sábado, 29 de setembro de 2012

Capítulo 6


Capítulo 6 –P.O.V. Autor, 10 anos atrás.
Annie esperava na porta da escola, seus pais a levariam para comer na sua lanchonete preferida e depois eles iriam viajar para o interior ficar na casa de campo. Suas amigas ficaram com ela por uma hora,duas, três horas e meia. Seus pais não chegavam. A diretora da escola secundária Bayvillle chamou-a para dentro,  Annie não entendeu porque a senhora Heffer estava com os olhos vermelhos e o olhar assustado. Ela se sentou na secretaria e adormeceu por algumas horas. Porque seus pais não chegavam? Ela pensou que eles estivessem presos no trânsito. Com os olhos cansados ela viu sua avó falar com a diretora Heffer, depois puxou a menina ruiva de nove anos para o carro levando-a para sua casa. Annie observou a avó servir um chá com biscoito para ela, a avó deu um longo suspiro e contou.
-Annie... Seus pais estão no hospital.
Primeiro ela achou que fosse por causa da tia Jillian que estava doente, mas a avó disse que eles haviam sofrido um acidente de carro indo para a escola. A menina subiu correndo para o quarto que tinha na casa da avó e chorou se lembrando de ter implorado para que os pais a buscassem na escola. A menina se culpou pela morte dos pais por quase seis anos. Tornou-se fria e distante com as outras pessoas cresceu sem o abraço do pai, os beijos da mãe, presentes nas datas especiais. Morou com a avó todos esses anos, trabalhou na livraria para pagar a faculdade de jornalismo está vendo um apartamento perto para mudar-se e deixar a avó. Josette não gosta da ideia de ter a neta longe, sabe que apesar de dez anos a menina continua instável. Annie já está aceitando a falta dos pais não culpa Nathalie por ter tirado a maldita foto que a fez chorar na exposição, também não a culpa por dar uma festa no mesmo dia que seus pais morreram. Annie até está feliz, conheceu um menino hoje na livraria, conseguiu se comunicar com ele mesmo atrás de sua barreira emocional, ela gostou daqueles cachos bagunçados que eram o cabelo do menino de olhos verdes. Sem que Nathalie e Josette vissem, ela trocou números de celular com Harry, havia mesmo gostado daquele menino.
P.O.V.- Nathalie Simmons.
-Hoje faz exatamente dez anos que meus pais morreram num acidente de carro.
Nathalie deu um passo para trás, imaginava que a frieza da garota era alguma faze.
-Eu... Sinto muito.
Annie enxugou as lágrimas e se recompôs.
-Obrigada, já estou melhor.
Me senti na obrigação de contar que entendia de verdade o que a menina estava sentindo.
-Se te ajuda- Ela observou Annie para ver se ajudaria mesmo em alguma coisa- Meu pai me largou junto com a minha mãe quando eu tinha cinco anos. Depois disso minha mãe me culpava todos os dias, me tratava como se eu fosse um lembrete de que meu pai um dia existiu.
Annie a observou atentamente.
-Isso é diferente.
-Sim ,é diferente. Mas minha mãe não me ligou nem uma única vez desde que me mudei para Londres, não me lembro do rosto dos meus pais e cheguei a acreditar que nenhum dos dois me amava, depois que meu pai nos largou minha mãe tornou-se fria e distante como você. Nunca me deu um beijo de boa noite, leu uma história para mim ou me ajudou quando eu caía de bicicleta, você ainda tem a sua avó, sei que não é a mesma coisa, mas já é algo.
Annie pareceu surpresa, eu me assustei quando ela me abraçou. Me abraçou forte e deixou apenas algumas lágrimas caírem , comecei a dar tapinhas nas suas costas para acalmá-la.
-Pessoal!
Ouvi Carolyn chamar, provavelmente iria fazer um brinde. Ajudei Annie a secar as lágrimas e entramos no apartamento.
-Ei!
Ela deu um berro para cessar as conversas.
-Como todos sabem, estamos aqui para dar os parabéns pelo novo emprego da Nath.
Nesse momento, Jake me puxou pelo braço.
-O que vocês não sabem- Ela me deu uma taça com champanhe- É que a nossa amiga aqui, vai trabalhar na revista People!
Eles aplaudiram, eu sorri sem graça.
-Então, vamos fazer um brinde ao sucesso da Nath!
Ela ergueu a taça, e todos fizeram o mesmo.
-Á Nath!
E bebemos o chamapanhe. Depois de duas horas os convidados foram embora, Annie deixou o apartamento com um sorriso, dessa vez verdadeiro, eu pensei.
