P.O.V- Nathalie Simmons
O estúdio não ficava longe dali, fui seguindo o carro de Tom por todo o percurso. Era um estúdio comum e Tom cumprimentava cada uma das pessoas que passavam por nós.
-Seguinte, temos três salas decoradas, uma sala em branco e quatro bandas pra gravar. Eles já vão aparecer vestidos a gente só precisa tirar as fotos e encaminhar para a próxima sala.
-Parece fácil.
-E é, mas também é cansativo e por isso eu preciso da sua ajuda.
Ele me entregou uma câmera novinha e sorriu para mim.
-Vamos lá, sessenta fotos. Você fica com a sala dois.
Ele me empurrou de leve na direção da porta com um sorriso encorajador. Eu não estava nervosa, acho que já passei dessa fase. Eu confiava no meu trabalho e estava segura do que poderia fazer. Na sala número dois, haviam cinco pessoas da produção. Duas da iluminação, uma que cuidava para que tudo ficasse no devido lugar e duas garotas que cuidavam do cabelo e da maquiagem. Eu cumprimentei eles e a cenarista veio falar comigo.
-Você deve ser a fotógrafa de quem Tom andou falando. É um prazer conhecê-la, meu nome é Heather.
Eu estendi minha mão para apertar a dela.
-Nathalie Simmons.
Respondi com um sorriso.
-Bom, Nathalie, não sei se você sabe como funciona, mas eles vão chegar aqui e você pode fazer o que quiser, basicamente. É como massinha. O que você precisar a gente arruma. Só temos que ter cuidado com o tempo, meia hora pra cada banda.
-Entendi. Parece fácil. Eu posso usar tudo o que tem aqui?
-E o que não tiver, se você tiver alguma ideia, pode falar e eu peço para trazerem.
Eu dei uma olhada na sala, havia um fundo vermelho na parede á minha frente, uma grande árvore de Natal e presentes espelhados em volta dela. Uma parede branca á minha esquerda tinha um boneco de neve de isopor e na outra parede havia o grande logo do Text Santa em letras garrafais em verde e vermelho. É, eu conseguiria trabalhar com isso.
-A gente tem neve?
Eu perguntei á Heather quando cheguei mais perto da parede branca.
-Sim, e aqueles aparelhos ali são pra fingir que está caindo.
Ela apontou para duas máquinas acima de nossas cabeças.
-Acho que temos tudo então, podem trazer a primeira banda.
Eu não me surpreendi ao ver as garotas do Little Mix vestidas de ajudantes de Papai Noel, elas entraram animadas e sorriram para mim. Eu pedi que elas se posicionassem no logo do Text Santa e sorrissem para câmera, foi tudo muito natural, um cenário depois do outro, poses e mais poses. Foi a mesma coisa com o The Wanted. Eu nunca tinha os visto de perto e os garotos foram ainda mais naturais posando para as fotos. Era fácil como respirar.
-Como estamos?
Eu perguntei para Heather enquanto prendia o cabelo num coque. O aquecedor estava ligado e eu estava com calor de tanto andar pra lá e pra cá tirando fotos.
-Você é rápida, terminamo antes de meia hora. Vou pedir pra trazerem os meninos do McFly.
Ela saiu a passos rápidos da sala enquanto eu tentava conter a ansiedade dentro de mim. Eu iria vê-los de perto, todos eles, cada um deles. Esse trabalho era mais vantajoso do que eu jamais pude imaginar. Eu não pude evitar segurar o fôlego quando eles entraram na sala. Todos vestidos em roupas natalinas e sorrindo. Meus olhos foram de Tom para Danny, Dougie e enfim, Harry.
-O Tom não vem hoje?
-Do que você está falando, Danny, o Tom está bem aqui.
Dougie apontou para o colega de banda que revirou os olhos.
-Não este Tom. O Leishman.
Danny respondeu e sorriu para mim.
-Você vai fotografar a gente?
-É o plano. Eu sou a Nathalie. Fotógrafa da People e ajudante do Leishman por um dia.
-Este é um cartão de visitas e tanto.
Eu apertei a mão de Danny, Dougie e Harry em seguida.
-Mas acho que você esqueceu de acrescentar, garota do Horan, aí.
Meu rosto foi de: pálido londrino para: vermelho pimentão em tempo recorde.
-Eu não... Eu...
-Relaxa, ele tá só zoando.
Harry deu dois tapinhas no me ombro.
-Como vocês sabem disso?
-Não é segredo pro fandom de vocês, porque seria pra gente?
-E além do mais, Niall é nosso amigo.
-Mas você não tem com o que se preocupar, seu segredo está salvo conosco.
Dougie fez um gesto esquisito com as mãos. Eu respirei fundo e ignorei aquilo.
-Certo. Ao trabalho.
Eu os coloquei para decorar a árvore de natal, mas os garotos tiveram outra ideia. Eles começaram a decorar o Dougie que vestia um suéter verde, colocaram as bolinhas na sua roupa e todas as outras coisas de natal em volta do seu corpo. Tom segurava a estrela na cabeça de Dougie que olhava para cima, Harry ria de alguma coisa e ajeitava os presentes nos pés do amigo e Danny estava abaixado ligando as luzes na tomada. Eu tirei a foto nessa hora, quando as luzes se ascenderam junto com os sorrisos dos meninos. Tirei duas fotos iguais porque aquela era de longe, uma foto que eu gostaria de guardar pra sempre. O McFly bagunçou na árvore de Natal. No boneco de neve e até no logo do Text Santa. Eles, definitivamente, não eram normais.
-Acabamos. Obrigada meninos.
Eu disse olhando para a última foto. Tom era bombardeado com bolinhas do que era pra ser neve, o pobre coitado não tinha nem como se defender. Os meninos se despediram com acenos e saíram da sala. Eu me sentei por um minuto.
-Está tudo bem?
Heather me perguntou e eu ouvia sua voz mais distante do que deveria. Sentia a cabeça pesada e os músculos doerem um pouco. Eu concordei com a cabeça.
-Eu só... preciso de um copo d'água.
Eu disse olhando para cima e ignorando a pequena vertigem que senti. Eu não ia ficar doente. Não mesmo.
Heather concordou com a cabeça e saiu apressada. Voltou em menos de dois minutos com um copo de água gelada em mãos. Eu me assustava com a eficiência daquela garota.
-Aqui está.
Eu bebi devagar para ver se aquilo passava, felizmente estava sentada quando a última banda entrou na sala. Caso contrário eu teria caído para trás. One direction. E Niall estava na frente, com calças cáqui e um suéter vermelho. As meninas da maquiagem se apressaram para fazer seu trabalho enquanto eu me levantava e dizia á Heather que estava tudo bem.
-Foi só um mal estar. Eu estou ótima.
Eu peguei a câmera e fui cumprimentar os garotos.
-Oi Nath! Não te vemos faz um tempo.
Zayn disse me abraçando de lado.
-Sentimos sua falta.
-Sem falar que o Liam ficou se gabando por ter sido o último a te ver.
-E o emburradinho ali também sentiu sua falta, só pra registro. Caso você esteja se perguntando.
Louis disse quando veio me abraçar. Eu me mantive á uma distância segura de Niall. Não queria brigar, não hoje.
-Vamos ao trabalho.
Eu disse com um meio sorriso. Tirei as fotos obrigatórias segundo Heather e, não demorou para que os garotos começassem a se sentir mais confortáveis com o cenário. Eles começaram a correr uns atrás dos outros e a brincar de jogar neve para o alto, se vestindo com as roupas do boneco de neve e fazendo poses engraçadas. Eles desmontaram o boneco e fingiram que construíam um. Sempre brincando. Sempre sorrindo. Era difícil não se sentir feliz com eles por perto. Eles até conseguiram me fazer rir quando colocaram Harry dentro de uma caixa de presentes e ele pulou pra fora espalhando papel de presente rasgado para todos os lados. Eu pedi para que eles fingissem abrir os presentes, mas Louis rasgou o papel da caixa e todos eles estavam rasgando tudo no momento seguinte. Depois eles queriam ver se Harry cabia na caixa maior, e aqui estamos. A última foto que tirei e outra que eu tive vontade de guardar para sempre. Harry pulando para cima com os braços abertos, os garotos ajoelhados em volta rindo até não poderem mais, os papéis de presente voando pra todo lado e a árvore bagunçada atrás, dava quase pra sentir como seria passar a manhã de Natal com eles. Como deveria ser assim, exatamente assim que eles comemoravam essa data.
-Acabamos.
Eu disse me levantando do chão. Tinha me ajoelhado pra pegar um ângulo melhor.
-Agora temos mais uma coisinha á fazer.
Heather se aproximou com a prancheta. Ela guiou eu e os meninos até uma outra sala, onde Leishman nos esperava com as outras bandas e uma equipe e tanto. Cada maquiador, figurinista, técnico de iluminação e cenarista do estúdio estava ali. Cada um correndo de um lado para o outro, ajustando pequenos detalhes nas roupas e maquiagens e iluminação do lugar. Tudo isso pra ficar perfeito. Tudo isso pela foto perfeita.
-Posso dar uma olhada?
