Capítulo 11-P.O.V-
Annie DeLarue.
Ele havia respondido as mensagens, todas elas. Desde que vi
Harry, não pude negar que havia algo a mais, tirando o fato dele ser bonito,
havia algo a mais além da beleza. Algo que fazia com que meus muros de proteção
caíssem, e a conversa fluísse naturalmente. É claro que haviam assuntos em que
me faziam hesitar, meus pais por exemplo. Ele havia perguntado se meus pais
estavam em casa, demorei quarenta minutos para contornar o assunto e esquecer
que ele havia perguntado isso. Não quero que ele tenha pena de mim, não quero
que pense que sou uma pobre órfã sem amor. Não, quero que Harry Styles goste da
minha companhia, assim como os meninos dos livros gostam da companhia das
meninas que amam.
“Eu sei. Mas então,
você vai aceitar sair comigo, ou não?”
A mensagem estava ali, na tela de meu celular. Gostava de
Styles, o garoto parecia... interessante. Concluí por fim que não seria nada
mal sair com ele.
“Tudo bem. Quando?”
O meu coração bateu forte quando apertei enviar. Ele
respondeu quase que imediatamente.
“Que tal amanhã?
Conheço um lugar chamado Nobu, que tal almoçarmos lá?”
“Já ouvi falar, a comida parece boa, nos
encontramos lá?”
“Sim.”
“Legal, tenho que ir,
mais tarde nos falamos. Tchau.”
Neste momento, um cliente havia chegado na livraria, não
gosto de estar com o celular quando há alguém na loja, prefiro estar lendo
quando Nathalie cuidava do caixa, mas agora sou só eu, enquanto vovó cuida das
finanças.
No final do expediente, ajudei minha avó a fechar a loja.
-Vovó?
Ela me olhou com os olhos cansados, um sorriso amável e uma
expressão carinhosa, a mesma que carregava desde meus cinco anos.
-Sim, querida?
-Posso sair amanhã? Um amigo me convidou e...
-Mas é claro que sim querida, pode deixar que eu cuido de
tudo por aqui, você deveria mesmo sair um pouco, está sempre em casa ou na
livraria.
-Obrigada Vovó.
-De nada minha filha.
Fomos para casa, eu jantei e fui dormir. Acordei no outro
dia, com o sol fraco batendo no meu rosto, vovó decidira me deixar dormindo,
eram 9:48. Tomei um banho rápido e coloquei uma roupa qualquer, fui á cozinha,
bebi um copo de leite e voltei para o quarto. Hora do almoço, no restaurante
Nobu. O que diabos eu ia vestir? Abri meu armário e tirei algumas roupas,
roupas que eu mal usava por falta de vontade, sempre gostei da minha camiseta
dos Ramones, meus jeans e meus vanz, não havia qualquer motivo para que eu
usasse qualquer outra coisa. Revirei meu armário, procurando algo decente para
usar, estava cada vez mais convicta em colocar a minha roupa normal.
-Deus, o que eu vou fazer?
Minha avó não estava em casa, não podia contar com amigas da
minha idade para ajudar nesse dilema. Peguei o celular e encarei o nome
Nathalie uns 10 minutos antes de decidir ligar, eu precisava da ajuda dela.
Queria que Styles gostasse de mim.
-Alo?
Como pediria isso á Nathalie, nem a conhecia direito. Mas
precisava dela, suspirei e comecei.
-Nathalie, é a Annie.
-Oi Annie, aconteceu
alguma coisa?
-Não é só... Droga.
Não estava dando certo, como eu contaria á ela?
-Annie?
-Eu preciso da sua
ajuda.
Nathalie deve ter se preocupado, falou com tom urgente na
voz.
- O que houve Annie,
em que você precisa de ajuda?
Suspirei mais uma vez e disse enquanto soltava o ar.
-O que vestimos quando
vamos á um encontro?
Nathalie não respondeu de imediato, ouvi ela limpar a
garganta e perguntar.
-Encontro? Que tipo de
encontro?
Ela estava zoando com a minha cara?
-Um encontro do
tipo... Ah, céus, um menino me convidou para almoçar, está satisfeita?
Ouvi Nathalie segurar o riso antes de falar.
-Quer a minha ajuda?
-Sim.
-Estou indo para aí.
Desliguei o telefone e me sentei no sofá da sala esperando
ela chegar. Assisti um pouco de tv, Nathalie veio á minha casa umas duas vezes,
quando minha avó deu um almoço e quando pediu ajuda para carregar alguns livros
da livraria. A campainha tocou pouco depois do programa que eu estava
assistindo, acabar.
-E então, quem é o garoto?
Ela perguntou assim que abri a porta, dei passagem para que
ela entrasse.
-Eu só pedi ajuda com a roupa.
-Eu sei, mas você quer almoçar, ou quer que o garoto goste
de você?
Nathalie se sentou no sofá, eu hesitei em respondê-la.
Queria sim que Harry gostasse de mim, mas Nathalie não era minha melhor amiga,
era a opção mais sensata, sabia que podia confiar nela, sabia que desde a festa
estava mais próxima á ela. Mesmo assim, Nathalie era apenas uma conhecida.
-Quero que ele goste de mim.
Resmunguei, Nathalie sorriu.
-Então, quem é o garoto?
-Harry Styles.
Nathalie ajeitou a posição no sofá, mas não pareceu
surpresa.
