Capítulo 17- P.O.V.-
Nathalie Simmons
-Legal, você não é tão fraca assim!
Zayn diz sorrindo e bate sua mão com a minha.
-Eu te disse!
Digo com uma empolgação exagerada, não me controlo mais.
Olho para as pessoas ao meu redor, Carolyn desistiu na terceira rodada, ela
descansa a cabeça no ombro de Jake que não participou, June que está quase
caindo de sono. Liam nos olha rindo enquanto Niall coloca a mão na barriga e
diz não se sentir bem.
-Que ir pra casa, loirinho?
Eu pergunto rindo. Ele apenas me olha torto e me mostra o
dedo do meio.
-Irlandês idiota.
Eu reviro os olhos e murmuro para mim mesma quando todos
estão se levantando. Ed e a garota haviam ido embora há muito tempo, Harry
estava abraçado com Louis á mais de uma hora, Eleanor estava de braços cruzados
observando os dois.
-Venha, vou te levar para casa.
Liam diz estendendo a mão para me ajudar a levantar. Fiquei
sentada tanto tempo que não vi que Jake, Carolyn e June não estavam mais ali.
-Tudo bem.
Eu digo me colocando de pé. Não há quase mais ninguém na
área V.I.P., quem diga na balada inteira. Liam ajuda Niall a andar porque o
irlandês tropeça a cada três passos, eu os sigo vagarosamente, tentando não
cair por causa do salto. No meio do caminho, desisto e tiro o sapato, indo muito
mais rápido do que antes. Liam abre a porta do carona para mim enquanto Niall
coloca uma das mãos na cabeça antes de entrar.
-Acho melhor você levar o loirinho antes.
Eu digo entrando no carro. Liam ajuda Niall a entrar e
depois entra rapidamente, colocando o carro em movimento. Liam dirige mais
rápido porque o irlandês não para de reclamar no banco de trás. Liam entra na
garagem de um prédio alto e estaciona perto do elevador. Eu saio do carro e
observo enquanto Liam ajuda Niall a sair do carro, confesso que nunca teria
essa paciência que Liam tem com os garotos. Entramos no elevador e Liam pede
para que eu aperte o botão de número 15.
-Consegue abrir a porta, por favor?
Ele diz sorrindo enquanto estica a chave na minha direção.
Liam tem que suportar todo o peso de Niall que parece estar dormindo. Eu abro a
porta rapidamente e Liam entra com Niall. Os dois entram na última porta da esquerda
e eu vou fechar a porta, aproveito para colocar meu sapato no canto da sala.
-Nath, você pode vir aqui um instante?
Liam pede. Eu deixo a câmera e o celular em cima do balcão
que divide a cozinha. Caminho rapidamente até o quarto onde eles estão, Liam
está na porta do banheiro com o celular em uma das mãos.
-Você pode olhar ele um instante, eu preciso atender.
-Claro.
E ele sai do quarto. Eu entro no banheiro para dar de cara
com um Niall bêbado tentando tirar a camisa. É bem engraçado. Eu rio e vou
ajuda-lo.
-Seria mais fácil se você parasse de se debater.
Eu digo.
-Tudo bem.
Ele fica quieto e ergue os braços. Eu levanto sua camisa e a
tiro rapidamente. Não posso evitar olhar seu abdômen. Ele percebe que eu estou
olhando e me lança um sorriso torto.
-Vamos, entra no chuveiro.
Eu o empurro para dentro do box.
-Mas eu estou de calça!
Ele protesta e eu cruzo os braços.
-Não quero ver você de cueca, anda logo.
Eu abro o chuveiro para ele e o empurro para trás, assim ele
fica com a cabeça debaixo da água.
-Está fria.
Ele reclama fazendo bico.
-Fica quieto, irlandês.
Ele se cala e fica em baixo d’água por mais alguns minutos.
-Já está bom.
Eu digo desligando o chuveiro. Ele passa as mãos no cabelo
molhado e indica a toalha com a mão. Ajudo Niall a sair do box e ele se apoia
na pia.
-Você não espera que eu te seque, não é?
Ele faz uma careta e resmunga.
-Por favor.
Eu reviro os olhos e seco-o rapidamente. Ele pega a toalha
das minhas mãos e seca o cabelo. Queria saber por que fico olhando para seus
músculos definidos.
