sábado, 29 de setembro de 2012

Capítulo 4


Capítulo 4.
P.O.V.-Nathalie
Acordei com o sol forte no rosto. Merda. Merda. Merda. Onde eu estou? Calma, respira. Paredes azuis, estou num quarto com paredes azuis. Me levanto e olho a cama onde estava dormindo. Quem é esse garoto? Aí me lembrei da besteira que tinha feito, os beijos, os arranhões. Deus, eu estava louca. Ele abriu os olhos focalizando meu rosto, ele sorriu e se espreguiçou.
-Bom dia.
-Bom dia.
Eu respondi, estava um pouco nervosa. Afinal, estava nua, somente com o lençol me cobrindo, na cama de um desconhecido. Eu procurei por meu celular no chão do quarto, me enrolei no lençol para buscá-lo perto da porta. Olhei o visor, estava mais do que atrasada. Duas e meia da tarde, num apartamento de um desconhecido com uma ressaca mais do que forte. Recolhi o que achei meu no chão do quarto e me tranquei no banheiro, ouvi o garoto se levantar e derrubar alguma coisa. Me troquei, lavei a boca com o enxaguante bucal dele e sai do banheiro. Ele me observou devidamente vestida, estava deitado na cama, apenas com a calça jeans da noite anterior.
-Aconteceu algo?
Ele me olhou atentamente eu desejei poder ver mais do que o rosto turvo que eu enxergava, maldita Carolyn, vou mata-la por isso.
-Estou atrasada.
Respondi com um sorriso. Ele se levantou e veio ao meu encontro, suas mãos acariciavam a lateral do meu corpo, chegavam até as coxas e faziam o caminho de volta para as minhas costas, me puxando para ele.
-Atrasada?
Ele sorriu e beijou meu pescoço, como ele conseguia me arrepiar todinha com um beijo? Eu sorri.
-Tinha que estar em casa faz meia hora.
Ele sorriu e me beijou, com calma dessa vez. Eu passei os braços por seu pescoço e ele me
puxou para a cama, eu caí por cima dele e nós dois rimos.
-É sério, preciso mesmo ir.
Ele fez um biquinho e depois me olhou sério. Deus! Como eu queria poder discernir seu rosto. Eu dei um selinho nele e me levantei em direção á porta. Ele me acompanhou, observou-me da soleira da porta enquanto eu esperava o elevador, sorria feito boba quando nossos olhos se encontravam.
-Tem mesmo que ir embora?
Ele disse quando o elevador chegou.
-Tenho mesmo.
Dei um passo para dentro do elevador e ele correu para impedir a porta de se fechar.
-Vou te ver outra vez, Nathalie?
Eu dei um sorriso.
-Quem sabe, nos vemos por aí.
As portas se fecharam e eu não pude impedir o riso, eu acabara de cometer a maior loucura da minha vida. Mal podia esperar para encontrar Carolyn e contar tudo pra ela, não que essa havia sido a minha primeira vez, mas foi muito boa. Peguei um taxi, e cheguei pouco tempo depois ao meu apartamento. Abri a porta com a chave reserva, entrei no apartamento me deparando com roupas jogadas pelo chão. Por favor que ela não tenha dormido com alguém na minha cama, era o que eu pensava repetidamente enquanto avançava pela sala. Olhei para o chão da sala e os dois estavam dormindo abraçados, seria fofo, se eles não estivessem nus cobertos apenas pelo edredom.
-Carolyn.
Eu sussurrei, como se fosse possível acordar um sem acordar o outro.
-Carolyn!
Eu falei um pouco mais alto, ela resmungou alguma coisa e abriu os olhos. O cabelo dela estava todo bagunçado. Ela resmungou algo que eu entendi como “Vadia.” Fechou os olhos por um instante e depois resolveu se levantar, com a decência de me pedir para virar enquanto ela vestia alguma peça aleatória.
-Como foi a noite, Simmons?
Eu me virei devagar, tendo certeza de que ela estava vestida. Ela estava somente com uma camiseta preta que eu supus ser do garoto adormecido, sorri para ela antes de responder.
-Olha, não que eu queira te elogiar ou algo assim, mas aquele menino...
Soltei um longo suspiro, ela sorriu e me deu um tapa de leve no ombro.
-Garota, estou impressionada.
Rimos e depois nos demos conta do menino ali no chão.
-Parece que sua noite não foi assim tão chata.
Eu a cutuquei com o cotovelo.
-Shiu! Vai acordar ele!
Ela puxou meu braço na direção do meu quarto, entramos e ela deitou na cama, me fitando com os olhos azuis.
-E então, como foi afinal?
-Ele era lindo Carol! Gentil, sexy e me fez ficar toda arrepiada.
Eu suspirei e sentei na cama. Ela me atirou um travesseiro que acertou minha cabeça, fazendo-a latejar um pouco. Tanta bebida teria algum efeito.
-Não perguntei especificamente isso- Ela me olhou- mas já que foi assim, suponho que ele seja bom de cama.
Eu ri e fiz que sim com a cabeça, rimos juntas por algum tempo.
-Mas me diga, e aquele menino lá na sala.
-Dan, ele me pareceu uma boa escolha lá no bar.
Eu sorri.
-Percebi, ontem você estava rindo feito louca com ele.
Ela riu e nesse momento alguém bate na porta do quarto, que estava encostada.
-Entra!
Eu digo, e Dan entra no quarto. Ele me observa por um instante, dá um sorriso e se vira para Carolyn.
-Eu... Preciso ir.
Ele a encara até que ela percebe que está com a camiseta dele. Dan era moreno, tinha os olhos escuros e a barriga definida, se me permite dizer. Ficamos num silêncio desconfortável enquanto Carolyn se trocava no banheiro, quando ela saiu, lançou a camiseta na direção de Dan, que a vestiu assim que pegou a camiseta no ar.
-Nos vemos por aí.
Ele disse e saiu do quarto, pouco tempo depois saiu do apartamento. Carolyn esperou até que a porta da frente fosse fechada para que ela murmurasse.
-Foi divertido.
-Cara, eu não to me sentindo muito bem.
Ela me olhou e concordou com a cabeça. Eu me senti nauseada e corri para o banheiro quando achei que ia vomitar, Carolyn fez o mesmo, correu para o banheiro do escritório. Por um momento eu achei que fosse coisa da minha cabeça, mas aí não aguentei e vomitei quase tudo o que havia consumido ontem, foi nojento. Escovei os dentes, usei o enxaguante bucal e tentei lembrar o que se fazia quando se estava com ressaca. Lembrei da minha mãe quando levava um pé na bunda, sentava na sala de madrugada, ouvia seus discos antigos e bebia uma garrafa de vinho. No outro dia me pedia uma aspirina e quantas garrafas de água eu pudesse achar. Minha mãe ainda não havia dado sinal de que se importava comigo, fui checar o celular. Não o achei junto da chave reserva na mesa da cozinha, juntei as roupas sujas e verifiquei os bolsos. Não estava lá, lembrei de ter visto o horário quando acordei na casa daquele garoto, queria lembrar seu nome, ou seu rosto. Não havia deixado o celular lá, tinha certeza de ter descido com ele nas mãos. Me lembrei então de que no táxi, saí apressada.
-Droga.
Eu disse em voz alta. Carolyn surgiu no final do corredor, com um moletom qualquer.
- O que foi?
Ela me perguntou e veio andando na minha direção.
-Perdi a droga do meu celular.
Ela olhou de onde estava, procurando pelo chão da casa.
-Tem certeza? Esse lugar tá uma bagunça.
-Eu... Eu acho que deixei no táxi que peguei para voltar para casa.
-Hum, então acho melhor bloquear o seu chip e comprar outro aparelho.
Eu já estava planejando comprar outro celular, só não queria me desfazer do meu antigo desse jeito. Decidimos arrumar a casa depois de to mar duas aspirinas e beber quase toda a água do planeta. Acabamos de arrumar as caixas de Carolyn depois de escurecer, liguei o computador para falar com Jake, antes de dormir.
P.O.V.- Desconhecido.
-Vou te ver outra vez, Nathalie?
Ela deu um sorriso.
-Quem sabe, nos vemos por aí.
E as portas do elevador se fecharam e ela me deixou sozinha no meu andar. A garota era incrível, estava observando-a desde que a vi no bar com uma outra menina loira. Nathalie tinha os cabelos negros e os olhos azuis, tinha o sorriso mais lindo que já vi e o riso dela era o melhor que já ouvi. Não que eu esteja apaixonado por ela. Só a conheci na mesma noite em que ela acordou no meu quarto. Passei a mão nos cabelos e cocei os olhos, por mais que fossem duas horas da tarde estava cansado. Havia bebido um pouco e minha cabeça doía um pouco, resolvi fechar as janelas e dormir por mais algumas horas.

