Capítulo 33- P.O.V- Nathalie Simmons
Eu deixei a casa de Harry pouco depois das onze, eles pediram quatro caixas de pizza e todas elas foram devoradas. Os garotos estavam vendo algum filme de luta e eu me despedi antes que eles trocassem de filme. Liam ficou bravo porque eu era o seu par ali, já que ele não tinha namorada e Niall não veio.
Meu despertador me fez levantar com um pulo, eu tinha que me arrumar para a premiação. Eu tinha o dia inteiro no salão para enfrentar, unha, cabelo e maquiagem. Seria um pesadelo aguentar tudo isso sozinha, toda aquela paparicação barata de mulheres que nunca te viram na vida me irrita profundamente. É muita falsidade num lugar tão restrito. Eu tomei um banho e decidi tomar café antes de sair para o salão. Dirigi com muita paciência, já que o trânsito estava um pouco mais carregado hoje. Quando eu finalmente cheguei ao centro da cidade, fui recebida por duas mulheres absurdamente arrumadas e sorridentes. Elas me fizeram sentar numa cadeira por quatro horas e meia enquanto puxavam e alisavam, torciam e faziam sei lá o que com meu cabelo, pintavam as minhas unhas e davam um jeito na minha pele. Por mais que eu descreva como sendo uma tortura, era bom ser tratada desse jeitinho de vez em nunca. Quatro horas e meia depois eu estava devidamente arrumada e ligeiramente atrasada para a premiação, enquanto dirigia de volta para casa, eu rezava para que o vestido já estivesse lá. Olhei de relance para o celular que estava no banco do passageiro, doze mensagens e cinco ligações perdidas. Eu já entendi que estou atrasada, não precisa ficar me lembrando disso, droga. Subi as escadas do meu apartamento em tempo recorde quando peguei a larga caixa branca da loja Catherine Deane, com o logotipo em letras elegantes, gravadas bem no centro. Contive o impulso de desistir de toda aquela baboseira e voltar a dormir quando consegui me atrapalhar com as chaves de casa e me atrasar um pouquinho mais. Corri até o meu quarto e abri a caixa com uma delicadeza inexplicável para o estado deplorável em que eu me encontrava. Nem sabia porque estava tão nervosa assim, era só uma premiação.... com algumas centenas de famosos..... E seria transmitida mundialmente.... Tyler me levaria consigo pelo tapete vermelho.... Haveriam câmeras por todo lugar. Lembrei porque estava nervosa. Desfiz o nó que envolvia o papel seda e desembrulhei o vestido com todo o cuidado do mundo, não sei porque, algo no meu inconsciente estava controlando as minhas ações. Deslizei o vestido pelo meu corpo e fechei o zíper com certa dificuldade, agradeci por poder ter entrado nele com os poucos botões já abotoados, ou eu teria um grande problema. Ajeitei o tecido e coloquei as joias que havia separado, calcei os sapatos e tirei um minuto para me olhar no espelho. O vestido Catherine Deane era branco, tinha um decote em formato de coração, tomara que caia com a barra a poucos centímetros do chão, as costureiras acertaram em cheio. Havia uma fina faixa preta pouco abaixo do busto com algumas pedras incrustadas, o vestido era lindo.
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Mas meu minuto de apreciação á minha pessoa no espelho havia acabado, quando meu celular tocou pela nonagésima vez naquele dia.
-Até que enfim me atendeu! Os meninos estão malucos atrás de você, onde você está?
Era June.
-Estou em casa, não grite comigo, já viu o trânsito hoje? Devo chegar em alguns minutos, não me espere.
-Sorte a sua eu estar num lugar cheio de gente. Te vejo daqui á pouco.
-Até logo.
Mal eu desliguei o telefone e ele tocou outra vez.
-Tentei te ligar o dia todo, espero que esteja pronta.
-Olá Tyler.
-Oi Nath, eu estou aqui em baixo. Estamos atrasados.
-Dez minutos não matam ninguém Daniels, estou descendo.
Desliguei o telefone e o guardei na bolsa-carteira que estava levando comigo, andei depressa até o elevador e desci rapidamente, Tyler me esperava do lado de fora de um Rolls-Royce preto. Ele abriu um sorriso gigante ao me ver, eu agradeci corando ao seu elogio.
-Você está... Magnífica.
Ele mesmo riu da falta de palavras para de descrever.
-Obrigada Daniels, você também não está mal.
O motorista pegou alguns atalhos e conseguiu levar a gente bem rápido para o local da premiação, engoli em seco e respirei fundo três vezes quando o carro finalmente parou. O motorista abriu a porta para mim e eu fui recebida com inúmeros flashes e um tapete vermelho.
-Não fique nervosa.
Tyler sussurrou no meu ouvido e entrelaçou nossas mãos. Eu ouvia meu coração martelar em meus ouvidos enquanto andávamos pela extensão do tapete, ocasionalmente parando para que Tyler pudesse dar suas entrevistas e autógrafos. Quase na entrada do salão, eu ouvi chamarem meu nome.
-Nathalie! Venha aqui, por favor!
Uma mulher loira e bem alta estava do outro lado da faixa de veludo, ela sorria e apontava para mim. Eu andei até ele, ligeiramente mais nervosa ao notar o câmera-man ao seu lado.
-Nathalie Simmons, que surpresa adorável! Eu sou Joann Abbey,do UK Live, ao vivo do Fame Awards aqui em Londres.
-Olá!
Tá, eu não sou a pessoa mais carismática do mundo num tapete vermelho com zilhões de câmeras a minha volta.
-Nathalie, eu adorei seu vestido, quem foi que desenhou?
Eu olhei mais uma vez para o modelito que usava, incapaz de olhar para a câmera.
-Hum.. É um Catherine Deane, o modelo é dessa estação, eu acho.
Tentei meu melhor, mereço um pouco de consideração. Eu sorri para a câmera e Joann Abbey me fez outra pergunta.
-Nathalie, pode nos contar um pouco mais sobre o cavalheiro que te acompanha hoje?
Ela sorriu para Tyler que estava bem ao meu lado.
-Eu tenho certeza que vocês o conhecem. Tyler Daniels, zagueiro do Arsenal... Eu sei que ele fica irreconhecível todo arrumadinho.
Eu tentei fazer uma piada, me processem. Tyler me empurrou de leve com seu próprio corpo, nós dois estávamos rindo.
-E vocês estão juntos?
Ela continuou.
-Bem que eu gostaria.
Tyler admitiu e meu queixo foi parar no chão.
-Tyler!
Eu faltei, algumas oitavas mais alto.
-Não, não estamos juntos. Somos amigos, estudamos juntos no colegial.
Eu me virei para a apresentadora que parecia estar se divertindo com tudo isso. Ela ri porque não é com ela, maldita.
-E você continua envolvida com os garotos do One Direction? Fazem semanas desde a última foto de vocês juntos.
Ela parecia estar lamentando algo.
-Sim, ainda continuamos amigos. Eu estive ocupada essa semana, com o fechamento da revista e tudo o mais.
-Certo, muito obrigada por ter falado conosco Nathalie. Eu sou Joann Abbey, ao vivo do Fame Awards.