-Seria legal você parar de ficar me encarando, sabia?
Ele diz sorrindo e eu viro o rosto.
-Seria legal se você se vestisse adequadamente.
E saio do quarto para que ele possa se trocar. Estou quase
na sala quando ouço a voz de Liam.
-...Não é isso, ele está bêbado, só vim ajudá-lo.
Ele fica em silêncio enquanto a pessoa do outro lado da
linha responde.
-Dani, não vou deixar ele sozinho, o garoto mal consegue
andar! E você já está em casa, não está?
Ele pergunta e posso ouvir Dani responder.
-Mas queria que você viesse pra casa comigo. Mas tudo bem
Liam, fique aí com Niall.
Ela diz e a ligação é encerrada. Dou alguns passos e vejo
Liam passar a mão no rosto.
-Se quiser ir... Eu fico aqui com ele.
Eu digo e Liam sorri.
-Tem certeza? Niall costuma ser bem chato quando está assim.
Ele faz uma careta e caminha até mim.
-Pode ir, não quero que brigue com Danielle sem motivos. Eu
fico aqui.
Disse por fim. Ele sorriu, me abraçou por um momento e
depois se afastou.
-Vou avisar Niall, obrigado Nath.
Ele disse e andou até o quarto de Niall, ficou lá por alguns
minutos e depois voltou, indo rapidamente até a porta.
-Obrigada mais uma vez Nath, pode ficar á vontade.
-Imagina Liam, pode ir tranquilo.
E ele saiu do apartamento. Eu me sentei no sofá por um
momento antes de escutar alguma coisa caindo no chão. Andei rapidamente até o
quarto do Niall para encontrá-lo juntando alguns livros que estão no chão.
-Você devia estar dormindo.
Eu digo e me abaixo para ajudá-lo. Recolho os livros e os
coloco de volta na bancada.
-Não quero dormir.
Ele diz fazendo birra, parece até criança.
-O que você queria com esses livros de qualquer jeito?
Eu pergunto quando ele se senta na cama.
-Sei lá, eles estavam empoeirando aí em cima, eu nunca
cheguei a ver sequer o título deles.
Eu suspiro e me viro para sair do quarto, mas ele me chama.
-Nath...Você pode fazer um favor para mim?
Ele pergunta.
-Claro.
Eu digo.
-Na cozinha, tem um potinho azul numa prateleira, dentro tem
alguns remédios. Você pode trazer uma aspirina para mim?
Eu faço que sim com a cabeça e vou buscar o que ele pediu. A
cozinha de Niall é bem grande, é separada da sala com um balcão, os armários
são de madeira clara e o resto da cozinha é de mármore preto. Não demoro para
achar o pequeno pote azul na prateleira em cima do fogão. Pego a cartela de
aspirinas e procuro os copos. Encho um com água e levo até Niall. Ele está
deitado na cama, está com uma bermuda cinza e sem camisa.
-Eu disse pra você se vestir adequadamente.
Eu digo quando entro no quarto. Ele sorri e estica a mão
para pegar o copo com água. Entrego para ele um comprimido e deixo a cartela em
cima da bancada. Ele termina de beber e me entrega o copo vazio.
-É só isso?
Eu pergunto antes de sair. Ele abre a boca para dizer algo,
mas a fecha e diz em seguida.
-É só isso. Obrigado Nathalie.
Eu reviro os olhos e saio do quarto, deixo o copo na pia e
me deito no sofá. Durmo quase que imediatamente.
Acordo com alguma música infernal tocando, demoro a perceber
que é o meu celular. Levanto a cabeça e percebo que estou coberta com um
edredom, me levanto com uma dor insuportável no pescoço, quando chego ao
celular, ele para de tocar.
-Puta merda.
Eu resmungo e largo ele de volta na mesa.
-Bom dia para você também.
Niall diz com uma voz rouca, ele se espreguiça e caminha até
mim.
-Não me venha com gracinhas, irlandês.
Ele passa por mim e dá a volta no balcão de que separa a
cozinha da sala, ele pega uma maçã da fruteira e dá uma mordida antes de
responder.
-De onde você tirou isso de me chamar de irlandês?
Eu dou de ombros.
-Você estava me enchendo e me veio á mente.
Ele fez uma careta e deu outra mordida. Eu esfreguei as
têmporas e sentei de novo no sofá.
