Capítulo 16- P.O.V.
Autor-
3 anos atrás.
Sexta-Feira, término da semana de provas. Tudo o que Nath,
Jake e Tyler querem é se divertir. Decidiram ir á uma boate perto do centro,
movimentada, com boa música e bebida barata. Os três, menores de idade,
contaram com a ajuda de um velho amigo de Tyler para entrar. Entraram,
dançaram, beberam á ponto de rir só porque estavam respirando. Uma música
agitada começou a tocar.
-Vamos dançar?
Nathalie perguntou, já de pé, segurando a mão do amigo. Jake
a olhou com uma careta, mas a menina fez uma carinha de cachorro, que dava
vontade de beijar. Nathalie puxou Jake até a pista de dança, os dois um pouco
bêbados, Nathalie um pouco mais do que ele, começaram a dançar mais colados. Na
luz piscante, com o efeito das bebidas e com os sorrisos divertidos de
Nathalie, Jake não se conteve, sempre achou a amiga bonita, tanto que tinha um
ciúmes de irmão com ela, não pretendia beijá-la, mesmo assim o fez. Ele começou
por seu pescoço, já que a menina estava de costas para ele, quando Nathalie se
virou, não protestou, então Jake colocou a mão direita em sua nuca e a beijou.
Mal sabia o que estava fazendo. Nathalie provavelmente não achava que era o
melhor amigo a quem estava beijando, não sabia, não iria lembrar. Jake se
afastou uns poucos minutos depois, com a maior culpa que poderia ter. Acabara
de beijar a melhor amiga, que estava bêbada e sem condições de responder por
si. Pegou a mão de Nathalie e a guiou para fora da boate, coincidentemente
encontrando Tyler sentado na calçada. Agarrado á Nathalie com a mão esquerda,
puxou Tyler com a mão direita e chamou um táxi, que os deixou na casa de Tyler.
Decidiu dormir na casa do amigo, cuidaria de Nathalie que
tinha acabado de vomitar no meio fio e daria alguma desculpa para a mãe no
outro dia.
Tyler se atrapalhou um pouco com as chaves ao tentar abrir a
porta da casa, felizmente conseguiu. Com Nathalie nos braços, não poderia abrir
a porta. Tyler entrou e correu para o banheiro, Jake passou da soleira da porta
com uma Nathalie parcialmente acordada. A menina estava manhosa e havia pedido
á Jake que a carregasse até o quarto. Jake a levou para o quarto de hóspedes.
Sentou a menina no banheiro e conseguiu lavar o rosto dela com uma toalha, que
ficou toda suja de maquiagem. Ajudou Nathalie a deitar na cama, encostou a
porta e foi para a sala, se largou no sofá e dormiu ali mesmo.
Nathalie se revirou na cama umas duas vezes e resolveu abrir
os olhos de uma vez. A cabeça rodava um pouco, percebeu que o zíper do vestido
estava puxado até a metade das suas costas. Resolveu se sentar na cama, sabia
que estava na casa de Tyler, reconhecia de longe o cheiro do charuto que o pai
dele costumava fumar. Se virou assustada quando ouviu o barulho da porta sendo
aberta, virou sua cabeça depressa o que a deixou tonta.
-Eu te acordei?
Disse Tyler num sussurro.
-Não, já estava acordada.
Ela disse sorrindo.
-Posso entrar?
Ele perguntou.
-Claro, a casa é sua né!
Ele sorriu e fechou a porta, aproximou-se da cama e sentou
na beirada.
- Também não consegue dormir?
Ela balançou a cabeça negativamente.
-Também não.
Eles ficaram em silêncio por um tempo. Tyler suspirou e
encarou a menina.
-Você me acharia besta, se eu te dissesse uma coisa?
Ela sorriu.
-Depende da coisa.
-Bom... É que tem uma menina, que eu acho muito especial. E
eu queria que ela me notasse sabe? Gosto muito dela.
Nathalie sorriu e se aproximou de Tyler.
-Diga pra ela ué! Como ela é? Talvez você pudesse fala
alguma coisa especial pra ela.
-Ela é muito bonita, tem os olhos claros sabe? E o cabelo é
bem escuro. Ela nem imagina o quão bonita é, principalmente quando sorri. Ela
fica linda sorrindo. E ela tem uma mania, de morder o lábio inferior quando tá
nervosa.
Tyler se aproximou dela, estava de joelhos na cama. Nathalie
estava toda vermelha.
-E ela é muito tímida- Ele passou o dedo indicador pelo
queixo dela- fica toda vermelha quando tá envergonhada- Ela olhou para baixo
institivamente, mas ele puxou seu queixo- Ela não sabe, mas eu tenho uma
vontade enorme de beijar ela quando ela olha pra baixo.
Nathalie o olhou bem nos olhos. Tyler era um menino bonito,
legal e divertido. Sabia sempre onde ir para se divertir, nunca havia imaginado que ele a olhava desse
modo. Desde que chegou na escola, quando teve a primeira aula de biologia com
Jake, primeiro resistiu á encontrar os dois meninos, mas eles persistiam, todos
os dias até ela ceder.
-Eu não...
Ela murmurou e olhou para os lados, Tyler aproximou o rosto
do dela e a beijou. Primeiro ela não sabia como reagir, estava tão perplexa por
ele ter se declarado pra ela, quanto por tê-la beijado. Mas, pouco a pouco,
entrou em sintonia com ele, as línguas exploravam a boca um do outro e eles não
pareciam se cansar. Tyler deitou a menina na cama e começou a beijar o pescoço
da menina, não demorou para descobrir que algumas mordidas ali a deixavam toda
arrepiada. Voltou a beijar sua boca enquanto descobria as curvas do corpo da
garota. Achou o zíper do vestido dela e constatou que era muito conveniente que
ele já estivesse aberto pela metade. A menina se mexeu debaixo dele, parou de
beijá-la para ver o que havia de errado.
-Tyler... Eu não acho isso muito...
Colocou o indicador nos lábios dela.
-Confie em mim.
-Eu confio.
Ela disse e ele voltou a beijá-la. Tirando o vestido dela e
o jogando em algum lugar pelo quarto. A menina voltou a ficar vermelha quando
percebeu que Tyler olhava cada detalhe do seu corpo.
-Você é linda.
Ele disse num sussurro beijou o busto da garota e foi
descendo pelo corpo dela, beijou cada parte descoberta do corpo dela, lambeu
uma parte da barriga dela, o que fez a menina rir por um instante. Depois,
arrancou-lhe a lingerie, juntamente
com as suas roupas. Foi beijá-la mais uma vez mas a menina virou o rosto.
-O que foi?
Ele a olhou confuso.
-É que eu... Eu nunca fiz isso antes Tyler.
Ele reprimiu um sorriso e deu um longo beijo na bochecha da
menina. Nunca, em hipótese alguma, pensou que Nathalie era virgem.
-Eu vou com calma. Vai ser bom pra você, você confia em mim
não é?
Ela balançou a cabeça positivamente. Ele lançou um sorriso
para ela, colocou a camisinha que havia pego no bolso da calça, e a penetrou bem devagar, Nathalie havia
fechado os olhos e estava fazendo uma cara que só podia ser interpretada por
dor. Tyler a beijou, conseguindo distrair a menina enquanto o doloroso processo
do rompimento do hímen acontecia. Ela
agarrou os lençóis e tentou pensar em qualquer outra coisa, mas a dor estava
tão presente que não a deixava pensar em mais nada. Felizmente, a dor sumia
enquanto um prazer imenso tomava o lugar. Logo, Tyler estava intensificando os
movimentos, fazendo com que alguns gemidos escapassem de sua garganta. Tyler
gozou um pouco depois que a menina parou de sentir a dor que, até ali,
continuava presente. Ele a beijou demoradamente e deitou ao seu lado na cama,
sentindo-se extremamente cansado, dormiu logo em seguida. Ele não viu quando
Nathalie virou para o lado oposto da cama e uma lágrima escorreu pelo seu
rosto.