Tom se aproximou de mim, o sotaque acentuado em sua voz.
-Claro.
Eu lhe entreguei a câmera para que ele olhasse as fotos.
-Agora sei exatamente porque Castle te contratou, isso aqui não pode ser vendido Nathalie.
Eu esperei que ele continuasse, sem sabe o que pensar.
-Isso é fotografia de primeiríssima qualidade. Dá quase pra estar na foto. Olha isso!
Ele apontou para a foto em que as meninas do Little Mix jogavam neve para cima e sorriam.
-Se algum dia você quiser deixar a People, sinta-se mais do que convidada para trabalhar comigo. E eu vou te chamar mais vezes, está avisada.
Ele piscou e sorriu e eu não conseguia acreditar.
-Eu... Puxa, eu nem sei o que dizer. Tom! Muito, muito obrigada.
Ele me entregou a câmera.
-Fica com ela, você fez um ótimo trabalho. De verdade, eu não confiaria essa câmera á mais ninguém.
Eu morri e voltei e Tom Leishman me deu a melhor câmera que eu poderia ganhar.
-Obrigada, Tom. Muito obrigada mesmo.
Eu tentava me recompor pra não passar vergonha. Era o sonho da minha vida multiplicado um milhão de vezes. A melhor coisa que poderia me acontecer, dez vezes melhor.
-Tom! Eles estão prontos.
Heather apareceu, Tom sorriu para mim antes de caminhar até ela. Todos os integrantes das bandas estavam enfileirados, cada um segurava uma plaquinha com uma letra para formar "Help Someone Near You- Text Santa" ** Ajude alguém próximo á você- SMS para o Noel.**
A foto em si não tinha muito efeito visual, eram artistas vestidos formalmente e com touquinhas de Natal, segurando plaquinhas brancas escritas em vermelho. Sorrindo e mandando uma mensagem. Seria a imagem para os Outdoors e revistas, a imagem principal da campanha desse ano. Tom fez com que aquela fosse a fotografia inexpressiva mais bonita que eu já havia visto.
-É isso. Muito obrigado, pessoal.
Ele dispensou todo mundo, Heather e o pessoal da produção saíram com algumas bandas, deixando na sala apenas eu, Tom, One Direction e o McFly.
-Então...
Louis disse sorrindo quando o pequeno grupo se juntou.
-Vocês ainda não tinham nos apresentado. Tom teve que fazer o trabalho sujo pra vocês.
Danny Jones cruzou os braços e encarou Harry que era, supostamente, o contato entre 1D-McFly.
-Mas, apesar de tudo, fiquei feliz em te conhecer Nathalie. Tom elogiou bastante o seu trabalho.
Judd disse sorrindo para mim, eu quase morri do coração.
-Ela é incrível! Vocês viram o álbum da última turnê?
Liam disse todo animado, eu estava ficando constrangida com toda essa atenção.
-Vocês deveriam fechar com ela, confia em mim.
Harry disse colocando uma mão no meu ombro.
-O que acha, Leishman? Que tal uma parceria no próximo álbum?
Danny disse olhando para Leishman que sorriu para mim.
-Seria ótimo, estou ansioso pra trabalhar com você novamente, Nathalie.
-Então tá combinado. Pizza na minha casa pra comemorar?
Tom disse olhando para cada um de nós.
-Eu te levo até lá.
Zayn disse me acompanhando até o carro.
-O que há com você?
Ele disse enquanto afivelava o cinto.
-O quê?
-A gente não te vê desde a premiação e já faz quase um mês.
Eu mantive os olhos na rua, evitando olhar pra ele.
-Você sabe, com o fechamento da revista e o Natal chegando, Carolyn e Jake de casamento marcado... Eu não tenho nem tempo de respirar! Nem decorei a casa ainda e pode esquecer os presentes porque eu ainda não comprei.
-Porque você tem tempo pra ver o Liam?
-Achei que o Tomlinson tivesse ciúmes da minha amizade com o Liam- eu suspirei- Não tenho culpa que vocês abandonaram o pobre coitado para ir á Brighton com as respectivas namoradas.
-Sem essa. Você vem evitando a gente e eu sei porquê.
-Eu não... Eu... Zayn.
Eu disse respirando fundo, fui pega de surpresa num assunto que tinha evitado falar. Era verdade, eu havia evitando eles porque estava cada vez mais difícil inventar uma desculpa.
-Por que, Nathalie? Porque vocês dois não podem se entender?
-Porquê tá tudo errado. A gente se ama no momento errado! Porque olhar pra ele é doloroso, e tudo fica no nosso caminho. Eu, ele e até a maldita Holly! Eu trabalho pra vocês, ele tem uma namorada, a mídia vai cair em cima... E a gente briga porque estamos lutando contra algo que não é pra acontecer. Eu não consigo lutar contra isso, Zayn. É maior do que eu e eu não sou forte o bastante para isso. Eu não sou...
Eu olhei pra cima e pisquei até conter as lágrimas. O carro estava parado num sinal vermelho.
-Mas é pra isso que estamos aqui, Nath. Somos um pacote, lembra? Comprou um levou mais quatro? A gente vai estar do seu lado e vai te ajudar a superar qualquer coisa. A gente vai estar sempre aqui.
Ele colocou a mão no meu ombro e sorriu de um jeito tão carinhoso que meu coração apertou. Não era justo com eles que eu e Niall somos uma anomalia do status quo. Não era justo comigo que eu tinha que amar logo aquele que não podia ter.
P.O.V.- Annie DeLarue.
-Repete.Eu disse pela milésima vez ao telefone. Harry riu.
-Eu estou te convidando para ir comer pizza na casa dos Fletcher.
-Ai. Meu. Deus. Na casa deles. Na casa do Tom Fletcher.
-Oi Annie.Eu reconheceria essa voz em um milhão de anos.
-Harry, por favor me diz que eu não estou no viva-voz.
-Tá certo. Você não está no viva-voz com Tom e Dougie no carro.
-Harry! Eu vou te matar, como você me coloca no viva-voz enquanto eu estou surtando desse jeito?
-Relaxa, você nem está tão ruim assim.
-É, tem garotas muito piores.
-Obrigada meninos. Será que eu posso falar com o Harry rapidinho?
-Claro.Eles devem ter passado o telefone para ele.
-Eu saí do viva-voz?
-Yep.
-Como diabos você me coloca no telefone com eles? HARRY! Minha vontade agora é de te matar. Eu só não faço isso porque preciso de você pra chegar na casa do Tom.
-E porque você me ama.
-É, talvez. Um pouquinho.
-Own!Ouvi o coro de vozes conhecidas mais ao fundo.
-HARRY!
-Desculpa babe, eles tinham que ver isso. Deixe pra surtar na frente deles e vai se arrumar que eu vou passar aí em quinze minutos.
-Quinze minutos? Não dá nem pra levantar da cama.
Eu disse fazendo birra. Não era por mal.
-Vai logo. Te amo.
-Te amo, beijo.
Eu desliguei o telefone e comecei a gritar e a pular pelo quarto, me sentia com treze anos e indo no primeiro show. Surtar pela boyband era patético, mas inevitável. Minha avó abriu a porta do quarto para ver se estava tudo bem.
-Querida? O que aconteceu?
-O Harry, vó.
-O que tem ele?
Ela parecia preocupada.
-Ele vai realizar o maior sonho da minha vida!
Eu a abracei e comecei a pular junto com ela. Josette riu.
-Annabelle! Você deveria ir se arrumar então. Pare de pular pelo quarto menina! Parece até que tem cinco anos de novo.
Ela se desvencilhou do meu abraço e sorriu.
-Me ajuda á escolher uma roupa?
-Claro, querida.
Era bom estar perto da minha avó assim. De um tempo pra cá eu estava sempre com o Harry, ou com June e Eleanor. Era muito bom saber que eu nunca me afastei da minha avó. Deixei que ela escolhesse a roupa enquanto eu entrava rapidamente no banheiro. Minha avó separou meias grossas e uma saia jeans que eu não via há muito tempo. Botas de couro sem salto e um suéter de linha de cor branca com a gola grande. Meu celular tocou em cima da cama e eu pedi que minha avó atendesse enquanto eu me vestia.
-Oi querido!
Ela atendeu, provavelmente o Harry.
-Não, não. Ela já está descendo. Tudo bem, querido. Não se esqueça de vir aqui jantar conosco um dia desses. Claro, Harry. Até outro dia.
Ela desligou e me entregou o celular.
-Ele está aí em baixo. Eu vou ver se ele quer entrar.
Ela saiu do quarto e eu terminei de me arrumar. Calcei as botas e coloquei um colar de coruja que combinava com a roupa. O colar era da minha mãe. Ela sempre o usava, dizia que era pra dar sorte. Olhei a fotografia encaixada no espelho e sorri. Eu sentia a falta deles, mas não machucava mais.
-Estou indo vó, pode ser que eu não durma aqui.
Me despedi dela e corri para fora, o carro de Harry estava estacionado bem na frente de casa.
-Oi.
Ele puxou meu queixo e me beijou como fazia todos os dias. Exceto pelos gritos vindos do banco de trás.
