sábado, 29 de setembro de 2012

Capítulo 15


Capítulo 15- P.O.V. Carolyn Stevens.
Quando estávamos no café, recebi uma ligação da minha chefe.
-Carolyn?
-Oi!
-Aqui é a Nina, o noticiário avisou que a situação está melhor, a reunião está de pé.
-Tudo bem, tenho o projeto para a próxima edição da revista, quer que eu traga?
-Sim, esteja aqui em meia hora.
-Pode deixar.
Desliguei e voltei com a cara emburrada, não queria ir trabalhar.
-Vou ter que ir pra redação.
Nath me encara e dá um gole no seu café.
-Boa sorte, eu queria tanto ficar em casa e ver filme com você.
Mostrei a língua e guardei o celular no bolso.
-De qualquer jeito- Eu disse pegando o copo que havia deixado na mesa- Vou precisar de uma carona, de jeito nenhum eu vou andar até o centro nessas botas.
Apontei para meus pés e sorri, Jake se levantou recolhendo o casaco.
-Eu te levo.
Dei de ombros e me despedi de Nath e June, saindo do café logo em seguida.
-Não se acostume com isso.
Ele disse enquanto andávamos
-Não pedi nada á você, você que se ofereceu pra me dar carona.
Mostrei-lhe a língua e caminhei mais depressa, precisava pegar a pasta com o projeto da revista que estava em algum lugar do meu quarto.
-Espera aqui.
Eu disse quando chegamos no apartamento, Jake se sentou no sofá enquanto eu fui procurar a pasta.  Voltei para a sala dez minutos depois, com a pasta em mãos.
-Vamos?
Ele se espreguiçou e pegou as chaves. Prosseguimos em silêncio até a redação, com toda a certeza, o clima entre nós dois ficaria muito estranho á partir de segunda-feira.
-Jake?
-Sim?
Ele disse olhando para mim enquanto estacionava o carro no meio fio.
-Tem como você me buscar depois do seu trabalho?
Ele rolou os olhos e deu de ombros.
-Se você não estiver aqui quando eu chegar, eu passo reto. Ouviu?
Eu sorri.
-Obrigada.
E entrei no prédio. Nina Howards era amiga da minha mãe, de modo que ficou sabendo quando eu entrei na faculdade de fotografia e tratou de guardar um estágio para mim.
Entrei na sala de reunião e Nina me cumprimentou com um aceno de cabeça.
-Sua mãe mandou lembranças, do Caribe.
Ela sorriu e depois voltou a ficar séria. Era incrível como Nina mudava de expressão facilmente.
-Trouxe o projeto?
Ela me perguntou, entrelaçando as mãos em cima da mesa.
-Trouxe sim, aqui está.
Entreguei á ela a placa de 22 centímetros que era o projeto da revista. Ela analisou calmamente e repassou pela mesa. As pessoas analisavam com um olhar cuidadoso, observava cada uma delas olhar atentamente a placa, que chegou em minhas mãos minutos depois.
-O que acham?
Nina perguntou e vários comentários surgiram ao mesmo tempo, ela ergueu a palma da mão para cessá-los e apontou para uma moça que trabalhava aqui antes mesmo de Nina.
-Acho que ficou muito bom, de verdade.
Suspirei aliviada e continuei ouvindo os comentários.
-Sim, concordo com Melissa, a próxima edição vai ser um sucesso. Inverno em Londres, o que poderia ser mais original?
Eles continuaram falando enquanto esboçavam suas opiniões em seções que eu não trabalhava. Continuamos discutindo qual seria a matéria principal, quando Nina declarou que seria tarefa de Yan cuidar disso. Assim, fizemos uma pausa para o almoço.
-E aí Stevens? O que vai fazer no final de semana?
Yan perguntou apressado em sair da sala de reuniões, desde que entrei aqui ele ficava em cima de mim, chegava a ser estranho.
-Nada Honoi, vou trabalhar. Porque?
-Ah, uns amigos meus marcaram de ir num pub, achei que ia gostar de ir também.
Eu sorri sem jeito e recolhi a pasta.
-Não vai dar, agradeço o convite.
Continuei andando até a minha sala e ele foi me seguindo. Talvez fosse uma boa hora de usar a desculpa “ Estou namorando Jake” E talvez esse garoto largasse do meu pé.
-Hum, pensando bem- Disse virando-me para encará-lo. Pude ver seus olhos azuis brilharam, estranho.- talvez eu vá sim, se importa se meu namorado for junto?
Espera, pra onde foi aquele brilho no olhar mesmo?
-Na-namorado?
-Ah sim, eu não falei nele antes porque achei desnecessário. Mas sim, namorado.
Eu sorri e ele olhou para baixo. Coitadinho.
-Não, tudo bem. É sábado á noite, te mando um e-mail com o endereço. Vai ser legal conhecer o seu namorado.
E ele saiu da sala. Suspirei e me sentei, afim de revisar as fotos para a próxima edição. Melissa entrou na sala pouco tempo depois, com o meu almoço em mãos.
-O que foi que você fez para o coitado do Yan?
-Nada. Juro que não foi nada demais.
Ela suspirou e sentou do meu lado.
-Sabe que o garoto é afim de você desde que te viu. Porque não dá uma chance á ele?
-Porque estou namorando.
Ela me olhou incrédula.
-Não creio.
-Eu sei. Também não.
-Ah, você vai me apresentar. Sábado, na festinha do Yan. Pode ser?
-Claro.
-Tá. Vou espalhar a notícia.
-Faça isso.
E ela saiu da sala. Com os longos cabelos loiros esvoaçando atrás dela. Melissa Giancco era uma menina legal, só tinha uma personalidade meio forte.
Continuei revisando o texto até que Nina entra na sala.
-Soube das notícias.
-Mel?
-Mel. Essa garota saiu pelo escritório passando de mesa em mesa falando sobre você.
Eu suspirei.
-É preciso.
Ela se sentou ao meu lado.
- O que houve Carol?
Meu relacionamento com Nina foi sempre muito bom, conhecia ela desde pequena e sempre pedi ajuda com garotos, já que minha mãe não gostava nem um pouco que eu saísse por aí e meu pai, militar, nunca permitiu que eu saísse de casa. Por isso me mandou para internatos. Então, sempre contei com Nina para esse quesito.
-Lembra da Nath? Ela acaba de me meter na maior furada da minha vida.
Coloquei o rosto nas mãos e comecei a explicar a minha situação.
-Então... Você não está namorando?
- Só em público, quer dizer, eu posso estrangulá-lo em casa, mas passando da porta, sou a namorada de Jake Collins.
-Entendo, mas porque você odeia esse rapaz?
-Eu sei lá, desde que conheci Nathalie, ele ficava se metendo, ficava com ciúmes dela, das festas que íamos, ele interrompia nossas conversas, ligava pra ela no meio da noite... Deus, odeio ele.
Nina começou a rir.
-Carolyn, pelo que me parece, você tem ciúmes da amizade dele com Nathalie, sabe que ela deixaria tudo de lado para ajuda-lo, mas não tem certeza que ela faria isso por você.
Eu bufei.
-Que ridículo! Claro que eu não penso isso!
Ela sorriu.
-Bom, você sempre me pediu conselhos e opiniões, estou dando a minha. Você tem ciúmes dele com Nathalie e isso só vai mudar se ela demonstrar que estaria disposta á largar o que esta fazendo para vir te ajudar.
-Quanto baboseira.
Eu resmunguei.
Nina me lançou um sorriso antes de chegar mais perto para ver no que eu estava trabalhando.
-O que acha?
Eu perguntei.
-Está muito bom, de verdade. Vamos mandar para a gráfica?
-Claro, quando quiser.
-Vou mandar hoje mesmo.
Entreguei á ela o texto e Nina deixou minha sala e eu respondi alguns e-mails antes de verificar o relógio. Cinco e meia, Jake estava vindo. Desliguei tudo e me despedi de Melissa, quando passei por ela na recepção. Esperei no banco na frente do prédio, Jake demorou vinte e três minutos pra chegar.
-Ainda bem que está aqui, já ia passar reto.
Ele disse destravando a porta.
-Muito engraçado.
Eu disse e sorri.
-Não estou brincando, se você não estiver aqui, eu não vou te esperar.
Ele disse e continuou dirigindo, ficamos em silêncio até chegar em casa, destranquei a porta e não achei Nathalie. Coloquei a bolsa no quarto e tirei as botas, Deus como eu odiava o frio. Coloquei uma roupa quentinha e fui para a sala enrolada no cobertor.
-O que há, Collins?
Eu perguntei para Jake , já que ele olhava para a tv sem piscar.
-Nada. E aí, como foi o trabalho?
Sentei ao lado dele e aproveitei para contar as novidades.
-O escritório todo já sabe que eu namoro um idiota. E temos que ir num barzinho sábado á noite.
Eu disse dando de ombros e ele riu.
-O que foi?
Eu perguntei séria.
-Nada, faz um dia que começamos essa loucura e você já me exibiu pro seu escritório inteiro!
-Não! O que? Seu doente! Claro que não, uma amiga minha que contou... – Ele continuava rindo sem parar- Ah, idiota.
Eu me levantei e fui até a cozinha, percebi que ele veio atrás de mim.
-O que você quer?
Eu disse.
-Nada, só te fazer uma perguntinha.
-Diga.
Eu me virei para a porta e ele me colocou contra a parede, seus braços me prendendo no lugar.
-Diz pra mim que você não tá curtindo isso nem um pouquinho?
Eu me soltei dele e voltei pra sala, pegando meu celular e enviando uma mensagem pra Nath.
“Seu amigo está me dando nos nervos, cadê você?”
Ela respondeu imediatamente.
“Estou indo para casa.”
No momento que ela respondeu, Jake tomou o celular da minha mão e estendeu-o para longe de mim.
-Me devolve!
-Você ainda não me respondeu.
-Argh! Como você é idiota!
Eu estava muito irritada com ele, onde Nathalie guardava os biscoitos? Eu precisava de doce ou ia arrebentar a cara dele. Saí da sala batendo os pés e voltei para a cozinha, Jake começou a me encarar da porta da cozinha.
-Me devolve o celular.
Eu disse pelas costas enquanto procurava o pote de biscoitos.
-Não até você me responder.
Ele esticou o celular de novo mas eu tentei pegar, e quando eu fiz isso, ele me beijou. Primeiro foi só o toque das nossas bocas, depois ele foi transformando aquilo num beijo de verdade. Colocou a mão livre na minha nuca e pediu passagem com a língua. Nesse momento eu acordei do meu transe.
-AAAAAAAH! QUE NOJO! JAKE! EU VOU TE MATAR!
Peguei a primeira coisa que vi na minha frente e comecei a correr atrás dele. Ele estava rindo e correndo de mim.
