacidade de dar um nó de gravata tão bonitinho assim.
Eu o provoquei.
-Certo, senhorita Stevens. Continue fazendo isso.
Ele dirigiu e conversamos durando o caminho inteiro, era bom saber que eu podia contar com os garotos.
-Chegamos.
Ele anunciou ao estacionar o carro, estava me fitando atenciosamente. Eu sorri.
-O que foi?
-Não vai respirar fundo, contar até dez ou coisa assim?
-Não. Porque eu faria isso?
-Sei lá, é uma premiação, vai ser transmitida mundialmente, você está do meu lado...
-Você acha mesmo que tem essa bola toda, garoto?
Ele sorriu e saiu do carro para abrir a porta para mim.
-Obrigada.
Eu agradeci e entramos na área externa da premiação, aquela parte chata onde milhares de câmeras e repórteres entrevistavam os convidados. Assim que pisamos no tapete vermelho, fomos bombardeados com milhares de perguntas e flashes que vinham de todas as direções. Harry atendeu ao pedido de uma repórter insistente e caminhou até ela.
-Olá.
Ele disse e sorriu para a câmera.
-Harry Styles, não é surpresa te ver acompanhado de uma linda garota, qual seu nome docinho?
Eu quase vomitei quando ela se virou para mim. Credo. Não tinha outro jeito para me chamar? Eu olhei para Harry e balancei a cabeça negativamente, se Nathalie que é a pessoa mais adorável que eu conheço, tinha haters no fandom, imagina eu, que não sou nada delicada. Por sorte, Harry entendeu meu recado e sorriu educadamente para a repórter.
-Bem, a minha amiga de não dar entrevistas, se possível.
Harry continuou dando a entrevista e a repórter insistiu mais duas vezes em saber o meu nome. Eu sorri e neguei com a cabeça. Quando finalmente entramos, Harry me apresentou para um grupo reservados de amigos, que incluíam Nick Grimshaw, Rita Ora, Cara Delavigne e Pixie Geldof. Sério, eu precisava sair com o Harry mais vezes.
-Me diga June, o que faz uma garota como você, sair com um idiota como ele?
Grimmy estendeu a taça de champanhe em minha direção quando se virou para mim.
-Eu estou fazendo um favor para ele. Somos amigos.
Nick sorriu e encarou Harry que estava distraído com as duas garotas.
-De onde vocês se conhecem?
-Você já ouviu falar na Nathalie Simmons, certo?
Ele confirmou com a cabeça.
-Ela é minha amiga, eu estava com ela quando esbarramos no garotos numa rua por aí. A gente estava indo pra mesma rádio.
Ele pensou por um minuto.
-June Setevens!- Eu me assustei quando ele gritou meu nome de repente- Claro, você foi a garota que ganhou a promoção da La Belle.
-Você estava lá?
-Estava sim,-Ele deu de ombros- mas Harry estava distraído demais pegando todas as garotas da festa!
Ele gritou para Harry que fez uma cara confusa e revirou os olhos para o amigo. Nick Grimshaw era uma figura. Os garotos foram chegando e Zayn continuava me evitando.
Coloquem pra tocar- (http://www.youtube.com/watch?v=ezz-nazThiM)
Chegava a doer. Um pouco antes de entrarmos para o salão, depois que Nathalie apareceu com Tyler, eu fiquei para trás e chamei Zayn antes que ele atravessasse o salão.
-Zayn...
Ele se virou para me encarar, não se moveu um centímetro.
-Eu queria falar com você.
Eu continuei, engolindo todo o orgulho e voltando a ser, mesmo que por um momento, a June que eu era em Gillingham. Zayn sustentou meu olhar pela primeira vez no dia, esperando que eu continuasse, mas antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, Harry apareceu de lugar nenhum, me puxando pelo braço.
-Vem June, todo mundo já está sentado.
Ele me puxou pelo braço e eu não pude dizer nada.
Pelo resto da noite, Zayn continuou me fitando discretamente, como se perguntasse o que eu iria dizer. Seus olhos demonstravam a mesma intensidade de curiosidade e desapontamento. Eu havia quebrado seu coração, como fizeram comigo. Eu havia o magoado como fizeram comigo. E agora estávamos assim porque eu não pude superar isso. O tempo passou rápido, Harry já estava conversando comigo no carro, eu concordava com a cabeça, mas não fazia ideia do que ele estava falando. E eu estava vivendo uma mistura de passado e presente, enquanto as cenas se repetiam na minha cabeça.
These feelings won't go away. No que eu havia me tornado? Eu mal podia me reconhecer. Harry me deixou em casa quando os primeiros flocos de neve começaram a cair. Eu me permiti ficar do lado de fora, o frio conseguia ser menos angustiante que essas coisas na minha cabeça. As regras me impediam de sair machucada, mas não havia garantia nenhuma que todos os outros também saíam ilesos. Eu comecei a pensar em todas as pessoas que eu machuquei, inclusive eu mesma. Eu não me reconhecia mais. O cabelo curto, o sotaque que quase não aparecia. Time will take them away. De todas as noites que eu passei sozinha em Londres, aquela era a que eu me sentia mais solitária. Eu entrei quando o frio se tornou insuportável, e por mais que eu tentasse, não conseguia dormir. Eu tomei uma xícara de chá e passei por todos os canais da televisão. Nada adiantava. Os olhos dele estavam fixos na minha mente, o modo como ele me olhara. Doía demais. Eu sentia o que ele sentia. Ele nunca me perdoaria, porque, eu nunca perdoei Luke. Todas as vezes que eu saía de um relacionamento... Porque só dessa vez eu estou me sentindo assim? Eu não estou preparada pra isso. Ninguém nunca me avisou sobre isso. Porque dói assim? Porque é diferente agora?
These feelings won't go away. Por mais que eu esteja negando, há algo em mim que está dizendo e eu não posso me permitir aceitar. Eu não posso amar. Eu ainda não estou pronta. Porque seria diferente com ele? Quem me garante que Zayn é diferente de Luke, ou de qualquer outro garoto. Bati na porta do quarto de Carolyn, eram três e meia da manhã. Ela se levantou e me perguntou o que houve, eu já estava chorando antes mesmo que ela terminasse. Carolyn conseguiu me acalmar e começou a conversar qualquer coisa comigo. Eu perguntei á ela porque dessa vez era diferente. Carolyn me disse que as regras não me impediriam de me apaixonar. E havia acontecido. Ela riu e buscou o notebook. Eu fiquei curiosa e ela me mandou calar a boca e escutar. She's not afraid do One Direction estava em todo o quarto. Eu chorei outra vez quando percebi porque Carolyn havia me mostrado a música.
How come she's so afraid of falling in love? Como ela pode ter tanto medo de se apaixonar? Como ela pôde? A voz dele invadia a minha cabeça. Eu tinha que fazer alguma coisa, eu era fraca demais e a dor era forte demais. Eu havia aprendido a ignorar tudo isso, mas Zayn deixou meu mundo de cabeça pra baixo. Ele havia me dado rasões para mudar. Zayn era o tipo de garoto, pelo qual valia á pena se apaixonar. E eu sabia disso agora. E podia ser tarde demais, mas ninguém me impediu de colocar um tênis e correr na neve até o apartamento dele.
Assinar:
Comentários (Atom)