-Mandou bem, Styles!
-Arrumem um quarto!
Eu me afastei e olhei para os garotos no banco de trás. Tom Fletcher e Dougie Poynter.
-Meninos.
Eu sorri e eles também.
-Você é a garota que laçou o Styles, então.
-Devo admitir, você é muito bonita pra ele.
Pelo amor de Deus, não diz isso pra mim Fletcher. Eu sorri e afivelei o cinto, os três ficaram brincando o caminho inteiro. Eles eram amigos. Eles eram amigos e eu estava indo na casa dos Fletcher.
Harry parou o carro em frente á uma casa enorme, ele deu a volta e abriu a porta para mim. Tom e Dougie me abraçaram e todos nós entramos na casa.
-Querida! Cheguei!
Tom gritou quando abriu a porta. Era exatamente como eu via nos vídeos, tudo decorado com lembranças da Disney e diversas estátuas de Lego espalhadas. Todos os personagens estavam vestidos para o Natal e a casa inteira estava decorada. Até o Marvin tentava arrancar o gorro que usava. Ele se aproximou de Tom e passou por entre suas pernas. Era o gato mais fofo do mundo.
-Gio?
Tom deixou as chaves na bancada e esticou o pescoço para ver a sala.
-Aqui na cozinha!
Ouvi a voz da Giovanna á minha esquerda. Tom nos chamou com um movimento de mão, eu o segui enquanto Dougie e Harry foram para a sala.
-Veja se não é a mulher mais linda do mundo.
Ele disse a abraçando e beijando a curva de seu pescoço. Giovanna riu com o carinho e beijou Tom.
-Olá você.
Ela disse contornando a bancada e vindo me cumprimentar.
-Está é a namorada do Harry, que deve estar largado na sala, Annie certo?
Tom respondeu enquanto procurava alguma coisa nos armários.
-Isso.
Eu respondi sem piscar.
-Está tudo bem? Você parece meio pálida.
Giovanna me olhou.
-Eu estou bem. Obrigada.
Eu ia surtar. Atenção todo mundo, fã prestes á explodir na cozinha.
-Deixe-me adivinhar, você é fã dos meninos.
Eu concordei com a cabeça.
-Venha cá, eu já me acostumei.
Ela me puxou para um abraço enquanto eu reprimia toda a vontade de sair gritando por aí.
-É só que eu ainda não acredito que isso tá acontecendo e eu estou na sua cozinha. Na cozinha da casa dos Flecther e o Tom está ali, e o Marvin e a Princesa Leia e, puxa, eu estou falando demais.
Eu disse tudo de uma vez enquanto me separava do abraço da senhora Fletcher.
-Sente-se melhor?
Tom perguntou sorrindo.
-Muito melhor, obrigada.
-Por nada. Bem, vamos aos negócios. Temos tempo antes de Zayn chegar com a Nathalie e os garotos já devem estar chegando.
-O que estão planejando?
Giovanna perguntou enquanto guardava algumas coisas no armário.
-Coisa rotineira, algumas músicas, algumas fotos... Juntar um casal apaixonado onde a garota ainda não sabe que o ama.
Tom deu de ombros.
-Alguém deveria contar pra garota então.
-Acredite, a gente tentou. Com ela tem que ser do jeito difícil.
Eu disse para Giovanna.
-E é por isso que estamos aqui. Vamos?
Ele ofereceu o braço á Gio e nós três voltamos para a sala. Eu me sentei ao lado de Harry no sofá, Dougie brincava com Marvin na poltrona enquanto Tom e Giovanna se sentavam no outro sofá.
-Chegamos em casa!
Danny, Harry, Liam, Louis e Niall nos cumprimentaram e se sentaram pela sala.
-Qual é o plano, garoto irlandês?
-Basicamente? Tudo o que eu falei pelo telefone.
Niall respondeu.
-Por favor, se você quer reconquistar a garota, faça isso direito.
Eu disse ajeitando a minha posição no sofá.
-Romance, Horan. Ouviu falar? Garotas gostam de romance. Até mesmo garotas como a Nathalie.
-O que você sugere?
-Nove de vocês são músicos. Aparentemente todos vocês são cegos. Gente, canta pra ela! É a melhor coisa que você pode fazer.
Os garotos concordaram com a cabeça.
-E você podia entregar a flor favorita dela pra ela, fazer algo especial. É impossível que milhares de garotas pelo mundo matariam pra ficar com você e você não consegue fazer com que uma te olhe como deveria.
Eu cruzei os braços.
-Acontece que é a garota mais teimosa que eu conheci.
-E por isso que vocês tem a mim. Eu a conheço muito bem, conheço os amigos dela. Eu sei como fazer com que ela escute você, mas aceitar ou não, é por conta dela.
-O que você tem em mente?
-A minha rua é muito pouco movimentada, eu consigo levar ela pra minha casa e mantê-la ocupada enquanto vocês arrumam o lado de fora. E a gente podia fazer um mashup com as músicas de vocês e do McFly, ia ser lindo!
Eu disse aos meninos o que eu tinha em mente, ia ser um pouco trabalhoso, mas valeria á pena. Todo mundo podia ver o quanto Nathalie ainda se importava com Niall. E era por isso que ela mantinha distância. Ela estava fazendo, mais ou menos o que eu fazia. Se afastando de todo mundo, pra não se machucar nem ninguém. Você não perde se você não joga e Nathalie estava fazendo questão de ficar fora do jogo.
-Podemos pedir as pizzas, senhora Fletcher?
-É claro senhor Fletcher.
Tom ofereceu a mão para Giovanna enquanto eles iam até a cozinha pedir a pizza, estava quase tudo combinado. Nathalie iria embora mais cedo e nós todos ficaríamos pra planejar o que faltava.
-De onde surgiu essa ideia toda?
Harry perguntou escondendo o rosto na curva do meu pescoço, causando-me arrepios.
-Todos aqueles livros serviram de alguma coisa, afinal.
Eu respondi afastando o rosto dele.
-Agora não.
Eu sussurrei e Harry riu alto.
-Ugh, pombinhos.
Nathalie disse atrás de nós.
-Ugh, fotógrafa.
Eu disse me levantando para abraçá-la.
-Me diz que eu to sonhando e estou na casa dos Fletcher com o McFly.
-Eu deveria estar falando isso!
Eu disse rindo. Nathalie olhou a sala inteira e sorriu.
-Cara, esse trabalho é bom demais pra ser verdade.
-Eu devo agradecer ao meu lindo namorado por ter me convidado também.
-Hum, estão assumidos assim? Eu achei que era mais naquele lance, vamos ficar escondidos de todo mundo e fingir que ninguém vê.
Nathalie fez uma voz esquisita, eu a empurrei de leve.
-Não, ele me pediu no final de semana. Babaca.
Eu mostrei a aliança para ela.
-Quem diria, Harry Styles com uma namorada. Parabéns, cachinhos.
Ela disse bagunçando o cabelo dele, Harry bufou.
-Agora lembrei porque estava sendo tão legal de ter longe.
-Cala a boca que você sentiu minha falta sim, agora levanta daí e vem me abraçar direito.
Ela disse puxando-o.
-Você é insuportável.
-Insuportávelmente linda, charmosa e irressitível.
-Isso é o tipo de coisa que o Zayn diria.
-Ei! Eu estou aqui.
-Não muda o fato de que você diria isso.
Harry disse rindo.
-Vocês já pediram? Eu estou faminta!
Nathalie deixou a bolsa e o casaco na bancada que dividia a sala e o corredor principal.
-Eu não sei, porque você não pergunta para os donos da casa, eles que ficaram de pedir.
Harry voltou a se sentar do meu lado. Nathalie revirou os olhos e seguiu procurando Tom e Giovanna pela casa, podíamos ouvir quando ela parava pra cumprimentar alguém. "Argh, você de novo Liam, cansei de ver você" Ela disse e depois riu. "Fotógrafa!" "McGuy!" Ela disse quando encontrou o Danny, provavelmente. Eu e Harry ríamos do que ela falava ás vezes.
-Se ela ver que vocês estão rindo dela, vocês estão mortos.
-Relaxe e se divirta um pouco, Malik. Você está precisando.
-É, o que há com você? June percebeu que haviam outros caras mais legais por aí?
Eu perguntei rindo. Zayn estreitou os olhos.
-Não é isso. Eu e ela estamos naquele lance de tentar um relacionamento de verdade, mas ela não quer ir pra Bradford comigo.
-Wow, calma aí garoto.
Eu me levantei do sofá.
-Você convidou ela pra ir conhecer seus pais?
-Sim.
-Tá maluco? A menina nunca teve um relacionamento que durasse mais de duas horas, á não ser com você, o que me faz perguntar o que te torna tão especial, mas o ponto é... Óbvio que ela vai surtar, ela nunca passou por isso na vida. E vocês são um casal propriamente dito, deve fazer uns três dias.
-Duas semanas. Falou você que é namorada do Styles faz três dias.
Eu ia responder mas Harry me puxou de volta.
-O que a Annie está tentando dizer, de um jeito nada delicado- Harry beliscou minha perna- É que June talvez precise de um pouco mais de tempo pra se acostumar com essa ideia de casal.