Eu e Tyler ficamos acenando para a câmera de um modo ridículo. Eu queria bater nele, mas teria que esperar até estarmos num lugar com menos câmeras. Seguimos até o grande salão onde os artistas estavam sendo recepcionados, Tyler me arrastou junto enquanto ele cumprimentava alguns conhecidos, pouco tempo depois senti alguém me abraçar pela cintura.
-Nathalie!
Louis disse me levantando alguns centímetros do chão.
-Louis!
Eu protestei, fazendo com que ele me colocasse de volta no chão. Mas ele manteve o braço, me envolvendo pela cintura.
-E quem é esse?
Louis perguntou, sorrindo.
-Louis esse é o meu amigo Tyler. Tyler, esse é Louis Tomlinson.
Eles apertaram as mãos.
-Posso levar ela um minutinho, mate?
Louis perguntou e Tyler concordou com a cabeça. Alguém perguntou alguma coisa pra mim? Louis me guiou para o outro lado do salão, de encontro ao resto da banda.
-Ai meu Deus, você está linda!
Eleanor e June disseram juntas, se entreolharam e depois sorriram para mim. Se eu estava linda, aquelas duas estavam maravilhosas. June estava com um vestido coral que ia até os pés, estava toda de dourado e o cabelo curto estava levemente arrepiado em várias direções.
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Eleanor estava igualmente linda, com um vestido branco com detalhes em dourado e ela estava com o cabelo preso.
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-Você tem que me ajudar.
June sussurrou enquanto me abraçava. Eu olhei para ela sem entender nada e June olhou de relance para Zayn, que estava relativamente afastado. Certo, problemas de relacionamento.
-Nath, o que Tyler fazia com você?
Eu me virei para onde Eleanor olhava. Tyler estava conversando com alguns rapazes do time de futebol.
-Ele me chamou para vir com ele.
Eu dei de ombros.
-E de onde vocês se conhecem?
Ela grudou o braço dela com o meu e June fez o mesmo com meu outro braço.
-Estudamos juntos no ensino médio. Mas é só isso, não vá achando que eu estou com ele ou algo do tipo.
Nós três rimos e nos aproximamos dos garotos.
-Nathalie!
Harry foi o primeiro a me soltar das garotas e me abraçar.
-Vocês está linda!
Ele disse se afastando um pouco para poder me olhar.
-Você não está nada mal, Styles.
Eu disse observando o terno preto que ele vestia. Muito elegante, aliás, nenhum deles estava atrás. Liam estava com o cabelo arrumadinho e com um perfeito nó de gravata. Zayn estava de calça social e jaqueta de couro, o topete impecável em sua cabeça e um sorriso de tirar o fôlego. Louis eu já havia visto, Eleanor deve ter o ajudado, ele usava apenas a camisa social e um casaco escuro por cima. Me afastando de seu abraço de urso, notei uma cabeleira loira. Niall estava muito mais do que lindo. Todo social, com o cabelo em um topete bagunçado e, ao mesmo tempo, milimetricamente perfeito. Eu não sei como ele conseguia. Meu coração pulou algumas batidas enquanto eu tentava respirar normalmente, o que foi em vão já que ele se aproximou para me cumprimentar e eu pude sentir seu perfume. Logo quando eu achava que nada nele me abalava, descubro que todas as coisas nele me deixam com os joelhos fracos. Eu não o via há tanto tempo, que ouvir sua voz assim, fez meu coração ficar ainda mais descompassado.
-Oi.
Ele disse encolhendo os ombros e dando algo parecido com um sorriso. Ele estava maravilhosamente lindo. Ele era maravilhosamente lindo. Ficamos nos encarando por um tempo, sem dizer nada. Ouvi meu nome ser chamado algumas vezes, mas estava um tanto ocupada, olhando nos olhos de Niall.
-Nath, temos que ir. Vão começar a premiação.
Tyler escorregou suas mãos do meu cotovelo até minha mão direita e entrelaçou nossos dedos. Niall olhou para as nossas mãos unidas e ergueu levemente suas sobrancelhas. Louis sorriu para nós dois.
-Até mais tarde, mate.
Tyler se dirigiu á Louis, mas seu tom de voz não foi amigável ao pronunciar o jeito com que Louis havia o tratado alguns minutos antes.
-O que foi?
Perguntei quando nos afastamos um pouco, Tyler deu um sorriso torto enquanto nos aproximávamos da mesa.
-Eu te trago aqui para ficar um pouco mais com você, e você sai assim?
-Babaca.
Eu disse sorrindo enquanto dava um peteleco em sua testa. Tyler me abraçou e beijou o topo da minha cabeça.
-Eca.
Eu disse fazendo uma careta, ele retribuiu me dando um soquinho no braço. A premiação começou e alguns artistas se apresentaram, inclusive os meninos. Todos eles encararam a mesa onde eu estava quando cantaram a música da Comic Relief- One Way Or Another ( Teenage Kicks) Eu me senti constrangida e intrigada, porque eles olharam pra mim? A premiação continuou, Tyler ganhou um prêmio e piscou para mim lá do palco, senti os sangue fugir do meu rosto quando algumas pessoas se viraram para me olhar. Depois, disso, eu parei de prestar atenção. Tyler mal conversava comigo e só ficava falando da estatueta que havia ganhado, com os colegas do time.
"Está perdendo toda a diversão, porque não está com a gente?"
Liam me enviou uma mensagem enquanto eu brincava com o porta-guardanapos da mesa.
"Estou presa :( O que estou perdendo?"
"Louis está interpretando o apresentador e June e Zayn estão num tipo de discussão silenciosa. Você está perdendo!"
Eu sorri e me virei para observar. Louis fazia caretas e usava a estatueta que a banda ganhou como microfone. June estava sentada a duas cadeiras de Zayn e os dois não paravam de se olhar com expressões nada amigáveis. Eu estava realmente perdendo toda a diversão, mas não pude fazer nada. Observei os outros artistas ganharem um prêmio e escutei Tyler comentar futilidades com seus amigos. Ele não havia mudado nem um pouco. Para o meu azar, a premiação durou muito mais do que eu esperava. Tyler, seus amigos e alguns artistas decidiram ficar para a festa depois. Tyler e os colegas do time decidiram encher a cara, eu fiquei totalmente entediada pelas próximas duas horas.
-Tyler, já chega. Vamos pra casa.
Eu me levantei impaciente, estava entediada e faminta. Eu só queria ir pra casa.
-Ah não princesa, vamos ficar mais um pouco.
Eu revirei os olhos e reprimi a vontade de dar um tapa na cara dele.
-Eu não vou nem te falar onde colocar esse seu princesa. Você vai embora ou não?
Eu perguntei, a impaciência aparecendo na voz.
-Vai lá, Ty. Sua garota parece um tanto brava.