-De nada.
Ele falou de repente.
-Tá falando do quê?
Eu digo irritada, não entendo esse garoto.
-Se não fosse por mim, teria congelado na madrugada.
Então foi ele que colocou o edredom.
-Obrigada.
Eu disse e voltei a massagear a testa, vendo se minha cabeça
parava de latejar.
-Uma aspirina resolveria.
Eu olhei na direção que ele estava, Niall ainda comia a maçã
tranquilamente apoiado no balcão. Eu me levanto e ando até o seu quarto onde
deixei a cartela com as pílulas. Encontro-a pela metade na bancada do quarto
dele. Pego a cartela e ando de volta até a cozinha.
-Bom saber que você anda assim pela minha casa.
Ele disse quando passei por ele.
-Não me enche. Aliás, Liam falou que eu poderia ficar á
vontade.
Eu peguei um copo e coloquei água, tomando junto com o
remédio em seguida. Coloquei tudo na pia e me virei para Niall.
-Quer parar de me encarar?
Eu pergunto, mais irritada do que antes. Ele apenas ri.
-Se estou certo, quem estava me encarando ontem era você.
Ele dá outra mordida na maçã e sinto meu rosto esquentar.
-Claro que não! Tá maluco? Você estava tropeçando de bêbado,
não poderia ter certeza de nada.
Eu digo passando por ele.
-Se não tenho certeza, porque você está toda vermelha?
Ele pergunta com um sorriso travesso nos lábios, mas antes
que eu responda, meu celular toca sinal de mensagem.
“Vem pra casa? – Jake.”
O que diabos aconteceu pra esse garoto ficar assim? Respondo
rapidamente, ajeito a jaqueta e pego a câmera.
“Estou indo, aconteceu alguma coisa?”
Ele não responde. Niall me acompanha com os olhos até a
porta, aperto o botão do elevador e espero no hall. Ele anda até a porta e
encosta no batente.
-Já vai?
Ele sorri. Por mais estranho que pareça aquilo me parece
familiar.
-Já, pena não podermos continuar a discussão.
Eu entro no elevador.
-Mas não era uma discussão...
-Até mais irlandês!
Eu digo quando as portas se fecham. Não posso evitar sorrir,
a cara que ele fez quando as portas se fecharam foi épica. Eu calço os sapatos
no lobby do prédio e chamo um táxi que me deixa na porta do meu próprio prédio.
Subo rapidamente temendo que algo tenha acontecido com Jake, ele parecia tão...
Estranho.
-Jake?
Pergunto batendo na porta e tocando a campainha, lembrando
que deixei a chave de casa com Carolyn ontem á noite.
-Já vai!
Ouço alguém gritar lá de dentro. Carolyn abre a porta com
uma mão na testa.
-Não precisa gritar.
Ela diz irritada e abre passagem para que eu entre.
-Onde está Jake?
Pergunto preocupada.
- No seu quarto. Está lá desde ontem á noite. Onde estava?
-Fui ajudar Liam com Niall e acabei dormindo na casa dele.
Carolyn deu um sorriso malicioso, fechou a porta e se deitou
no sofá. Eu andei vagarosamente até meu quarto para achar Jake deitado de
bruços na minha cama.
-E aí, chato?
Eu digo com um sorriso. Ele dá um sorriso fraco e se levanta.
-O que houve?
Eu digo sentando na ponta da cama, ele coloca a cabeça no
meu colo.
-Eu beijei Carolyn.
Ele disse.
-Eu sei.
-Você não entende...
Ele continuou mas deu um suspiro antes de parar de falar.
-Se você me explicasse, eu conseguiria entender.
Digo passando a mãos nos seus cabelos, tentando acalmá-lo.
-Eu beijei Carolyn... E gostei disso! Por mais estranho que
seja, gostei de ter feito isso, mas ela não faz ideia. A mínima ideia de que
essa sua brincadeira maluca possa estar significando para mim.
-Você acha melhor parar?
Eu digo encarando-o.
-Não. Acho que consigo conquistar a loirinha.
Ele dá um sorriso de verdade. Sorrio junto com ele.
-Falando em conquistar pessoas...-Ele faz uma pausa e
observa o meu rosto- Onde senhorita
passou a noite?
Eu sorrio e bagunço seus cabelos.