-Olha só como você tá vermelha!
Ele riu outra vez e eu apontei o que tinha em mãos para ele. Primeiro ele ergueu as mãos em rendição e depois viu o que eu estava segurando. Uma frigideira. Eu ouço alguém bater a porta e me viro para olhar, Jake pega a frigideira da minha mão e me mantém afastada enquanto eu tento pegá-la de volta.
-Ei, ei, ei! O que tá acontecendo aqui?
Nathalie se colocou entre mim e Jake e nos separou por um instante.
-Esse retardado me beijou!
Eu disse furiosa e Nath me olhou com cara de interrogação.
-Carolyn...
-O QUÊ?
-Vocês dois estão namorando isso é...
-Não! NÃO ESTAMOS!  Eu não vou mais participar dessa brincadeira idiota!
Eu estava explodindo. Queria muito socar a cara sorridente daquele idiota.
-Eu vou te matar!
Eu disse avançando em Jake e em Nath ao mesmo tempo. Ela conseguiu me afastar, mas eu peguei a frigideira da mão do Jake e bati com ela na sua testa. Ele começou a gritar e se apoiou na parede enquanto eu cruzei os braços. Nathalie foi ajudar o amigo e June me lançou um olhar de reprovação, quando passou por mim. Jake ficou encostado na parede enquanto Nathalie e June olhavam a cabeça dele. Eu comecei a ficar preocupada, vai que eu acertei ele muito forte.
-Ótimo, tenho duas crianças em casa!
Nathalie disse enquanto ia até cozinha. June pediu para que Jake se sentasse no sofá, assim ela podia ver melhor a testa dele.
-Isso não está tão feio. Nath! Traz o gelo!
Ela gritou na direção da cozinha enquanto Nathalie aparecia com um pano nas mãos.
-Aqui.
Depois de entregar o gelo Nathalie me puxou pelo braço até o quarto dela.
-Está maluca? Você podia ter machucado ele de verdade!
-Eu sinto muito.
Disse baixinho.
-Não sinta por mim. Vá até lá e resolva isso com ele. Mas que droga Carol! Não tem nem um dia e você já tentou matar ele?
Ela saiu do quarto á passos largos. Eu era muito idiota. Poderia ter machucado ele muito. Fiquei no quarto da Nath até ouvir do Jake para deixar quieto. Nathalie não voltou e quando eu saí, só Jake estava na sala.
-Desculpe.
Eu disse e o encarei, Jake apenas sorriu.
-Sorte a sua que eu tenho a cabeça dura.
Ele riu e colocou a mão com o pano de gelo na testa.
-Nada disso teria acontecido se você não fosse idiota.
-Nada disso teria acontecido se você não fosse teimosa.
-Não sou!
-É.
-Não sou!
-Olha só o que você tá fazendo agora.
Eu me calei e ficamos em silêncio por alguns minutos.
-Onde a Nath foi?
-Comprar comida chinesa eu acho, sei lá, ela estava furiosa com você e disse que só ia voltar quando você me pedisse desculpas.
-Ela é mais teimosa do que eu.
Eu resmunguei.
-Ahá! Então admite que é teimosa?
Ele riu e eu mostrei a língua.
-Não, mas sério agora, você vai quebrar a promessa que fizemos?
Ele pergunta sério.
-Que promessa?
Ele suspira e continua.
-Prometemos tentar fazer isso, pela Nath.
-Ah- eu encaro o chão.- Não sei, não acho que consiga fazer isso.
-Qual é Carolyn, não faz nem um dia.
Eu reviro os olhos, vendo no que aquilo vai acabar.
-Se eu tentar, de verdade, você me deixa em paz?
Eu pergunto olhando para ele. Jake levanta a mão direita e pronuncia.
-Se você tentar de verdade, eu te deixo em paz.
Eu rio da cara dele.
-O que é isso?
-Palavra de escoteiro.
-Não sabia que foi escoteiro.
Ele ri.
-Não fui, mas você pode confiar na palavra de um escoteiro.
-Mas você não é escoteiro.
Ele tapa a minha boca.
-Shh! Ninguém precisa saber.
Nós dois começamos a rir. Alguns assuntos aleatórios surgem enquanto estamos na sala, pouco tempo depois Nathalie chega com várias sacolas de comida chinesa. Ela come a sua parte bebendo cerveja, o que é um fato muito raro. Depois do jantar, ela lava a louça e eu espero que ela vá até seu quarto para conversarmos.
-Nath?
-Entra.
Ela diz e eu abro a porta, Nathalie está deitada na cama, lendo seu livro favorito.
-Diga.
Ela deixa o livro de lado e eu sento na cama.
-Eu me desculpei com ele, e prometo tentar de verdade á partir de agora.
Eu digo.
-Ótimo, você vai ver que não é tão ruim assim.
-Está brava comigo?
Eu pergunto e ela começa a balançar a cabeça negativamente.
-Não! De jeito nenhum, eu só estava... Pensando.
-Em quê?
Eu digo e deito em sua cama, apoiando a cabeça nas mãos.
-Quando eu cheguei em casa, pela sua cara, parecia que Jake tinha tentado fazer coisas com você.
-Coisas?
-Ah, você sabe Carolyn! De qualquer jeito, isso me levou a pensar em quando eu o conheci, e conheci um amigo dele também. Tyler. Eu e Tyler nós dois... fizemos sexo juntos e isso foi, com certeza, a pior burrada que eu já fiz. Daí eu comecei a pensar se, forçando vocês dois a ficarem juntos, eu não estou fazendo outra grande merda.
Eu a observo cuidadosamente.
-Ta aí um assunto que nunca discutimos. Você... teve sua primeira vez com esse tal de Tyler? Eu pergunto e vejo a expressão dela mudar rapidamente. Percebo que não deveria ter perguntado isso.




Capítulo 14


Capítulo 14- P.O.V. Nathalie Simmons
-Obrigado mesmo Nathalie.
Louis disse enquanto abria a porta para Eleanor, mas ela não entrou.
-Você vai pra onde Nathalie?
-Eu tinha que ir até uma rádio com a June para buscar os ingressos dela, nada demais.
-É na Real Radio?
-Isso!
June falou animada, eu não fazia ideia do nome da rádio.
-Ora que coincidência! A entrevista é lá.
Louis disse sorrindo.
-Querem uma carona?
Harry disse balançando as chaves do carro.
-Não seria mal- Eu disse chutando um pouco da neve- Mas não iria atrapalhar?
-Atrapalhar onde? Entra, quem sabe, depois de deixar os meninos lá, nós três não vamos ao shopping?
Eleanor disse com um enorme sorriso no rosto.
Todos nós entramos no carro e seguimos o caminho até a rádio, Eleanor era uma garota super simpática, ela parecia ser uma amiga para todas as horas.
-Chegamos.
Harry anunciou assim que parou o carro num estacionamento de esquina.
-Com quarenta e dois minutos de atraso, parabéns Harry.
Eleanor disse abrindo a porta, pelo retrovisor pude ver que os dois garotos sorriam. Saímos do carro, fiquei envergonhada quando o primeiro fotógrafo tirou uma foto de todos nós, era desconfortável estar do outro lado da câmera. Tiraram mais algumas fotos, eu e June tentamos ficar um pouco mais para trás do que os meninos, mas os fotógrafos continuavam tirando fotos nossas. Uma mulher peculiar estava na recepção da rádio, ela tinha os cabelos curtos num corte assimétrico, os cabelos negros tinham várias cores diferentes, havia uma mecha verde na franja que caía em seu olho direito. Ela tinha vários piercings na sobrancelha  esquerda e um no lábio inferior, olhou para eles por um instante antes de voltar os olhos ao que estava lendo. Eles passaram pelos corredores, sendo guiados por Louis que segurava, sem soltar por um minuto desde que saíram do carro, a mão de Eleanor.
-Olha só quem chegou!
Alguém gritou de dentro da sala de transmissão, pude ouvir várias risadas. A conversa continuara quando a porta se fechou, coloquei o braço impedindo June de passar pela porta. Ela me olhou com cara de interrogação e eu falei baixo para que, se estivessem transmitindo, não pudéssemos ser ouvidas.
-Quer mesmo entrar lá, com cinco famosos lá dentro? Durante uma transmissão de rádio?
Ela balançou a cabeça negativamente, voltamos para a recepção onde a menina levantou os olhos mais uma vez, cumprimentou-me com um aceno de cabeça e continuou nos olhando.
-Ela ganhou uma promoção ontem na rádio.
Disse, apontando com o polegar para June. A garota da recepção deu uma meia volta com a cadeira do rodinhas onde estava sentada, procurou uma papelada e colocou na bancada junto com uma caneta.
-Assine isso e espere a transmissão acabar, Robert irá trazer os ingressos pra vocês.
June assinou rapidamente, a menina recolheu a papelada e apontou para uma saleta sem portas com várias poltronas. Eu e June nos sentamos na saleta e ficamos ouvindo a transmissão enquanto esperávamos.
-E então garotos, está uma loucura lá fora não é?
-Sim, mal posso acreditar que todas essas garotas vieram aqui só pra ver a gente.
-E está nevando!
Eles deram uma rizada. June havia se levantado e constatou que haviam centenas de garotas com cartazes, paradas na porta da rádio.
-Fiquei sabendo sobre outra turnê mundial, mas me contem, como foi a primeira turnê?
-Estávamos muito ansiosos e assustados ao mesmo tempo, estar em vários países, conhecer novas fãs, estar longe de casa. Foi tudo muito diferente do que estávamos acostumados.
-E as fãs estão por todo o mundo! Eu recebo tweets em línguas que não conheço, todos os dias!
-Elas são demais, fazem vídeos, cartazes, andam milhares de quilômetros para nos ver, nos apoiam como ninguém.
-Amamos elas.
Com essa frase, centenas de garotas gritaram do lado de fora.
-Ouviram isso? Que tal darem um oi para essas garotas?
Ao que parece, eles foram para fora, não escutava nada com os gritos das meninas. A entrevista prosseguira por meia hora, os meninos se despediram do locutor e ele encerrou a entrevista com What makes you beautiful. Vi de relance os meninos saindo, acompanhados de um cara, que reconheci ser Paul. Eleanor se demorou na recepção, pude ver a garota apontando um dedo na minha direção, Eleanor sorriu e caminhou rapidamente na minha direção.
-Achei você, os meninos acabaram, eles vão almoçar em uma lanchonete, quer vir?
Ela sorriu e ajeitou os cabelos atrás da orelha.
-Claro, June precisa pegar os ingressos. Me diz a lanchonete e alcançamos vocês lá, se não atrasamos vocês.
Eu sorri envergonhada e ela me disse as direções, não era tão longe, do modo que poderíamos ir andando.
-Te vejo lá!