Ela acordou de manhã, com uma dor insuportável no ventre. A
cabeça incomodava bem menos e as lembranças eram muito mais dolorosas do que
qualquer outra coisa. Levantou-se e constatou que Tyler não estava ali. O
garoto havia acordado nas primeiras horas da manhã e foi direto para o seu
quarto. Nathalie levantou-se e tomou um rápido banho, colocou o mesmo vestido
da noite anterior e prendeu o cabelo num coque frouxo. Saiu do banheiro e olhou
de relance para a cama, os lençóis continham sangue e ela tratou de tirá-los de
lá. Tomou um susto ao pé da escada, quando observou Jake dormindo no sofá.
Deixou a roupa de cama na lavanderia e voltou para a cozinha, tomou a liberdade
de preparar um café e achou, numa jarra que estava na bancada, uma cartelinha
de analgésicos. O que seria muito útil para ambas as suas dores. Nathalie
estava sentada na bancada da cozinha, com uma xícara de café e uma cartelinha
vazia de analgésicos. Jake se sentou de frente para a amiga precisava contar
para ela, só não sabia como.
-Está melhor?
-Com um pouco de dor de cabeça, mas sim. Jake... O que
aconteceu ontem?
A menina disse fazendo uma careta. Ela viu o amigo hesitar,
isso já a deixou alerta, algo além da bebedeira havia acontecido. Deixou a
xícara na bancada e repetiu a pergunta.
-O que aconteceu ontem?
Jake estava com um nó tão grande na garganta, que disse tudo
o que aconteceu, rápido demais para que Nathalie soubesse logo de cara.
-Você bebeu demais na boate e eu também, eu acabei beijando
você e então viemos pra casa de Tyler que também não estava legal eu te ajudei
porque você havia vomitado no meio fio, deixei você no quarto e vim dormir.
Respirou fundo, tomando ar. A menina o encarava seriamente.
-Você? Espera... VOCÊ O QUE?
-Eu não sabia o que estava fazendo, foi culpa do...
-NÃO OUSE DIZER QUE FOI CULPA DA BEBIDA COLLINS! EU... Eu
confiei em você como meu amigo.
Ela disse baixinho no final, Jake se arrependia mais no que
nunca por ter feito aquilo.
-Eu juro que não foi por querer, e se quer saber, foi a
coisa mais estranha que já fiz. Parecia que eu estava beijando a minha irmã.
Jake fez uma careta, tentando animar a amiga. Deu certo,
primeiro ela socou-lhe o braço e depois começou a rir.
-Não ouse fazer isso de novo Collins.
Nathalie foi para casa, contando com uma carona de Jake. A
mãe nem havia acordado ainda e provavelmente nem sabia que havia saído. Caminhou
até o seu quarto e dormiu o resto da
tarde, acordou pela mesma dor que a fez acordar de manhã. Resolveu tomar um
longo banho e um pouco de sangue havia saído de sua intimidade, se assustou com
aquilo, porque seu fluxo era muito bem regulado e aquela não era a época para aquilo acontecer. Desesperada, pegou o
celular e discou o número da ginecologista. Sabia que deveria contar aquilo
para a sua mãe, mas parecia tão errado quanto acordá-la de manhã após ela beber
uma garrafa inteira de vinho. A doutora Mayers marcou um horário urgente para
ela, veio por acaso ao consultório e foi surpreendida pela voz trêmula da
adolescente que conheceu poucas semanas atrás. Nathalie se trocou rapidamente e
pegou um táxi, indo para o consultório da doutora, que a recebeu com um grande
sorriso no rosto. Nathalie se sentou na cadeira em frente á mesa da doutora e
suspirou.
-O que houve Nathalie?
A doutora perguntou.
-Bem... Eu não sei como te dizer isso, além do mais, sinto
uma vergonha enorme de falar sobre qualquer coisa assim.
Ela começou a gesticular com as mãos, fazia isso quando
estava sem jeito.
-Comece Nathalie, assim eu posso saber o que há de errado.
-Bom, ontem eu fiz... sexo. E hoje de manhã eu acordei com
uma dor insuportável aqui- Ela apontou para o local que estava doendo- e eu
tomei um analgésico porque eu tinha bebido e resolveu, aí eu fui pra casa e
dormi um pouco. Acordei com a mesma dor e tomei um banho e saiu um pouco de
sangue de... lá.
Ela olhou sem graça para a médica que já estava acostumada
com isso. Ela mandou Nathalie se deitar na maca e a examinou por um instante
antes de dar o diagnóstico.
-Bom Nathalie, isso é completamente normal. Você rompeu o hímen e é normal que doa por alguns
dias. Eu vou te receitar esse anticoncepcional que vai ajudar na dor nos
próximos dias e vai regular o seu fluxo, tudo bem?
Ela assentiu com a cabeça.
-Ótimo, pode se vestir.
A menina colocou sua roupa enquanto a doutora prescrevia o
medicamento.
-Tome um comprimido todos os dias, depois do café ou antes
da janta, ok?
-Pode deixar.
-Nathalie?
-Sim?
-Sua mãe sabe que você vem se consultando comigo, quero
dizer, eu nunca vi você com ela e eu sei que não é da minha conta, mas acho que
você devia consulta-la de vez em quando.
-Ela sabe que eu tenho consultas com você, mas agradeceria
se fingisse que a consulta de hoje não existiu. Ela é muito... Cabeça dura, não
sei se vai gostar de saber sobre o que aconteceu.
A doutora sorriu, compreendendo exatamente o que a garota
sentia.
-Pode deixar Nathalie, qualquer coisa, é só ligar.
Elas se despediram e Nathalie voltou para casa, onde sua mãe
ainda dormia. Passou o sábado e o domingo em seu quarto, saiu apenas para
comprar os comprimidos que a ginecologista havia lhe prescrito e depois voltou.
Segunda-feira, ela acordou cedo e se vestiu para a escola.
Comeu qualquer coisa na cozinha e tomou o comprimido rosado que era o remédio
que a doutora havia recomendado. Ouviu uma buzina do lado de fora, sorriu ao
ver Jake esperando no carro da mãe dele.
-E aí chata?
-Ainda estou meio brava com você.
Ela disse entrando no carro.
-Não acredito.
Ele disse.
-Pode acreditar.
Ela riu e perdeu toda a convicção de estar brava com ele. Os
dois seguiram conversando sobre a mãe do Jake que havia surtado ao ver o menino
despenteado chegando em casa ás oito da manhã. Na escola, eles viram uma
aglomeração de pessoas no pátio. Os dois se aproximaram para ver e acabaram se
separando por conta de todas as pessoas ali, Nathalie viu Tyler no centro da
roda, achou que poderia ser alguma briga e abriu caminho por entre as pessoas.
-Aqui está ela!
Tyler a puxou pelo braço e Nathalie não entendeu nada.
-Todo mundo conhece essa garota aqui, por ser a novata mais
durona que esse colégio já viu.
Alguns comentários começaram a surgir no meio das pessoas
que estavam ali.
-Tyler, o que está acontecendo?
Ele se virou para ela.