-Niall estava caindo de bêbado, vocês tinham sumido e Liam
se ofereceu pra me dar uma carona. Mas o irlandês estava tão mal que o deixamos
primeiro, e Liam foi cuidar dele, mas a namorada ligou e brigou com ele então
eu disse que cuidaria do menino. Passei a noite lá.
-O que eu disse sobre algum britânico gamar em você?
Ele pergunta sério e eu rio.
-Ele não é britânico, e não está gamado em mim!
Nós começamos a rir e a conversar, quando June dá duas
batidas na porta do quarto e entra.
-Está na hora, vocês vem?
-Claro, vou só trocar de roupa!
Eu digo. É uma pena que June tenha que ir, sua companhia é
muito boa e realmente sinto falta da casa lotada quando ela não está. Jake sai
sem que eu peça e eu me troco rapidamente. Apenas troco a calça de couro por
uma calça jeans, o top e a blusa de couro por um moletom quentinho e coloco um
all-star. Saio do quarto rapidamente com o celular e a carteira em mãos.
-Vamos?
June está com as malas perto, ela dá um sorriso mas eu sei o
quanto ela queria ficar. Gillingham não é tão divertida quando Londres, e eu
sei o quanto ela queria morar aqui. Jake carrega as malas dela para fora,
acompanhado por Carolyn.
-Respira fundo, apenas mais alguns meses e você pode morar
aqui. Dividimos um apartamento se for preciso.
Eu sorrio e coloco minha mão em seu ombro, encorajando-a a
sair do apartamento. Todos nós permanecemos em silêncio, no elevador, no carro
e esperado que o Voo de June seja chamado.
-Vou sentir falta de vocês!
June diz quando a voz soa em nossos ouvidos, avisando que os
passageiros do voo 214 para Gillingham podem ir até o portão de embarque. Todos
nós abraçamos June, quando nos afastamos vejo que ela está com os olhos
marejados.
-Relaxa, mais alguns meses. E estaremos comendo pizza e
vendo tv no meu apartamento.
Eu sorrio.
-Isso, e não se esqueça das compras!
Carolyn completa.
-E de mim!
Jake diz, arrancando um riso de nós três.
-Obrigada pessoal. Vejo vocês por aí.
Ela diz, dá um aceno tímido com a mão e embarca.
-Droga, minha cabeça já está doendo. Chorar só vai piorar.
Carolyn diz enquanto enxuga algumas lágrimas. Eu passo meu
braço pelos seus ombros e esperamos até que o avião decole para ir embora.
Seguimos em silêncio até um Dunkin’ Donuts que havia algumas quadras depois do
aeroporto. Comemos em silêncio e voltamos para casa, ninguém estava muito afim
de falar. Subimos até o apartamento e cada um foi para um lugar, Jake ficou na
sala e eu e Carolyn fomos para nossos respectivos quartos. Fechei a porta e
comecei a tirar a minha roupa, deixando-a num cesto de roupa suja que há no meu
quarto. Entrei no banheiro e me permiti ficar lá por uns bons quarenta e cinco
minutos, saí quando percebi que estava lembrando do abdômen definido de Niall.
Sacudo a cabeça para espantar os pensamentos, me enrolo na toalha e saio para o
meu quarto. Coloco um pijama leve apesar do tempo nebuloso lá fora. Caminho até
minha cama, me enrolo no cobertor e durmo por um longo tempo.
P.O.V- Annie DeLarue
Alguns dias antes.
Nathalie me deixou na porta do restaurante, eu estava
nervosa. Suspirei e entrei no lugar. Era bem decorado, as mesas ficavam
afastadas uma das outras para dar privacidade e garçons bem vestidos estavam
atendendo os clientes.
-Você chegou!
Ouço a voz rouca de Harry á alguns metros de mim, ele
caminha rapidamente até onde estou e me cumprimenta com um longo beijo na
bochecha. Eu ajeito o cabelo atrás da orelha e sorrio para ele. Todas aquelas
amigas colegiais me faziam falta agora, elas podiam ter me avisado sobre
comportamento com o menino que você gosta.
-Vamos nos sentar?
Ele pergunta, esticando a mão na direção das mesas. Eu
concordo com a cabeça e vou na frente. Ele puxa a cadeira para mim e depois se
senta na minha frente. Tudo aquilo parece surreal.