Ela disse e mandou um beijo, antes de se unir a Louis pelo braço e caminhar para fora da rádio. June pegou os dois ingressos V.I.P. Ela deu pulinhos de alegria, contei á ela onde iríamos almoçar. Ela guardou os ingressos na bolsa e ficou contando o caminho inteiro quais seriam as opções de roupas para ir até a La Belle. A lanchonete Nando’s não ficava muito longe da rádio, ainda ventava um pouco, de modo que não andamos muito rápido. Abrimos a porta e o sino sinalizou nossa entrada, pude ver os meninos pararem de rir e olharem diretamente para nós. Senti o rosto esquentar, Eleanor sorriu e puxou eu e June pelo braço, fez com que sentássemos bem no meio da mesa, eu e June entramos no meio de Liam e Zayn. Cumprimentei os meninos com um sorriso e olhei encabulada para as minhas mãos.
-Nem tinha tanta fila assim, não sei porque demorou tanto.
Niall chegou na mesa equilibrando duas bandejas lotadas com diversos pacotinhos de comida. Ele sorriu sem graça e deixou as bandejas na mesa.
-Oi meninas.
Ele disse e se sentou, bem na minha frente.
-Oi.
Dissemos juntas e continuamos a encarar nossas mãos.
-O que foi meninas? Estavam falando tanto no carro e agora estão tão quietas.
Harry disse, pegando um pacote de comida de uma das bandejas.
-A Nath é envergonhada assim mesmo, e eu não conheço nenhum de vocês, então...
Ela deu uma risada que foi cortada por Liam com certa preocupação na voz.
-Carro? Que carro?
-Harry atolou o carro na neve, por sorte, Nath estava passando e resolveu ajudar a empurrar. Se não fosse por ela, eu e Harry não teríamos chegado á tempo para a entrevista.
Louis sorriu.
-A culpa não foi inteiramente minha, estava tentando pegar um atalho.
-Porque acordou atrasado.
Niall disse enquanto comia uma coxa de frango, o que foi uma cena engraçada de se ver. Nós todos começamos a rir, Niall me olhou por um instante e depois voltou sua atenção para a comida. Eleanor encorajou-nos, eu e June, para fazer o pedido. O que não demorou muito, comemos devagar, éramos interrompidas porque os meninos riam toda hora.
-Bom, e agora? A gente faz o que?
Zayn perguntou quando terminamos de comer.
-Eu não faço ideia.
-Também não.
-Que tal um filme?
Sugeriu Eleanor.
-O que tá passando nos cinemas?
Harry perguntou olhando para Louis.
-Não sei, não seria mais fácil alugar alguma coisa, Hazza?
Louis perguntou encarando o amigo.
-Talvez.
-O que vocês gostam de que tipo de filme, meninas?
-Terror.
Eu e June respondemos ao mesmo tempo, nos entreolhamos e sorrimos.
-Tá legal corajosas, quero saber se aguentam o melhor filme de terror que já foi feito.
Harry disse num desafio.
-Não existe filme de terror bom.
June disse cruzando os braços.
-Espera, isso é um desafio?
Zayn perguntou.
-Talvez.
Eu disse cruzando os braços também.
-Eu duvido que você não se assuste com esse filme.
-Duvida quando?
June se apoiou na mesa.
-Cinquenta libras que você vai ficar assustada com o filme.
-Fechado.
-Espera, são cinquenta libras pra casa pessoa que está aqui, totalizando trezentas libras.
June o olhou com uma cara desafiadora.
-Fechado.
Ela repetiu apertando a mão de Harry e depois a de Zayn.
-Se vocês acham que nós duas vamos ter medo de um filminho qualquer, vocês estão enganados.
Nos levantamos e nos dividimos nos carros dos garotos, June acabou indo com Harry, Eleanor e Louis e eu fui com Liam, Zayn e Niall. Sentei no banco de trás ao lado de Niall.
-Então você não tem medo de filmes de terror?
Ele me perguntou.
-Nem um pouco. Você tem?
-Não. Mas é legal saber que outra pessoa também não tem medo.
-Ei! Eu não tenho medo de filme de terror!
Zayn virou-se para nós, eu sorri.
-A maioria dos meninos não tem medo de filmes de terror.
-Eu tenho um pouco de medo.
Liam admitiu.
-Você não é um menino normal!
Eu disse rindo. Liam estacionou na locadora, Niall e Zayn desceram do carro enquanto eu e Liam ficamos nele.
-Descobri quem é a garota.
Disse assim que eles entraram.
-Quem é?
Ele se virou, com uma súbita animação. Peguei meu celular e mostrei a foto que tinha de Annie, ela estava de perfil, lendo um livro. Era a única foto que consegui tirar dela.
-É bonita. Qual o nome dela?
-Annabelle DeLarue. Eu acho que ela é francesa, ou os pais eram. Ela não gosta muito de falar sobre ela mesma.
-Entendo. Mas será que ela gosta do Harry? Eu digo... Ele acaba de sair de um relacionamento muito complicado, acha que estragou tudo com a ex-namorada e, sinceramente, não gosto de ver o meu amigo desse jeito.
-Na minha opinião, ela e Harry dariam um belo casal. Mas Annie é tão rebelde e tão... fechada que vai negar tudo se perguntarmos á ela. Mas de qualquer jeito- Eu olhei para ele.- Eu acho que esses dois se resolvem sozinhos.
Nós dois sorrimos e os meninos voltaram para o carro.
-O que os dois pombinhos estavam conversando?
Zayn disse enquanto sentava.
-Nada demais, só que vocês provavelmente escolheram um filme ruim e que eu vou poder comprar meu lindo par de sapatos com o dinheiro que vocês vão me dar.
-Espera, não íamos dar o dinheiro para June?
Zayn disse confuso.
-Sim, como estou participando da aposta também, vou ficar com a metade.
Peguei a sacola do colo de Niall, que a tomou de volta antes que eu pudesse ver o conteúdo.
-Harry disse que vocês só veriam o filme quando chegássemos na casa dele.
Ele disse esticando a sacola para longe de mim. Cruzei os braços, irritada, o que fez ele rir.
-Parece uma criança birrenta.
Ele disse enquanto ria. Mostrei a língua para ele e encarei a janela. Eu queria poder ter a minha câmera comigo agora, estávamos passando por uma fonte em que água estava congelada, era lindo.
-Olha só!
Eu disse apontando para a fonte.
-É bonito.
Niall disse enquanto olhava.
-Eu queria estar com a minha câmera agora.
Disse num suspiro.
-O que você faz com todas as fotos que tira, Nath?
Liam perguntou.
-Eu guardo no computador, não teria espaço para guarda-las se estivessem impressas.
-Ninguém vê essas fotos?
Zayn perguntou, virando-se para trás.
-No natal, eu deixo elas passando na televisão enquanto o pessoal chega, mas ninguém presta muita atenção.
-Você deveria coloca-las na internet, fazer um blog ou coisa parecida.
Niall disse.
-Seria uma boa, mas não faço a mínima ideia de como montar uma página na internet.
Eu disse dando de ombros.
-Uma pena.
Niall respondeu. Ficamos num silêncio constrangedor até chegar na casa do Harry, avistei o carro de Zayn na garagem e o cutuquei com o cotovelo.
-Está me devendo uma volta naquele carro.
Eu disse e ele riu.
-Ainda lembra disso? Tudo bem, se e somente se, você ganhar essa aposta.
Ele cruzou os braços e fomos até o elevador. O caminho inteiro, June, eu, Harry e Zayn, ficamos discutindo porque sabíamos que o filme seria horrível. Eleanor tomou a liberdade de arrumar a sala, aproveitei para ajuda-la.
-O que acha? Levo cobertores?
-Sim, está frio, e os meninos vão precisar agarrar alguma coisa enquanto estiverem apavorados.
Nós rimos.
-Vamos lá, eles estão esperando.
Carregamos um monte de almofadas e cobertores para a sala, Harry, Zayn, Liam e June sentaram no sofá. Louis deu dois tapinhas num lugar vago ao lado dele. Ela correu até lá e jogou uma almofada para cada um, distribuí os cobertores e me sentei no chão, nos pés de Liam e ao lado de Louis.
-Já vai começar, prepare-se para morrer de medo.
Alguém, provavelmente Harry, sussurrou perto de mim.
-Venha Niall! O filme já vai começar!
Niall correu da cozinha para a sala com um grande pote com pipocas. Sentou-se no chão e recostou-se no sofá. O começo familiar estava estampado na tela da tv. Os patrocinadores passavam um por um enquanto a introdução do filme começava.
Três garotinhas brincavam num grande quarto enfeitado e cheio de brinquedos. De repente, as três se levantam e vão em direção á janela, elas abrem a janela, lançam um olhar por sobre seus ombros, e pulam.
-Que horror!
Eleanor diz, escondendo o rosto no peito de Louis. Eu olho para June, A mulher de Preto era o filme que eu queria ver nos cinemas, principalmente porque Daniel Heatcliff estrelava. Eu havia visto esse filme na estreia, com June e Carolyn. Lancei um sorriso para June e voltei minha atenção no filme, que prosseguiu com alguns sustos para Eleanor. Eu e Niall monopolizamos o pote de pipocas, tive que arrancar o pote das mãos dele duas vezes, porque ele não queria dividir. Na cena final, Eleanor se levantou indignada.
-Não acredito que eles morreram!
Ela cruzou os braços e foi na direção do corredor. Eu me levantei e puxei o braço de June.
-Parece que os meninos estão devendo algum dinheiro para nós.
Eu e ela cruzamos os braços, esperando.
-Nada disso.
Harry se levantou.
-A garotinha aí, levou uns dois sustos no meio do filme.
June abriu a boca para protestar, mas Liam levantou o braço.
-Não foi ela. Fui eu.
Ele admitiu e nós todos rimos.
-O que houve?
Eleanor voltou de onde tinha ido, nos encarava com os braços cruzados.
-Não acredito que ficou com medo desse filme.
Disse encarando-o.
-Bem, não é que eu fiquei com medo...
Ele deu de ombros e June pigarreou.
-É, tá tudo muito legal, mas temos um dinheiro pra receber.
Os meninos buscaram as carteiras e deram o dinheiro, mas eu recusei minha parte.
-Aposta é aposta, Nathalie.
Eles disseram.
-Eu não preciso, é sério gente, o dinheiro é de vocês.
Eu disse e peguei o celular que vibrou em sinal de mensagem.
“Seu amigo está me dando nos nervos, cadê você?”
Respondi rapidamente porque os meninos me olhavam.
“Estou indo para casa.”
-Bom, temos que ir. Vamos June?
Ela deu de ombros e pegou o casaco que estava em cima da mesa de jantar.
-Mas já vão?
Eleanor perguntou.
-É tarde, eu e June vamos jantar com uns amigos.