Zayn pegou o celular no bolso da calça e sorriu.
-Ou não, ela acabou de dizer que vem comigo.
Ele mostrou o telefone e saiu da sala.
-Harry.... Nós somos péssimos conselheiros de relacionamentos.
Eu tentei ficar séria, mas cai na risada depois.
-O que me leva a pensar se tudo isso que estamos fazendo vai dar certo.
-Claro que vai! Vocês vão cantar as músicas mais perfeitas da vida! Não tem como dar errado.
-Eu espero que você esteja certa.
-E quando eu não estou?
Eu disse tentando quebrar o gelo. Todo mundo naquela casa estava tenso porque aquilo ia acontecer amanhã. E muita coisa podia dar errado.
-Acho que a pizza chegou e ninguém contou pra gente.
-Eu vou lá ver.
-Pode ir lá, eu vou ligar pra Carolyn. Qualquer coisa fala que eu fui ao banheiro.
Eu disse pegando o celular e indo para fora da casa.
P.O.V.- Carolyn Stevens
-Não é errado mentir pros seus pais daquele jeito?
Jake disse secando o cabelo com a toalha. Eu suspirei.
-Eles não podem saber Jake, não agora. Eles dois acreditam muito nessa coisa de sexo só depois do casamento, minha mãe sabe que eu não sou santa, mas engravidar antes de ser casada é uma coisa que ela não tolera.
-Como você sabe disso?
Ele se sentou na cama.
-Ela tinha uma amiga do colégio eu acho, que engravidou do namorado aos dezesseis. Elas nunca mais se falaram.
-Não pode ser tão ruim assim. É a melhor coisa que ainda não me aconteceu.
Eu sorri e me ajoelhei do lado dele.
-Vai brincando com isso. Ninguém pode saber, eu não sei como Nina descobriu, mas isso tem que ficar entre a gente. Eu vou adiar até quando eu puder.
-Isso significa que temos que casar na próxima primavera.
-Não veja isso como algo ruim, você que veio com essa história, pra começo de conversa. E eu sempre quis casar na primavera, vai ser um pouco antes que o esperado, mas quem liga.
Eu sorri e beijei ele. Estávamos nessa conversa desde que voltamos da casa dos meus pais. Sim, eu estava grávida. Sim, eu menti pros meus pais e eu só descobri isso alguns dias depois que Jake me pediu em casamento. Não era tão terrível assim, eu estava até feliz. Eu sempre quis ter um menino, acontece que vai ser um pouco antes do que eu esperava. Nada demais.
-Seu celular está tocando.
Jake estendeu o aparelho para mim.
-Alô?
-Carolyn? É a Annie.
-Oi Annie, e aí?
-Tudo bem, eu estou ligando pra te manter atualizada sobre o plano do Horan. Vai ser amanhã, na minha casa.
-Mas já?
-Nathalie andou pensando em passar o Natal em outro país. Temos que correr contra o relógio aqui.
-Certo, pode contar com a gente. Eu quero estar lá pra ver isso acontecer.
-Tá, é só pra avisar mesmo. Eu te passo o horário mais tarde.
-Ok. Até mais Annie.
-Até mais.
Ela encerrou a chamada e Jake levantou a sobrancelha como quem diz "O que foi isso?"
-Anda, temos que ajudar o casal problema a ficar junto.
Eu peguei a mão dele o ajudei a levantar. Precisávamos comprar algumas coisas para que tudo ficasse perfeito.
terça-feira, 23 de julho de 2013
sexta-feira, 12 de julho de 2013
Capítulo 36
Capítulo 36- P.O.V- Annie DeLarue
Eu achei que fosse algo horrível, monstruoso, nojento e esquisito. Mas eu só conseguia pensar o quão gentil e carinhoso ele foi, arranjando o jantar no ponto mais alto da cidade, dizendo todas aquelas coisas para mim e depois, sendo tão cuidadoso comigo. Comecei a me sentir um tanto idiota por tê-lo dispensado e fingido que não queria nada com ele. Harry disse que era uma pessoa melhor comigo, mas ele não via que eu também era melhor com ele. E isso, era melhor do que qualquer ficção açucarada, Nicholas Sparks ou romances de quinhentas páginas. Era real. Ele gostava de mim inteiramente e verdadeiramente, e eu não duvidava disso.
-O que está escrito na aliança?
Eu perguntei á ele quando acordamos na manhã seguinte. Harry sorriu.
-Sou tão sortudo por ter aquela que foi mais difícil de ter. Conveniente, não acha?
Eu sorri.
-Você é maluco.
-Talvez. Ou talvez eu seja maluco por você.
Ele se virou para me encarar.
-Ai.
-Eu sei.
Ele sorriu.
-É, eu sei. Clichê demais.
-É. Vamos comer antes que você fale alguma outra besteira.
Ele sorriu e se levantou da cama. Eu escondi o rosto enquanto ele se trocava.
-Até parece que nunca viu.
-Calado. Anda logo que eu quero me vestir.
Harry resmungou alguma coisa e subiu na cama pouco depois.
-Pronto. Devidamente trocado.
Ele tirou o cabelo dos meus olhos e me olhou com aquele sorriso meio sacana meio gentil que só ele tinha.
-Agora, se me dá licença.
Eu me enrolei no lençol e me tranquei no banheiro. Olhei-me no espelho por um tempo, tentando notar algo diferente em mim mesma. Tirando o sorriso idiota, nada havia mudado. Tomei um banho rápido e me troquei em seguida. Harry não estava no quarto então eu desci as escadas em silêncio pra poder assustá-lo.
June, Eleanor, Zayn, Louis e Harry estavam na cozinha, eles estavam sentados á mesa conversando.
-Então você se deu bem ontem á noite?
-Como foi Harry?
-Vocês não deveriam estar perguntando isso para mim.
Ele deu de ombros e me indicou com a cabeça. Os quatro se viraram para mim e começaram a me encarar.
-Aí está ela!
-Como foi ontem?
Eu me recusei a responder, caminhei até a geladeira.
-Espera, espera. Eu posso até imaginar já.
-Oh Harry! Ai meu Deus! Harry!
Fechei a porta da geladeira com força e saí pela porta lateral. Eles não tinham o direito de saber! Não tinham o direito de ficar fazendo piada sobre isso.
-Ei.
Senti a mão de Harry no meu ombro esquerdo. Me desvencilhei dele e continuei andando.
-Annie!
Ele me alcançou e me girou, fazendo com que eu o encarasse.
-Eles são idiotas, estão brincando comigo. Não com você.
-Mas você não fez nada!
Tirei a mão dele do meu ombro com raiva.
-Porque eles estavam brincando! Me desculpa, eu não devia ter deixado.
-Como eles sabiam disso, de qualquer jeito?
Ele coçou a nuca e olhou para cima.
-Zayn, Liam e Louis me ajudaram a planejar o jantar e eu acho que eles contaram para as meninas.
-Então todo mundo sabe?
-Todo mundo... Todo mundo não. Acho que Niall e Nathalie não fazem ideia. Me desculpa.
Ele puxou meu queixo para cima.
-Você vai ficar brava por uma coisa dessas?
-Não.
Eu murmurei e Harry beijou a minha testa.
-Eu vou lá falar com eles. Me dê três minutos.
Ele entrou na casa e voltou rapidamente.
-Pronto. Você pode entrar agora.
Ele entrelaçou sua mão na minha e entramos juntos na casa. Nem June, nem Eleanor, Zayn ou Louis falaram nada. Eu me sentei á mesa e ficamos em silêncio por um tempo.
-Annie... Desculpe por ficarmos fazendo piadinhas.
-É. Desculpe por isso.
-Nós agimos como crianças.
-É. Desculpa.
Eu sorri para eles.
-Tudo bem. Eu deveria levar as coisas mais na brincadeira.
-Todos de bem outra vez?
Harry perguntou saindo da cozinha.
-Sim!
Eu e June respondemos ao mesmo tempo.
-Ótimo! Porque eu fiz o café da manhã.
P.O.V.- Jenna Porter- Um dia antes.
-Jenn! Me desculpe o atraso, minha mãe não quis me deixar sair antes que eu fizesse a aula de piano e você já sabe...
-Tudo bem Cassie. Eu acabei encontrando a Nathalie aqui.
Eu andei com Cassie até o cinema.
-Nathalie? A sua meia irmã famosa?
-Ela não é tão famosa. São os garotos daquela banda.
Ela colocou o braço na minha frente e me encarou.
-"Daquela banda"?
-Não vem com essa agora Cassie. Eles são uma banda. Só.
Ela rolou os olhos e entrou na fila para comprar os ingressos.
-Millenium então?
-Você sabe que Daniel Craig é um gênio. E ele é um jornalista investigativo.
-Sei sei, sua carreira dos sonhos. Vamos logo com isso.
Ela abanou as mãos e compramos os ingressos. Apesar de querer muito ver esse filme, não consegui prestar muita atenção. Eu não conseguia parar de pensar em Nathalie, nas notícias em que ela estava envolvida e em todo o escândalo com aquela boyband. Ela me parecia tão.... Exausta de certa forma.