-Só um minuto. O que ninguém sabe- Ele se voltou para as
pessoas- é que Nathalie Simmons não passa de uma virgenzinha querendo se
mostrar. Opa, ex-virgem, se me permitem dizer. Acontece que a Nathalie aqui,
visitou a minha casa na última sexta feira, e ela ficou lá até sábado de manhã,
tivemos uma ótima noite juntos. Se me entendem.
Ele riu, junto com um monte de pessoas que estavam ali.
Nathalie nunca se sentiu tão mal, tão usada e tão burra em toda a sua vida. Sem
pensar, fechou o punho e o direcionou na cara de Tyler. Ouviu o estalo que o
nariz dele deu, sabia que havia quebrado o nariz do garoto. Mas o golpe havia
doído mais nela do que nele. Ela havia confiado nele, não esperava um
relacionamento com ele ou qualquer outra coisa, mas não esperava que ele a
humilhasse na frente do colégio todo. As lágrimas caíam livremente por seu
rosto enquanto ela desferia golpes na cara de Tyler, ele estava caído no chão e
ela estava por cima dele. Sentiu alguém a puxá-la pela cintura, continuou
tentando alcançar o rosto de Tyler, queria que ele sofresse como ela estava
sofrendo, queria ele morto.
Jake a tirou do centro da multidão, não antes de desferir um
chute nas costelas de Tyler. Levou a menina para o lugar mais distante na
escola, eles estavam no vestiário feminino do ginásio. A menina chorou no ombro
do amigo até não poder mais. Estava exausta, com raiva, e os punhos doíam e
estavam manchados de sangue. Ela parou de chorar e foi lavar as mãos. Jake a
levou para casa, arriscando outra discussão com a mãe. Ela não foi á escola por
uma longa semana, e quando voltou, outro boato já rolava entre os alunos.
3 anos depois- P.O.V.
Nathalie Simmons-
-Ta aí um assunto que nunca discutimos. Você... teve sua
primeira vez com esse tal de Tyler?
Me assustei com a pergunta dela, claro, eu induzi aquele
assunto. Mas Tyler Daniels não era algo fácil de mencionar.
-Sim. Mas por favor, não me faça perguntas sobre isso.
-Credo, o que aconteceu?
Eu suspirei e a encarei.
-Qual a parte do “Não me faça perguntas sobre isso” você não
entendeu?
Nós duas rimos e eu suspirei outra vez.
-Eu confiei nele, sabe, ele foi o meu... primeiro, por assim
dizer. Na segunda feira ele espalhou para o colégio inteiro que eu havia
dormido na casa dele no final de semana, que, apesar de ser durona eu não
passava de uma virgem.
Eu disse e deitei na cama, com o canto dos olhos, vi Carolyn
rastejar pela cama e deitar do meu lado.
-Que péssimo.
-Quebrei o nariz dele, ele teve que tomar oito pontos no
queixo e o Jake quase quebrou as costelas dele.
Nós duas rimos.
-Ele mereceu, essa é a Nath que eu conheço.
Ela bocejou, fazendo com que eu bocejasse também.
-Acho que vou dormir, você tá legal?
-To sim, pode ir lá.
-Sorte desse Tyler que eu não te conhecia na época, teria
ajudado á mantê-lo no hospital.
Ela disse e saiu rindo do meu quarto. Assim que ela fechou a
porta, eu me cobri e virei para o outro lado da cama, adormecendo rapidamente.
De manhã, ouço um barulho de algo sendo quebrado, seguido de
um palavrão não muito legal pra se ouvir quando acorda.
-PUTA QUE PARIU!
Eu sorri e levantei da cama, Carolyn estava xingando, tão
cedo?
-O que aconteceu?
Eu disse no final do corredor, esfregando os olhos.
-Eu fui tentar fazer a droga de um café porque você não
tinha acordado, aí....
-Aí a esperta aqui queimou o dedinho colocando café na
xícara e deixou a caneca cair.
Eu estava rindo antes mesmo de Jake terminar a frase.
-Queimou o dedinho, ui ui!
Eu comecei a rir mais ainda.
-Cala boca. Tá doendo.
Ela começou a chacoalhar a mão.
-Quer que eu dê um beijinho?
Jake perguntou.
-Não, idiota.
Quando eu consegui recuperar o fôlego, ajudei Carolyn á
varrer os cacos de vidro.
-Você pisou em algum?
Perguntei pra ela.
-Não.
-Ótimo, não to afim de cuidar do pezinho da criança.
Eu sorri.
-Me deixa Nathalie.
-Tá bom, mas a June vai querer ajuda com a roupa, e é bem
provável que ela já esteja escolhendo. Ajuda ela enquanto eu dou um pulinho lá
na People pra perguntar algumas coisas.
-Pode deixar.
Voltei para o quarto e tomei um banho demorado, ainda tinha
um pouco de neve lá fora, mas não estava tão frio. Vesti uma calça jeans, um
pulôver preto e botas pretas sem salto. Peguei a bolsa e liguei para John antes
de sair de casa.
-Oi?
-Oi John, aqui é a Nathalie.
-Oi Nathalie, aconteceu alguma coisa?
-Não, não. Eu só pensei em dar um pulinho aí para perguntar
umas coisinhas sobre hoje á noite.
Pude ouvi-lo rir do outro lado.
-Parece que não consigo mesmo me livrar de você.
-Oi?
Eu perguntei um pouco assustada, ele riu outra vez antes de
responder.
-Nada, é que eu não estou na People, se for muito
importante, estou no parque da Avenida Oxford.
-Se importaria se eu passasse aí?
-Claro que não, vou esperar perto do lago.
-Pode deixar.
Desliguei o celular e desci de elevador até o Lobby.
Cumprimentei o porteiro com um aceno de cabeça e saí do prédio, peguei um táxi
na esquina da rua e segui até a Avenida onde ficava o parque. Ao chegar no
parque, andei por um tempo até achar o lago. E vi John sozinho, em pé, olhando
para alguma coisa longe.
-John?
-Oi Nathalie!
Ele disse se virando e me dando um rápido abraço.
-Então, o que a fez acordar ás nove e meia de uma sexta
feira?
Ele sorriu e assoviou para a direção que estava olhando
antes. De lá, um enorme labrador caramelo correu até ele.
-Nathalie, cumprimente o Buster. Buster essa é Nathalie.
Eu sorri e me agachei, para fazer carinho nas orelhas de
Buster, eu adoro cachorros, mas nunca tive um.
-Que gracinha!
Eu disse me levantando, Buster começou a cheirar minhas
pernas.
-Ele gostou de você.
John disse e apontou para um banco não muito longe dali,
assim que nos sentamos, eu o perguntei.
-Então, eu queria saber o que exatamente você quer que eu
faça hoje na La Belle.
Ele sorriu e passou a mão na cabeça de Buster que nos
encarava com a língua pra fora.
-Vão haver muitos famosos hoje lá na La Belle, você pode
tirar duas fotos de cada grupo musical, três da apresentação e algumas da
festa. Vamos fazer uma grande matéria sobre a festa. Mas Nathalie, como
fotógrafa, seria interessante que você seguisse seu instinto e tirasse fotos do
que achar interessante. Você não vai poder perguntar pra mim quando decidir
seguir uma carreira sozinha.
Me calei por uns instantes, nunca havia pensado em carreira,
claro, queria muito sair por aí tirando fotos incríveis, mas isso era um sonho,
trabalhar na People aconteceu tão rápido, que seria besteira abandonar um
emprego assim por um caminho incerto.