Eu sorri.
-Verdade, olha só, já são seis e meia.
Liam disse olhando no visor do celular.
-Bom, já que você não quis a primeira parte da aposta, cumpra a segunda parte pelo menos. Eu levo vocês em casa.
Zayn disse pegando as chaves do carro. Eu e June nos despedimos dos meninos e de Eleanor que pediu para que gravasse o numero dela no meu celular. Descemos até a garagem e eu encarei o New Bentley Continental GTC de Zayn. Entramos no carro e ele deu a partida, o ronco feroz do motor ecoou na garagem, Zayn acelerou para sair e ligou o rádio em uma estação conhecida.
-O que está achando?
Ele perguntou.
-Incrível, o carro é incrível!
Ele riu.
-Não, não do carro. O que está achando de Londres?
Eu sorri.
-É exatamente como eu esperava, se não melhor. Em dois anos eu conheci amigos maravilhosos, arrumei um emprego super legal e tenho uma amizade com os cinco garotos mais famosos de Londres.
Eu ri.
-Bem, talvez não sejamos os mais famosos...
-Mas com certeza serão, vocês tem talento.
Ele sorriu.
-Obrigado.
-Ah, vira na próxima á esquerda e depois na segunda á direita.
-Pode deixar.
Seguimos sem nos falar até o meu apartamento.
-Muito obrigada.
Eu disse saindo do carro.
-Imagina, até mais Nath!
-Até mais!
Eu acenei enquanto ele acelerava o lindo carro para longe da minha vista.
-É, ele é bem mais bonito ao vivo.
June disse e depois riu. Subimos até o elevador, e quando eu abri a porta do apartamento, encontrei Carolyn ameaçando bater em Jake com uma frigideira.

Capítulo 13


 Capítulo 13-P.O.V.- Carolyn Stevens.
-Namorando. Namorando! Carolyn Stevens namorando um completo idiota!
Eu gritei me jogando na cama quando entrei no quarto.
-Quanto drama!
June disse olhando as unhas. Eu apenas a observei.
-Afinal, o que há demais em você fingir que namora o Jake, são apenas alguns sorrisos forçados, abraços, beijinhos e conversa de casal. Isso tudo na frente das pessoas, aqui dentro você pode se trancar no quarto e fazer o que quiser.
-Eu não posso mata-lo.
Eu disse emburrada.
-Carol, o garoto precisa da sua ajuda. O que há demais?
-Eu apenas não quero ficar de intimidade com ele, tem alguma coisa naquele garoto que me deixa muito irritada. E agora que eu conheci esse menino de quem eu te falei, o que vou dizer pra ele?
-Diga que seu amigo tá precisando da sua ajuda.
Eu olhei incrédula para ela.
-Ah claro! Ele vai aceitar numa boa né June?
Ela riu.
-Não disse que ele ia aceitar, disse o que você poderia falar pra ele.
Ela riu e eu taquei um travesseiro nela.
-Vamos dormir sua babaca, amanhã vai ser um dia bem longo na redação.
Ela concordou e apagamos as luzes, demorei um pouco para dormir, fiquei pensando no que o dia de amanhã me traria, já que agora e estava namorando Jake Collins.

Acordei com um vento gelado no rosto, June havia esquecido de fechar a janela á noite e vários pedacinhos de gelo se formaram no parapeito da janela. Era uma manhã com neve em Londres.
Resolvi deixar June dormindo, já que não tínhamos nada para fazer hoje. Andei silenciosamente até a cozinha, o relógio de parede marcava cinco e meia da manhã. Liguei a cafeteira e esperei até que o café ficasse pronto, quando estava colocando a xícara na pia, alguém cutuca o meu ombro. Pulo de susto e me viro, deparando-me com um Jake sonolento atrás de mim.
-Tá querendo me matar?
Eu digo, um pouco mais alto que o necessário.
-Não, to querendo café. Ainda tem?
Ele pergunta sorridente. Eu bufei e lhe entreguei a xícara da cafeteira que ainda tinha um pouco de café.
-Obrigado.
Ele murmurou enquanto eu saía da cozinha. Caminhei até o quarto de Nathalie e bati na porta antes de entrar. Pouco me importava que ela estivesse dormindo, eu a queria acordada.
-Nathalie!
Falei em tom alto, mas ela estava debaixo de todos os cobertores que estavam na cama, um bolinho com cabelo emaranhado numa cama.
-Acorda!
Eu grito e jogo uma almofada, que estava no chão, em suas costas. Ela resmunga alguma coisa e levanta a cabeça para me olhar.
-Ah, é você.
Então ela fecha os olhos e desaba na cama novamente.
-Anda Nath! Está nevando e eu quero fazer alguma coisa, já que não vou conseguir dormir e a reunião vai ser, provavelmente, cancelada.
-Por isso mesmo. Está nevando, eu é que não vou me mover daqui.
Eu dei dois passos em sua direção e pulei na cama.
-Você não vai me deixar dormir, não é?
Ela resmungou com a cara no travesseiro.
-Não.
Eu disse sorrindo.
-Tudo bem, o que você quer?
Ela disse, se sentando na cama.
-Quero fazer alguma coisa.
-Tipo?
Ela perguntou esfregando os olhos.
-Sei lá, ver algum filme. Comer pipocas, tomar café no Starbucks. Algo assim.
Eu disse. Ela suspirou e se levantou da cama.
-Tá bom, vê se o Jake vai sair pra trabalhar, se não, vamos eu você e a June até o Starbucks.
-Tudo bem.
Eu disse saindo do quarto dela. Abri a porta do meu quarto, para pegar meu celular. June ainda dormia na cama que montamos ao lado da minha, alcancei meu celular, havia uma mensagem da minha chefe.
“Há uma nevasca, a maioria das ruas estão fechadas. Se a situação não melhorar até às 10 da manhã, a reunião estará cancelada.”
Não me dei ao trabalho de responder, fechei a porta cautelosamente e andei até a sala. Jake estava bebendo café, sentando no sofá, olhando para a tv.
-Vai trabalhar hoje?
Perguntei em tom casual.
-Porque, a minha namorada- ele fez uma careta ao dizer a palavra- está a fim de sair?
Ele sorriu e eu mostrei a língua pra ele.
-Não, idiota, a sua amiga está te chamando para sair. E eu não sou sua namorada.
-Ainda.
Ele disse rindo.
-Vai me responder?
Eu disse me apoiando na parede.
-Não, não vou trabalhar hoje. Você viu a neve? Quem é o louco que sai de casa num dia desses?
-Eu queria sair.
Disse fazendo bico, o que fez ele rir.
-Só que não dá. Tem pelo menos, meio metro de neve nas ruas.
-A gente podia ir lá fora, Nathalie só viu duas nevascas desde que chegou aqui. Vai que ela quer descer...
Ele me cortou.
-Você está afim de ir lá em baixo e ver a neve não é?
Eu balancei a cabeça, afirmando.
-Não sei quem é mais criança, você ou a Nathalie.
Ele disse se levantando.
-Vou me arrumar, quem sabe o Starbucks não está aberto.
Ele disse indo para a cozinha.
-Jake?
Eu disse dando um passo na sua direção.
-Diga.
Ele se virou para me olhar.
-Eu não acho que isso vai funcionar.
-Isso o que?
Ele disse vindo até mim.
-Nós dois. Eu digo... Não tem como nós dois estarmos num relacionamento juntos.
Eu disse o olhando.
-Eu também não queria isso, é que a Nath é tão... Teimosa! Eu só queria que ela me escutasse, eu odeio a Hayley, é verdade, mas isso não é motivo pra ela me arranjar uma nova namorada.
Ele disse e depois suspirou.
-Eu não queria te envolver nisso, mas já que estamos assim, vamos tentar. Pelo menos até que a Nath perceba que isso não vai dar certo.
Eu concordei.
-Vou acordar a June para irmos até o café.
-Promete que vai tentar?
Ele disse estendendo a mão.
-Prometo.
E selamos um acordo, no meio da sala de estar.
P.O.V.- Nathalie Simmons.
A vagabunda da Carolyn me acordou às cinco da manhã, num dia de neve! Eu iria mata-la. Mas estava tão quentinho na minha cama, que eu fiquei com preguiça. Levantei e fui tomar um banho, me troquei rapidamente.
Carolyn e Jake ainda não estavam prontos e June nem estava acordada.
-E aí galera, o que a gente vai fazer?
Eu disse me sentando entre a Carolyn e o Jake no sofá.
-June não acorda de jeito nenhum, o noticiário disse alguma coisa sobre já podermos sair na rua e eu estou com fome.
Carolyn disse, ainda olhando pra tv.
-E quanto a você?
Eu olhei para Jake.
-Está nevando, em setembro! Eu queria estar dormindo, mas a madame aí acordou a casa toda.
Eu me levantei e puxei os dois comigo.
-Vamos acordar a June e depois vamos sair.
-Boa sorte.
Eles disseram e se sentaram novamente.
-Sem ajuda? Tudo bem, eu vou sozinha!
Disse levantando os braços, com a voz mais dramática que pude achar. Abri a porta do quarto de Carolyn devagar, June estava enrolada nos cobertores, em uma cama ao lado da cama de Carolyn. Me ajoelhei do lado dela e a cutuquei de leve. Nada. Comecei a gritar o nome dela e a chacoalhar seu ombro. Nenhum resultado. Corri até a cozinha, peguei uma panela e uma colher. Carolyn e Jake me olharam com cara de interrogação e me seguiram até o quarto da Carolyn.
-Tem certeza?
Carolyn me perguntou quando entramos no quarto. Eu apenas sorri e comecei a bater a colher na panela. Não demorou muito até que ela resmungasse alguma coisa. Carolyn puxou o braço dela pra que June se sentasse. Ela nos fuzilou com o olhar antes de se virar para o despertador da Carolyn.
-Seis e meia! Vocês são malucos!
E deitou de novo na cama, eu, Carolyn e Jake começamos a gritar de novo e ela se rendeu.
-Tudo bem! Me dê um minuto para me arrumar.
Ela disse indo na direção do banheiro de Carolyn. Enquanto ela se arrumava, Jake foi tomar banho no banheiro do corredor.
-E aí, o que aconteceu pra você acordar cedo?
Eu perguntei para Carolyn.
-June deixou a janela aberta, quase morri congelada de manhã.
Eu ri e depois ficamos em silêncio por alguns minutos.
-Ei, Nath.
Eu olhei para ela.
-Decidi ajudar o seu amigo, vou tentar de verdade tirar essa vadia do pé dele.
Eu fiquei feliz, abracei-a por um instante e o Jake abre a porta do quarto.
-Tem um monte de gente na rua, vem ver!
Corremos até a sacada, um monte de crianças com seus pais corriam e brincavam na neve.
-Olha que legal!