-Cara, agora que você é rica, vamos contratar uma empregada para arrumar essa bagunça.
Carolyn se jogou no sofá largando o salto no piso de madeira.
-Eu estou tão cansada.
June sentou no sofá colocando as pernas da prima no seu colo.
-Nath, eu até arrumaria a casa, mas tenho que terminar de analisar um caso para o escritório...
-Tá Jake, eu arrumo sozinha.
Os três sorriram e permaneceram sentados enquanto eu colocava os sapatos no meu quarto. Prendi o cabelo num coque frouxo e coloquei meu pijama. Saí do quarto recolhendo os vários copos espalhados pela casa. Coloquei tudo na lava-louça junto com as travessas onde os salgadinhos estavam. Depois de arrumar tudo fui para a sala, Carolyn e June foram para o quarto de Carolyn. Jake estava na mesa da sala revendo o caso que tinha que entregar para o escritório. Me larguei no sofá e liguei a tv, estava num canal de entrevistas. Assisti sem interesse, a apresentadora estava falando sobre uma banda britânica. Lembro-me ter tê-los visto no X-Factor, a apresentadora falava algo sobre um cd a ser lançado e uma turnê mundial. Uau, o que um concurso não faz! Eu pensei enquanto assistia, ela mostrou a foto dos meninos da banda, One direction era o nome. Tinha um moreno com topete, lembro-me de ter brigado com Carolyn dizendo que o moreno era meu e essas coisas, sorri com a lembrança. Mostrou um outro menino com cabelos castanhos e um sorriso lindo, lembrei de ter nomeado-o de “voz sexy”, um moreno de olhos azuis e cabelo para o lado. Carolyn o chamou de BooBeer, como as fãs o chamavam. Mostrou um loiro de olhos azuis, o menino que me fez desistir do moreno de topete. Por último mostrou um menino com cabelos cacheados e olhos verdes. Me levantei do sofá num pulo, lembrando que era o menino da livraria.
-Ai meu deus!
Jake levantou os olhos dos papéis e me olhou como se eu fosse doida. Arrastei-o da cadeira a tempo de mostrar a foto do menino.
-Esse daí apareceu hoje de manhã lá na livraria!
Ele deu de ombros e falou.
-Nossa, parabéns.
-Sem graça.
Mostrei a língua e ele voltou a analisar os papéis. A apresentadora disse que eles tinham mais três semanas aqui em Londres antes da turnê. Assisti algumas séries americanas antes de desligar a tv e ir dormir. Achei aquilo tudo muita coincidência, ter acompanhado a carreira dos meninos e ter visto o de cabelos cacheados hoje de manhã. Adormeci pouco depois de deitar e acordei com o meu celular tocando.
-Alô?
Eu disse com voz de sono e levantando-me com dificuldade, já que estava debaixo de três cobertas.
-Nathalie, aqui é o John.
-John?
-John Castle, da People.
Cocei os olhos e me levantei da cama indo em direção á minha escrivaninha.
-Sim, alguma coisa para mim?
-Seu primeiro trabalho, passa aqui daqui á meia hora para eu te dar as instruções ok?
-Tudo bem.
Desliguei o celular e fui tomar banho. Coloquei uma blusa de mangas compridas, uma calça jeans, all-star branco e um cachecol cinza. Era uma manhã nublada como tantas outras em Londres.
Saí do apartamento sem ver June e Carolyn, Jake dormia no sofá. Peguei um táxi e cheguei pouco tempo depois ao grande prédio da revista People, a recepcionista, que descobri se chamar Sara, me cumprimentou com um sorriso e sinalizou com um aceno de cabeça que eu poderia subir. Ainda não me acostumei á apertar o número 25 do elevador, a secretária apontou para a porta dupla de vidro onde eu podia ver John fumando seu charuto.
-Bom dia!
Ele disse alegra quando entrei em sua sala.
-Bom dia, o que tem para mim?
Ele fez sinal para que eu sentasse.
-Você já deve saber da nova banda sensação de Londres não é?
-Aqueles que apareceram no X-Factor?
Ele concordou com a cabeça.
-Eles estão em Londres esse mês, queremos 10 fotos para fazer um pequeno álbum.
Eu permaneci sentada enquanto ele escrevia o endereço num papel.
-Aqui está, não se esqueça do prazo de três dias para entregar as fotos.
Eu me levantei e percebi que tinha deixado a câmera em casa, seria difícil me acostumar á leva-la para todo lugar. Peguei um táxi e vi que o endereço era perto da minha casa, bom, perto se você tiver dinheiro para pagar um táxi. Subi rapidamente e saí correndo pelo apartamento para buscar minha câmera.