Um dos amigos bêbados disse, eu estava irritada demais para lembrar do nome dele. Tyler não fez menção em se levantar, eu desisti de tentar ir para casa com ele e saí do local onde a festa estava acontecendo. Eu não fazia ideia de que horas eram, mas estava escuro e um pouco mais frio do que eu podia suportar. Chequei meu celular para chamar um táxi e tive a grande surpresa ao notar que a bateria acabou assim que eu desbloqueei o celular. Merda. Não é legal estar num cenário típico de filme de terror, se você sabe o que acontece na maioria dos roteiros. Tentei manter a calma enquanto reparava em cada detalhe do ambiente ao meu redor. Eu estava entrando em pânico. Isso porque estava sozinha num estacionamento deserto, sem celular e com um pouco de medo. Estava considerando a ideia de andar até achar um táxi, alguém colocou as duas mãos em meus ombros e meu grito ficou entalado na minha garganta.
-Te assustei, babe?
Tyler riu estrondosamente enquanto me envolvia mais em seu abraço.
-Resolveu vir comigo?
Tá, eu continuava irritada.
-Eu nunca te abandonaria.
Ele afundou a cabeça na curva do meu pescoço por um momento. Pegou minha mão e me guiou até seu carro, e não era o Rolls-Royce que estava estacionado, não tão longe de nós.
-O que você está fazendo?
Eu perguntei quando ele se recostou na lateral do carro, e me puxou mais perto pela mão.
Ele sorriu e me puxou um pouco mais perto, algo no meu subconsciente gritava por atenção, mas eu estava completamente paralisada.
-Confie em mim.
Ele disse e me puxou pela nuca, colando nossos lábios com uma força desnecessária. O modo como ele disse, no exato tom de voz com que ele me disse da última vez. Eu o empurrei, mas Tyler era mais forte. Quando ele tentou me beijar oura vez, mordi seu lábio com força, o empurrei outra vez e me virei para correr, ele me alcançou em dois passos, ele segurou minha cabeça para trás, pelos cabelos, com a mesma intensidade, com a outra mão, ele agarrou o meu pulso. Ele me segurava tão forte, que eu tenho certeza que ficaria marca.
-Tyler, me larga!
Meu coração palpitava, eu não estava só com medo. Eu estava aterrorizada.
-Você não sabe, o quanto eu esperei pra te ter de volta.
Ele passou o polegar pelo meu queixo e eu respirei fundo, tentando me controlar para achar uma saída.
-Me solta Tyler.
Era mais uma súplica do que qualquer outra coisa. Eu não tinha outra saída. O aperto de sua mão estava tão forte em meus cabelos, que eu me machucaria muito mais, só de tenar fugir. Eu fechei os olhos, esperando por alguma coisa. Eu estava desesperada, e sem saída.
-Ela mandou soltar.
Alguém mais estava ali, mas a voz estava muito distante para que eu pudesse saber quem era.
-O que você pensa que...
Tyler foi interrompido por um baque surdo, e depois, um lamento. Eu sabia que ele tinha levado um soco, mas eu ainda mantinha os olhos fechados.
-Vamos, Nath.
A voz agora, tão perto, eu podia saberia quem era com apenas alguns sons. Niall me envolveu com seu braço e andou comigo para longe dali.
-Está tudo bem, eu estou aqui.
Ele disse e eu percebi que chorava. Como pude ser tão tola. Era Tyler Daniels, claro que ele me usaria outra vez. Ele só estava esperando outra chance.
-Ele te machucou?
Niall perguntou, apreensivo. Eu neguei com a cabeça.
-Está tudo bem.
Niall me abraçou por um momento e me ajudou a entrar em seu carro. Eu permaneci em silêncio, me xingando mentalmente por ter confiado nele de novo. Sequei as lágrimas com as costas da mão. Meu pulso estava dolorido onde Tyler havia segurado.
-Tem certeza de que ele não te machucou?
Niall me olhou quando paramos num sinal vermelho.
-Não. Mas ele teria se você não estivesse lá. Obrigada.
Eu disse olhando em seus olhos. Ele ficou em silêncio enquanto colocava o carro em movimento outra vez.
-Porque você estava com ele? Quer dizer, todo mundo podia notar que ele era um babaca. Porque você não ficou com a gente? Você podia ter sentado na nossa mesa na premiação, ao invés de ficar com ele.
Ele disse rápido, soltando uma grande quantidade de ar em seguida.
- O que foi isso?
Eu disse rindo, devido a sua expressão facial. Ele estava mais do que irritado com as sobrancelhas unidas e as mãos agarrando o volante.
-Eu não sei.
Ele disse, relaxando um pouco. Eu sorri e entendi do que tudo aquilo se tratava.
-Eu sei, você está com ciúmes!
Ele me encarou com a maior cara de WTF?! do mundo. Foi assim que eu soube que era verdade.
-O que?!- Ele exclamou um pouco alto de mais. Busted.- Claro que não, você está maluca.
Ele rolou os olhos e ficou olhando para frente por um tempo.
-Você sabe que eu estou certa, acabe logo com isso e admita.
Não podia evitar o sorriso em meus lábios. Niall se manteve calado. Estacionou o carro e deu a volta para abrir a porta para mim.
-Obrigada.
Eu agradeci quando ele me ajudou a sair. Ele pegou minha mão e arregalou os olhos quando notou as marcas no meu pulso. Na luz da garagem, até eu fiquei assustada. Havia um vergão vermelho por todo o meu pulso, e ele estava escurecendo nas extremidades, onde Tyler conseguiu firmar a pegada.
-Você disse que ele não tinha te machucado.
Niall estava tenso outra vez, como se fosse socar uma parede ou algo assim.
-Não foi nada. Sério.
Eu o guiei para o elevador, já que Niall não se moveria um centímetro.
-Eu deveria voltar lá e socar a cara daquele idiota.
Ele disse, estávamos dentro do elevador.
-Porque você não admite de uma vez que está com ciúmes. Está tão na cara!
Eu disse de repente, ele ergueu os olhos para mim e sorriu.
-Se eu admitir, você para de jogar isso na minha cara?
Eu fingi pensar por um instante.
-Só se você disser com todas as letras.
Eu sorri e ele sorriu de volta, Niall não disse nada e, por um momento eu achei que não diria. Ele abriu a porta do seu apartamento e deu espaço para que eu entrasse. Só quando trancou a porta, ele voltou a falar.
-Certo. Eu estava com ciúmes. E fiquei lá depois que todos tinham ido embora, porque eu sabia que você precisaria de mim. E eu estava certo. Odeio ter que imaginar o que teria acontecido se eu não estivesse lá. Só de pensar que ele te machucou, deixou isso no seu pulso... Minha vontade é de voltar lá e terminar o que comecei.
Ele desabafou, disse tudo de uma vez com os olhos fechados. Eu respirei fundo. O que ele disse, não perdoava nada do que ele havia feito. Mas seria infantil da minha parte continuar brigando com ele por coisas que aconteceram há tanto tempo atrás. E seria arriscado acreditar assim, logo de cara.
-Como eu posso saber se isso é verdade?
Eu disse baixinho. Ele pegou a minha mão e colocou sobre seu peito, eu podia sentir seu coração batendo descompassadamente.
-Você faz isso comigo. Acha que eu não sinto? Que eu não me odeio por ter te deixado ir tão fácil assim?
-Niall...
-Você não precisa responder nada agora. Está tarde e você passou... Por muita coisa.- Seu rosto se contorceu numa careta por um instante- Vá descansar.
Ele segurou minha mão e andou comigo até o quarto de hóspedes.
-Eu vou pegar umas roupas pra você. Só um minuto.