-É bom vê-la outra vez Annie. Você está... Linda!
Ele diz e sorri encantadoramente. Não deixo de notar algum
flash vindo do lado direito.
-Obrigada, você também está.
Aí percebo o que falei.
-Desculpa... Não quis dizer linda, quis dizer lindo- Eu vi
que ele estava rindo- você me entendeu.
-Entendi.
Eu apoio as mãos na mesa e ele coloca a sua mão sobre a
minha.
-Espero não estar estragando tudo.
Ele diz e sorri timidamente. Harry Styles é todo sorrisos.
Eu nego num rápido movimento de cabeça e sorrio para ele. O garçom chega para
anotar os pedidos e Harry não tenta pedir para mim, o que com certeza me
deixaria com muita raiva. Ele apenas me olha atentamente enquanto eu escolho
algo que parece gostoso no cardápio.
-Há quanto tempo trabalha na livraria?
Ele pergunta assim que o garçom sai.
-Desde sempre, minha avó é dona do lugar.
Eu digo e tomo um gole de água, que o garçom colocou em
taças na mesa.
-Desculpe, sei que não gosta de falar sobre a sua família.
-Não tudo bem, não gosto de falar sobre meus pais. Tirando
isso, tudo normal.
Ele sorri.
-Onde você estuda?
-Como sabe que eu estudo? – Eu rio- Faço jornalismo na Bournemouth.
Ele faz uma cara de “interessante” e continua perguntando. “
Banda favorita? Ramones” “Música favorita? Lost in Stereo do All Time Low” “Mas
você não era fã do Ramones? Ser fã não significa que minha música favorita seja
deles” “Tem alguma tatuagem? Uma estrela na nuca, você tem?”Eu me arrependo de
perguntar porque ele faz umas listas de todas as inúmeras tatuagens que tem. Ao
todo 27 tatuagens. “Gato ou cachorro? Gato” “Algum medo? Aranhas, mas porque
você tá perguntando isso?”.
-Seu cabelo é ruivo natural?
Ele apoia a cabeça nas duas mãos entrelaçadas.
-Harry! Mas é claro que é ruivo natural.
Eu digo, enrolando o macarrão no garfo. Nossos pratos
chegaram há alguns minutos atrás e Harry não havia parado de perguntar coisas
para mim.
-Legal.
Ele diz, comendo um pouco do seu prato também. E aí, quando
tudo estava parecendo perfeitamente normal, algumas meninas começam a gritar do
lado de fora. Elas se apoiam no vidro, gritam, apontam em nossa direção,
algumas estão chorando.
-Ahn... Harry?
Eu desvio o olhar e os flashes nos atingem, são muitos e
mesmo de longe, é difícil se concentrar.
-Desculpe por isso.
Ele pega a minha mão e me guia pelo interior do restaurante.
Fala por alguns minutos com um dos garçons e conseguimos sair por uma porta
lateral. Ele caminha até o estacionamento e abre a porta para que eu entre no
Land Rover preto. Eu entro e coloco o cinto, ele entra logo depois, dando a
partida.
-Eu realmente sinto muito por isso Annie, é muito chato e
raramente acontece. Me desculpe.
Ele suspira e começa a dirigir.
-Você vai me levar pra casa?
Eu pergunto, olhando para ele.
-Você quer ir para casa?
Ele diz, noto seus olhos verdes. Onde eu estava com a
cabeça? Sair com um famoso.
-Quero.
Eu digo e vou dando as instruções. Assim que chegamos, ele
sai do carro primeiro, e abre a porta para mim. Um total cavalheiro. Harry me
acompanha até a porta, e então nos encaramos.
-Sinto muito pelo que aconteceu no restaurante.
-Não se preocupe.
Eu digo. E então ele se aproxima perigosamente, eu desvio o
rosto antes que seus lábios toquem os meus.
-A gente se vê.
Eu digo entrando rapidamente em casa. Sei que o magoei. Sei
disso. Mas não poderia aguentar sabendo que nunca mais poderia beijá-lo. Subi correndo
gritando um “Oi!” Para a minha avó que deveria estar no escritório. Eu subo
para o meu quarto, Nathalie estava certa, eu estava bonita com aquelas roupas.