-Você tem razão- disse por fim- mas não pretendo sair da
People assim tão cedo, eu sou nova, talvez a mais jovem fotógrafa com emprego
fixo- Nós dois sorrimos- então, te entrego as fotos segunda feira.
-Sendo assim, tem reunião Segunda ás oito e vinte.
Ele sorriu e eu me despedi com um abraço rápido e me abaixei
para dar Tchau para Buster.
-Tchau garoto!
Eu fiz carinho em sua cabeça e ele deu a pata para mim.
-Que gracinha!
Eu ri e saí, acenando para John que ficou brincando com
Buster.
Peguei outro táxi e fui no Starbucks perto de casa, estava
pegando o meu pedido quando vejo Hayley entrar na cafeteria. Ela me olhou de
cima a baixo antes de continuar andando, meu sangue ferveu e eu teria arrancado
os cabelos daquela vaca se meu celular não começasse a tocar.
-Oi.
-Nossa, bom dia pra você também!
-Ah, oi Jake, o que foi?
-Nada, queria saber onde você tá.
-To na cafeteria, porque?
-Precisamos de algumas coisas do mercado. Você se
importaria?
-Não, claro que não.
-O que aconteceu?
-Depois eu te conto, me passa uma mensagem com o que vocês
precisam. Tchau.
Desliguei o telefone e andei até uma mercearia que tinha ali
na rua. Assim que entrei, recebi a mensagem de Jake.
“Pão, leite, café, macarrão instantâneo, ovos e seus chás estão
acabando também.”
Podia jurar que a geladeira estava bem abastecida no começo
da semana, peguei uma cesta e comecei a pegar os itens da lista de Jake. Quando
estiquei a mão para pegar o leite, outra pessoa também foi pegar o mesmo
produto, fazendo com que nossas mãos se tocassem.
Instintivamente, puxei a mão de volta e lancei um sorriso
tímido de desculpas para a pessoa, isso antes de ver que era o Tyler. Ele estava
mais alto, o cabelo mais comprido e tinha uma tatuagem no braço esquerdo, ele
sorriu e disse.
-Ora, Nathalie! Que coincidência.
Pude sentir o nó na garganta, esse garoto estava louco de
vir falar comigo? Ou ele não estava aqui e eu que estava ficando maluca?
-Oi... Tyler.
Tive uma imensa dificuldade em pronunciar o nome dele.
-Vejo que conseguiu o que queria. Londres! Que maneiro.
Ele disse e se virou para mim.
-O que faz aqui?
Eu disse com a voz trêmula.
-Bom, você não é a única que conseguiu o que queria. Eu
consegui virar um jogador profissional, um time me contratou mês passado, estou
em Londres faz três semanas. Cara, não te vejo desde o colégio! Ainda tem
contato com o Jake? Não consigo encontrar aquele menino em lugar nenhum.
Ele sorriu e pegou o leite que nós dois iríamos pegar.
-Acho que isso é seu.
Ele me entregou o leite e eu coloquei na cesta. O que havia
acontecido? Eu nunca mais falei com Tyler desde... aquele dia. E Jake brigou
feio com ele na semana que eu faltei á escola. Como assim, não consegue encontrar
aquele menino em lugar nenhum?
-Seria legal se nós dois saíssemos pra jantar, o que acha?
-Ahn... Eu...
-Sábado á noite? Eu te pego, onde você mora?
-Tyler eu...
-Vamos Nathalie, tem tanta coisa que aconteceu nesses últimos
3 anos, se bem que depois do meu acidente, o segundo ano do colégio é meio que
um borrão.
Ele riu.
-Acidente?
Não queria prolongar o assunto com ele, mas, acidente? Que
porra de acidente ele está falando?
-Três anos atrás eu estava numa viagem com um pessoal da
boate, um pessoal um pouquinho mais velho. Foi bem na semana depois das provas,
a gente estava indo pra Coney Island, só que eles gostavam de dirigir
totalmente chapados. O resultado foi uma concussão bem feia pra mim, e uns
machucados estranhos. Meu nariz ficou esquisito, mas não estava quebrado, e eu
fiquei com duas cicatrizes, olha só!
Ele apontou pra fina linha um pouco mais clara no seu
queixo. Obra minha. E uma linha um pouco mais comprida, em cima da sobrancelha
esquerda.
-E então? Sábado á noite? Não me faça ter que descobrir onde
você mora e te sequestrar.
Ele riu e eu suspirei.
- E-Eu... Tenho um compromisso, mas vejo o que eu posso
fazer.
Ele sorriu e esticou a mão.
-Dá seu celular.
-Pra quê?
-Vou gravar meu número.
Eu entreguei o celular, relutante. Assim que ele me
devolveu, procurei sair de lá o mais rápido o possível, deixei a cesta em algum
corredor esbarrei em alguém ao sair. Olhei para cima e vi Liam, que sorriu ao
me ver.
-A gente combinou de se encontrar sem esbarrar em ninguém.
Ele disse e me abraçou. Eu o abracei, soltando rapidamente,
Tyler poderia passar por ali a qualquer momento. Liam percebeu que eu parecia
preocupada.
-Aconteceu alguma coisa?
-Não... É... Eu preciso muito mesmo sair daqui o mais rápido
possível.
Liam fez uma cara estranha, mas me encarou por um momento e
pediu para que eu entrasse no carro dele que estava estacionado á alguns passos
de distância.
-Quer ir pra onde?
-E-Eu... Não sei, qualquer lugar serve eu só... Preciso sair
daqui.
Disse a última parte num suspiro. Liam ligou o carro e
começou a dirigir.
-O que houve Nathalie, você está um pouco pálida.
Ele me olhou rapidamente e voltou os olhos para a rua.
-É meio complicado...
Não conhecia Liam o bastante para contar sobre Tyler.
-Pode contar comigo ué, somos amigos.
Ele disse e sorriu, me fez sorrir também.
-Bem... Tinha um menino que eu achei que nunca mais ia ver
na vida, e hoje, ele me encontrou aqui em Londres como se... Nada tivesse
acontecido.
-E o que aconteceu?
Ele perguntou e eu desvio o olhar, estou olhando pela janela
e vejo as ruas de Londres.
-Essa é a parte complicada. Ele...- Eu suspiro, talvez Liam
não deva saber.- fez uma merda muito grande, aí hoje disse que na mesma semana
sofreu um acidente de carro e não lembra de nada.
-Talvez seja uma segunda chance que a vida está dando pra
vocês ué.
Ele disse em tom casual e eu me virei pra ele.
-O que ele fez não tem perdão, Liam. Machucou de verdade.
Eu digo e ele me observa, deve ter visto algo em mim que não
parecia certo. Ele esticou a mão livre e eu estendi a minha. Aquele pequeno
gesto acalmou a revolta que havia dentro de mim.
Liam estacionou o carro um tempo depois, estávamos numa
praia.
-Onde estamos?
Eu pergunto saindo do carro.
-Eu gosto de vir pra cá ás vezes, não é longe de Londres e
poucas pessoas conhecem, perfeito não é?
Ele diz sorrindo e eu olho para o lugar. A areia é fina, o
mar é escuro e atrás de onde estacionamos, há algumas árvores que se chacoalham
por causa do vento.
-É... Perfeito.
Eu digo e o acompanho para uma caminhada.
-Os meninos queriam te ver de novo.
Ele sorriu.
-Sério?
Eu pergunto e me abaixo para pegar uma pedrinha na areia.
-Sim, eles gostaram de você, quer dizer, da primeira vez que
a gente ficou junto você estava toda nervosa e queria tirar as fotos pra
revista, mas ontem você estava toda decidida e durona por causa do filme. Foi
engraçado.