Ele suspirou. Parte de mim queria agarrá-lo naquele corredor e não soltar nunca mais. A outra parte- a parte orgulhosa- dizia para que eu agradecesse, dormisse e voltasse para casa. Ou voltasse para casa e dormisse. Niall voltou pouco tempo depois, eu ainda estava parada do lado da porta, mordendo o lábio inferior por estar em contradição comigo mesma.
-Aqui.
Ele me entregou um moletom gigante e uma calça de moletom também. Eu conhecia aquela calça. Era minha!
-Estava em cima da cama lá em Brighton, eu trouxe por engano. Tem uma regata sua aí também.
Ele disse encolhendo os ombros. Eu concordei com a cabeça e ele fez menção de se afastar.
-Niall?
Eu o chamei, tão baixo que parecia um sussurro. Ele olhou na minha direção.
-Obrigada. Por tudo.
Ele sorriu e levantou os ombros, como se dissesse "Não foi nada." Ele entrou em seu próprio quarto e eu entrei no quarto de hóspedes. Minha cabeça estava rodando com tanta coisa que eu tinha que entender. Eu tirei o salto, o vestido e todas as joias. O colar que Niall me dera caiu de volta para o seu lugar e gelou minha pele onde o pingente encostava. Eu nem lembrava que estava usando aquilo. Respirei fundo e me troquei, deitei na cama e adormeci o mais rápido que pude.
P.O.V.- June Stevens- Na manhã anterior.
-Zayn?
Eu o chamei enquanto entrava no apartamento. Eu acabara de sair do hospital, estava exausta. Mas Zayn insistiu para que eu viesse até aqui. Eu o procurei com os olhos pela extensão do andar de baixo, ouvi alguns passos no corredor e me virei a tempo de vê-lo descendo as escadas.
- Desculpe, eu acabei de acordar.
Ele disse e bocejou. Eu sorri ao ver que ele ainda não tinha arrumado o cabelo em um topete, como de costume.
-Se estava dormindo, porque me pediu para passar aqui?
-Eu queria passar um tempo com você. Fazem quatro dias já.
Ele me abraçou e eu comecei a rir.
-Você está contando os dias Malik? Está tão desesperado assim?
-Você não imagina o quanto.
Ele murmurou enquanto beijava a lateral do meu pescoço.
-Não sei não, você está animadinho demais.
Eu mordi o lábio inferior, como se estivesse pensando sobre o assunto. Ele aproximou seu rosto do meu e beijou o canto da minha boca.
-Não finja que você também não está.
- Eu não estou. Você é ridículo.
Eu disse enquanto segurava o riso.
-Você é uma mentirosa!
Ele sorriu para mim e passou um braço pela parte de trás dos meus joelhos, me carregando até o andar de cima.
-June.
A voz suave de Zayn me puxava do mundo dos sonhos. Eu não queria acordar, não agora.
-Hum...
Eu murmurei com a cara no travesseiro. Zayn riu e acariciou meus cabelos que deviam estar uma zona. Ele era cuidadoso com o cabelo dele, não com o meu. Maldito.
-Embora eu adore ver você dormir, Harry e Liam vão na casa da Nathalie em meia hora.
Nathalie tem estado ausente durante todo o mês, cada vez que eu tentava falar com ela, ela digitava alguma coisa rápida e dizia que estava com Tyler. Quando eu conversei com Carolyn sobre isso, ela fez uma careta e disse que boa coisa não estava acontecendo, que Tyler não era flor que se cheire e que alguma coisa podia dar muito errado. Não pude deixar de concordar. Eu não conhecia o garoto, mas estava do lado de 78% do fandom da banda. A parte que concordava que Niall e Nathalie formavam um puta de um casal.
-Pre. Gui. Ça.
Eu me virei, fitando o teto e disse pausadamente enquanto me espreguiçava. Zayn se inclinou na minha direção e beijou meus lábios por um instante.
-Vamos preguiçosa, precisamos ir.
Eu balancei a cabeça como uma criança teimosa. Zayn beijou a ponta do meu nariz e nós dois começamos a rir.
-Vamos á premiação juntos, vamos falar pra todo mundo que estamos juntos.
Quer ser minha pra sempre?
Ele perguntou, me pegando totalmente de surpresa. Eu esperava por algo assim, quando estivéssemos com cinco meses desse quase-relacionamento entre nós dois. Só fazia um mês desde que eu admiti para mim mesma que tinha alguma coisa que não me comprometia totalmente com o garoto de topete. Zayn me encarou sorrindo e, pouco á pouco, seu sorriso foi se desfazendo.
-O que foi June?
-Eu não... Eu... Porque você disse isso?
Eu parecia uma retardada. Que diabos June! Você não vai passar por isso de novo.
-Porque é a verdade.
Zayn disse com um sorriso sapeca, como se fosse óbvio. Eu suspirei.
-Zayn...
-O que foi?
Ele perguntou apreensivo. Eu fiquei em silêncio, procurando as palavras certas. Nós não eramos namorados. Nosso relacionamento se baseava em sexo. Era desejo e necessidade. Ele sabia disso. Ele tinha que saber.
-Eu te amo June.
Ele disse, sorriu depois, como se estivesse feliz em dizer isso em voz alta. Eu estava paralisada, ele se afastou um pouco e tirou meu cabelo do meu rosto.
-Você não sente isso.
Eu sussurrei. Era como um flashback acontecendo ao vivo. Como se eu estivesse atuando uma certa cena, pela segunda vez. Com os papéis invertidos.
-É claro que eu sinto!
Ele disse, eu me sentei na cama. Não podia estar acontecendo assim. Eu esclareci as coisas. Não iríamos nos apaixonar.
-Não é real.
Eu disse calmamente. Zayn se sentou também, ele parecia confuso. Eu sabia como ele se sentia.
-É claro que é real! Como você pode dizer uma coisa dessas!
Eu o fitei calmamente, pronta para explicar o que ele sentia.
-Não Zayn, não é real. Você acha que sente algo por mim, quando na verdade, não sente. É...- Eu gesticulei, na falta de palavras- é só atração.
Zayn continuou me olhando, com aquela cara descrente de criança pequena quando contam que papai noel não existe.
-Você está dizendo que...
-Eu estou dizendo que isso é só sexo Zayn. Eu deixei bem claro antes de nos envolver. Eu tenho um carinho muito grande por você, de verdade. Mas você não me ama! Não pode me amar.
Eu finalizei a conversa e Zayn permaneceu estático. Como se processasse tudo aquilo que eu acabei de dizer. Lancei-lhe um sorriso triste e juntei minhas roupas espalhadas pelo quarto. Caminhei até o banheiro do quarto de hóspedes e me troquei lá. Quando voltei, Zayn estava se trocando. Eu bati duas vezes no batente da porta, ele se virou para me olhar. Ele me olhou de uma maneira tão fria, que eu mal o reconheci.
-Eu vou indo.
-Tudo bem.
Ele respondeu seco.
-Até daqui á pouco.
Eu disse olhando para as tábuas de madeira do chão. Eu deixei o apartamento em seguida, resolvi ligar para Carolyn. Ela me ajudou uma vez, podia me ajudar uma segunda vez.