-Bom, então, vamos escolher uma roupa para você.
Ela se levantou e se colocou ao meu lado, eu a encarei
boquiaberta.
-Você sabe quem é Harry Styles?
Ela deu de ombros.
-Sei.
-E não está surpresa?
-Não.
-Que tipo de monstro é você?
Eu disse e ela riu.
-Tirei umas fotos da banda segunda, os amigos de Harry
disseram que ele conheceu uma menina numa livraria, liguei os pontos e
suspeitei que fosse você.
Encolhi os ombros e a guiei até o meu quarto, não gosto que
saibam coisas minhas sem que eu tenha contado.
-Vou abrir o seu armário, ok?
-Tá.
Ela começou a tirar algumas roupas, roupas que eu ganhava de
aniversário, que nunca tinha usado na vida, algumas ainda estavam com a
etiqueta. Nathalie separou uma blusa de ombros caídos e mangas compridas, uma
calça jeans e um sneaker que eu não sabia que tinha.
-Ahn, não espere que eu vá usar isso.
Ela se virou para me olhar.
-Achei que quisesse a minha ajuda.
-Quero sua ajuda, não quero ir almoçar como se fosse a
princesa do mundo arco-íris.
Ela segurou o riso e continuou.
-Você tem roupas lindas aqui, não sei por que vive com
aquela blusa dos Ramones.
-Eu gosto daquela blusa, não vou me vestir como se tivesse
oito anos.
-Oito anos, Annie?
-Olha só pra essa blusa, esse sapato, isso tudo junto é
muito fofo, muito meigo... Não é parecido comigo.
-Pois eu acho que sim.
Ela bateu o pé e cruzou os braços, estávamos discutindo?
-Nathalie, eu não me visto assim desde que...
-Desde que seus pais morreram?
Ela disse isso com tanta normalidade, que pisquei várias
vezes até me estabilizar.
-Sim... Desde essa época.
Ela se sentou ao meu lado.
-Olha, eu entendo, de verdade. Até fazer doze anos,
inventava milhares de desculpas para as minhas amigas, explicando porque meu
pai não estava em casa, porque eu não saía para almoçar no dia dos pais, porque
elas não conheciam meu pai, eu dizia que ele estava ocupado, viajando e até
doente! Eu nunca consegui acreditar que ele havia de me abandonado, não podia
aceitar isso, até cheguei a acreditar que eu não fui uma boa filha. Até que
desisti de tudo aquilo, minha mãe nunca me dava atenção, meu pai era um frouxo
que resolveu desistir da própria família, o pior disso tudo é que além de
perder o pai, eu perdi a mãe também. Fiquei sem ninguém, sozinha, me mudava
toda hora, era sempre a “novata”. Você não sabe quantas vezes eu quis me
fechar, agir como você. Mas não dava tempo, minha mãe se mudava, nos colocava
no avião toda vez que levava um fora.
Olhei nos olhos dela, Nathalie parecia que ia chorar á
qualquer minuto.
-Tudo bem... Eu visto.
Ela deu um sorriso fraco e me deu a blusa.
-Bom, vai se vestindo, eu vou... Onde fica o banheiro?
Apontei para a porta que estava atrás dela. Nathalie se
levantou e caminhou até o banheiro, trancando a porta logo depois. Me vesti
rapidamente, não gostando nem um pouco do modo que as roupas ficavam em mim. (http://www.polyvore.com/remembering_sunday_annie_delarue/set?id=57980902#stream_box)
Nathalie saiu do banheiro enquanto eu
estava terminando de colocar o sneaker, ela sorriu e pediu para que eu
levantasse. Abriu um sorriso maior ainda e pegou minha mão, me forçando a dar
uma voltinha.
-É, eu realmente sei escolher roupas.
Ela disse e riu. Não estava gostando nem um pouco de vestir
aquilo, mas parecia... apropriado para a ocasião.
-Que horas você vai sair?
Olhei rapidamente no visor do celular, uma mensagem nova.
“Estou a caminho, você
ainda vem né? xX Harry.”
-Agora.
Disse á Nathalie enquanto alcançava as chaves que estavam na
bancada.
-Quer que eu te deixe lá?
-Pode ser.
Ela me acompanhou discando alguma coisa no próprio celular,
ficamos esperando na calçada.
-Você não tem carro?
Perguntei á ela.
-Estou resolvendo isso.
Ela disse e pouco tempo depois, um táxi chegou. Entramos,
disse ao motorista o endereço e ele seguiu sem problemas.
-Nathalie?
Ela me olhou.
-O que as pessoas costumam dizer em encontros?
Ela riu e depois disse.
-Pessoas, costumam conversar sobre si, conhecer o outro e
tentar se identificar.
-E se eu não quiser falar sobre mim?
Disse á ela.
-Então significa que você não quer que a outra pessoa se
interesse por você.
Isso era tudo que eu não queria. Ficamos mais um tempo um
silêncio, o táxi parou em frente ao restaurante.
-Nathalie, o que eu devo fazer, exatamente?
Ela colocou a mão no meu ombro e disse.
-Bom, primeiro de tudo, sorria, sempre. Depois, tente
escutar com atenção ao que ele diz, responda as perguntas dele e faça as suas,
tente estabelecer um diálogo.
-Isso é difícil.
-Relacionamentos também são, mas você vai conseguir.
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