O filme acabou e Cassie balançou a mão na frente do meu rosto para me acordar.
-Ei, vamos?
-Claro.
Nos levantamos e o celular dela tocou, pela cara que Cassie fez, era a mãe dela.
-Não, mãe.
Não dava pra ouvir direito o que a mãe da Cassie falava.
-Me desculpe. Eu sei que só devo sair de casa com todas as tarefas feitas.
Mais um minuto com a mãe da Cassie falando.
-Tudo bem. Me desculpe.
Eu olhei para Cassie, esperando o óbvio.
-Ela quer que eu volte imediatamente para casa.
-Ela está brava?
-Você sabe que ela nunca fica brava. Mas fala com aquele tom de voz educado e prepotente que faz você pensar que você está errado.
-Sinto muito por isso.
-Eu é que sinto muito. Acho que nossa pizza fica pra outro dia então.
-Não tem problema, Cass. Vai pra casa antes que sua mãe te leve educadamente até lá.
Nos despedimos e eu acabei sentada na cafeteria do shopping com metade de um muffin e um café frio. Eu não estava interessada em comer, de verdade. Eu apenas rolava minha Dashboard no celular, procurando alguma coisa interessante.
-Sabe, seu entusiasmo me assusta.
Levantei os olhos da tela e me deparei com Liam sentado á minha frente. Ele sorriu para mim e eu olhei de relance para a tela do celular, constatando que havia uma foto dele e dos garotos num iate ou coisa assim. Abaixei o celular e sorri para ele.
-O que faz aqui?
-Nada demais. O que tem no telefone?
-Não é educado responder minha pergunta com outra pergunta!
Eu puxei o celular para mais perto de mim.
-Eu já te respondi. Falta você.
-Nada demais.
Eu o olhei como se o desafiasse.
-Certo. Niall estava lá em casa e pediu que eu trouxesse muffins e café. O que tem no celular?
-Nada demais. Cara, você é muito curioso.
-Você não vai me falar?
-Não.
-O que você faz aqui?
-Abandonada pela melhor amiga com uma mãe controladora. Nada demais.
Ele sorriu.
-Você está presa nesse shopping desde de manhã?
-Tecnicamente... Sim.
-Vem, vamos dar uma volta.
-Mas eu nem terminei de... Liam!
Ele me puxou para fora do café e a gente foi andando pra fora do shopping.
-Você tem hora pra chegar em casa?
Ele perguntou.
-Porque? Vai me sequestrar e devolver aos pedaços na hora certa?
Ele sorriu e olhou para mim.
-Eu não sou um assassino.
-Quem disse que não?
-Minha vida inteira está exposta pro mundo todo olhar. Alguém saberia se eu fosse um assassino. E olha só pra mim, você desconfiaria de algo?
Eu o encarei por uns minutos.
-Os quietinhos são os que mais aprontam.
Foi a minha conclusão. Liam sorriu.
-O que eu posso fazer sem que você desconfie de mim?
-Hum- Eu fingi pensar por um minuto- Pizza!
-Pizza?
-É, eu tinha marcado de passar no Domino's pra pegar uma pizza, mas minha amiga teve que ir pra casa.
-Sorte a sua quem tem uma logo ali.
Liam apontou para a pizzaria no final da rua.
-Você não precisa fazer isso, eu só queria tirar uma com a sua cara.
-Nada disso, agora a gente vai até lá e vai comer pizza.
Nós dois andamos até a pizzaria e compramos uma pizza grande de pepperoni, depois nos sentamos nas mesas para comer.
-Você se importaria se eu fizesse uma pergunta?
-Não.
Ele deu de ombros.
-O que foi todo aquele rolo na última turnê? Eu sei que não é da minha conta, mas Chloe começou a fazer perguntas e a dizer que Nathalie e Niall eram perfeitos juntos, e eu não entendi nada.
-A verdade resumida é que eles dois brigaram, com pouco menos de um mês pro fim da turnê. Ela pegou um avião pra qualquer lugar e ele ficou chateado desde então.
-Eles ainda estão brigados?
-Eu acho que sim- Ele deu de ombros- Eles se acertam e brigam, se acertam e brigam de novo. Eu não entendo aqueles dois. Mas porque a pergunta?
-Ela me pareceu... Distante. Eu sei que nos conhecemos há pouco tempo, mas sei lá, eu cresci com os sussurros do meu pai sobre Nathalie Simmons, ninguém nunca me respondia sobre ela até que a garota aparece na porta da minha casa. É meio frustrante saber que ela é minha meia irmã mais velha e eu não sei nada sobre ela.
Eu soltei tudo de uma vez, falando tudo o que queria ter falado para os meus pais em todos esses anos.
-A Nathalie tem passado por muita coisa, você sabe. Seu pai voltando e... A morte da mãe dela. Eu sei que ela precisa de tempo pra voltar a ser a nossa Nath. Você devia tê-la visto quando nos conhecemos... Ela ficava vermelha por tudo!
Eu ri imaginando a cena e depois olhei para Liam, e achei tudo aquilo irreal demais. Ele era famoso, tinha namorada... E estava aqui, no meio da noite, numa pizzaria no centro falando comigo. Eu parei de rir e a gente ficou naquele silêncio, se encarando. Eu não queria ter previsto o que poderia acontecer. Porque quando o telefone do Liam tocou, e ele sorriu se desculpando e caminhou três passos pra poder atender, eu continuei na expectativa.
-Me desculpe, Niall parece uma criança faminta. Eu vou ter que levar os bolinhos pra ele.
Eu me levantei e acompanhei Liam até a porta.
-Bom, foi legal de qualquer jeito.
-A gente combina de sair outro dia.
Ele disse.
-Então tchau.
-Tchau.
Ele se inclinou para me abraçar ao mesmo tempo em que eu estendi a mão. Acabamos em um abraço esquisito com o meu braço no meio do caminho. Eu sorri envergonhada e me despedi com um aceno de mão quando ele andou na direção contrária á minha.
P.O.V.- Carolyn Stevens- Alguns dias depois.
-Eu não acredito que você vai falar com os meus pais.
Eu enterrei meu rosto nas mãos quando a placa avisando que Gillingham ficava á esquerda, ficou para trás.
-Eu fui ensinado com valores, Carolyn, mesmo que eu tenha pedido sua mão pra você, não significa que eu não tenha que falar com os seus pais.
-Você vai se arrepender disso.
Eu resmunguei tentando me controlar. Meu pai é militar, por isso que, devido á minha "teimosia" e "desobediência" em casa, eu estudei em internatos a maior parte da minha vida. Meu pai sempre foi do tipo controlador e, enquanto a maioria das meninas saía com suas mães e amigas, eu recebia treinamento quase militar em casa. Eles só... são muito duros com todo mundo, por isso que minha mãe e Nathalie só se falavam por telefone. Christina não seria rude com alguém pelo telefone, exceto comigo. "Você não tem se alimentado direito, o que seu pai lhe ensinou sobre uma boa alimentação?" "O que são essas olheiras debaixo dos seus olhos? Você não aprende que tem que ter oito horas de sono tranquilo?" Por essas e outras coisas que eu nunca levei nenhum garoto pra casa. Até hoje.
-Relaxa Carol, eles não são tão ruins assim.
-É bem provável que meu pai mande você fazer flexões.
-Carol, olha pra mim- Eu desviei o olhar para encará-lo- é um almoço com a sua família, voltamos pra Londres em duas horas. Vai dar tudo certo.
E foi isso o que eu continuei repetindo para mim, meu coração acelerado e as mãos que suavam, até chegar na velha casa onde eu costumava morar. Jake parou o carro na frente do portão de madeira e me deu um selinho antes de sair e abrir a porta para mim.
"Vai dar tudo certo" Vai dar tudo certo"
-Carolyn!
Minha mãe abriu a porta com um enorme sorriso. Eu não havia desde sempre. Ela estava com os cabelos louros na altura dos ombros, arrumados milimétricamente. Ela parecia ter acabado de sair de um filme americano dos anos 50. Vestido de meia manga até os joelhos, sapatos de salto e um avental de cozinha no corpo. O que era uma piada. Ela nunca cozinhou.
-E este deve ser Jakell. Muito prazer em conhecê-lo.
Ela sorriu e deu-lhe um beijo estalado na bochecha.
-Entrem!
Ela disse com um entusiasmo questionável para mim, entramos logo atrás dela. A casa inteira cheirava á biscoitos de gengibre, como uma antecipação para o Natal.
-Seu pai está na sala querida, está louco pra te ver.
Ela sorriu e andou até a cozinha, que ficava na direção oposta á sala. Andamos até lá, meu coração na garganta pelo medo de ter que bater continência na presença do meu pai. Calvin era um homem na casa dos quarenta, tinha alguns fios grisalhos na cabeça e não tinha nada que não se esperasse de um ex-militar.
-Olá.
Eu disse quando chegamos na sala. Meu pai abaixou o jornal e me olhou sério por um instante. Eu engoli em seco.
-Achei que nunca chegariam.
Ele disse e sorriu de lado. Bem, era quase um sorriso.