-O que houve?
Carolyn perguntou, ela e June estavam tomando café na mesa da sala.
-Esqueci a câmera!
Eu disse enquanto checava se ela tinha bateria suficiente. Elas riram quando passei voando por elas, ouvi algo como, “Que tipo de fotógrafa esquece a câmera?”. Desci e peguei outro táxi, fiz uma nota mental para comprar um carro assim que possível.
Cheguei ao endereço, o porteiro me recebeu e interfonou para o loft. Décimo quinto andar, apartamento 151. O elevador tocava aquelas músicas irritantes, chequei o visual e a câmera, esperava não aparentar tão nervosa quanto eu realmente estava. Apertei a campaínha e ouvi várias risadas masculinas. Um homem atendeu a porta.
-Você é a fotógrafa né?
Balancei a cabeça concordando.
-Por favor, entre e não se assuste com os meninos, eles são assim mesmo.
Ele sorriu e me deu passagem, entrei no apartamento, era grande, exageradamente grande. Bem decorado, espaçoso e com um ar divertido vindo dos meninos que estavam sentados no sofá da sala de tv.
-Olá!
Os cinco disseram juntos e riram por causa disso. Um por um foram se levantando e me cumprimentando com um aperto de mão, dizendo seus nomes. O moreno de voz sexy se chamava Liam, o de topete se chamava Zayn, o loirinho que me fez desistir de Zayn se chamava Niall, havia também o BooBear de Carolyn, Louis. Quando o de cabelos cacheados veio me cumprimentar, falou.
-Achei que trabalhasse numa livraria, prazer, sou Harry.
E sorriu.
-Era só pra pagar a faculdade.
Eu respondi baixo porque estava com vergonha. Vergonha de quê Nathalie, você está trabalhando. Eu pensei. Eles ficaram em silêncio me observando até que eu finalmente falei.
-Ahn, eu preciso de quinze fotos de vocês para a revista.
-Como quer que a gente fique?
O de topete, Zayn, falou. Tive que buscar o meu tom profissional debaixo de toda a vergonha que eu sentia.
-Bom, como é um álbum informal, quinze fotos de vocês fazendo o que fazem no dia a dia seria legal.
-Por onde começamos?
O moreno de voz sexy perguntou.
-Bom, depois de acordar, fazer tudo o que tem que fazer e tomar café. O que vocês fazem?
Eles ficaram pensativos por um instante, o de cabelos cacheados respondeu primeiro.
- Eu vejo televisão, quando não acordo atrasado para ir para o estúdio.
Os outros quatro concordaram. Fiz eles sentarem de novo no sofá, mas a foto ficou superficial demais. Parecia que eu estava os amarrando no sofá e os forçando a sorrir.
-Isso não vai dar certo.
Eu pronunciei enquanto olhava a foto.
-O que foi?
Liam chegou por trás de mim tentando ver a foto.
-Está... Muito superficial, parece que eu os amarrei aí.
Eles riram.
-Talvez, se estivéssemos lá fora, seria mais fácil.
Havia um parque ali perto, não custaria nada ir até lá.
-Boa ideia.
Eles olharam para o homem que abriu a porta.
-Paul, que tal irmos ao parque?
Ele deu de ombros e pegou um molho de chaves. Os meninos foram saindo do apartamento, Liam colocou as duas mãos nos meus ombros e praticamente me empurrou para fora de lá. Os sete couberam no elevador, saímos na garagem onde Paul iria dirigir uma van preta.
-Uau.
Eu disse olhando os carros na garagem. Mercedes, Mini Cooper, Audi, BMW e no cantinho um new Bentley Continental GTC. O meu carro dos sonhos. Liam seguiu meu olhar e riu ao ver que eu quase babava pelo carro.
-Esse é o carro do Zayn, o Mini Cooper é do Louis, o Audi do Harry a Mercedes é minha e o BMW do Niall. Não dirigimos muito, só gostamos dos carros.
Eu o olhei indignada.
-Como não dirigir cinco maravilhas dessas?
Ele riu e entramos na van. Paul dirigindo e os seis atrás. O interior era escuro, e os vidros eram totalmente pretos.
-Então- Harry me olhou- você não disse o seu nome pra gente.
E sorriu.
-Ah sim, me chamo Nathalie. Nathalie Simmons.
Acho que vi os olhos de Niall se arregalarem mas deixei para lá. Harry continuou conversando comigo até que Paul parou a van.