Eles apontaram para um bando de adolescentes fazendo guerra de bolas de neve. Eu corri até o quarto e peguei a câmera, tirei umas fotos muito legais.
-A gente podia descer né?
Carolyn perguntou com um brilho no olhar.
-Claro, assim que sua prima sair do banho.
Eu disse olhando para dentro do apartamento, por reflexo. Carolyn entrou no apartamento enquanto eu e Jake observávamos a rua.
-Carolyn prometeu que iria tentar fazer dar certo.
Eu disse encarando Jake.
-Eu sei. Só não acho que vai dar certo mesmo assim, eu e ela...
Ele perdeu as palavras e suspirou. Eu dei dois tapinhas nas suas costas e entrei no apartamento, June estava indo até a cozinha e eu fui atrás dela.
-Bom dia!
Eu disse alegre.
-Oi.
Ela disse seca.
-Nossa, desculpa.
Eu ri e abri a geladeira.
-Um dia Nath. Um dia eu vou te acordar assim e você vai ter o que merece.
Eu olhei para ela, June estava com os cabelos soltos e uma cara de sono. Fiquei encarando o coturno que ela usava.
-Você e sua prima são tão diferentes! Aposto que ela vai sair de lá usando o maior salto que tiver.
Ela riu.
-Pouca convivência, Carolyn estudou nos internatos de Londres enquanto eu ficava nas escolas de Gillingham. Ela aprendeu a ser uma Barbie enquanto eu sou totalmente o oposto.
Eu sorri.
-Gosto disso, já me vesti assim uma época, eu acho que foi quando eu morava em Los Angeles. Estava tão brava com a minha mãe que pintei as pontas do cabelo de roxo e saía toda vestida de preto. Depois de dois meses eu dei uma trégua, voltei á cor natural e passei a usar ais cores.
Eu ri.
-Queria ter visto isso, você de cabelo roxo. Que hilário!
Ela começou a rir pra valer, enquanto ela recuperava o fôlego e fui tomar um copo de leite. Não demorou até que Carolyn surgisse na porta da cozinha.
-Vamos?
Ela perguntou impaciente, batendo o pé no chão.
-Calma, ainda tem o Jake.
-Estou pronto!
Ouvi ele gritar da sala.
-Então vamos.
Peguei as chaves e fomos até o Lobby, iríamos andar até o Starbucks. A neve fofa enterrava os nossos pés, mas era divertido andar nela. Passamos a maior parte do tempo tentando não cair no gelo escorregadio. Carolyn tropeçou umas duas vezes por causa das botas.
O café estava cheio, geralmente num dia de frio você quer tomar um café quentinho. Pedimos e esperamos dentro do recinto lotado e quentinho, a neve havia parado de cair, dava pra ouvir o barulho dos caminhões limpando a rua. Carolyn foi atender um telefonema, ficamos conversando até que ela volta com uma cara emburrada.
-Vou ter que ir pra redação.
Eu a encaro e dou um gole no meu café.
-Boa sorte, eu queria tanto ficar em casa e ver filme com você.
Ela mostrou a língua e guardou o celular no bolso.
-De qualquer jeito- Ela disse pegando o copo que havia deixado na mesa- Vou precisar de uma carona, de jeito nenhum eu vou andar até o centro nessas botas.
Ela apontou para os próprios pés e sorriu, Jake se levantou recolhendo o casaco.
-Eu te levo.
Carolyn deu de ombros e se despediu de mim e de June, saindo do café logo em seguida.
-É, ficamos eu e você. O que quer fazer?
Disse terminando o café e recolhendo a bolsa.
-Preciso ir até a rádio pegar os ingressos da La Belle.
-Então vamos.
Peguei sua mão e fomos andando pelas ruas, o prédio da rádio ficava bem longe, mas o vento gelado era bom e eu gostava muito de andar.
-Olha, o que é aquilo ali?
Ela perguntou apontando para um carro preto, provavelmente atolado na neve.
-Algum pobre infeliz colocou o carro na neve fofa.
Eu disse, indo na direção do carro.
-O que você vai fazer?
June perguntou, poucos passos atrás de mim.
-Vou ajudar, aquele cara não vai conseguir tirar o carro sozinho.
Eu disse e continuei andando, June me alcançou pouco depois. O carro estava com as rodas afundadas na neve, acelerando sem pensar, se afundando mais ainda. Eu parei alguns passos longe e cruzei os braços, vendo até onde o cara iria atolar o carro. O motorista desistiu, e saiu do carro pouco depois de desligar o motor.
-É, vai ficar preso por um bom tempo.
Eu disse dando dois passos na direção do motorista.
-Eu realmente não... Nathalie?
Ele perguntou olhando bem para o meu rosto, de imediato eu não reconheci, depois lembrei de onde conhecia aqueles cachos.
-Harry! Oi!
Eu disse abrindo um sorriso, ele sorriu também e me deu um breve abraço.
-Não acredito que atolou o seu Audi.
Eu disse cruzando os braços.
-Eu achei que dava pra passar, o pior é que vou me atrasar, tenho que estar na rádio daqui á meia hora.
-Rádio?
-A banda vai dar uma entrevista, eu como sempre, acordei atrasado. Por sorte Louis me apressou.
-Ele está ali?
Apontei para o carro e vi duas portas sendo abertas.
-Sim.
Louis e uma garota saiam do carro, deram os braços e colocaram as mãos nos bolsos por causa do frio.
-Eu disse pra não virar nessa rua, mas o Harry é teimoso e não me escuta.
Ela disse mostrando a língua para o Harry, que sorriu e depois me encarou.
-Oi Louis.
Disse sorrindo esperando que ele me conhecesse.
-Oi...Nathalie!
Ele deu uma pausa para lembrar meu nome e sorriu. Andou na nossa direção e me cumprimentou com um abraço, colocou o braço nas costas da garota e a apresentou.
-Els essa é a Nathalie, a fotógrafa da People. Nathalie essa é a minha namorada, Eleanor Calder.
Ela sorriu e me abraçou.
- Muito prazer.
Ela disse depois que nos separamos.
-O prazer é meu.
Eu disse e procurei June que estava á poucos metros de nós, sinalizei para que ela se aproximasse, eles ficaram observando enquanto ela andava até nós.
-Pessoal essa é a prima de uma amiga minha, a June.
-June esse é o Harry, o Louis e a namorada dele a Eleanor.
Eles sorriram e se cumprimentaram, June perguntou o que eles estavam fazendo ali parados e a Eleanor respondeu.
-Eles tinham que estar na rádio pra fazer uma entrevista, mas o garotão aqui se atrasou e dirigiu com toda a pressa do mundo, acabou atolado na neve.
Elas riram.
-Querem ajuda pra tirar o carro daí? Eu não tenho muita experiência, mas acelerar o carro não vai adiantar.
Harry deu de ombros e andou comigo até a frente do carro.
-Bem, vai demorar pra tirarmos o carro daqui.
Eu disse analisando as rodas que estavam totalmente imersas na neve.
-Vamos empurrar?
-Eu não tenho força, mas ajudo. Chama o Louis pra ajudar também.
Ele chamou o amigo e nós três começamos a empurrar o carro, mas ele não se mexia. Depois de algum tempo eu perguntei ofegante.
-Harry... Por acaso você puxou o freio de mão?
-Puxei ué.
Ele disse e se sentou no capô do carro, não pude evitar dar um tapa no seu ombro.
-E você quer que o carro se mexa como, com o freio de mão puxado?
Eu sorri e ele deu um tapinha na própria testa, enquanto ele entrava no carro, vi June e Eleanor rirem da situação.
-Venham aqui ajudar!
Eu disse enquanto Harry saia do carro. Nós cinco conseguimos empurrar o carro com um pequeno esforço, batemos nas mãos um do outro quando terminou.

Capítulo 12


Capítulo 12- P.O.V.- Nathalie Simmons.  
Annie desceu do carro e andou até a porta do restaurante, pedi ao motorista para esperar mais um pouco, vi quando ela digitou algo no celular e entrou no restaurante logo depois. Pedi ao motorista que me levasse até em casa, paguei caro por toda a corrida, mas quem liga? Abri a porta de casa com um puta de um sorriso no rosto, joguei as chaves na bancada da cozinha e encontrei June mexendo no computador, pulei no sofá, ficando de joelhos ao lado dela.
-Advinha!
Ela ergueu os olhos da tela para me olhar.
-Bom... Analisando o tamanho do seu sorriso, o jeito que você está empolgada e o quanto você quer que eu cale a boca pra poder contar, ou é menino, ou é dinheiro.
Ela começou a rir e eu a empurrei de leve.
-Acabei de receber meu pagamento.
-Legal!
Ela disse sorrindo.
-Quer saber quanto eu ganhei?
Ela me olhou incentivando a continuar.
-Cinquenta. Mil. Libras.
Ela perdeu o sorriso do rosto, deixou o computador de lado e se pôs de joelhos para me abraçar.
-Nathalie! Querida! Sabe que o meu aniversário tá chegando né?
Ela disse se afastando, eu ri.
-Seu aniversário foi em Agosto.
-Eu sei, mas o natal já já esta aí.
Ela disse cruzando os braços.
-Nada de presentes. Eu preciso de um carro, e preciso de um carro agora.
June fez cara de pensativa e respondeu.
-Não vai gastar todo o seu pagamento agora né?
-Claro que não, vou sossegar por uns tempos, eu quero um apartamento maior e um carro também, acabei de gastar duzentas libras num táxi.
-Maluca.
-Acontece né. Mas então, cadê a babaca da sua prima? Ela deveria estar em casa.
-Bom, ela chegou, tomou banho e saiu toda arrumada e perfumada dizendo que ia sair, que era pra eu ficar aqui, comprar a passagem e esperar você chegar.
-Quando você vai?
-Sábado de manhã, preciso estar no aeroporto às nove e meia.
-Hum, então, o que quer fazer?
-Neste momento? Ganhar uma promoção, a balada La Belle vai ser inaugurada, e eu não quero perder isso.
Eu sorri, estaria nesta festa.
-Eu vou, meu chefe quer que eu tire fotos dos famosos, essas coisas.
Ela me olhou boquiaberta.
-Você não sabe o quanto tem sorte.
Sorrimos, June ligou o rádio para ver que horas teria que ligar. Ficamos as duas com os celulares em discagem rápida, e eu ainda segurava o telefone fixo.
-Bom, queridos ouvintes, eis o momento mais esperado do dia. Aqui está o sorteio de um par de ingressos para a área VIP da balada La Belle, que inaugura esta sexta feira, contando com a presença de inúmeros artistas. Vamos ás ligações!
Apertamos os botões e esperamos. Não demorou para que meu celular começasse com a mensagem de que não consegui, desliguei e ouvi o telefone. Nada também. Encarei June que fitava o vazio com o celular no ouvido.