Ele disse e eu sorrio.
-Engraçado foi saber que você ficou assustado com aquele
filme.
Eu digo e atiro a pedra, mas ela não vai tão longe. Liam ri.
-Não é assim que se joga, é assim!
Ele diz e atira a pedra, fazendo-a cair no mar.
-E, em minha defesa, não fiquei assustado. Levei dois
sustos, tem uma grande diferença.
Nós dois rimos e continuamos atirando pedrinhas. Dessa vez,
consigo fazer com que as minhas pedras vão mais longe. Me abaixo para pegar
outra, mas meu celular começa a tocar.
“-Alô?
-ONDE DIABOS VOCÊ SE
METEU NATHALIE?”.
Eu afasto o celular do ouvido e Liam me observa com uma cara
curiosa.
“-Eu saí um pouco,
Jake, não precisa ficar preocupado.
-Você diz que está
quase em casa, eu peço pra ir ao mercado e você não voltou, já faz duas horas!
Eu rio.
“-Jake, eu estou bem,
mas preciso falar com você quando chegar... É assunto sério.”
Ouço Jake suspirar do outro lado.
“-Tudo bem, mas chega
logo porque Carolyn está me enlouquecendo falando de roupas e isso e aquilo.
-JUNE! CADÊ A MINHA
BOTA PRETA!”
Ouço Carolyn gritar do outro lado da linha, sorrio e digo
tchau para Jake. Liam limpa as mãos na calça e caminha até mim.
-Precisa ir?
Eu balanço a cabeça, afirmando.
-Tenho que ir em uma balada que vai inaugurar... La alguma
coisa. Carolyn está ficando maluca atrás do sapato que ela não acha.
Eu guardo o celular no bolso da calça e caminho até o carro.
-Você também vai pra La Belle hoje?
Ele pergunta enquanto coloca o cinto de segurança.
-Tenho que tirar algumas fotos pra revista, você vai?
-Eu e a One Direction, a Dani também vai, e a Little Mix
também vai...
Eu o corto.
-Peraí rapaz, que Dani? Que Little Mix?
Eu pergunto e ele ri.
-Dani é a minha namorada, ela é dançarina. Little Mix é um
grupo de garotas, uma banda. Perrie, que
é integrante do grupo, é amiga da Dani. Entendeu?
-Mais ou menos, mas eu me viro. Acho que vou me atrasar.
Digo olhando para o relógio no visor do carro.
-Ainda é cedo, a La Belle só vai abrir as nove, são quatro e
meia.
-Você não sabe como garotas costumam se arrumar não é?
Eu digo o encarando e ele sorri. Liam me deia no meu
apartamento e segue para sua própria casa. Eu subo, abro a porta e me deparo
com Jake andando de um lado para o outro com as mãos na cabeça.
-Ainda bem que você chegou! Mais um minuto ouvindo sobre
roupas e sapatos e eu me mato eu juro!
Eu sorrio e deixo as chaves em cima da mesa.
-Não se preocupe. Tudo bem enquanto eu estive fora?
Eu pergunto sentando ao seu lado no sofá.
-Bem não estava, mas vou sobreviver. Ah, o que você queria
me falar.
Eu suspiro e o encaro seriamente, ele sustenta meu olhar.
-Tyler Daniels está aqui em Londres.
Jake abre e fecha a boca algumas vezes, mas não formula
frase nenhuma.
-Ele estava no minimercado em que eu passei para comprar as
coisas que você me pediu, ele disse que é jogador, mora aqui há três meses, e
tem um bônus. Ele disse que sofreu um acidente no segundo ano, e que não se
lembra de nada.
-E você não caiu nessa conversa não é Nathalie?
Jake diz assustado.
-Não...Mas, Jake, você tinha que ver, ele até falava
diferente! Tinha outras cicatrizes e...
-E nada Nathalie. Você sabe o que ele te fez, sabe como se
sentiu aquela semana. E do mesmo jeito que você está sendo protetora em relação
á Hayley, não vou deixar Tyler chegar perto de você.
Eu o abraço de lado.
-Não devemos dar uma chance?
Eu pergunto, o olhando.
-Eu devo dar uma chance a Hayley?
Ele responde. Eu me calo por um tempo, pessoas podem mudar.
É raro, e quase nunca acontece, mas é possível.
-Se você quiser...
-Nathalie!
Ele diz e eu me levanto.
-Vem comigo então! Ele queria conversar com você de qualquer
jeito, Tyler nos chamou para jantar amanhã á noite.
Ele suspira e coloca as mãos no rosto.
-Você ainda vai me matar Nathalie.
Ele diz e eu caminho até meu quarto.
-Pensa nisso tá legal! Eu prometo que não vou se você não
for, mas prometa considerar que todos merecem uma segunda chance.
Eu fecho a porta e entro no banheiro, tiro a roupa
rapidamente e tomo um banho rápido, Carolyn com certeza vai querer dar alguma
opinião sobre minha roupa. Seco meu cabelo com o secador e o deixo enrolado nas
pontas, saio enrolada na toalha e abro o guarda-roupa, mas antes que possa
escolher uma única peça, Carolyn entra no meu quarto.
-Adorei a trança!
Digo enquanto ela dá uma voltinha para que eu possa
observá-la.
-Só isso?
Ela diz desapontada. Eu sorrio.
-Não, adorei que você está usando o meu presente.
-Que isso, eu que adorei ganha-lo, mas enfim, eu já sei que
roupa você vai colocar, nem tente me contrariar, ouviu?
Eu aceno com a cabeça e espero até que ela termine de
escolher as peças. June entrou pouco depois com duas sacolas, uma da Desire
Clothes e outra da River Island.
-Não creio!
Eu digo quando ela me entrega as duas sacolas, a da Derise
contém um top com glitter, muito ousado para mim, a da Riverside contém uma
calça de couro, suponho que as duas estejam loucas, eu não usaria isso.
-Ahn, acho que isso não é para mim.
Digo colocando os itens em suas respectivas sacolas, mas
Carolyn me impede.
-Claro que são! Compramos para você, você está indo para uma
balada Nathalie, merece roupas mais apropriadas.
Ela diz e ri.
-Seu conceito de apropriado é muito diferente do meu.
Eu digo.
-Qual é Nathalie, se divirta um pouco!
June diz, sentando na minha cama. Ela está com um Crop Top
roxo, manchado de preto, um shorts roxo com tachinhas e uma ankle Bootie preta.
Nenhuma dessas meninas tem vergonha na cara.
-Por favor!
Carolyn pede.
-Tá, tudo bem! Mas eu vou com uma blusa.
-Te amamos!
Elas dizem juntas e saem do quarto rindo, para que eu me
troque.
Ainda acho extremamente estranho usar um top que mostre
parte da minha barriga, meu umbigo não aparece, mas me sinto desconfortável.
Depois de pronta eu saio do quarto, para encontrar Jake, Carolyn e June
sentados no sofá.
-E então?
Eu pergunto acanhada.
-Está mais indecente que a loirinha aqui.
Jake diz apontando para June. Ótimo, alguém concorda comigo.
-Pois achamos que você está linda.
June diz.
-E como somos a maioria você não vai trocar.
Carolyn completa.
Eu sorrio e pego minha câmera antes de sair.
-Olha, não estamos atrasadas!
June diz quando entramos no carro de Jake. Ele liga o carro
e o rádio em uma estação qualquer e dirige até a La Belle. Ligo para John por
precaução, quero saber se não vou ser barrada ou alguma coisa assim, ele atende
no segundo toque.