-Chegamos.
Ele disse e os meninos abriram a porta. Zayn ofereceu a mão para me ajudar a descer, eu aceitei e sorri sem graça.
-Bom, estamos aqui fora.
Louis observava o parque. Não estávamos em nenhum que eu conhecia, e este estava totalmente vazio.
-Onde estamos?
Perguntei para Paul.
-Na parte Sul, se eu fosse em algum lugar perto você não conseguiria tirar as fotos. Muitas fãns sabe como é.
Ele deu de ombros e eu voltei a olhar, não estávamos aqui nem a cinco minutos e os meninos estavam correndo. Tirei algumas fotos deles apostando corrida, Louis subindo em uma árvore, Zayn jogando pedras no lago com Harry, Liam e Niall estavam rindo de quando Louis tentou pular de um galho da árvore e acabou não dando certo.
-Meninos!
Eu gritei e eles correram até mim.
-O que foi?
Harry perguntou.
-Tenho quatorze fotos, o que acham de uma dos cinco juntos?
Eles sorriam a concordaram. Se reuniram ficando ombro a ombro, mas passaram os braços entre si e começaram a rir por alguma besteira, tirei a foto bem nessa hora. Olhei e ri também, os cinco eram o grupo mais estranho e divertido que já havia conhecido.
-Pronto, terminei.
Eles quiseram ver as fotos e eu mostrei, Paul nos levou de volta para o loft.
-Então, quando saem as fotos?
Zayn perguntou quando saímos na garagem.
-Depende de quando ficarem prontas, acho que na edição de quarta-feira mais ou menos. Eles vão editar qualquer coisa, é um lance muito complicado.
Ele sorriu e eu dei uma última olhada no “meu” carro, que na verdade era de Zayn. Ele me pegou olhando e riu.
-Gosta?
-Gosto, amo, sonho... Qualquer uma dessas palavras servem.
Nós dois rimos.
-Quando vi pela primeira vez eu tive que comprar.
Estávamos andando na direção do elevador.
-Bom, se eu tivesse dinheiro seria a primeira coisa a comprar, eu sonho com esse carro desde que fiz dezesseis anos.
-Você não é daqui, não é mesmo?
Eu sorri.
-Americana, mas sempre quis morar em Londres, estou aqui faz dois anos.
-Hum, então não conhece Londres do jeito que deveria. Quem sabe eu te mostro a cidade no meu carro.
Eu ri, ele estava me cantando ou era impressão minha? Calma Nathalie, talvez ele esteja sendo simpático. Eu pensei comigo mesma. Me despedi dos meninos com um aceno de mão enquanto saía do elevador. Olhei no visor do celular, três e quarenta e cinco. Eu estava faminta. Resolvi pegar um táxi e ir para casa, comeria alguma coisa lá. Cheguei pouco tempo depois, subi e me deparei com o apartamento vazio. Carolyn deveria ter saído para mostrar a cidade para a prima que é de Gillingham, Jake poderia estar no escritório. Quando isso acontecia eles geralmente chegavam tarde. Resolvi fazer alguma coisa para mim, raramente cozinhava e as coisas tendiam a não dar muito certo. Resolvi fazer um macarrão instantâneo, que tinha pouquíssimas chances de sair errado. Comi vendo Os Simpsons na televisão. Depois liguei meu computador para enviar um e-mail á Castle dizendo que iria mandar as fotos para revelar ainda esta noite. Enrolei um pouco ouvindo algumas músicas e depois saí de casa com a câmera. Peguei um táxi até uma loja de câmeras fotográficas no outro quarteirão. Já estava escuro de modo que eu não queria andar com a câmera na rua. O vendedor era meio que meu amigo, passava ali todos os dias para babar pelas câmeras, Jake disse que ele indicou a minha câmera.
-Boa noite!
Ele me cumprimentou e eu lhe lancei um sorriso. Ele era alto, moreno e tinhas olhos escuros. Nada de muito especial ou característico.
-Gale, você não vai acreditar! Consegui o emprego na People e trouxe as minhas primeiras fotos profissionais para você revelar!
Ele sorriu.
-Isso me faz especial não é?
-Um pouco.
Eu sorri e lhe entreguei a câmera, ele salvou as fotos no computador e me devolveu. Disse que me enviaria um e-mail quando as fotos ficassem prontas. Resolvi passar no Starbucks que tinha ali perto, eu estava com muita vontade de tomar um frapuccino. Entrei e peguei a fila, fiz meu pedido que foi entregue logo em seguida mas quando fui me virar esbarrei em alguém.

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