-Seu nome por favor?
-June. June Stevens.
Eu fiquei boquiaberta, aumentei um pouco o volume do rádio.
-Meus parabéns June! Você acabou de ganhar um par de ingressos pra mais nova balada de Londres, como se sente?
Ela demorou um pouco para responder.
-Eu estou... Eu estou super feliz!
Ela disse sorrindo, pude escutar o locutor rindo.
-Bom June, passe aqui amanhã para pegar os ingressos está bem? E é isso aí ouvintes, June foi a sortuda da vez, continue ligando, quem sabe não é você que vai marcar presença lá na La Belle? Essa é a radio 102,6 de Londres, fiquem ligados!
O locutor disse e uma música animada começou a tocar, não tive tempo de prestar atenção porque puxei June e comecei á abraça-la.
-Você vai pra La Belle!
-Eu não acredito!
Ela sorriu e me abraçou.
-Bom, isso quer dizer, roupas novas. Anda, vamos ao shopping, vou comprar umas roupas pra gente ir na La belle.
-E a Carolyn?
-Eu compro algo pra ela também, é claro que você vai usar o seu outro ingresso com ela não é?
-Sim.
-Então vamos!
A puxei pela mão, já que ela estava vestida par ficar em casa, deixei que se trocasse. Ela saiu do quarto de Carolyn em seu maior visual Rocker/Pretty Girl. (http://www.polyvore.com/remembering_sunday_june_stevens/set?id=58074111#stream_box)
-Uau! Mas Carolyn te mata se acontecer qualquer coisa com esse sapato, não sabe?
-Sei sim, ela que se vire. Vamos?
-Vamos.
Saímos de casa e fomos em direção ao shopping, eu precisava mesmo de um carro. Eu e June rodamos o shopping pelo menos umas oito vezes, entrando e saindo de lojas, paramos na praça de alimentação para comer alguma coisa.
-E então...
Disse á ela enquanto nos sentávamos.
-Como vai a faculdade?
Continuei, ela colocou as sacolas no banco do lado e me olhou.
-Termino logo, espero me mudar pra cá, ficar com você e com Carolyn, trabalhar em algum hospital por aqui. É o que eu mais quero.
-Eu gostava de medicina, até perceber que sangue pra mim, só se for na televisão.
Nós rimos e comemos os lanches.
-Será que a sua prima já vai estar em casa?
-Pelo jeito que ela saiu, é capaz que nem volte.
Ela disse dando um gole no refrigerante. Peguei o celular na bolsa e escrevi uma sms.
“Querida Carolyn, faça o favor de trazer essa sua bunda para casa neste segundo, não quero saber com quem está, ande logo. Atenciosamente, sua melhor amiga!”
Enviei e sorri.
-Vamos pra casa?
Perguntei á June quando ela terminou o lanche.
-Vamos!
Chegamos na porta do shopping e eu liguei para Jake, ele deveria estar saindo do escritório.
-Alo?
-Oi amor da minha vida!
Eu disse sorrindo.
-Onde eu devo te pegar, madame?
Ele ironizou na última parte, me fazendo sorrir ainda mais.
-Sabia que ia entender, estamos no shopping.
-Estamos?
Ouvi ele dizer.
-Eu e June, venha logo, eu acho que vai chover.
-É pra já.
Ele disse, resolvemos entrar e sentar, Jake demoraria um pouco se estivesse no escritório. Conversei com June mais alguns minutos, vejo o carro de Jake parar no meio fio.
-Oi lindo!
Disse dando um beijo na sua bochecha.
-Nem vem, Hayley quase me fez arrancar os cabelos hoje.
-Ai meu deus, o que ela fez?
Jake olhou pelo retrovisor, depois olhou rapidamente para mim.
-Em casa eu te conto.
-Tudo bem.
Jake dirigiu o caminho todo com a cara amarrada, June contava as sacolas para ver se não havia esquecido nenhuma. Meu celular vibrou, sinal de mensagem.
“Me esqueça por essa noite, por favor! Estou com um gatinho, chego em casa quando der.”
Não pude evitar de sorrir.
“Tenho novidades, e é melhor que esteja em casa para ouvi-la, se não nada de roupas novas.”
Recebi a mensagem quase que imediatamente.
“Roupas novas? Estou indo pra aí.”
Ri mais uma vez, não me dei ao trabalho de responder, sabia que Carolyn estaria em casa em pouco tempo.
Jake estacionou o carro e ficou o caminho todo, do elevador até em casa, com um olhar vazio e depressivo. Era horrível tê-lo com o olhar assim, se Hayley achava que podia deixar meu melhor amigo assim, ela estava muito enganada.
-Ahn, June.
Ela deixou as sacolas na sala e se largou no sofá.
-Se importa de ficar aqui enquanto Carolyn não chega? Preciso mesmo falar com Jake.
-Tudo bem.
-Obrigada.
Disse á ela enquanto seguia Jake que estava abrindo a porta do meu quarto. Ele fechou a porta quando eu passei, e sentou na cadeira da escrivaninha pouco depois.
-Comece.
Eu pronunciei, ele suspirou e começou a falar.
-Não vou conseguir ficar perto dela Nath, não consigo encarar o rosto dela e mesmo depois de tudo eu...
Eu o cortei.
-PARA TUDO!- disse gritando- Não me diga que ainda gosta dessa vagabunda, mesmo depois dela ter te traído. Jake! Isso é imperdoável, se você estiver gostando dela, é melhor arrumar suas coisas e dar o fora daqui, por que você não é o Jake que eu conhecia.
Disse cruzando os braços, ele me olhou assustado e veio me abraçar.
-Meu deus, não escuto um grito desses desde que contei que havia te beijado.- Ele riu- Mas não. Não se preocupe, Hayley Jones é apenas uma triste memória, que infelizmente, faz questão de ser lembrada todos os dias.
Eu sorri e o encarei.
-O que a Miss Prostituta aprontou dessa vez?
-Nada de muito trágico, ela apenas faz questão de que todos no escritório vejam a sua bunda e eu fico com cara de idiota, porque todo mundo sabe que ela está dando mole pra mim, e eu nem ligo.
-Bom, diga á todos eles que você tem namorada. Eu vou falar com Carolyn hoje.
-Por favor, não.
Ele pediu.
-Está maluco? Eu que não vou deixar essa putaria rolando, ou você aceita, ou arranja outro jeito de tirar essa vadia do teu pé.
Ele pensou por uns minutos, abaixou a cabeça e suspirou.
-Tá bem, mas deixe bem claro que a ideia dessa maluquice foi sua.
-Tá, agora dá licença que eu preciso de um banho.
Eu disse empurrando-o porta afora. Separei um pijama quentinho e entrei no banho, fiquei pensando no que Jake tinha dito, eu realmente tinha gritado muito com ele quando descobri.
Flashback- P.O.V.- Autor.
Dois anos e meio atrás.
Sexta-Feira, término da semana de provas. Tudo o que Nath, Jake e Tyler querem é se divertir. Decidiram ir á uma boate perto do centro, movimentada, com boa música e bebida barata. Os três, menores de idade contaram com a ajuda de um velho amigo de Tyler para entrar. Entraram, dançaram, beberam á ponto de rir só porque estavam respirando. Uma música agitada começou a tocar.
-Vamos dançar?
Nathalie perguntou, já de pé, segurando a mão do amigo. Jake a olhou com uma careta, mas a menina fez uma carinha de cachorro que dava vontade de beijar. Nathalie puxou Jake até a pista de dança, os dois um pouco bêbados, Nathalie um pouco mais do que ele, começaram a dançar mais colados. Na luz piscante, com o efeito das bebidas e com os sorrisos divertidos de Nathalie, Jake não se conteve, sempre achou a amiga bonita, tanto que tinha um ciúmes de irmão com ela, não pretendia beijá-la, mesmo assim o fez. Ele começou por seu pescoço, já que a menina estava de costas para ele, quando Nathalie se virou, não protestou, então Jake colocou a mão direita em sua nuca e a beijou. Mal sabia o que estava fazendo. Nathalie provavelmente não achava que era o melhor amigo a quem estava beijando, não sabia, não iria lembrar. Jake se afastou uns poucos minutos depois, com a maior culpa que poderia ter. Acabara de beijar a melhor amiga, que estava bêbada e sem condições de responder por si. Pegou a mão de Nathalie e a guiou para fora da boate, coincidentemente encontrando Tyler sentado na calçada. Agarrado á Nathalie com a mão esquerda, puxou Tyler com a mão direita e chamou um táxi, que os deixou na casa de Tyler. Estava tarde demais para voltar para casa e explicar para sua mãe o que ele fazia esta hora na rua. Decidiu dormir na casa do amigo, cuidaria de Nathalie que tinha acabado de vomitar no meio fio e daria alguma desculpa para a mãe no outro dia.
Tyler se atrapalhou um pouco com as chaves ao tentar abrir a porta da casa, felizmente conseguiu. Com Nathalie nos braços, não poderia abrir a porta. Tyler entrou e correu para o banheiro, Jake passou da soleira da porta com uma Nathalie parcialmente acordada. A menina estava manhosa e havia pedido á Jake que a carregasse até o quarto. Jake a levou para o quarto de hóspedes. Sentou a menina no banheiro e conseguiu lavar o rosto dela com uma toalha, que ficou toda suja de maquiagem. Ajudou Nathalie a deitar na cama, encostou a porta e foi para a sala, se largou no sofá e dormiu ali mesmo.
No outro dia de manhã, Nathalie estava sentada na bancada da cozinha, com uma xícara de café e uma cartelinha vazia de analgésicos. Jake se sentou de frente para a amiga precisava contar para ela, só não sabia como.
-Está melhor?
-Com um pouco de dor de cabeça, mas sim. Jake... O que aconteceu ontem?
A menina disse fazendo uma careta. Ela viu o amigo hesitar, isso já a deixou alerta, algo além da bebedeira havia acontecido. Deixou a xícara na bancada e repetiu a pergunta.
-O que aconteceu ontem?
Jake estava com um nó tão grande na garganta, que disse tudo o que aconteceu, rápido demais para que Nathalie soubesse logo de cara.
-Você bebeu demais na boate e eu também, eu acabei beijando você e então viemos pra casa de Tyler que também não estava legal eu te ajudei porque você havia vomitado no meio fio, deixei você no quarto e vim dormir.
Respirou fundo, tomando ar. A menina o encarava seriamente.
-Você? Espera... VOCÊ O QUE?
Ela estava gritando, fazia isso quando estava realmente brava, viu a amiga assim umas duas vezes apenas. A primeira quando Chelsea derrubou todo o refrigerante em sua blusa, a líder de torcida, por pouco, não teve os cabelos arrancados por Nathalie. A segunda vez foi numa aula de Educação Física, quando um menino da outra quadra achou que seria engraçado acertá-la com uma bola de vôlei. Ela caminhou calmamente até ele com a bola em mãos, sorriu ao entrega-la e logo em seguida, socou o nariz do garoto. Gritando uma infinidade de palavrões para ele.