“-Se divertindo?
-Ainda não cheguei.
Mas estou perto, como vou fazer para entrar?
Eu pergunto.
-Assim que avistar a
fila que está dobrando o quarteirão, continue reto, vá direto falar com o
segurança, seu nome está na lista de imprensa. Você receberá um cartão com seu
nome, permitindo ir da área V.I.P. para qualquer outro lugar. Simples assim.
-Obrigada John.
-Não há de quê.”
Eu termino a ligação e observo o movimento, as ruas de
Londres estão movimentadas e com um pouco de neve, mas não está frio. Jake vai
diminuindo a velocidade quando nos aproximamos.
-Vá direto, tem um manobrista lá na frente.
-Tem certeza?
Jake pergunta.
-Claro, não precisamos pegar esta fila.
E que fila! John tinha razão, as pessoas estavam á um
quarteirão e meio de distância da porta da La Belle. Era muita gente. Jake
parou o carro no meio fio e um homem de uniforme veio pegar as chaves, eu e as
meninas saímos do carro, Jake saiu logo depois. Pendurei a câmera no pescoço e
Carolyn fez o mesmo. Podíamos ouvir a música do lado de fora.
-Pois não?
Um segurança com o dobro do meu tamanho e de aparência
assustadora pergunta quando nos aproximamos.
-Oi, meu nome é Nathalie Simmons, trabalho para a revista
People.
Ele pega a prancheta com um outro segurança de aparência
assustadora e a observa por um instante.
-Pode passar.
Ele me entrega um cartão amarelo que penduro no pescoço, abre
o fecho da corda de veludo vermelho para que eu possa passar, espero Carolyn,
June e Jake antes de entrar.
-Carolyn Stevens.
O segurança procura o nome dela entrega o mesmo cartão para
ela e depois a deixa passar.
-June Stevens, eu ganhei uma promoção na Real Radio.
Ela entrega os ingressos para ele, coloca duas pulseiras de
cor laranja no pulso deles e deixa os dois passarem sem dificuldades.
-Ótimos, vamos logo!
Carolyn diz me puxando para dentro. Consigo tirar uma ou
duas fotos do lugar antes dela me puxar outra vez, estamos no meio da pista de
dança, há muitas pessoas com bebidas e bastões que brilham no escuro. Os
organizadores não pouparam dinheiro com essa inauguração. Carolyn me puxa para
o bar e pede duas vodcas com energético, não demora muito para que os copos
estejam em cima da bancada, aproveito para tirar uma foto de um garçom que está
fazendo malabares com algumas garrafas de vidro.
-Vou tirar as fotos que preciso aí vou aproveitar tudo.
Eu digo no ouvido de Carolyn, ela apenas ergue o copo na minha
direção. Termino de beber o que há no meu copo e sigo para a área V.I.P. Há um
segurança na frente de uma corda de veludo, eu apresento o cartão que está
brilhando no escuro e ele me deixa passar. Subo as escadas segurando a câmera e
entro num espaço muito bem organizado, com sofás, mesinhas e vários grupos de
famosos num único lugar. É o paraíso. Em apenas cinco segundos vejo Emma Watson
com duas outras garotas, a banda ColdPlay sentada em um dos sofás e AI MEU
DEUS! Pierre Bouvier atravessa o espaço com um garrafa de cerveja em mãos. Eu
já contei que amo Simple Plan? Não? Pois é. Estou tento um ataque, mas
endireito os ombros e sigo para o sofá onde estão os integrantes do ColdPlay.
-Olá!
Eles dizem quando me aproximo, não vou conseguir falar com
todo esse barulho por isso sinalizo a câmera com a mão livre. Eles balançam a
cabeça positivamente e todos eles erguem os copos, como se estivessem brindando
com a câmera.
-Obrigada!
Eu falo um pouco mais alto e sigo para Emma Watson e suas
amigas.
-Emma?
Pergunto quando me aproximo, ela se vira sorrindo.
-Imprensa! É sempre bom tirar fotos não é?
Ela diz e se aproxima das amigas para que eu tire a foto.
-Obrigada.
Eu digo.
-Não há de quê.
E ela volta a rir e a beber com as amigas. Tiro fotos de
alguns atores que estão ali, me preparando para tirar uma foto de Pierre,
Chuck, Jeff, David e Seb. Sébastien Lefebrve, é meu guitarrista favorito desde
que o ouvi tocar em Los Angeles. Me aproximo de onde eles estão sentados,
morrendo de vergonha.
-Uma foto para a revista People?
Eu digo e Pierre sorri.
-Mas é claro!
Os cinco se juntam numa pose engraçada e eu tiro a foto, mas
não posso deixar a oportunidade passar.
-E uma foto com uma fã?
Eu digo sorrindo torto.
Seb começa a rir e eu me aproximo deles, quase morro quando
os cinco me abraçam para cabermos na foto.
-Muito obrigada meninos. Amo vocês!
Eu digo, sorrio e olho para o chão. Eles respondem “Não há
de quê” e eu sigo o meu caminho, estou chegando ao final da área V.I.P, devo
ter tirado umas quinhentas fotos, há muitos famosos aqui.
-Harry! Por aqui!
Eu ouço quando me aproximo de um dos sofás.
-Ahn, uma foto para a revista People?
Eu digo sorrindo, encarando Louis e Harry que estão tentando
chegar ao sofá.
-Uau! Nathalie!
Harry diz e me abraça.
-Oi!
Eu digo e abraço Louis também.
-Oi Nathalie!
Ele diz quando nos separamos.
-Agora é sério, deixa e tirar uma foto de vocês.
Eu digo séria, mas depois acabo rindo. Eles se aproximam e
eu tiro a foto.
-Viu algum dos meninos?
Harry pergunta passando os olhos pelo lugar.
-Não, sinto muito.
-Viu Eleanor por aí? Ela foi buscar uma bebida e ainda não
voltou.
Perguntou Louis.
-Não, mas ela deve estar no bar. E porque você não foi
buscar para ela, onde está seu cavalheirismo?
Eu digo brincando.
-Eu ia pegar, mas ela foi mais rápida.
Ele sorri.
-Bom meninos, ainda tenho algumas fotos para tirar, vejo
vocês mais tarde.
-Estaremos por aqui.
-Tchau Nath!
Eles dizem e eu continuo andando pela área, tenho que
desviar de algumas pessoas que estão dançando e outras que estão bebendo. Acabo
esbarrando em alguém.
-Me desculpe!
Eu digo levantando os olhos para encontrar ninguém mais
ninguém menos do que Ed Sheeran.
-Ah, não foi nada.
Ele diz e sorri.
-Seria muito incomodo tirar uma foto para a revista People?
Eu me sinto uma idiota, mas é educado perguntar.
-Bom, a maioria não pergunta- Ele ri- mas eu tiro sim.
Ele sorriu para a câmera e eu tiro a foto, estou quase
seguindo meu caminho quando ele pergunta.
-Ei, você está tirando fotos de todo mundo, por acaso viu
Harry Styles por aí?
Eu me viro para ele e aponto na direção em que vim.
-Ele estava com Louis por ali, os dois estavam procurando os
outros meninos, não acho que vá acha-los agora.
Eu digo e sorrio.
-Bom, então, se não estiver muito ocupada, quer sentar e
beber?
Ele pergunta dando um sorriso torto.
-Adoraria! Mas ainda tenho algumas fotos para tirar, acho
que termino logo. Onde você está sentado?
Eu pergunto e ele aponta para o sofá ao lado do que os
meninos disseram que estariam.