-Acorda cara!
Meu amigo berrou enquanto abria as janelas, tive vontade de soca-lo.
-Me deixa dormir cara!
-Sabe que horas são? E o estado da sua casa?
Meu amigo tinha a chave, um péssimo pequeno erro porque ele entrava a hora que quisesse.
-Não, e também não quero saber.
-Cara, você já arrumou as malas? Vamos ir amanhã para o concurso, você sabe disso não sabe.
-Sei, mas ainda não fiz nada. Estou cansado, cara. Não enche!
-Levanta daí, vai tomar um banho enquanto eu arrumo isso aqui.
Ele conseguiu me empurrar para fora da cama, e depois banheiro adentro. Eu tomei um banho frio para acordar, demorei um pouco além do que costumo. Primeiro achei que era por causa de ontem á noite, depois me peguei pensando em Nathalie. Eu ao menos sabia seu sobrenome, mas ela tinha algo... Diferente. Eu sei lá, sabia que me sentia bem pensando nela. Balancei a cabeça para espantar os pensamentos. Me enrolei na toalha e saí do banheiro, dei de cara com meu amigo.
-Cara...
Ele tinha algo em mãos.
-De quem é isso?
O celular da Nathalie, ela deve ter esquecido hoje de manhã.
-É de uma menina que passou a noite aqui.
-Cara, você sabe que temos que nos concentrar no concurso. E isso significa...
-Nada de garotas- Eu o cortei.- Foi só uma noite e eu nem sei o nome dela direito, e de qualquer jeito, é só ligar pra casa dela e devolver.
-Não cara, não temos tempo e se ela estiver no mesmo estado que você, deve estar dormindo até agora.
-Na verdade, ela estava bem pior.
Eu cocei a cabeça, passando pelo meu amigo para pegar qualquer roupa no armário. Escolhi o primeiro moletom que achei, apontei para o meu amigo e para a porta. Ele saiu com o celular dela nas mãos. Me troquei e sequei o cabelo com a toalha.
-O que vamos fazer com isso?
Eu perguntei quando saí do quarto e o encontrei na sala vendo tv.
-Eu sei lá, só não podemos devolver até voltarmos.
-Então tá.
Eu tomei o celular das mãos dele e guardei na gaveta onde todas as tranqueiras da minha casa estavam.
Meu amigo me ajudou a arrumar as malas, o concurso durava um ano, eu tinha algo dentro de mim dizendo que talvez nunca mais visse aquela garota outra vez.


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