-Eu não sabia o que estava fazendo, foi culpa do...
-NÃO OUSE DIZER QUE FOI CULPA DA BEBIDA COLLINS! EU... Eu confiei em você como meu amigo.
Ela disse baixinho no final, Jake se arrependia mais no que nunca por ter feito aquilo.
-Eu juro que não foi por querer, e se quer saber, foi a coisa mais estranha que já fiz. Parecia que eu estava beijando a minha irmã.
Jake fez uma careta, tentando animar a amiga. Deu certo, primeiro ela socou-lhe o braço e depois começou a rir.
-Não ouse fazer isso de novo Collins.
Flashback Off- P.O.V- Nathalie Simmons.
Saí do banheiro enrolada na toalha, abri a porta lentamente, me certificando de que Jake não estaria lá. Tranquei a porta do quarto e me vesti. Coloquei uma blusa cinza de moletom, uma calça de ficar em casa e uma pantufa que não lembrava que tinha. Sequei o cabelo e destranquei o quarto.
Fui até a sala e encontrei June sentada no sofá, conversando com Carolyn, no meio de um monte de sacolas.
-Oi!
Eu disse animada e sentei ao lado de Carolyn. Ela me olhou com raiva e estendeu a mão.
-Cadê meu presente?
 -Antes disso- June interveio- A Carolyn vai te falar uma coisa.
Ela cutucou a prima com o cotovelo.
-Todos nós vamos a La Belle sexta feira, não é demais? Meu chefe também quer algumas fotos dos famosos. Vamos aproveitar bastante!
Ela de uma piscadinha e começou a rir, entendi o entusiasmo em sua voz. Assim que ela terminou, respirou fundo e continuou.
-Agora que já dei a maravilhosa notícia, o que trouxe para mim?
Eu sorri e puxei as duas para o quarto de Carolyn. Fechei a porta e sentei-me na cama ao lado delas.
-Pra quê todo esse mistério, garota?
Eu sorri e a encarei.
-Pra ganhar o seu presente, tem apenas uma condição.
Fiz uma pausa para avaliar sua expressão, ela estava agitada e curiosa ao mesmo tempo.
-Conta logo.
-Eu vou precisar explicar tudo direitinho.
-Eu só quero a porcaria do presente.
Ela retrucou.
-Você vai me deixar contar, ou não?
Ela ergueu as mãos em rendição e eu comecei.
-Lembra do motivo pelo qual Jake veio morar com a gente?
Ela bufou e disse.
-Como poderia esquecer? Esse moleque aqui é um inferno. A namoradinha dele foi pega no flagra com outro, né?
Eu assenti com a cabeça e continuei.
-Pois é, ela voltou.
Carolyn e June me encararam boquiabertas.
-Que vadia!
As duas disseram em coro, se entreolharam e depois voltaram a e encarar.
-Eu não quero que ele se magoe, Jake é meu irmão mais velho, mas eu tenho que cuidar dele.
-Diga o que tem em mente.
Carolyn pareceu interessada. Eu suspirei antes de contar.
-Se ele tivesse uma namorada, Hayley pararia de atormentá-lo, o problema...
Carolyn abriu a boca indignada e começou a gritar.
-VOCÊ NÃO ESPERA QUE EU NAMORE AQUELE INDIVÍDUO NÃO É NATHALIE?
Eu olhei para baixo, seria difícil convencê-la.
-Se acalma tá legal! Primeiro, você não vai namorar ele, vai fingir que namora e isso apenas na frente da Hayley. Segundo, não é pra vida toda, são apenas três meses.
Ela ainda me encarava incrédula. June alternava os olhares entre eu e Carolyn.
-Não! Não, não, não. Não vou fazer isso, nem morta, nem que você tivesse um milhão de dólares agorinha pra me dar.
-O que há demais, Carol?
June perguntou. Carolyn bufou e se virou para a prima.
-Ele é irritante ao extremo, tá sempre tentando me irritar, não se comporta direito, age como se tivesse cinco anos, reclama toda vez que me encontra e deu em cima da June.
June olhou assustada para a prima.
-Não vou fazer isso por ele, nem por você. Desculpa Nath, três meses é um prazo longo demais.
Eu suspirei.
-Carolyn, se houvesse um jeito de não te envolver nessa história, pode apostar que eu faria de tudo, mas acontece que Hayley me conhece, então não posso namorar Jake, June vai embora sábado e você é nossa última chance Carolyn. Eu preciso mesmo de você, e você me deve muito por morar aqui comigo, por eu ter te ajudado pra caramba nesses últimos dois anos.
-Nem me ajudou tanto assim.
-Carolyn, eu fiquei todas as noites durante um mês, acordada com você ouvindo aquela baboseira sobre o seu ex-namorado. Fiquei quase outro mês vendo filmes horríveis e escutando músicas horrorosas com você quando ele te largou, e dispensei mais de trinta e um caras por você, juntando tudo isso, dão três meses. Você me deve, eu preciso de você, Jake precisa de você e pode acreditar que se houvesse outro jeito, eu faria.
Ela olhou para a prima em busca de ajuda, mas June cruzou os braços e com a cabeça, apontou na minha direção.
-Tudo bem, eu faço! Mas por você, não por aquele idiota.
Eu pulei em cima dela e a abracei bem forte.
-Obrigada, obrigada, obrigada!
 -Tá, agora, me dê meu presente.
E saí correndo do quarto para alcançar a sacola de Carolyn, voltei rapidamente, pulando na cama de Carolyn que esperava pacientemente pela sacola. Ela abriu rasgando o embrulho, sorrindo surpresa ao ver o vestido da Abercrombie e os sapatos Peep Toe. Ela sorriu mais ainda ao ver os sapatos, largou as coisas na cama e me abraçou.
-Adorei!
-Sabia que ia adorar.
Disse enquanto estávamos abraçadas.
-O melhor de tudo é que você pode usar sexta.
-Boa ideia!
Ela disse, afastando-se e olhando para a roupa.
-Mas... Nath, quando você arranjou dinheiro pra comprar isso tudo?
Abri um sorriso e dei de ombros.
-Ah, eu recebi meu humilde pagamento de cinquenta mil libras, e usei uma parte para gastar.
Ela arregalou os olhos.
-Cin...Cinquenta mil?
Balancei a cabeça positivamente. Carolyn ainda me olhava boquiaberta.
-Cara, eu te amo!
Ela disse me abraçando.
-Interesseira.
Eu resmunguei e me soltei do abraço, me despedi delas deixando as duas conversando sobre o meu salário e fui para a cozinha, Jake estava sentado no sofá, olhando apreensivo para o corredor onde eu estava.
-Por favor, não me diga que ela vai sair correndo atrás de você pra me matar. Eu sorri e sentei do seu lado, esticando as pernas em cima dele.
-Não. E é melhor você se comportar, é um homem comprometido agora.
Ele me olhou espantado.
-Não acredito que conseguiu.
Eu sorri.
-Sou demais não é?
-Vai ser demais se eu não estiver morto nesses três meses.
Ele riu sem humor, eu me levantei do sofá.
-Bom, vou tomar um chá, depois vou chamar Carolyn para esclarecer algumas regras.
Eu disse me dirigindo á cozinha.
-Regras?
-Sim, regras. Sem regras vocês dois vão acabar se matando.
Eu disse entrando na cozinha, preparei o chá rapidamente e bati na porta de Carolyn, que abriu com um sorriso no rosto e um celular na mão.
-Que cara é essa?
Eu perguntei e ela me puxou para dentro do quarto.
-Olha isso!
Ela estendeu o celular na minha direção, onde pude ler uma mensagem.
Uma pena que sua amiga precisava da sua ajuda, queria muito passar mais tempo com você.”
Eu a encarei.
-Quem mandou?
-O garoto que eu conheci, eu estava com ele no mesmo barzinho quando você me mandou vir para casa.
Ela respondeu alguma coisa e deixou o celular na cama.
-De qualquer jeito, o que você queria?
-Preciso de você lá na sala, eu você e Jake vamos conversar.
-Como se não bastasse eu ter que namorar aquele panaca, ainda tenho que conversar com ele.
Ouvi ela resmungar enquanto me seguia. Sentamos na mesa, eu na ponta, Jake á minha esquerda e Carolyn á minha direita.
-Bom, vamos esclarecer algumas coisas.
Eles me olharam com atenção.
-Á partir de agora, vocês dois estão namorando. Vão marcar encontros casuais para mostrar para Hayley que isso não é brincadeira, vocês vão ás festas da empresa juntos, inclusive na empresa de Carolyn. Vocês tem que parecer dois namorados de verdade.
Carolyn me olhou com certa raiva.
-Isso inclui andar de mãos dadas em público, e beijar e...
Carolyn se levantou subitamente colocando as duas mãos na mesa.
-Não espere que eu vá beijar ele.
Ela disse com um dedo na direção de Jake.
-Carolyn, vocês dois tem que agir como namorados.
-Tudo porque aquela vadiazinha está de volta. O que isso tem demais?
Carolyn sentou novamente e rolou os olhos.
-Eu não confio nela, com toda a certeza aquela garota vai tentar magoar ele de novo, e como ele é garoto, também não confio nele perto daquela garota.
Jake se levantou.
-Ei!
-Desculpa Jake, mas é a verdade.
Eles ficaram em silêncio. Se encarando por alguns minutos.
-Estão de acordo?
-Quanto tempo essa baboseira vai durar?
Carolyn perguntou.
- Três meses em público, aqui em casa vocês podem se matar, mas passando daquela porta, os dois tem que agir como o casal do ano.
-Quando começamos com isso?
Jake perguntou cruzando os braços.
-Segunda-Feira. Vocês ainda tem esses dias para dar alguma desculpa do tipo “Meu namorado estava viajando á trabalho” Você vão ter que ser bem convincentes.
Eles se levantaram quando eu terminei de falar.
-Vou ter que inventar como nos conhecemos?
Carolyn perguntou.
-Diga que fui eu quem apresentou os dois.
Ela bufou e foi e direção ao seu quarto. Jake suspirou e me olhou.
-Não foi tão ruim. Três meses namorando uma maluca, poderia ser pior.
Eu sorri.
-O que vai dizer pra convencer todo mundo de que estava namorando?
Ele deu de ombros e se sentou no sofá.
-Vou dizer que a maluca da minha namorada estava num retiro emocional nas Bahamas, pode ser?
Ele riu e olhou para mim.
-Vocês tem que evitar uma briga em púbico, diga que , como fotógrafa, ela estava na Índia tirando algumas fotos. Apenas, não a irrite mais, isso é muito mais difícil pra ela do que pra você.