-Ótimo, eu passo lá assim que terminar isso.
Eu digo.
-Qual o seu nome?
Ele pergunta.
-Nathalie.
Eu digo.
-Ok, vou ficar esperando, Nathalie!
Ele diz e vai andando na direção em que apontou. Eu suspiro
e sorrio, nada poderia estar mais perfeito do que esta noite. Alguns passos á
frente encontro Daniel Craig bebendo cerveja e conversando com algumas
mulheres.
-Com licença, senhor Craig.
Eu digo acanhada, um dos maiores astros do cinema está bem
na minha frente. Ele interrompe a conversa com as mulheres e olha na minha
direção, me olhando de cima a baixo.
-O que foi?
Ele pergunta.
-Eu trabalho para a People e gostaria de...
-Não.
Ele me corta.
-É apenas uma foto e...
-Não.
Tá legal. Daniel Craig não é lá muito educado. Mesmo assim,
continuei tirando as fotos dos famosos um pouco mais legais do que Daniel
Craig. Depois de terminar tive que atravessar o mar de pessoas que bebiam e
dançavam outra vez. O lugar parecia cada vez mais lotado.
-Aí está ela!
Eleanor pede licença para as pessoas que nos separam e vem
ao meu encontro.
-Uau! Que superprodução é essa garota?
Ela pergunta depois que para de me abraçar. Eu olho para a
sua roupa, Eleanor está mais que linda.
-Eu que o diga. Amei seu sapato!
Ela faz um gesto com a mão e me puxa pelo braço até onde os
meninos estão, Ed Sheeran está com eles.
-Olha ela aí!
Ed caminha até mim e me cumprimenta com um beijo na
bochecha. Harry nos olha esquisito.
-Vocês se conhecem?
Ed responde primeiro.
-Acabei de conhecê-la, Potter.
-Potter?
É a minha vez de perguntar. Harry sorri e se coloca ao lado
de Ed. Aponta para o próprio peito e depois para Ed.
-Potter, Weasley.
Os dois riem e eu entendo a brincadeira. Ed Sheeran se
parece mesmo com Rupert Grint.
-E aí, quer beber o que?
Eleanor pergunta, puxando Louis pela mão.
-Hum, não faço ideia. O que sugerem?
Eles se entreolham e sorriem. Louis chama um garçom que
estava passando com uma bandeja.
-Dois Blues Lagoons e uma Heinecken, por favor.
O garçom assente com a cabeça e sai andando. Louis toma a
mão de Els e a puxa para mais perto.
-Que meigo! Posso tirar uma foto de vocês?
-Claro!
Eles dizem ao mesmo tempo e sorriem. Eu tiro a foto e mostro
para eles.
-Ficou ótima!
Els diz e começa a ver as outras fotos.
-Ai meu deus! Simple Plan está aqui?
Ela pergunta me encarando. Eu aponto na direção que os vi
pela última vez. E nós duas começamos a dar gritinhos e comentar como eles são
fantásticos.
-Bom, já que as duas estão entretidas, vou ali com os
rapazes.
Ele sorri para mim e beija Eleanor nos lábios antes de sair.
-E então, como vai sua noite na La Belle?
Ela pergunta me cutucando levemente com seu cotovelo.
-Tirei fotos até agora, não acho que vá parar tão cedo, as
pessoas não param de chegar!
Eu digo sorrindo.
-Pois trate de aproveitar, você não veio aqui só pra tirar
fotos, veio?
Ela disse e sorriu. Neste momento o garçom veio com as
nossas bebidas, Louis surgiu não sei de onde para buscar a sua cerveja. Eu e
Els nos entreolhamos e começamos a rir. Tomei um gole da bebida azul e
estranhei o sabor doce.
- O que é?
-Vodca, licor azul e leite condensado. Pega leve, parece
fraco, mas é bem forte.
Ela diz e toma um gole do seu próprio copo. Algum tempo
depois de beber com Els, um grupo de quatro meninas estava andando na nossa
direção. Zayn vinha de mãos dadas com uma delas. Olhei com cara de interrogação
para Els e ela me respondeu.
-A nova namorada de Zayn, Perrie Edwards. As meninas são da
banda Little Mix.
Ela revirou os olhos mas sorriu quando as meninas vieram
cumprimenta-la.
-Ora, e quem é essa?
A loira que estava com Zayn pergunta depois de cumprimentar
Els.
-Essa é Nathalie Simmons, é fotógrafa. Nath essa é Perrie,
minha namorada.
Ela me dá um beijo em cada bochecha e se afasta.
-Fotógrafa é? Trabalha para alguma revista?
-Para a People.
Eu digo meio que encabulada.
-Pois então, tire uma foto nossa!
Ela diz e puxa Zayn mais perto, que a beija. Eu tiro a foto
dos dois e em seguida, Perrie abraça as amigas, eu tiro uma foto do grupo.
Ela sorri e vai cumprimentar o resto dos meninos.
-Não gosto dela.
Eleanor resmunga. Eu sorrio.
-Pude perceber.
-Venha, vamos dançar um pouco.
Termino o conteúdo do meu copo antes de Eleanor me puxar
escada a baixo para a pista de dança.
-Adoro essa música!
Ela disse quando chegamos lá em baixo, neste momento,
Chasing The Sun do The Wanted começou a tocar. Ela começou a dançar, e para não
deixa-la sozinha, a acompanhei. Estávamos na metade da música quando alguém
cutuca o meu ombro.
-Vai abandonar as amigas é isso mesmo?
Carolyn cruza os braços e sorri enquanto June toma o resto
de qualquer coisa que estava no seu copo.
-Me perdi de vocês! Mas enfim, Carolyn esta é Eleanor e a
une você já conhece.
Elas sorriram e acenaram. Outra música animada começou a
tocar e nós quatro formamos uma rodinha para dançar. Vários homens chegavam
agarrando uma de nós, era engraçado ver a expressão em seus rostos quando
dávamos um fora neles. June queria ir ver a área V.I.P. que não tinha visto
culpa de Carolyn, e ela iria aproveitar para tirar as fotos que precisava.
Subimos outra vez, havia mais pessoas sentadas e ficava mais fácil andar pelo
local. Carolyn começou a ajeitar os cabelos freneticamente assim que chegamos
perto da mesa dos meninos.
-Voltamos!
Eleanor disse e se juntou a Louis que estava sentado
conversando com Harry e Zayn.
-Onde está o resto?
Eu perguntei, me sentando.
-Niall foi comer alguma coisa e Liam está dançando com
Danielle. Os três devem chegar daqui a pouco.
Harry respondeu dando um gole em sua bebida.
-Gente, essa aqui é Carolyn, minha amiga e a June vocês já
conhecem.
Eu disse puxando a mão de Carolyn para que ela se
aproximasse. Ela deu um aceno coletivo enquanto os meninos a cumprimentavam.
-Ei Nath, vamos buscar alguma coisa pra beber?
June perguntou para mim. Eu acenei com a cabeça e desci com
ela mais uma vez. Esse pessoal não conseguia ficar parado.
-Tá, agora me espera lá no bar que eu volto daqui á pouco
ok?
Ela disse quando chegamos lá em baixo.
-June o que tá rolando?
Eu pergunto á ela.
-Carolyn é pior que a minha mãe, e é meu último dia aqui, eu
tenho que aproveitar. Por favor!
Ela disse fazendo cara de cão sem dono.
-Não faça nenhuma besteira. E quero que volte pra casa
conosco!