-Você deve ser o namorado da Carolyn. Muito prazer.
Meu pai e Jake apertaram as mãos, e minha mãe me chamou na cozinha.
-Vai lá.
Jake sussurrou para mim, e meu pai pediu que ele sentasse. Á cada passo longe da sala, eu sentia que algo estava muito errado. Algo do tipo, "Querida, esperamos vinte e um anos pra te contar um segredo extraordinário, espero que não se importe em contarmos quando seu pai terminar de estrangular seu namorado." Eu engoli em seco e entrei na cozinha.
-Carolyn.
Minha mãe disse, sem o entusiasmo de antes. Eu sabia que tinha algo errado.
-Mãe.
Eu respondi.
-Três meses sem notícias suas. Acha que isso está certo?
Eu pensei em responder que eram vinte anos sem vê-la direito, mas eu não queria estragar o clima.
-Me desculpe, com o trabalho e tudo o mais...
Ela ergueu a mão para que eu parasse de falar.
-Se não fosse a Nina me contando que você tem um novo namorado, eu nunca saberia!
-Eu o trouxe hoje.
Tentei não alterar meu tom de voz.
-E avisou ontem. Sabe como isso soou? "Ei mãe, eu estou grávida!"
-Isso é ridículo.
Eu resmunguei.
-Acha mesmo? Porque seu pai acha muito sério.
-Você contou pro meu pai?
Eu quase gritei. Mas lembrei que eles estavam á alguns metros de mim.
-E você acha que eu não contaria? Isso é sério Carolyn.
-Olha mãe, eu não sei o que deu em vocês. Eu não estou grávida. Não mesmo. O motivo de eu ter trago Jake aqui, foi porque ele queria comunicar á vocês, que a gente vai se casar.
Eu disse tudo de uma vez, nem notei que tinha gente atrás de mim.
-Vocês o quê?
Meu pai disse e eu congelei.
-Vamos nos casar. Não era bem assim que eu pretendia dar a notícia- Jake me olhou sorrindo- Mas é basicamente isso. Eu dirigi até aqui, pra pedir a mão da sua filha em casamento.
-Você... Você não está grávida, não é Carolyn?
Meu pai me olhou torto, como se aquilo fosse um problema.
-Não pai. Não estou grávida e não planejo estar pelos próximos seis anos. Satisfeito?
-Olhe os modos.
Meu pai e minha mãe disseram ao mesmo tempo. Foi bizarro.
-Então. Eu... Tenho a benção de vocês pra casar com a sua filha?
Jake disse, totalmente sem jeito.
-Mas é claro querido!
Minha mãe disse, com o entusiasmo esquisito outra vez.
-Senhor?
Jake perguntou, já que meu pai não respondeu.
-Cuide bem da minha menina, rapaz.
Dito isso puxou Jake pra um abraço esquisito. Minha mãe pediu que nos sentássemos enquanto ela trazia o almoço, e, por incrível que pareça, tudo correu bem.
P.O.V.- Nathalie Simmons
*N\A- Pra quem não viu alguma foto do Tom Leishman, melhor olhar (ele é muito gato :) )
Meu celular tocava como louco no andar de baixo. Eu corri para atendê-lo.
-Nathalie Simmons?
-Sou eu. Quem é?
-Aqui é Tom Leishman, espero que não se importe, eu peguei seu número com John.
Eu congelei. Era o Leishman. Porque diabos Tom Leishman queria falar comigo?
-Ah, sim. Leishman. Em que posso ajudá-lo?
Eu já podia sentir minhas mãos tremendo.
-Bem, como a senhorita deve saber, todo ano temos as propagandas do Text Santa. Vou ter muito trabalho e precisava de ajuda esse ano, John me falou muito bem de você.
-Senhorita- Eu ri- Como se você fosse muito mais velho do que eu, Leishman.
-É força do hábito. Então, você topa?
Ele riu também e eu queria morrer. Tom Leishman estava me ligando para ajudá-lo a fotografar. Eu só podia estar sonhando.
-Claro! Espera... O que eu tenho que fazer?
-Eu o John marcamos uma reunião no prédio da People as três. A gente conversa lá.
-Pode deixar. Até mais tarde.
-Até mais, Simmons.
Eu desliguei o telefone e me senti animada. Subi correndo e tomei um banho, eu ainda precisava comer antes de ir até a People. Me arrumei rapidinho e desci até a garagem.
(http://www.polyvore.com/remembering_sunday_nath_simmons/set?id=87854091)
No caminho para a People, passei no drive-thru do Morley's, que é tipo um Mcdonalds britânico onde os lanches são de frango. Era até gostoso. Os nuggets eram M-Bites e os lanches eram Morley's Chicken Burgers. Eram quase idênticos o que me fez achar que senso de humor britânico não era assim tão ruim. Eu estacionei o carro na vaga de funcionários e subi até a minha sala. Leishman e Castle conversavam animadamente em sua sala, o andar inteiro estava vazio á não ser por nós três. Eu me aproximei da sala de John e bati na porta de vidro.
-Cheguei.
-Ah, Nathalie! Entre, estávamos falando de você.
-Coisas boas, eu espero.
Eu disse enquanto me sentava ao lado de Tom Leishman.
-São sempre coisas boas. Aqui, não acredito que vocês foram apresentados ainda. Tom essa é a Nathalie, Nathalie esse é Tom.
Nós apertamos as mãos e Tom sorriu para mim.
-E então... O que estão planejando?
Eu me virei para John.
-Você deve saber que há uma campanha beneficente chamada Text Santa, na época do natal, juntamos dinheiro para a caridade.
-Acontece que esse ano temos um prazo muito curto para entregar as campanhas, culpa do pessoal do marketing, juro.
-Enfim- John continuou- Tom precisa de ajuda e você é a melhor fotógrafa disponível no momento. Eles vão te pagar um bônus por cada foto e algumas delas vão ser publicadas na People, pagamento em dobro.
-Eu aceitaria se fosse você.
Tom sussurrou.
-E além de tudo você vai conhecer as bandas que vão participar, você topa?
-Claro que sim! Quer dizer, é uma ótima oportunidade. Quando a gente começa?
-Agora. Estávamos esperando sua resposta.
Tom se levantou e pegou o casaco.
-Sua fé em mim é questionável, Castle. E se eu tivesse dito não?
Eu disse me levantando também.
-Eu sabia que você ia aceitar. Anda logo, você vai ter um dia e tanto hoje.
Eu achei que fosse algo horrível, monstruoso, nojento e esquisito. Mas eu só conseguia pensar o quão gentil e carinhoso ele foi, arranjando o jantar no ponto mais alto da cidade, dizendo todas aquelas coisas para mim e depois, sendo tão cuidadoso comigo. Comecei a me sentir um tanto idiota por tê-lo dispensado e fingido que não queria nada com ele. Harry disse que era uma pessoa melhor comigo, mas ele não via que eu também era melhor com ele. E isso, era melhor do que qualquer ficção açucarada, Nicholas Sparks ou romances de quinhentas páginas. Era real. Ele gostava de mim inteiramente e verdadeiramente, e eu não duvidava disso.
-O que está escrito na aliança?
Eu perguntei á ele quando acordamos na manhã seguinte. Harry sorriu.
-Sou tão sortudo por ter aquela que foi mais difícil de ter. Conveniente, não acha?
Eu sorri.
-Você é maluco.
-Talvez. Ou talvez eu seja maluco por você.
Ele se virou para me encarar.
-Ai.
-Eu sei.
Ele sorriu.
-É, eu sei. Clichê demais.
-É. Vamos comer antes que você fale alguma outra besteira.
Ele sorriu e se levantou da cama. Eu escondi o rosto enquanto ele se trocava.
-Até parece que nunca viu.
-Calado. Anda logo que eu quero me vestir.
Harry resmungou alguma coisa e subiu na cama pouco depois.
-Pronto. Devidamente trocado.
Ele tirou o cabelo dos meus olhos e me olhou com aquele sorriso meio sacana meio gentil que só ele tinha.
-Agora, se me dá licença.
Eu me enrolei no lençol e me tranquei no banheiro. Olhei-me no espelho por um tempo, tentando notar algo diferente em mim mesma. Tirando o sorriso idiota, nada havia mudado. Tomei um banho rápido e me troquei em seguida. Harry não estava no quarto então eu desci as escadas em silêncio pra poder assustá-lo.
June, Eleanor, Zayn, Louis e Harry estavam na cozinha, eles estavam sentados á mesa conversando.
-Então você se deu bem ontem á noite?
-Como foi Harry?
-Vocês não deveriam estar perguntando isso para mim.
Ele deu de ombros e me indicou com a cabeça. Os quatro se viraram para mim e começaram a me encarar.
-Aí está ela!
-Como foi ontem?
Eu me recusei a responder, caminhei até a geladeira.
-Espera, espera. Eu posso até imaginar já.
-Oh Harry! Ai meu Deus! Harry!
Fechei a porta da geladeira com força e saí pela porta lateral. Eles não tinham o direito de saber! Não tinham o direito de ficar fazendo piada sobre isso.
-Ei.
Senti a mão de Harry no meu ombro esquerdo. Me desvencilhei dele e continuei andando.