Me deito na cama e tento não pensar em Harry. Como pude deixar que aquilo
acontecesse? Como pude achar que nós dois daríamos certo?
Eu durmo sem perceber e só acordo com o sol batendo no meu
rosto de manhã. Vou tomar banho e fazer minhas higienes antes de ir para a
livraria. Coloco uma roupa de frio porque neva em Londres, e saio de casa.
Passo o dia inteiro ignorando as mensagens de Harry, e a noite, estou quase
dormindo quando meu celular vibra em baixo do travesseiro. Eu atendo sem ver o
número.
-Alô?
Eu digo, minha voz estava rouca então eu limpo a garganta.
-Você está brava
comigo não está Annie?
Ele pergunta. Deus como eu queria não ter atendido o
telefone.
-Não estou brava
Harry, só estou...
Eu digo me sentando na cama.
-Está?
-Só não vejo como
poderíamos continuar com isso. Você é um cantor, é famoso, bonito, milhões de
garotas morreriam pra falar com você, e eu... Eu trabalho numa livraria pra
pagar a faculdade, tenho vários problemas de insegurança e fico revivendo o
passado com os meus pais... Não tem como isso funcionar, Harry.
Ele demora um pouco antes de responder.
-O que está tentando
dizer?
-Estou tentando dizer
que acho melhor que não nos falemos de novo.
Minha voz sai abafada, é difícil falar isso para ele.
-Ótimo.
-Sinto muito Harry.
Ele termina a ligação logo em seguida. Eu me deito e choro
antes de dormir. Não posso amar Harry Styles. Não mesmo.
P.O.V.- Harry Styles.
Ela acabou de dizer que não daríamos certo. E eu achando que
tinha feito tudo direitinho, pelo menos com ela.
-Droga.
Eu digo esmurrando meu travesseiro. Mas antes que me permita
pensar em Annie, endireito os ombros e saio de casa. A La Belle é hoje. E eu
sou um homem solteiro.
Depois de encontrar Ed e Nathalie, eu me separo um pouco dos
garotos, e acabo achando algumas garotas. Fico com uma morena, uma loira, outra
morena, essa aqui tem o cabelo colorido, uma mais alta, outra mais baixa e
então uma ruiva. Seu cabelo é um de um vermelho vivo, ela está sorrindo a mais
de meia hora. Eu me aproximo e coloco minhas mãos em sua cintura.
-Olá.
Ela sussurra no meu ouvido. Dou a ela meu melhor sorriso
antes de beijá-la. Minha língua está explorando sua boca e as mãos dela estão
no meu cabelo. Por debaixo da blusa preta que ela usa, minhas mãos estão em
suas costas. Mas nada acontece. Eu não sinto nada especial. Nos afastamos
ofegantes, ela sorri, me dá um selinho e se afasta. Eu arrumo meu cabelo e
volto para onde todos estão sentados.
-Participar do quê?
Chego perguntando quando vejo Niall saindo dizendo um “Vou
participar também”, me sento de frente para Nathalie.
-Nathalie acha que consegue beber mais do que eu.
Zayn diz e ri logo depois. Faço uma careta.
-Essa eu quero ver.
-Tudo bem então, faça como seu amigo loiro, eu consigo beber
mais do que todos vocês.
Depois que o jogo acaba todos estão bêbados o suficientes
para causarem um grande estrago. Mando uma mensagem para Paul pedindo que ele
ajude o pessoal com os carros, não poderíamos dirigir assim. Ele chega algum
tempo depois me dando um sermão dizendo que adolescentes não deveriam beber
tanto assim. Paul me deixa em casa e eu desabo na minha cama, com o celular em
mãos. Digito algo no meu celular e ela
atende.
-O que você quer
Harry?
O jeito que ela diz meu nome faz meu coração doer.
-Conversar.
Eu digo com a cabeça girando.
-Não temos nada para
conversar, especialmente ás três da manhã.
Ouço ela suspirar do outro lado da linha.
-O que eu fiz de
errado Annie?
Eu digo mas as palavras saem enroladas.
-Você está bêbado não
está? Deus....
-Me diga Annie.
-Não diga meu nome
desse jeito, até parece que...
Ela se cala.
-Parece o que?
Eu tento mas ela me corta rapidamente.
-Nada Harry. Tome um
remédio, vá dormir. E não me ligue ás três da manhã.