-Carol?
Fiquei aliviada quando ela atendeu ao telefone. Carolyn resmungou do outro lada da linha, ela estava dormindo.
-Eu preciso falar com você.
-O que foi? Luke está na cidade e eu não estou sabendo?
Ela brincou, ás vezes, eu ficava assustado com sue poder de dedução.
-É quase isso.
Eu resmunguei. Carolyn pareceu muito mais desperta do outro lado da linha.
-Ai meu Deus! O que aconteceu?
-Eu posso falar isso pessoalmente? Estou no meio da rua, está nevando e eu estou faminta. Chego aí em dez minutos.
-Tudo bem, venha rápido.
Ela desligou o telefone e eu me apertei em meu casaco para conter o frio. Cheguei em casa em menos de dez minutos, a porta estava aberta e o apartamento todo cheirava á molho de tomate e hortelã.
-O que andou aprontando, Stevens?
Eu coloquei a cabeça para dentro da cozinha e vi minha prima cozinhando. Ela desligou o fogão e veio me abraçar.
-Que cheiro bom!
Eu comentei enquanto ela me guiava até a sala.
-Fatos primeiro, comer depois.
Ela disse simplesmente, enquanto sentava no sofá.
-Certo.
Eu disse e me sentei também, levei meia hora para explicar tudo para Carolyn. Desde o início, sem tirar nem por.
-Puta merda.
Ela disse com os olhos levemente arregalados.
-Eu sei.
-Não June, puta merda! O garoto diz que te ama e você faz isso, você tem algum problema?
Ela disse chacoalhando meus ombros.
-Ele é Zayn fucking Malik. Qual é a porra do teu problema?
Ela continuou gritando. Eu livrei meus ombros de suas mãos, antes que ela me machucasse de verdade.
-Sendo Zayn Malik ou não, está acontecendo de novo. E você deveria me ajudar, caralho!
Eu gritei também. Era inevitável.
P.O.V.- June Stevens- Três anos atrás- Gillingham.
-Eu sei!
Eu disse animada enquanto voltava pra casa. Abby me acompanhava até em casa, já que ela era minha vizinha\melhor amiga.
-Ele me faz tão bem! É como se não houvesse mais nada, só nós dois.
Eu disse, sabia que tinha um sorriso enorme no meu rosto. Abby também sorria para mim.
-Eu quero saber de todos os detalhes, ouviu bem?
Havíamos chegado no portão da minha casa.
-Pode deixar!
Eu disse animada. Entrei em casa e fui direto tomar um banho. Luke passaria aqui em uma hora para comemorarmos o nosso aniversário de namoro. Eu passei meia hora só pensando no que deveria vestir, claro, ele ia me levar pra jantar e eu dormiria na casa dele. Mas eu não conseguia definir uma peça sequer.
-June, querida, Luke está aqui em baixo.
Ouvi minha mãe gritar. Eu escolhi um vestido que havia ganhado de aniversário, sapatilhas e o colar que ele me dera quando ainda éramos só amigos. Arrumei meu cabelo como pude e desci.
-Pronto.
Luke sorriu para mim e se despediu da minha mãe.
-Para onde vamos?
Eu perguntei depois que ele me beijou, do lado de fora de casa.
-É segredo.
Ele disse e sorriu. Luke abriu a porta do carro para mim e manteve silêncio quanto o local para onde estávamos indo. Me surpreendi ao ver que estávamos no seu apartamento e fiquei ainda mais surpresa quando ele me levou para o terraço.
-Pode abrir os olhos.
Ele disse perto do meu ouvido e retirou as mãos dos meus olhos. Havia uma mesa delicadamente decorada com velas e flores.
-Luke... Isso é incrível!
Eu disse analisando cada detalhe. Ele era um anjo. Depois do jantar, descemos para o seu apartamento e vimos algum filme, pouco antes de ele me levar para a cama. Eu me sentia maravilhada. Ele era perfeito para mim e eu nunca tive tanta certeza de mais nada na minha vida.
-Eu te amo.
Admiti timidamente, era a primeira vez que eu falava isso para alguém que não fossem meus pais. Luke riu e olhou para mim.
-Não ama nada.
Eu achei que era uma daquelas brincadeiras que casais sempre fazem.
-Amo sim. Nunca tive tanta certeza na minha vida.
Eu tinha um sorriso orgulhoso nos lábios. Luke se virou para me olhar.
-Você não pode me amar June.
Foi aí que eu comecei a ficar confusa.
-Como assim?
-June, eu não sou o cara certo pra você.
-Claro que é!
-Não, você não...
Ele foi interrompido pelo toque do telefone, como ele não atendeu, caiu na secretária eletrônica.
-Hey babe, é a Abby.
-Porque Abby está te ligando? E porque ela te chamou de babe?
Eu perguntei. Ele hesitou em me responder. A mensagem continuou rodando.
-Eu só queria saber até quando June vai ficar na sua casa, eu estou morrendo de saudades de você. É isso. Até mais, gatinho.
Luke me olhou, totalmente encurralado e arrependido. Eu sentia a umidade em meu olhos, mas não me permitiria chorar.
-O que vocês... O q-que...
A pergunta que eu não consegui terminar, ficou pendente entre nós.
-June eu sinto muito eu...
-Há quanto tempo?
Eu gritei, meu autocontrole indo pelo ralo. Luke respirou fundo.
-Há algumas semanas. Eu não pretendia... Foi só uma vez e eu sabia que era errado mas eu...
-Eu não quero ouvir. Como você pôde? Minha melhor amiga Luke? E você ainda tem coragem de dormir comigo? Depois disso?
Os olhos dele estavam marejados, mas eu não me deixaria abalar.
-Essa nunca foi minha intenção com você, eu não deveria ter deixado as coisas chegarem nesse ponto. Me desculpe, eu sinto muito.
Eu não ousei olhar para ele. Desatei o colar do meu pescoço e saí correndo dali. Eu corri para casa, eu não entendia o porquê daquilo tudo. Ele era tão bom comigo, éramos perfeitos juntos. Como eu pude nunca conhecer a pessoa que estava do meu lado. Tranquei a porta do quarto e me permiti chorar, como se lesse meus pensamentos, Carolyn ligou no meu celular.
-Oi June!
Eu funguei antes de responder.
-Oi Carol.
-O que houve? Porque você está chorando?
Ouvir isso só me fez chorar ainda mais. Levei algum tempo para me recompor e contar tudo para Carolyn.
-Pare de chorar. Ele não te merece, tá me ouvindo? Nem ele, nem aquela vadiazinha que você chamava de amiga. Eles não merecem uma lágrima sua.
-O que você quer que eu faça? Eu o amava! E confiava nela!
Eu gritei ao telefone e chorei mais um pouco.
-Me escuta, eu nunca achei que confiaria meus segredos á outra pessoa, então você tem que jurar pra mim que não vai contar pra ninguém e vai seguir tudo direitinho.
-Porque?
-Você quer esfregar na cara daquele idiota que você não precisa dele, ou quer passar todos os domingos chorando, pro resto da sua vida.
-Eu quero esfregar na cara dele.
Disse com um soluço. Carolyn suspirou.
-Prometa pra mim que vai seguir todas as regras.