-Annie!
Ele me alcançou e me girou, fazendo com que eu o encarasse.
-Eles são idiotas, estão brincando comigo. Não com você.
-Mas você não fez nada!
Tirei a mão dele do meu ombro com raiva.
-Porque eles estavam brincando! Me desculpa, eu não devia ter deixado.
-Como eles sabiam disso, de qualquer jeito?
Ele coçou a nuca e olhou para cima.
-Zayn, Liam e Louis me ajudaram a planejar o jantar e eu acho que eles contaram para as meninas.
-Então todo mundo sabe?
-Todo mundo... Todo mundo não. Acho que Niall e Nathalie não fazem ideia. Me desculpa.
Ele puxou meu queixo para cima.
-Você vai ficar brava por uma coisa dessas?
-Não.
Eu murmurei e Harry beijou a minha testa.
-Eu vou lá falar com eles. Me dê três minutos.
Ele entrou na casa e voltou rapidamente.
-Pronto. Você pode entrar agora.
Ele entrelaçou sua mão na minha e entramos juntos na casa. Nem June, nem Eleanor, Zayn ou Louis falaram nada. Eu me sentei á mesa e ficamos em silêncio por um tempo.
-Annie... Desculpe por ficarmos fazendo piadinhas.
-É. Desculpe por isso.
-Nós agimos como crianças.
-É. Desculpa.
Eu sorri para eles.
-Tudo bem. Eu deveria levar as coisas mais na brincadeira.
-Todos de bem outra vez?
Harry perguntou saindo da cozinha.
-Sim!
Eu e June respondemos ao mesmo tempo.
-Ótimo! Porque eu fiz o café da manhã.
P.O.V.- Jenna Porter- Um dia antes.
-Jenn! Me desculpe o atraso, minha mãe não quis me deixar sair antes que eu fizesse a aula de piano e você já sabe...
-Tudo bem Cassie. Eu acabei encontrando a Nathalie aqui.
Eu andei com Cassie até o cinema.
-Nathalie? A sua meia irmã famosa?
-Ela não é tão famosa. São os garotos daquela banda.
Ela colocou o braço na minha frente e me encarou.
-"Daquela banda"?
-Não vem com essa agora Cassie. Eles são uma banda. Só.
Ela rolou os olhos e entrou na fila para comprar os ingressos.
-Millenium então?
-Você sabe que Daniel Craig é um gênio. E ele é um jornalista investigativo.
-Sei sei, sua carreira dos sonhos. Vamos logo com isso.
Ela abanou as mãos e compramos os ingressos. Apesar de querer muito ver esse filme, não consegui prestar muita atenção. Eu não conseguia parar de pensar em Nathalie, nas notícias em que ela estava envolvida e em todo o escândalo com aquela boyband. Ela me parecia tão.... Exausta de certa forma.
O filme acabou e Cassie balançou a mão na frente do meu rosto para me acordar.
-Ei, vamos?
-Claro.
Nos levantamos e o celular dela tocou, pela cara que Cassie fez, era a mãe dela.
-Não, mãe.
Não dava pra ouvir direito o que a mãe da Cassie falava.
-Me desculpe. Eu sei que só devo sair de casa com todas as tarefas feitas.
Mais um minuto com a mãe da Cassie falando.
-Tudo bem. Me desculpe.
Eu olhei para Cassie, esperando o óbvio.
-Ela quer que eu volte imediatamente para casa.
-Ela está brava?
-Você sabe que ela nunca fica brava. Mas fala com aquele tom de voz educado e prepotente que faz você pensar que você está errado.
-Sinto muito por isso.
-Eu é que sinto muito. Acho que nossa pizza fica pra outro dia então.
-Não tem problema, Cass. Vai pra casa antes que sua mãe te leve educadamente até lá.
Nos despedimos e eu acabei sentada na cafeteria do shopping com metade de um muffin e um café frio. Eu não estava interessada em comer, de verdade. Eu apenas rolava minha Dashboard no celular, procurando alguma coisa interessante.
-Sabe, seu entusiasmo me assusta.
Levantei os olhos da tela e me deparei com Liam sentado á minha frente. Ele sorriu para mim e eu olhei de relance para a tela do celular, constatando que havia uma foto dele e dos garotos num iate ou coisa assim. Abaixei o celular e sorri para ele.
-O que faz aqui?
-Nada demais. O que tem no telefone?
-Não é educado responder minha pergunta com outra pergunta!
Eu puxei o celular para mais perto de mim.
-Eu já te respondi. Falta você.
-Nada demais.
Eu o olhei como se o desafiasse.
-Certo. Niall estava lá em casa e pediu que eu trouxesse muffins e café. O que tem no celular?
-Nada demais. Cara, você é muito curioso.
-Você não vai me falar?
-Não.
-O que você faz aqui?
-Abandonada pela melhor amiga com uma mãe controladora. Nada demais.
Ele sorriu.
-Você está presa nesse shopping desde de manhã?
-Tecnicamente... Sim.
-Vem, vamos dar uma volta.
-Mas eu nem terminei de... Liam!
Ele me puxou para fora do café e a gente foi andando pra fora do shopping.
-Você tem hora pra chegar em casa?
Ele perguntou.
-Porque? Vai me sequestrar e devolver aos pedaços na hora certa?
Ele sorriu e olhou para mim.
-Eu não sou um assassino.
-Quem disse que não?
-Minha vida inteira está exposta pro mundo todo olhar. Alguém saberia se eu fosse um assassino. E olha só pra mim, você desconfiaria de algo?
Eu o encarei por uns minutos.
-Os quietinhos são os que mais aprontam.
Foi a minha conclusão. Liam sorriu.
-O que eu posso fazer sem que você desconfie de mim?
-Hum- Eu fingi pensar por um minuto- Pizza!
-Pizza?
-É, eu tinha marcado de passar no Domino's pra pegar uma pizza, mas minha amiga teve que ir pra casa.
-Sorte a sua quem tem uma logo ali.
Liam apontou para a pizzaria no final da rua.
-Você não precisa fazer isso, eu só queria tirar uma com a sua cara.
-Nada disso, agora a gente vai até lá e vai comer pizza.
Nós dois andamos até a pizzaria e compramos uma pizza grande de pepperoni, depois nos sentamos nas mesas para comer.
-Você se importaria se eu fizesse uma pergunta?
-Não.
Ele deu de ombros.
-O que foi todo aquele rolo na última turnê? Eu sei que não é da minha conta, mas Chloe começou a fazer perguntas e a dizer que Nathalie e Niall eram perfeitos juntos, e eu não entendi nada.
-A verdade resumida é que eles dois brigaram, com pouco menos de um mês pro fim da turnê. Ela pegou um avião pra qualquer lugar e ele ficou chateado desde então.
-Eles ainda estão brigados?
-Eu acho que sim- Ele deu de ombros- Eles se acertam e brigam, se acertam e brigam de novo. Eu não entendo aqueles dois. Mas porque a pergunta?
-Ela me pareceu... Distante. Eu sei que nos conhecemos há pouco tempo, mas sei lá, eu cresci com os sussurros do meu pai sobre Nathalie Simmons, ninguém nunca me respondia sobre ela até que a garota aparece na porta da minha casa. É meio frustrante saber que ela é minha meia irmã mais velha e eu não sei nada sobre ela.
Eu soltei tudo de uma vez, falando tudo o que queria ter falado para os meus pais em todos esses anos.
-A Nathalie tem passado por muita coisa, você sabe. Seu pai voltando e... A morte da mãe dela. Eu sei que ela precisa de tempo pra voltar a ser a nossa Nath. Você devia tê-la visto quando nos conhecemos... Ela ficava vermelha por tudo!
Eu ri imaginando a cena e depois olhei para Liam, e achei tudo aquilo irreal demais. Ele era famoso, tinha namorada... E estava aqui, no meio da noite, numa pizzaria no centro falando comigo. Eu parei de rir e a gente ficou naquele silêncio, se encarando. Eu não queria ter previsto o que poderia acontecer. Porque quando o telefone do Liam tocou, e ele sorriu se desculpando e caminhou três passos pra poder atender, eu continuei na expectativa.
-Me desculpe, Niall parece uma criança faminta. Eu vou ter que levar os bolinhos pra ele.
Eu me levantei e acompanhei Liam até a porta.
-Bom, foi legal de qualquer jeito.
-A gente combina de sair outro dia.
Ele disse.
-Então tchau.
-Tchau.
Ele se inclinou para me abraçar ao mesmo tempo em que eu estendi a mão. Acabamos em um abraço esquisito com o meu braço no meio do caminho. Eu sorri envergonhada e me despedi com um aceno de mão quando ele andou na direção contrária á minha.
P.O.V.- Carolyn Stevens- Alguns dias depois.
-Eu não acredito que você vai falar com os meus pais.
Eu enterrei meu rosto nas mãos quando a placa avisando que Gillingham ficava á esquerda, ficou para trás.
-Eu fui ensinado com valores, Carolyn, mesmo que eu tenha pedido sua mão pra você, não significa que eu não tenha que falar com os seus pais.
-Você vai se arrepender disso.