Ela desliga na minha cara. Eu jogo o celular por aí e
adormeço rapidamente.
P.O.V- Nathalie
Simmons
Acordei assustada, ouvi algum barulho alto que me fez
acordar. Já era tarde, pelo menos umas cinco horas. Alcancei o celular e vi
três mensagens.
“Você vem jantar
comigo não é Nathalie? – Tyler”
“Cheguei em casa,
sinto saudades de vocês- June”
“Vamos almoçar com os
garotos amanhã? Tive uma grande ideia!-Liam”
Esfreguei os olhos e me ajeitei na cama antes de digitar um
“Ainda vou ver” para Tyler, um “Estamos com saudades também, fique tranquila”
para June e um “Que ideia? Vamos sim.” Para Liam. Escovo os dentes no banheiro,
prendo o cabelo num coque frouxo e vou ver o que está acontecendo na sala. Jake
está deitado no sofá como sempre.
-Aconteceu alguma coisa?
-A loirinha acordou estressada e bateu a porta. Nada de
mais.
Eu suspiro e me sento no braço do sofá.
-Nós vamos jantar com Tyler hoje?
Ele faz uma careta e me encara.
-Você quer mesmo não quer?
Eu abaixo a cabeça. Talvez eu queira.
-Então vamos, Tyler era meu melhor amigo, e talvez ele tenha
cometido um erro idiota.
Dou um sorriso fraco.
-Vou dizer pro Tyler.
E volto para o meu quarto, pegando o celular na bagunça de
lençóis, travesseiros e edredons que é a minha cama.
“Eu e Jake vamos,
onde e que horas? Xx Nath”
Eu em envio a mensagem e vejo que Liam respondeu.
“Surpresa, vamos no
Nando’s amanhã á uma da tarde Xx Liam”
Eu sorrio e digito uma resposta.
“Odeio surpresas. Mas
estarei lá. Xx Nath”
Eu deixo o celular na bancada e vou arrumar meu quarto.
Começo tirando tudo da minha cama e colocando em ordem. Depois junto à roupa
suja do cesto e levo para a lavanderia. Meu quarto está bem mais arrumado. O
celular apita em sinal de mensagem e vejo que Liam e Tyler responderam.
“Aquele pub perto de
casa. Oito horas. Xx Tyler.”
Envio um Ok e consulto o relógio. São quase sete e meia.
“Tenho certeza que
vai gostar dessa, mas tenho que ir, os garotos estão aqui. Xx Liam”
“Quero só ver. Manda
um beijo pra eles. Xx Nath”
Eu deixo o celular em cima da cama e resolvo tomar outro
banho. Demoro um pouco mais do que o necessário para sair. Me troco
rapidamente. Uma calça jeans, uma camisa azul e uma ankle bootie preta.
(http://www.polyvore.com/cgi/set?id=65087887&.locale=pt-br)
Pego minha bolsa e meu celular, mas não encontro Jake na sala. Na verdade, não
há ninguém em casa. Eu ligo para Jake.
-Onde você foi?
Eu pergunto quando ele atende. Está num lugar bem
barulhento.
-Carolyn me arrastou
pra um lugar. Estou cercado pelos colegas de trabalho dela.
-Eu prometi que não ia
sem você. O que eu faço agora?
-Vai até onde Tyler
está, seu saio daqui rapidinho e te encontro lá. Pode ser?
-Pode ser. Tchau Jake.
-Tchau Nath.
Encerrei a ligação e fui até o lugar que deveria encontrar
Tyler. Enquanto Jake não chegava, eu fiquei esperando-o do lado de fora. Tyler
me mandou umas cinquenta mensagens perguntando se eu iria vir, até ele mesmo
vir do lado de fora e me encontrar.
-Oi Nathalie!
Ele me abraçou rapidamente e me puxou pela mão até lá
dentro.
-Onde está o Jake?
Ele pergunta.
-Ele está vindo, tá enrolado com uma amiga.
Tyler dá um sorriso malicioso e aponta para o bar.
-Vamos beber alguma coisa enquanto ele não chega?
-Claro.
Eu concordo e o sigo, me sentando ao seu lado na mesa
comprida do bar. Logo um garçom vem nos atender.
-O que desejam?
Ele pergunta.
-Uma cerveja e...- Tyler me encara e eu completo.