-Eu prometo.
-Ótimo. Me escute bem, a gente sempre é atraído por aquele que não liga pra gente, se você usar esse conselho pra conseguir o Luke de volta, eu mesma vou aí te socar. Então você não tem que ligar pra ninguém, entendido?
-Sim.
-A regra número um, é que você tem que sempre se divertir. Pra quê entrar numa coisa que você não gosta. Você só vive uma vez, porque desperdiçar esse tempo? A segunda regra é que você não pode se apegar, até ter a plena certeza que aquele é o homem da sua vida e você pularia de um penhasco por ele.
-Entendi.
-Você não pode mais confiar no seu coração. Ele foi quebrado e você foi magoada, qualquer um que chegar com palavras bonitas vai chegar até você. Eu sei que é duro, e é uma puta de uma mudança June. Você nunca mais vai ser a mesma.
-Eu não quero mais ser aquela que foi enganada.
-Ótimo. A última regra, você tem que ser um amor de pessoa, não vai conseguir nada sendo grossa. É um mundo cruel esse em que vivemos, e seguindo as regras você estará congelando seu coração.
-Mas eu...
-Você não quer sentir isso de novo, não é June?
-Não.
-Então siga as regras. Você nunca mais sairá magoada.
P.O.V.- June Stevens
As regras de Carolyn foram tiradas de vários textos escritos por garotas que acabaram de superar o pé na bunda e uma música muito estranha de uma garota. Era loucura, mas tinha dado certo por todos esses anos. Eu nunca mais havia chorado por homem nenhum, no entanto, não era a mesma garota de antes. Eu fui um pouco além e tentei me ocultar totalmente. Pra quê eu seria a idiota que foi enganada durante todo esse tempo? Porque eu tinha que ser essa garota? Eu não precisava! Usei todas as chances que tinha pra sair daquele inferno de cidade e esquecer todo o trágico incidente com Luke e Abby. Eu estava indo muito bem, obrigada, ainda que, de vez em quando, eu me lembrava da pessoa que eu costumava ser. Foi aí que Zayn apareceu. E eu sabia que ele era diferente, por isso tentei afastá-lo. Mas Carolyn, as garotas que superaram um pé na bunda e a música estranha de uma garota estavam certas. Tendemos á ser atraídos por aqueles que nos ignoram. E foi exatamente o que aconteceu. Á cada dia era mais difícil afastá-lo, á cada dia eu começava a me apaixonar pelo garoto que eu só conhecia pela televisão. Mas eu havia mudado e nunca mais seria a mesma. Foi por isso que eu sugeri aquilo, eu não queria perdê-lo e tampouco queria tê-lo. Era confuso. Tudo agora estava confuso.
-O que você sente quando está com ele?
Carolyn me perguntou, eu estava deitada no sofá, com a cabeça em seu colo. Totalmente frustrada.
-Eu não sei. Não dá tempo de pensar. É só a gente, só o momento. Mas quando acaba eu me sinto bem, e quando demora eu sinto falta. Ele faz meu mundo girar. Caramba, que tipo de pessoa faz um mundo girar sem precisar sair do lugar? Talvez ele seja um mágico, ou talvez eu esteja apaixonada. É melhor acreditar na hipótese que ele seja um mágico.
-June, você foi longe demais com isso.
-Eu sei! Quer dizer, eu sabia que melhoras suas regras teria alguma reação.
-Você fez o quê? Não! Não estou falando disso, mas, o que você mudou nas minhas regras?
-Eu resolvi ignorar totalmente o meu passado. Não valia á pena ser aquela garota.
-June! Aquela garota era a minha prima! A garota com quem eu cresci e dividi segredos. A gente precisa aceitar o passado pra viver o presente e pensar num futuro. Não se pode apagar quem se é, ou quem se foi. O que diabos você tinha na cabeça?
-Zayn se apaixonou pela garota que sou agora.
-E a garota que você é acabou de esmagar o que ele costumava chamar de coração.
Eu fiquei em silêncio, digerindo o que ela acabara de me dizer. Num movimento distraído, olhei no relógio da parede da sala e constatei que os garotos já deviam estar na casa da Nathalie.
-Certo, eu vou pensar sobre isso. Obrigada Carolyn.
-Não há de quê.
-Ah, eu estou inda na casa da Nathalie você não...
O celular dela começou a tocar e ela estendeu o dedo para que eu me calasse. Odeio quando ela faz isso.
-Oi Jake!- O rosto todo de Carolyn se iluminou ao ouvir a voz de Jake. E pensar que esses dois se odiavam- Não, não estou fazendo nada. Skype? Tá, eu vou pegar o computador.
E ela saiu saltitando até o quarto para pegar o computador.
-Certo, vou entender isso como um não.
Eu falei comigo mesma e fui até meu quarto, me trocando rapidamente e pegando um táxi até a casa de Nathalie. Quando eu cheguei, os garotos tentavam discutir com o porteiro, que os impedia de subir no apartamento da Nathalie.
-Oi Andy!
Eu disse com um sorriso simpático, que ele me devolveu, interrompendo a discussão com os garotos.
-Olá senhorita Stevens.
-O que está acontecendo?
-A senhorita Simmons não está em casa, mas estes cavalheiros insistem em subir no apartamento dela.
-Ah, Andy, eles estão comigo. Nathalie pediu que a esperássemos lá dentro.
-A senhorita tem a chave?
-Claro.
-Nesse caso, podem subir.
Ele sorriu e eu agradeci. Os garotos permaneceram estáticos.
-Vocês não vem?
Eu perguntei, caminhando até o elevador.
-Porque você tem a chave do apartamento da Nathalie?
Liam perguntou enquanto subíamos até o apartamento.
-Eu não tenho, mas sei onde ela esconde a dela.
Eu dei de ombros. Estendi a mão para alcançar a parte de cima da porta e encontrei sem mais dificuldades, a pequena chave prateada que abriria a porta da frente.
-Voilá.
Eu disse assim que abri a porta.
-Ela disse que chegava que horas?
Louis perguntou se sentando no sofá.
-Três, eu acho.
Harry respondeu, sentando do lado do amigo. Já que estava todo mundo sentado, eu sentei também. Enquanto assistíamos tv e acabávamos com o estoque de porcarias de Nathalie,o interfone tocou.
-Eu atendo.
Me levantei rapidamente e corri para atender.
-Olá Andy.
-Olá senhorita Stevens. Duas garotas estão aqui em baixo, Eleanor e Annabelle, elas podem subir?
-É claro Andy, peça que elas subam, por favor.
-Pode deixar.
-Até mais Andy.
Eu desliguei o telefone e esperei que as duas chegassem.
-Oi June!
Elas disseram juntas e me abraçaram.
-Podem entrar, a Nathalie ainda não chegou mas tá todo mundo aqui.
Eu tranquei a porta e olhei para a sala enquanto elas cumprimentavam os meninos e se sentavam. Meus olhos se demoraram no garoto de topete que estava sentado na poltrona com um olhar distraído, totalmente distante. Eu suspirei. E caminhei de volta para o meu lugar.
-June, posso falar com você rapidinho?
Liam estava de pé ao meu lado.
-Claro.