Eu resmunguei tentando me controlar. Meu pai é militar, por isso que, devido á minha "teimosia" e "desobediência" em casa, eu estudei em internatos a maior parte da minha vida. Meu pai sempre foi do tipo controlador e, enquanto a maioria das meninas saía com suas mães e amigas, eu recebia treinamento quase militar em casa. Eles só... são muito duros com todo mundo, por isso que minha mãe e Nathalie só se falavam por telefone. Christina não seria rude com alguém pelo telefone, exceto comigo. "Você não tem se alimentado direito, o que seu pai lhe ensinou sobre uma boa alimentação?" "O que são essas olheiras debaixo dos seus olhos? Você não aprende que tem que ter oito horas de sono tranquilo?" Por essas e outras coisas que eu nunca levei nenhum garoto pra casa. Até hoje.
-Relaxa Carol, eles não são tão ruins assim.
-É bem provável que meu pai mande você fazer flexões.
-Carol, olha pra mim- Eu desviei o olhar para encará-lo- é um almoço com a sua família, voltamos pra Londres em duas horas. Vai dar tudo certo.
E foi isso o que eu continuei repetindo para mim, meu coração acelerado e as mãos que suavam, até chegar na velha casa onde eu costumava morar. Jake parou o carro na frente do portão de madeira e me deu um selinho antes de sair e abrir a porta para mim.
"Vai dar tudo certo" Vai dar tudo certo"
-Carolyn!
Minha mãe abriu a porta com um enorme sorriso. Eu não havia desde sempre. Ela estava com os cabelos louros na altura dos ombros, arrumados milimétricamente. Ela parecia ter acabado de sair de um filme americano dos anos 50. Vestido de meia manga até os joelhos, sapatos de salto e um avental de cozinha no corpo. O que era uma piada. Ela nunca cozinhou.
-E este deve ser Jakell. Muito prazer em conhecê-lo.
Ela sorriu e deu-lhe um beijo estalado na bochecha.
-Entrem!
Ela disse com um entusiasmo questionável para mim, entramos logo atrás dela. A casa inteira cheirava á biscoitos de gengibre, como uma antecipação para o Natal.
-Seu pai está na sala querida, está louco pra te ver.
Ela sorriu e andou até a cozinha, que ficava na direção oposta á sala. Andamos até lá, meu coração na garganta pelo medo de ter que bater continência na presença do meu pai. Calvin era um homem na casa dos quarenta, tinha alguns fios grisalhos na cabeça e não tinha nada que não se esperasse de um ex-militar.
-Olá.
Eu disse quando chegamos na sala. Meu pai abaixou o jornal e me olhou sério por um instante. Eu engoli em seco.
-Achei que nunca chegariam.
Ele disse e sorriu de lado. Bem, era quase um sorriso.
-Você deve ser o namorado da Carolyn. Muito prazer.
Meu pai e Jake apertaram as mãos, e minha mãe me chamou na cozinha.
-Vai lá.
Jake sussurrou para mim, e meu pai pediu que ele sentasse. Á cada passo longe da sala, eu sentia que algo estava muito errado. Algo do tipo, "Querida, esperamos vinte e um anos pra te contar um segredo extraordinário, espero que não se importe em contarmos quando seu pai terminar de estrangular seu namorado." Eu engoli em seco e entrei na cozinha.
-Carolyn.
Minha mãe disse, sem o entusiasmo de antes. Eu sabia que tinha algo errado.
-Mãe.
Eu respondi.
-Três meses sem notícias suas. Acha que isso está certo?
Eu pensei em responder que eram vinte anos sem vê-la direito, mas eu não queria estragar o clima.
-Me desculpe, com o trabalho e tudo o mais...
Ela ergueu a mão para que eu parasse de falar.
-Se não fosse a Nina me contando que você tem um novo namorado, eu nunca saberia!
-Eu o trouxe hoje.
Tentei não alterar meu tom de voz.
-E avisou ontem. Sabe como isso soou? "Ei mãe, eu estou grávida!"
-Isso é ridículo.
Eu resmunguei.
-Acha mesmo? Porque seu pai acha muito sério.
-Você contou pro meu pai?
Eu quase gritei. Mas lembrei que eles estavam á alguns metros de mim.
-E você acha que eu não contaria? Isso é sério Carolyn.
-Olha mãe, eu não sei o que deu em vocês. Eu não estou grávida. Não mesmo. O motivo de eu ter trago Jake aqui, foi porque ele queria comunicar á vocês, que a gente vai se casar.
Eu disse tudo de uma vez, nem notei que tinha gente atrás de mim.
-Vocês o quê?
Meu pai disse e eu congelei.
-Vamos nos casar. Não era bem assim que eu pretendia dar a notícia- Jake me olhou sorrindo- Mas é basicamente isso. Eu dirigi até aqui, pra pedir a mão da sua filha em casamento.
-Você... Você não está grávida, não é Carolyn?
Meu pai me olhou torto, como se aquilo fosse um problema.
-Não pai. Não estou grávida e não planejo estar pelos próximos seis anos. Satisfeito?
-Olhe os modos.
Meu pai e minha mãe disseram ao mesmo tempo. Foi bizarro.
-Então. Eu... Tenho a benção de vocês pra casar com a sua filha?
Jake disse, totalmente sem jeito.
-Mas é claro querido!
Minha mãe disse, com o entusiasmo esquisito outra vez.
-Senhor?
Jake perguntou, já que meu pai não respondeu.
-Cuide bem da minha menina, rapaz.
Dito isso puxou Jake pra um abraço esquisito. Minha mãe pediu que nos sentássemos enquanto ela trazia o almoço, e, por incrível que pareça, tudo correu bem.
P.O.V.- Nathalie Simmons
*N\A- Pra quem não viu alguma foto do Tom Leishman, melhor olhar (ele é muito gato :) )
Meu celular tocava como louco no andar de baixo. Eu corri para atendê-lo.
-Nathalie Simmons?
-Sou eu. Quem é?
-Aqui é Tom Leishman, espero que não se importe, eu peguei seu número com John.
Eu congelei. Era o Leishman. Porque diabos Tom Leishman queria falar comigo?
-Ah, sim. Leishman. Em que posso ajudá-lo?
Eu já podia sentir minhas mãos tremendo.
-Bem, como a senhorita deve saber, todo ano temos as propagandas do Text Santa. Vou ter muito trabalho e precisava de ajuda esse ano, John me falou muito bem de você.
-Senhorita- Eu ri- Como se você fosse muito mais velho do que eu, Leishman.
-É força do hábito. Então, você topa?
Ele riu também e eu queria morrer. Tom Leishman estava me ligando para ajudá-lo a fotografar. Eu só podia estar sonhando.
-Claro! Espera... O que eu tenho que fazer?
-Eu o John marcamos uma reunião no prédio da People as três. A gente conversa lá.
-Pode deixar. Até mais tarde.
-Até mais, Simmons.
Eu desliguei o telefone e me senti animada. Subi correndo e tomei um banho, eu ainda precisava comer antes de ir até a People. Me arrumei rapidinho e desci até a garagem.
(http://www.polyvore.com/remembering_sunday_nath_simmons/set?id=87854091)
No caminho para a People, passei no drive-thru do Morley's, que é tipo um Mcdonalds britânico onde os lanches são de frango. Era até gostoso. Os nuggets eram M-Bites e os lanches eram Morley's Chicken Burgers. Eram quase idênticos o que me fez achar que senso de humor britânico não era assim tão ruim. Eu estacionei o carro na vaga de funcionários e subi até a minha sala. Leishman e Castle conversavam animadamente em sua sala, o andar inteiro estava vazio á não ser por nós três. Eu me aproximei da sala de John e bati na porta de vidro.
-Cheguei.
-Ah, Nathalie! Entre, estávamos falando de você.
-Coisas boas, eu espero.
Eu disse enquanto me sentava ao lado de Tom Leishman.
-São sempre coisas boas. Aqui, não acredito que vocês foram apresentados ainda. Tom essa é a Nathalie, Nathalie esse é Tom.
Nós apertamos as mãos e Tom sorriu para mim.
-E então... O que estão planejando?
Eu me virei para John.
-Você deve saber que há uma campanha beneficente chamada Text Santa, na época do natal, juntamos dinheiro para a caridade.
-Acontece que esse ano temos um prazo muito curto para entregar as campanhas, culpa do pessoal do marketing, juro.
-Enfim- John continuou- Tom precisa de ajuda e você é a melhor fotógrafa disponível no momento. Eles vão te pagar um bônus por cada foto e algumas delas vão ser publicadas na People, pagamento em dobro.
-Eu aceitaria se fosse você.
Tom sussurrou.
-E além de tudo você vai conhecer as bandas que vão participar, você topa?
-Claro que sim! Quer dizer, é uma ótima oportunidade. Quando a gente começa?
-Agora. Estávamos esperando sua resposta.
Tom se levantou e pegou o casaco.
-Sua fé em mim é questionável, Castle. E se eu tivesse dito não?
Eu disse me levantando também.
-Eu sabia que você ia aceitar. Anda logo, você vai ter um dia e tanto hoje.
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