-Duas por favor.
O garçom assente com a cabeça e saí para buscar as bebidas.
-Você odeia cerveja.
Tyler diz.
-Não odeio- Eu dou de ombros- só não é minha bebida
favorita.
Nós sorrimos.
-Me diz como foi sua vida até aqui.
Ele diz.
-Eu terminei o colégio, Jake implorou pra que eu não viesse
para Londres, mas não funcionou- Eu sorri- fiz minha faculdade, conheci pessoas
maravilhosas e estou trabalhando numa das revistas mais famosas do Reino Unido.
E desde que trabalho lá, minha vida só tem melhorado.
O garçom trouxe as garrafas e deixou á nossa frente no
balcão. Tyler ergueu a sua garrafa e brindou comigo.
-Bom, eu também terminei o colégio. Ganhei uma bolsa para a
Colgate University por jogar futebol, aí comecei a jogar pela universidade, um
olheiro estava no jogo da final e gostou de mim. Dois meses depois fui mandando
para Londres para jogar no Arsenal. Arsenal! Sabe o que é isso?
Eu dei um sorriso.
-Muitas garotas, festas chiques e fazer o que você gosta?
-Não esqueça dos comerciais.
Ele disse e tomou um gole da bebida. Continuamos conversando
até o número de garrafas á nossa frente ser seis. Meu telefone tocou.
-Espera. Espera!
Eu digo a Tyler que estava prestes a contar o final de uma
piada sem graça.
-Diga!
-Nath?
-Eu!
Que empolgação é essa? A pessoa do outro lado da linha ri e
volta a falar.
-É o Niall.
O sorriso em meu rosto some. Eu não sei o que se passa na
minha cabeça.
-Onde conseguiu meu
número, irlandês?
-Liam me deu...
Escuta, você vai almoçar com a gente amanhã?
O que esse garoto quer?
-Tinha falado para ele
que ia- Tyler me interrompe-
-Desliga Nathalie! Você vai perder a melhor parte!
Tyler ri.
-Então tudo bem. Nos
vemos amanhã.
E Niall desliga. Sem mais nem menos.
-Que estranho.
Eu murmuro para mim mesma enquanto guardo o celular na
bolsa.
-O que foi?
Tyler me pergunta.
-Não. Nada. Continue com a piada.
-Tá, vou começar de novo. Dois canibais estavam conversando
quando passa uma mulher sem os braços, ai o canibal vira pro outro e diz “Tá
vendo aquela mina ali? To comendo.”
Eu começo a rir. A piada não teve graça nenhuma, mas Tyler
contou com tanta convicção que comecei a rir dele, achando que aquilo tinha
graça. Depois que paro de rir olho para cima e vejo as horas no relógio do bar,
passa da meia noite e Jake não veio. Começo a ficar preocupada.
-Tyler eu... Tenho que ir.
Eu digo descendo do banquinho mas ele segura a minha mão.
-Não vá! Eu acabei de lembrar outra piada muito boa!
Ele diz e dá um sorriso torto de partir corações.
-Tenho mesmo que ir, tenho que revelar as fotos que tirei e
preparar uma reunião na segunda.
Ele faz um biquinho e desce também. Sem soltar a minha mão.
- Então vou te acompanhar até em casa. Não aceito “não” como
resposta.
Ele diz e vamos caminhando até o carro dele, que está
estacionado á alguns passos do pub.
-Tem certeza que está bem pra dirigir?
Eu pergunto, já que eu mesma me sinto um pouco tonta.
-Tenho sim. Vamos.
Ele abre a porta para mim e entra logo depois.
-Você sabe que eu moro aqui perto, não tem o porquê me levar
de carro.
Eu digo e sorrio. Tyler dá de ombros e começa a dirigir. Eu
vou dando á ele as instruções de como chegar no meu prédio e assim que chegamos
ele sai para abrir a porta pra mim.
-Você não era tão cavalheiro assim no segundo ano.
Eu digo enquanto ele me ajuda a sair do carro.
-A gente muda.
Ele sorri e me puxa pra perto, eu poderia tê-lo impedido mas
não o fiz. Tyler me beija e eu não reajo, mas também não o impeço.
-Até mais Nath.
Ele diz e dá a volta para entrar no carro. Me deixando
plantada em frente á recepção do meu prédio.
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