Ele andou até o segundo andar do apartamento e se sentou no final do corredor.
-O que você queria falar comigo?
Eu perguntei, me sentando ao seu lado.
-O que aconteceu entre você e o Zayn.
Dava pra ser menos direto, por favor? Eu engoli em seco antes de responder.
-Eu... Ele... A gente brigou.
Eu consegui dizer por fim. Liam permaneceu em silêncio, analisando a situação.
-Eu tenho certeza que vocês vão superar o que quer que seja.
-Obrigada Liam.
Eu disse com a garganta sufocada. Porra, eu não quero chorar de novo.
Ele me abraçou de lado e me ajudou a levantar. Nós dois descemos bem á tempo de ver Nathalie entrando no apartamento.
-O que diabos vocês fazem aqui?
-Queríamos ter certeza que você não estava mentindo pra gente.
Louis deu de ombros.
-Eu não acredito que pensam isso de mim.
-Onde foi, toda arrumada assim?
Eu perguntei abraçando-a.
-Almoçar com Kyle e a família dele.
-E como foi?
-Quase normal, eles ficaram assustados comigo. Eu acho.
-Claro, do jeito que você é, qualquer um fica assustado.
-Muito obrigada, Styles.
Annie bateu nele por Nathalie.
-Ah, Louis, tenho uma coisa pra você.
Ela pegou um evelope decorado com um zilhão de adesivos e entregou á ele.
-Quem é Chloe?
Ele perguntou abrindo o envelope.
-Minha meia-irmã.
Eu me apoiei no ombro de Louis para ver a carta.
"Oi, eu sou Chloe, tenho onze anos e sou (provavelmente) sua fã número um. É estranho escrever essa carta sem saber se vocês um dia chegarão a ver o que eu escrevi. Pois bem, eu queria agradecer á vocês, só por entrarem no The X-factor, porque, se não fosse por isso, nós nunca conheceríamos os garotos maravilhosos que vocês são. Eu nunca gritei tanto assistindo televisão, quanto na final do programa. Eu queria tanto que vocês ganhassem! Ainda bem que Simon tinha um plano, e ainda bem que ele estava certo ao juntar vocês cinco. Obrigada Liam, por me ensinar que também é preciso ser responsável. PS- Eu nunca gostei muito de colheres também. Obrigada Harry, por me dizer que idade é apenas um número, e por ter terminado com a Caroline Flack, eu não gostava muito dela. Obrigada Zayn, por ser esse garoto que você é, tenho certeza que por trás de todo esse mistério e pose de BadBoy de Bradford, há um coração imenso, capaz de amar incondicionalmente. Obrigada Niall, por me fazer rir com a sua risada, por não me fazer achar estranha, já que eu como um pouco mais que minhas amigas. Por último, e não menos importante, Obrigada BooBear, por ser o mais engraçado, escandaloso, bonito e amável garoto que eu já vi. Você é incrível, talvez por isso seja o meu favorito. Eu amo vocês demais. Eu não sei se um dia vocês chegarão a ler isso, mas eu gostaria que soubessem que eu me orgulho muito de ser fã de vocês. Vocês me ensinaram a sonhar, obrigada." -Cara, sua irmã é muito fofa!
Harry disse enquanto ia lendo.
-Meia-irmã.
Nathalie resmungou.
-Olha só isso! " Eu não sei se um dia vocês chegarão a ler isso, mas eu gostaria que soubessem que eu me orgulho muito de ser fã de vocês. Vocês me ensinaram a sonhar, obrigada." Eu acho que ela deve ser a irmã mais meiga do mundo! Posso apertar?
Louis disse ao terminar de ler a carta, acompanhado de um coro de "Anw!"
-Meia-irmã. E acho que pode, você é o favorito dela.
Nathalie se sentou na poltrona e nos encarou.
-E aí, que notícias maravilhosas vocês vieram me trazer?
-Vamos numa premiação amanhã, conseguimos um lugar pra você na nossa mesa.
-Isso é muito gentil da parte de vocês.
-E você pode ir no tapete vermelho com a gente. Annie disse que não vai, é muita pressão.
Ela encolheu os ombros quando Harry disse isso.
-Muito obrigada garotos, mas eu já recebi um convite para o tapete vermelho.
Liam e Zayn ergueram as sobrancelhas.
-Você está vendo isso Harold? Ela está trocando a gente.
Louis. Sempre dramático.
-Quem te chamou?
Eu perguntei, calando Louis.
-Tyler Daniels.
Eu e Annie ficamos boquiabertas.
-Espera aí, Tyler Daniels? Do Arsenal?
-Ele mesmo.
-Desde quando você o conhece?
Annie perguntou.
-Estudamos juntos. Ele me convidou tem uma semana.
-Eu não acredito nisso.
-É verdade!
-Tá. Troque a boyband pelo jogador famoso. Nós não ligamos.
Liam cruzou os braços, ela fui abraçá-lo.
-Eu ainda posso sentar com vocês. Vocês sabem.
-Eu deveria ficar bravo, mas não estou.
Liam a abraçou de volta. Eu sorri.
-Tá, qual o plano para hoje?
-Pizza na minha casa? A gente pode alugar uns filmes.
Harry sugeriu e fomos direto para a sua casa, eu não esquecia o que Chloe havia dito para Zayn "
tenho certeza que por trás de todo esse mistério e pose de BadBoy de Bradford, há um coração imenso, capaz de amar incondicionalmente" Talvez eu tenha ido longe demais com esse lance de não me apegar. Eu precisava voltar atrás.
-Ei June, já que seu namorado está estressadinho e eu estou sem par, não quer vir comigo na premiação?
Harry disse quando Nathalie foi embora. Eu olhei para Harry e depois para Zayn que me fitava com curiosidade.
-Eu... Hum... Sei lá.
-Por favor!
Ele fez carinha de "cupcake". Zayn desviou os olhos. Certo, se ele iria ser teimoso, eu também iria.
-Tá, pode ser.
Harry me abraçou e agradeceu. Eu voltei para minha casa quando a maioria dos garotos dormia na sala.
Pela manhã, Carolyn me ajudou com o cabelo e a maquiagem, já que eu havia comprado um vestido pouco tempo atrás.
-Eu queria ver a reação das pessoas quando te vissem assim.
Carolyn me rodeou quando acabou de me arrumar.
-Vai ser transmitido pela televisão, você vai poder ver.
-Eu vou gravar e mostrar pra tia May.
-Ela vai te agradecer por isso, e eu vou ter morrido socialmente.
Eu disse me olhando no espelho. Carolyn saiu correndo para atender o interfone.
-Harry está aqui.
Ela voltou com um sorriso gigante no rosto. Eu suspirei e peguei minha bolsa, mandei um beijinho para Carolyn antes de sair. Harry estava encostado no balcão da portaria, tamborilando os dedos na superfície de madeira enquanto me esperava.
-Wow. Zayn ficaria com muita inveja.
Ele deu um sorriso esquisito e grudou seu braço com o meu.
- Quem deu o nó na sua gravata?
Eu perguntei enquanto andávamos até o carro.
-Annie, ela me ajudou a me arrumar.
-Eu sabia, você não tem capacidade de dar um nó de gravata tão bonitinho assim.