Eu disse. Ela me abraçou e entrou no meio das pessoas que
estavam dançando. Aproveitei para tirar uma foto da pista e acabei vendo Liam
dançando com uma garota morena, muito bonita. Tirei uma foto dos dois e segui
para o bar. Sentei-me em um dos banquinhos e esperei até o garçom se aproximar
de mim.
-Algum pedido especial?
Ele pergunta.
-Hum, o que andam pedindo?
-Cerveja e vodca com energético.
Ele diz e faz uma careta engraçada.
-Ah, não tem algo mais divertido?
Eu pergunto sorrindo. Ele parece pensar por um segundo e
depois começa a juntar algumas garrafas. Uma delas é de tequila.
-Vou preparar uma surpresa.
Ele diz enquanto corta algumas frutas.
A bebida é bem interessante, é amarela no começo, se
transforma num laranja e bem no final do copo fica vermelha. Na borda do copo
há um pedaço de laranja e uma cereja. Eu ergo o drink na direção do garçom
antes de provar.
-Uma dica, quando chegar na parte vermelha, vire o copo.
Toda a tequila fica concentrada ali no fundo.
Ele sorri e vai atender outro cliente. Eu provo e o gosto é
muito interessante, não é forte, não é muito doce e há uma pequena centelha do
gosto de suco de laranja. Eu adorei. Estico a mão para pegar mais um canudo e
esbarro na mão de alguém.
-Desculpe!
Eu digo olhando para o lado e encontro... Tyler.
-Ah. Oi!
Ele diz, sorri e me cumprimenta com um beijo no canto da
boca. Não foi legal.
-E Então? O que faz aqui na La Belle?
Ele pergunta casualmente. Eu mostro o cartão pendurado em
meu pescoço.
-Trabalho na People.
Digo bebendo um pouco mais da bebida que está em meu copo.
Tyler observa atentamente.
-Tequila Sunrise? Dá última vez que nos vimos, você bebia
vodca com gim.
Ele riu.
-Da última vez que nos vimos, eu estava no segundo ano do
ensino médio.
Nós sorrimos.
-O que houve com a gente? Eu lembro de andar com Jake no dia
em que você entrou no colégio, lembro de virarmos amigos e depois... Você e
Jake estão andando grudados e eu estou com uma galera nova. Parece até que você
roubou meu melhor amigo de mim.
Ele diz e sorri fraco. Talvez Liam tenha razão, vai ver a
vida está dando uma segunda chance de Tyler se acertar comigo.
-Pode acreditar, as coisas são bem mais complicadas do que
eu ter roubado o seu amigo.
Eu sorrio e viro o conteúdo do copo, o garçom tinha razão, a
parte vermelha era muito mais forte que o resto da bebida. Eu faço uma careta e
Tyler ri.
-Então eu...
Alguém o corta gritando o meu nome.
-Olha só ela ai, Nathalie!
Eu me viro na direção em que me chamaram para achar Niall
acenando e segurando uma garrafa de cerveja na outra mão. Ele caminha até mim e
me dá um abraço bem longo.
-Oi!
Eu digo quando ele se afasta.
-Os garotos estavam procurando por você. Vamos!
Ele me puxa pela mão, eu consigo dizer um “Até mais Tyler”
antes que Niall me puxasse até lá em cima, outra vez.
-Está certo, Niall, não precisa ficar me puxando por aí.
Eu digo tentando soltar meu pulso enquanto subimos as
escadas.
-Então venha logo!
Ele parecia extremamente feliz, mas será possível que esse
menino já estava bêbado?
Lá em cima, todo mundo parecia extremamente feliz. Eles
estavam conversando e bebendo, Carolyn dançava com June e as duas estavam um
pouco afastadas. Não demorou muito para que um garoto puxasse June para dançar
com ele, e depois disso Jake puxou Carolyn pela cintura e a beijou. Por um
momento, eu fiquei boquiaberta. Niall me guiou até o sofá onde Zayn estava
beijando Perrie, Louis estava abraçado com Eleanor e os dois estavam
conversando com Ed Sheeran que estava de mãos dadas com uma garota.
-Achei ela!
Niall meio que gritou quando nos aproximamos.
Eles riram e Eleanor deu dois tapinhas no lugar vago ao lado
dela, me sentei.
-O que andou fazendo?
Ela pergunta.
-Estava lá em baixo no bar. Ei, é impressão minha, ou todo
mundo aqui em cima está pra lá de bêbado?
Eu pergunto sorrindo, e ela começa a rir.
-Não é impressão. Acho que o único que não está bêbado é o
Liam, mas eu não sei onde ele tá.
Ela diz e ri outra vez. Pessoas bêbadas não são tão
divertidas assim. Ficamos em silêncio por um tempo até Niall chegar.
-Loui! Lembra-se daquela vez no ano novo?
Louis parece pensar um pouco antes de um sorriso malicioso
surgir no seu rosto.
-Claro que lembro Nialler.
-Acabei de ver a mesma garota!
Ele diz todo alegre e se senta de frente pra mim. Eleanor
olha brava para o Louis.
-Que garota, Tomlinson?
Ela pergunta e ele a abraça.
-Nenhuma em especial Els.
-O que você fez aquela noite Louis?
Ela perguntou fazendo um biquinho engraçado.
-Não fiz nada, eu juro!
Ele ergueu as mãos em rendição.
-Louis William Tomlinson! É melhor você me contar.
Ela o puxa pelo braço e os dois se afastam. Zayn, que estava
beijando Perrie até agora, veio se sentar ao meu lado.
-Eleanor quando fica bêbada, começa a sentir um ciúmes doentio
de Louis.
Ele ri.
-E você?
-Fico mais alegre, com certeza. E você?
-Nunca parei pra pensar, acho que não sou tão fraca como
vocês.
Eu digo dando de ombros.
-Fraco? Eu? Então tá, duvido que você aguente mais bebida do
que eu.
Ele cruza os braços e eu rio.
-É um desfio, BadBoy?
Ele olha para Niall que estava observando atento a nossa
conversa.
-Pra mim é um desafio, Zayn.
Ele diz.
-Então mande trazer uma garrafa de Tequila, eu e a baixinha
aqui temos contas a acertar.
-Também vou participar!
Niall diz antes de ir atrás do garçom.
-Participar do quê?
Harry surge do nada e se senta onde Niall estava.
-Nathalie acha que consegue beber mais do que eu.
Zayn diz e ri logo depois. Harry faz uma cara engraçada.
-Essa eu quero ver.
-Tudo bem então, faça como seu amigo loiro, eu consigo beber
mais do que todos vocês.
Eu me ajeito no sofá e cruzo os braços. June, Carolyn, Jake
e Liam chegam logo depois, perguntando porque Zayn está me olhando torto assim.
E, de repente, todos menos Ed, Perrie, Liam, Jake e a garota que está com Ed
estão participando do meu desafio.
-Aqui está!
Niall chega acompanhado do garçom que trás em uma bandeja,
uma garrafa de Tequila, vários copinhos, um pote pequeno e um recipiente com
limões. Ele deixa tudo na mesa de centro e sai.
-Faça as honras.
Eu digo para Zayn que começa a servir os copinhos. Assim que
todos estão segurando um copinho e um pedaço de limão, eu encaro Zayn.
-Vamos nessa, BadBoy.
E lambo o sal que está na minha mão, virando o copinho logo
em seguida e mordendo o pedaço de limão depois. Faço uma careta e sirvo mais
um.
-Isso não foi nada.
Ele repete o que eu fiz, vamos fazendo isso até que a
garrafa acabe. Não estou me sentindo mal, não estou sentindo nada.
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