-O que quer dizer com isso?
Ele disse indignado.
-Você está realmente solteiro. Carolyn acaba de conhecer alguém legal, depois de muito tempo, eu realmente queria que ela se ajeitasse emocionalmente.
Ele revirou os olhos e se virou para a televisão que passava alguma coisa. Andei até o meu quarto, me jogando na cama e dormindo logo em seguida.

Capítulo 11


Capítulo 11-P.O.V- Annie DeLarue.
Ele havia respondido as mensagens, todas elas. Desde que vi Harry, não pude negar que havia algo a mais, tirando o fato dele ser bonito, havia algo a mais além da beleza. Algo que fazia com que meus muros de proteção caíssem, e a conversa fluísse naturalmente. É claro que haviam assuntos em que me faziam hesitar, meus pais por exemplo. Ele havia perguntado se meus pais estavam em casa, demorei quarenta minutos para contornar o assunto e esquecer que ele havia perguntado isso. Não quero que ele tenha pena de mim, não quero que pense que sou uma pobre órfã sem amor. Não, quero que Harry Styles goste da minha companhia, assim como os meninos dos livros gostam da companhia das meninas que amam.
“Eu sei. Mas então, você vai aceitar sair comigo, ou não?”
A mensagem estava ali, na tela de meu celular. Gostava de Styles, o garoto parecia... interessante. Concluí por fim que não seria nada mal sair com ele.
Tudo bem. Quando?”
O meu coração bateu forte quando apertei enviar. Ele respondeu quase que imediatamente.
“Que tal amanhã? Conheço um lugar chamado Nobu, que tal almoçarmos lá?”
 “Já ouvi falar, a comida parece boa, nos encontramos lá?”
Sim.”
“Legal, tenho que ir, mais tarde nos falamos. Tchau.”
Neste momento, um cliente havia chegado na livraria, não gosto de estar com o celular quando há alguém na loja, prefiro estar lendo quando Nathalie cuidava do caixa, mas agora sou só eu, enquanto vovó cuida das finanças.
No final do expediente, ajudei minha avó a fechar a loja.
-Vovó?
Ela me olhou com os olhos cansados, um sorriso amável e uma expressão carinhosa, a mesma que carregava desde meus cinco anos.
-Sim, querida?
-Posso sair amanhã? Um amigo me convidou e...
-Mas é claro que sim querida, pode deixar que eu cuido de tudo por aqui, você deveria mesmo sair um pouco, está sempre em casa ou na livraria.
-Obrigada Vovó.
-De nada minha filha.
Fomos para casa, eu jantei e fui dormir. Acordei no outro dia, com o sol fraco batendo no meu rosto, vovó decidira me deixar dormindo, eram 9:48. Tomei um banho rápido e coloquei uma roupa qualquer, fui á cozinha, bebi um copo de leite e voltei para o quarto. Hora do almoço, no restaurante Nobu. O que diabos eu ia vestir? Abri meu armário e tirei algumas roupas, roupas que eu mal usava por falta de vontade, sempre gostei da minha camiseta dos Ramones, meus jeans e meus vanz, não havia qualquer motivo para que eu usasse qualquer outra coisa. Revirei meu armário, procurando algo decente para usar, estava cada vez mais convicta em colocar a minha roupa normal.
-Deus, o que eu vou fazer?
Minha avó não estava em casa, não podia contar com amigas da minha idade para ajudar nesse dilema. Peguei o celular e encarei o nome Nathalie uns 10 minutos antes de decidir ligar, eu precisava da ajuda dela. Queria que Styles gostasse de mim.
-Alo?
Como pediria isso á Nathalie, nem a conhecia direito. Mas precisava dela, suspirei e comecei.
-Nathalie, é a Annie.
-Oi Annie, aconteceu alguma coisa?
-Não é só... Droga.
Não estava dando certo, como eu contaria á ela?
-Annie?
-Eu preciso da sua ajuda.
Nathalie deve ter se preocupado, falou com tom urgente na voz.
- O que houve Annie, em que você precisa de ajuda?
Suspirei mais uma vez e disse enquanto soltava o ar.
-O que vestimos quando vamos á um encontro?
Nathalie não respondeu de imediato, ouvi ela limpar a garganta e perguntar.
-Encontro? Que tipo de encontro?
Ela estava zoando com a minha cara?
-Um encontro do tipo... Ah, céus, um menino me convidou para almoçar, está satisfeita?
Ouvi Nathalie segurar o riso antes de falar.
-Quer a minha ajuda?
-Sim.
-Estou indo para aí.
Desliguei o telefone e me sentei no sofá da sala esperando ela chegar. Assisti um pouco de tv, Nathalie veio á minha casa umas duas vezes, quando minha avó deu um almoço e quando pediu ajuda para carregar alguns livros da livraria. A campainha tocou pouco depois do programa que eu estava assistindo, acabar.
-E então, quem é o garoto?
Ela perguntou assim que abri a porta, dei passagem para que ela entrasse.
-Eu só pedi ajuda com a roupa.
-Eu sei, mas você quer almoçar, ou quer que o garoto goste de você?
Nathalie se sentou no sofá, eu hesitei em respondê-la. Queria sim que Harry gostasse de mim, mas Nathalie não era minha melhor amiga, era a opção mais sensata, sabia que podia confiar nela, sabia que desde a festa estava mais próxima á ela. Mesmo assim, Nathalie era apenas uma conhecida.
-Quero que ele goste de mim.
Resmunguei, Nathalie sorriu.
-Então, quem é o garoto?
-Harry Styles.
Nathalie ajeitou a posição no sofá, mas não pareceu surpresa.
-Bom, então, vamos escolher uma roupa para você.
Ela se levantou e se colocou ao meu lado, eu a encarei boquiaberta.
-Você sabe quem é Harry Styles?
Ela deu de ombros.
-Sei.
-E não está surpresa?
-Não.
-Que tipo de monstro é você?
Eu disse e ela riu.
-Tirei umas fotos da banda segunda, os amigos de Harry disseram que ele conheceu uma menina numa livraria, liguei os pontos e suspeitei que fosse você.
Encolhi os ombros e a guiei até o meu quarto, não gosto que saibam coisas minhas sem que eu tenha contado.
-Vou abrir o seu armário, ok?
-Tá.
Ela começou a tirar algumas roupas, roupas que eu ganhava de aniversário, que nunca tinha usado na vida, algumas ainda estavam com a etiqueta. Nathalie separou uma blusa de ombros caídos e mangas compridas, uma calça jeans e um sneaker que eu não sabia que tinha.
-Ahn, não espere que eu vá usar isso.
Ela se virou para me olhar.
-Achei que quisesse a minha ajuda.
-Quero sua ajuda, não quero ir almoçar como se fosse a princesa do mundo arco-íris.
Ela segurou o riso e continuou.
-Você tem roupas lindas aqui, não sei por que vive com aquela blusa dos Ramones.
-Eu gosto daquela blusa, não vou me vestir como se tivesse oito anos.
-Oito anos, Annie?
-Olha só pra essa blusa, esse sapato, isso tudo junto é muito fofo, muito meigo... Não é parecido comigo.
-Pois eu acho que sim.
Ela bateu o pé e cruzou os braços, estávamos discutindo?
-Nathalie, eu não me visto assim desde que...
-Desde que seus pais morreram?
Ela disse isso com tanta normalidade, que pisquei várias vezes até me estabilizar.
-Sim... Desde essa época.
Ela se sentou ao meu lado.
-Olha, eu entendo, de verdade. Até fazer doze anos, inventava milhares de desculpas para as minhas amigas, explicando porque meu pai não estava em casa, porque eu não saía para almoçar no dia dos pais, porque elas não conheciam meu pai, eu dizia que ele estava ocupado, viajando e até doente! Eu nunca consegui acreditar que ele havia de me abandonado, não podia aceitar isso, até cheguei a acreditar que eu não fui uma boa filha. Até que desisti de tudo aquilo, minha mãe nunca me dava atenção, meu pai era um frouxo que resolveu desistir da própria família, o pior disso tudo é que além de perder o pai, eu perdi a mãe também. Fiquei sem ninguém, sozinha, me mudava toda hora, era sempre a “novata”. Você não sabe quantas vezes eu quis me fechar, agir como você. Mas não dava tempo, minha mãe se mudava, nos colocava no avião toda vez que levava um fora.
Olhei nos olhos dela, Nathalie parecia que ia chorar á qualquer minuto.
-Tudo bem... Eu visto.
Ela deu um sorriso fraco e me deu a blusa.
-Bom, vai se vestindo, eu vou... Onde fica o banheiro?
Apontei para a porta que estava atrás dela. Nathalie se levantou e caminhou até o banheiro, trancando a porta logo depois. Me vesti rapidamente, não gostando nem um pouco do modo que as roupas ficavam em mim. (http://www.polyvore.com/remembering_sunday_annie_delarue/set?id=57980902#stream_box)  Nathalie saiu do banheiro enquanto eu estava terminando de colocar o sneaker, ela sorriu e pediu para que eu levantasse. Abriu um sorriso maior ainda e pegou minha mão, me forçando a dar uma voltinha.
-É, eu realmente sei escolher roupas.
Ela disse e riu. Não estava gostando nem um pouco de vestir aquilo, mas parecia... apropriado para a ocasião.
-Que horas você vai sair?
Olhei rapidamente no visor do celular, uma mensagem nova.
“Estou a caminho, você ainda vem né? xX Harry.”
-Agora.
Disse á Nathalie enquanto alcançava as chaves que estavam na bancada.
-Quer que eu te deixe lá?
-Pode ser.
Ela me acompanhou discando alguma coisa no próprio celular, ficamos esperando na calçada.
-Você não tem carro?
Perguntei á ela.
-Estou resolvendo isso.
Ela disse e pouco tempo depois, um táxi chegou. Entramos, disse ao motorista o endereço e ele seguiu sem problemas.
-Nathalie?
Ela me olhou.
-O que as pessoas costumam dizer em encontros?
Ela riu e depois disse.
-Pessoas, costumam conversar sobre si, conhecer o outro e tentar se identificar.
-E se eu não quiser falar sobre mim?
Disse á ela.
-Então significa que você não quer que a outra pessoa se interesse por você.
Isso era tudo que eu não queria. Ficamos mais um tempo um silêncio, o táxi parou em frente ao restaurante.
-Nathalie, o que eu devo fazer, exatamente?
Ela colocou a mão no meu ombro e disse.
-Bom, primeiro de tudo, sorria, sempre. Depois, tente escutar com atenção ao que ele diz, responda as perguntas dele e faça as suas, tente estabelecer um diálogo.
-Isso é difícil.
-Relacionamentos também são, mas você vai conseguir.