Eu o provoquei.
-Certo, senhorita Stevens. Continue fazendo isso.
Ele dirigiu e conversamos durando o caminho inteiro, era bom saber que eu podia contar com os garotos.
-Chegamos.
Ele anunciou ao estacionar o carro, estava me fitando atenciosamente. Eu sorri.
-O que foi?
-Não vai respirar fundo, contar até dez ou coisa assim?
-Não. Porque eu faria isso?
-Sei lá, é uma premiação, vai ser transmitida mundialmente, você está do meu lado...
-Você acha mesmo que tem essa bola toda, garoto?
Ele sorriu e saiu do carro para abrir a porta para mim.
-Obrigada.
Eu agradeci e entramos na área externa da premiação, aquela parte chata onde milhares de câmeras e repórteres entrevistavam os convidados. Assim que pisamos no tapete vermelho, fomos bombardeados com milhares de perguntas e flashes que vinham de todas as direções. Harry atendeu ao pedido de uma repórter insistente e caminhou até ela.
-Olá.
Ele disse e sorriu para a câmera.
-Harry Styles, não é surpresa te ver acompanhado de uma linda garota, qual seu nome docinho?
Eu quase vomitei quando ela se virou para mim. Credo. Não tinha outro jeito para me chamar? Eu olhei para Harry e balancei a cabeça negativamente, se Nathalie que é a pessoa mais adorável que eu conheço, tinha haters no fandom, imagina eu, que não sou nada delicada. Por sorte, Harry entendeu meu recado e sorriu educadamente para a repórter.
-Bem, a minha amiga de não dar entrevistas, se possível.
Harry continuou dando a entrevista e a repórter insistiu mais duas vezes em saber o meu nome. Eu sorri e neguei com a cabeça. Quando finalmente entramos, Harry me apresentou para um grupo reservados de amigos, que incluíam Nick Grimshaw, Rita Ora, Cara Delavigne e Pixie Geldof. Sério, eu precisava sair com o Harry mais vezes.
-Me diga June, o que faz uma garota como você, sair com um idiota como ele?
Grimmy estendeu a taça de champanhe em minha direção quando se virou para mim.
-Eu estou fazendo um favor para ele. Somos amigos.
Nick sorriu e encarou Harry que estava distraído com as duas garotas.
-De onde vocês se conhecem?
-Você já ouviu falar na Nathalie Simmons, certo?
Ele confirmou com a cabeça.
-Ela é minha amiga, eu estava com ela quando esbarramos no garotos numa rua por aí. A gente estava indo pra mesma rádio.
Ele pensou por um minuto.
-June Setevens!- Eu me assustei quando ele gritou meu nome de repente- Claro, você foi a garota que ganhou a promoção da La Belle.
-Você estava lá?
-Estava sim,-Ele deu de ombros- mas Harry estava distraído demais pegando todas as garotas da festa!
Ele gritou para Harry que fez uma cara confusa e revirou os olhos para o amigo. Nick Grimshaw era uma figura. Os garotos foram chegando e Zayn continuava me evitando.
Coloquem pra tocar- (http://www.youtube.com/watch?v=ezz-nazThiM)
Chegava a doer. Um pouco antes de entrarmos para o salão, depois que Nathalie apareceu com Tyler, eu fiquei para trás e chamei Zayn antes que ele atravessasse o salão.
-Zayn...
Ele se virou para me encarar, não se moveu um centímetro.
-Eu queria falar com você.
Eu continuei, engolindo todo o orgulho e voltando a ser, mesmo que por um momento, a June que eu era em Gillingham. Zayn sustentou meu olhar pela primeira vez no dia, esperando que eu continuasse, mas antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, Harry apareceu de lugar nenhum, me puxando pelo braço.
-Vem June, todo mundo já está sentado.
Ele me puxou pelo braço e eu não pude dizer nada.
Pelo resto da noite, Zayn continuou me fitando discretamente, como se perguntasse o que eu iria dizer. Seus olhos demonstravam a mesma intensidade de curiosidade e desapontamento. Eu havia quebrado seu coração, como fizeram comigo. Eu havia o magoado como fizeram comigo. E agora estávamos assim porque eu não pude superar isso. O tempo passou rápido, Harry já estava conversando comigo no carro, eu concordava com a cabeça, mas não fazia ideia do que ele estava falando. E eu estava vivendo uma mistura de passado e presente, enquanto as cenas se repetiam na minha cabeça.
These feelings won't go away. No que eu havia me tornado? Eu mal podia me reconhecer. Harry me deixou em casa quando os primeiros flocos de neve começaram a cair. Eu me permiti ficar do lado de fora, o frio conseguia ser menos angustiante que essas coisas na minha cabeça. As regras me impediam de sair machucada, mas não havia garantia nenhuma que todos os outros também saíam ilesos. Eu comecei a pensar em todas as pessoas que eu machuquei, inclusive eu mesma. Eu não me reconhecia mais. O cabelo curto, o sotaque que quase não aparecia. Time will take them away. De todas as noites que eu passei sozinha em Londres, aquela era a que eu me sentia mais solitária. Eu entrei quando o frio se tornou insuportável, e por mais que eu tentasse, não conseguia dormir. Eu tomei uma xícara de chá e passei por todos os canais da televisão. Nada adiantava. Os olhos dele estavam fixos na minha mente, o modo como ele me olhara. Doía demais. Eu sentia o que ele sentia. Ele nunca me perdoaria, porque, eu nunca perdoei Luke. Todas as vezes que eu saía de um relacionamento... Porque só dessa vez eu estou me sentindo assim? Eu não estou preparada pra isso. Ninguém nunca me avisou sobre isso. Porque dói assim? Porque é diferente agora?
These feelings won't go away. Por mais que eu esteja negando, há algo em mim que está dizendo e eu não posso me permitir aceitar. Eu não posso amar. Eu ainda não estou pronta. Porque seria diferente com ele? Quem me garante que Zayn é diferente de Luke, ou de qualquer outro garoto. Bati na porta do quarto de Carolyn, eram três e meia da manhã. Ela se levantou e me perguntou o que houve, eu já estava chorando antes mesmo que ela terminasse. Carolyn conseguiu me acalmar e começou a conversar qualquer coisa comigo. Eu perguntei á ela porque dessa vez era diferente. Carolyn me disse que as regras não me impediriam de me apaixonar. E havia acontecido. Ela riu e buscou o notebook. Eu fiquei curiosa e ela me mandou calar a boca e escutar. She's not afraid do One Direction estava em todo o quarto. Eu chorei outra vez quando percebi porque Carolyn havia me mostrado a música.
How come she's so afraid of falling in love? Como ela pode ter tanto medo de se apaixonar? Como ela pôde? A voz dele invadia a minha cabeça. Eu tinha que fazer alguma coisa, eu era fraca demais e a dor era forte demais. Eu havia aprendido a ignorar tudo isso, mas Zayn deixou meu mundo de cabeça pra baixo. Ele havia me dado rasões para mudar. Zayn era o tipo de garoto, pelo qual valia á pena se apaixonar. E eu sabia disso agora. E podia ser tarde demais, mas ninguém me impediu de colocar um tênis e correr na neve até o apartamento dele.
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